terça-feira, 17 de junho de 2008

Lógica do mundo adulto

É, definitivamente o Yuri está começando a perceber o que lhe espera na vida adulta.
Dia desses ele me perguntou:

"Mãe, por que as férias da escola demoram tanto pra chegar?
E por que, quando chegam, passam tão depressa?"

Pois é, meu filho... dúvidas pertinentes a todos os mortais...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Otimismo

A cada dia que passa, eu acredito mais.
Caio está um lindo, como nunca antes:

• Aumentou seu peso em 1kg200, em 50 dias efetivos de tratamento nutricional. Se fechar com a balança do gastro-chato, estamos a apenas 800gr da meta estabelecida e ainda faltariam 6 meses pro nosso prazo final, pra ele entrar na curva do peso.

• Está líquido e certo: ele conseguiu vaga numa fonoterapia especializada. Vai começar dia 17/07, mas já está garantido. E mesmo antes de começar, é impressionante como ele está cada dia mais "falante".

• O intestino, na carona do tratamento nutricional, está ótimo. Depois de 2 anos de uso contínuo, ele está há 30 dias sem precisar de laxante.

• Seu sistema imunológico está ótimo. Ele até pegou uma otite antes do aniversário, mas considerando que foi um episódio em 9 meses, tá tudo dentro de padrões de normalidade. E na seqüência, com as baixas temperaturas e oscilações metereológicas que têm feito aqui, todos lá em casa ficaram gripados. Menos o Caio.

• Ele não pára mais! Sentado no bebê conforto, firma os pés no chão e impulsiona o corpo, querendo levantar. Não, ele ainda não consegue. Mas estou certa de que é uma questão de tempo, como tudo.

• E a grande novidade: ele come sozinho! Tá, ele não come. Mas quer. Leva a mão até a mão de quem lhe dá comida, pegando a colher. Se não damos, ele fecha a boca e faz não com a cabeça. Se damos, é comida pra tudo quanto é lado. As orelhas e o cabelo comem que é uma beleza! Mas o mais inportante disso tudo é aquilo que sempre pedi em minhas orações: a vontade consciente dele de realizar, de fazer mais.


Minha fé está engrandecida.

E, pra ajudar, dia desses li uma reportagem na revista Isto É. Com a maravilhosa aprovação das pesquisas com células-tronco embrionárias, os estudiosos imaginam que em 5 anos os tratamentos advindos delas poderão ser usadas em larga escala.

Cinco anos... Parece muito. Mas se for a garantia de qualidade de vida para o Caio e tantos outras crianças, especialmente, tá ótimo. Imagino, feliz, que se nada daquilo que tanto acredito der certo, as células-tronco lhe trarão boas novas. Assim seja!

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos Namorados - 18 anos juntos

Não precisa mudar
Vou me adaptar ao seu jeito
Seus costumes, seus defeitos
Seu ciúme, suas caras
Pra quê mudá-las?

Não precisa mudar
Vou saber fazer o seu jogo
Saber tudo do seu gosto
Sem deixar nenhuma mágoa
Sem cobrar nada

Se eu sei que no final fica tudo bem
A gente se ajeita numa cama pequena
Te faço um poema, te cubro de amor

Então você adormece
Meu coração enobrece
E a gente sempre se esquece
De tudo o que passou

(Não precisa mudar - Saulo e Gigi)

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Meu sol





Não dá pra sentir frio, apesar do forte inverno que se anuncia.
Só um calor gostoso no coração...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Boas novas

Notícias para o Brasil comemorar e das quais deve se orgulhar. Que sejam as primeiras de muitas outras que virão, falando de inclusão, solidariedade, avanços médicos e liberdade.

Supremo libera pesquisas com células-tronco embrionárias

Jovem com paralisia cerebral recebe carteira da OAB

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Somos quem podemos ser

O título deste post é também título de uma música de uma banda gaúcha de quem fui sempre muito fã, os Engenheiros do Hawaii (cujos shows curti muito no fim dos anos 80).
Tantos anos, depois, me convenço do quanto eles estavam certos.

Hoje, trouxe o Caio pra uma avaliação no dentista, que fica em frente à minha sala, no meu endereço comercial. Yuri, enciumado, quis vir junto pra ficar jogando na internet enquanto o mano era atendido. No horário do meio-dia fui levá-los em casa, até porque o Yuri tem aula. Quase na minha esquina, reencontro a Gê. Uma grande amiga da minha mãe, também me foi uma querida amiga no final da minha adolescência. Ela mora no mesmo conjunto habitacional, mas eu nunca mais a tinha visto. Sei que ela tem uma bisneta deficiente, com 6 anos de idadde, com paralisia cerebral severa, não movimenta nenhuma parte do corpo, é cega. Volta e meia ela encontra minha mãe com o Caio e elas conversam.

Ela olha o Caio com aquele olhar que eu costumo lançar aos filhos de minhas amigas, da idade do Caio ou menores, quando os vejo realizando as normais (e no meu caso, sonhadíssimas) estripulias infantis. E pela segunda vez, ouço alguém me dizer: "ah, se ela pudesse ser como ele". Ela se referia à bisneta, claro. Disse que eles seriam muito felizes se ela pudesse interagir como o Caio, se movimentar, enxergar, brincar... Ela disse que fica triste porque no caso de Ingrid, sua bisnetinha, não há nem nunca houve nenhuma perspectiva de melhora. Me desejou boa sorte, disse que sabe que com o Caio a história será diferente...

Mais uma vez pensei naquilo que muitas vezes me parece pouco ou insuficiente, seria o tudo para alguém. A mãe da Brenda, ano passado, e hoje a bisavó da Ingrid, me fizeram novamente olhar pra minha vida com mais humildade e gratidão.

E movida mais pela razão do que pelo coração, preciso agradecer mais uma vez ao Pai, o filho lindo que Ele me destinou.

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...
A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...
A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
(Somos quem podemos ser - Humberto Gessinger)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A esperança

Penso exatamente como ele...


A esperança

Eu tenho uma desconfiança de que uma das causas básicas da loucura é a ausência completa da esperança.Porque está comprovado que a causa básica do suicídio é a ausência mais completa da esperança.E quando o desesperado não consegue suicidar-se por qualquer razão, entre tantas a falta de coragem, ele acaba enlouquecendo.

Isso tudo porque quando a gente passa pela rua e vê aquela multidão indo e vindo, o que a move é, em última essência, a esperança.O que leva as pessoas à frente é a esperança.Até mesmo as pessoas felizes circunstancialmente têm a esperança de que continue sua felicidade - ou de que, se ela se for, retorne em outra oportunidade.

Os crentes de todas as religiões nutrem a esperança de serem acolhidos no reino dos céus, de encontrarem-se em outra vida com seus profetas e com Deus.Apenas, no caso dos crentes, a esperança tem outro nome: fé. Mas a fé é a base de todas as religiões. Por ela, os fiéis têm a certeza de que serão salvos, que estão no único caminho certo. E isso os anima na vida e os faz diferentes das outras pessoas desnorteadas ou repletas de dúvidas.

As mulheres jovens se incendeiam na esperança de virem a ser mães. E as mulheres que já foram mães têm como única razão de vida a esperança de que seus filhos se realizem e sejam felizes.O cadete tem esperança de vir a ser coronel, o soldado de vir a ser sargento, o taxista de vir um dia a deixar de ser empregado e vir a ser proprietário de um táxi.

É imprescindível a esperança na vida das pessoas. Nem que seja a esperança de vir a ter esperança.A capacidade de pensar de um cérebro, de pulsar de um coração e de manter-se ereto e movimentar-se de um corpo dependem da esperança.Quando não houver mais esperança, a pessoa desiste e morre. Ou enlouquece, é o meu palpite, porque a ciência ainda não identificou bem a causa da loucura.Eu aposto que é a ausência mais completa da esperança.Por isso é que Chesterton, um dos maiores pensadores modernos, disse "que louco é aquele de quem tiraram tudo menos a razão".

E o que quis dizer Chesterton com isso? Que foram tiradas tantas coisas de uma pessoa, todos os seus encantos, sonhos, haveres, afetos, crenças, a esperança, todos os seus valores, destroçaram-na e decepcionaram-na tanto, que acabou sobrando-lhe só a razão. Sozinha, ela também soçobrou e deu lugar à loucura.A pessoa virou nada porque a razão não sobrevive sem os fatos.Os fatos é que muitas vezes se desenrolam desastradamente sem a razão.

Toda a energia do homem deriva da esperança, isto é, da convicção, da certeza ou até dúvida de que poderá vir a ser feliz.Como já expliquei outra vez, em face de que a felicidade, por ser efêmera, não existe, o dever do homem, em última análise, é procurar vir a ser menos infeliz.Mas mesmo não podendo vir a ser feliz, porque a felicidade não existe, o homem obviamente sobrevive sem a felicidade.Mas não tem nenhuma chance de sobreviver sem a esperança de ser feliz.

(Paulo Sant'Ana - Jornal Zero Hora, 25/05/2008)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Foi assim...

A decoração... muito linda!
A família Buscapé

Eu e meu primogênito - descobri que sou mãe do Homem Aranha e que ele tem 8 anos!

O outro aniversariante amou a mesa do bolo... mas tava todo dengoso e queria colo!


Meus 3 rapazes...

A avó paterna - Carmelita - que fez vários salgados deliciosos!

A avó materna - Ideli - que patrocinou os docinhos!

Minhas amadas amigas! Eu, Babi, Ísis, Val com Ana Clara e Márcia POA

Agora, com a filharada: Rafael no colo da Márcia (a Gabi devia estar "ocupada" com a recreacionista), eu, Yuri, Ísis com Theo, Babi com Caio e Adri com Marina

Yuri e seus melhores amigos da escola: Victor, Fernando e Leonardo

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Check list

Faltam 2 dias:

- Salão: OK
- Decoração Cocoricó: OK
- 1 Recreacionista + Cama elástica: OK
- Bolo: Ok, encomendado
- Cachorro-quente: pães encomendados, demais material idem
- Salgadinhos: devidamente distribuídos entre quem vai fazer/colaborar
- Docinhos: 250 enrolados + 250 a serem enrolados hoje à noite
- Bebidas: OK, compradas
- Lembrancinhas: OK, feitas
- Descartáveis: OK
- Som: ainda criando um CD pro Yuri (gosto musical de "pré-adolescente")
- Guloseimas: comprar hoje à tarde

Amanhã:
- Manicure ao meio-dia
- Compra de roupas pra mãe e tênis pro Yuri
- Cortar o cabelo do Yuri*
- Controlar a ansiedade anual

Sábado:
- Curtir, curtir e curtir!

* Caio é mais organizado: a roupa e acessórios já estão definidos e o corte de cabelo também já foi realizado.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A ótica da maternidade

Ontem foi a homenagem da escola do Yuri ao dia das mães. Claro que me debulhei em lágrimas. Vejo meu menino crescendo e eu sempre às voltas com questionamento se estou sabendo deixar meu amor impresso em nossa relação. Seu sorriso quando me viu ontem e o beijo quentinho recebido atestam que sim, está tudo nos conformes.

Recebi como presente uma pequena bandeija de café, pintada por ele mesmo, decorada com um coração. Dentro, alfajores feitos por eles, além do valioso cartão: "Mãe, você é a mais bela entre todas. Eu amo você. Você é meu coração".

Como sempre me emocionei muito com a música que eles cantaram em nossa homenagem.
Este ano foi "Esperando na Janela", que eu, com gosto musical assumidamente brega, já gostava.
Agora, é impressionante como, vista com ótica materna, toda e qualquer música que fale de amor se pode ser tornar "a nossa música". Como o olhar de mãe é complacente e torna tudo mais belo, mais alegre, mais simples. Às vezes penso que o mundo deveria girar movido ao amor materno.

Yuri & Caio: vocês são a verdade que tornam meus dias repletos de sentido e motivação. Ser a mãe de vocês é minha maior realização. Amo-os muito, meus queridos, que são os meus melhores presentes, todos os dias!


"Você é a escada
Da minha subida
Você é o amor
Da minha vida
É o meu abrir de olhos
Do amanhecer
Verdade que me leva a viver

Você é a espera
Na janela
A ave que vem de longe
Tão bela
A esperança
Que arde em calor
Você é a tradução
Do que é o amor"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Estar preparada

Dia desses, conversando com uma conhecida, ela me disse que só eu mesma para ter o Caio, que só eu sabia lidar com esta situação de ter um filho deficiente, que ela não estava preparada para vivenciar tantas dificuldades.

Fiquei surpresa com o que me foi dito. Eu jamais fui "preparada" para ter um filho com deficiência. Durante toda a gravidez, e ainda quando a bolsa d'água rompeu na 33a. semana de gestação, eu jamais poderia imaginar tudo o que viria pela frente. Na verdade, naquele momento eu fiquei feliz porque iria conhecê-lo antes do previsto. Quando vi meu filho nascendo, não imaginei outra coisa senão que ele estava pronto pra ser capa da Pais & Filhos.

Cada intercorrência que surgiu, cada susto que levamos. Nunca fui preparada pra ter tanto medo e sentir tanta dor. Ainda hoje, não estou preparada pra febre insistente que desperta velhos fantasmas e me tira o sono. Mas o Caio e meu amor por ele me prepararam pra ser a melhor mãe que posso ser. Atenção: não estou me auto-denominando a melhor mãe do mundo! Mas procuro exercer a maternidade dando o meu melhor, de acordo com minhas imperfeições e meus limites.

Quando penso ou mesmo assumo que tenho medos, na maioria das vezes pode soar como medo de que o Caio não tenha a reabilitação que meu coração de mãe tanto anseia. Mas posso seguramente afirmar que o maior dos meus medos é o de não ser forte, de não estar "preparada" para continuar esta caminhada por tempo e caminhos indefinidos.

O sorriso do Caio, sua doçura, o amor que ele demonstra claramente por mim. A ligação linda e forte entre ele e o Yuri. A superação constante medida em pequenos detalhes. O dia-a-dia com meu guerreirinho me prepara pra seguir em frente.

Não, eu não fui preparada para receber o Caio, nas condições em que ele chegou.
Não fui preparada para lutar diariamente pela inclusão.
Não fui preparada para crescer e aceitar humildemente meus pontos mais fracos.
Não fui preparada para criar um círculo de amizades em clínicas médicas e associações de pais de crianças com deficiência.
Não fui preparada para assumir que em alguns momentos sinto inveja, raiva, tristeza. Ou que, por mais contraditório que possa ser, que sinto um orgulho desmedido do filho que recebi.
Não fui preparada para amar e admirar tanto alguém que, aparentemente, é frágil e pequeno.

Mas jamais deixo de agradecer essa oportunidade maravilhosa de amor e aprendizado que o Caio me prepara, diariamente.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dias de treinamento

Ele ainda não conseguiu... mas que ele anda se esforçando, ah, isso ele anda!
E o que é melhor: apesar das pernas "cambotinhas", sempre com um sorriso lindo no rostinho!



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Daqui pra frente

E o aniversário dos meus meninos já está chegando de novo... faltam somente 22 dias.

Ano passado fiquei muito deprimida na semana que antecedeu a data. Relembrei dores e medos vividos na minha internação no Centro Obstétrico. Chorei muito porque jamais imaginava celebrar o segundo aniversário do Caio com ele em meus braços, sem saber andar. Por mais que eu soubesse das vitórias e da superação, foi muito difícil.

Este ano não será assim. Tenho me trabalhado muito pra conquistar uma almejada serenidade. Não quero mais chorar pelo leite derramado, literalmente. Começo a aprender que medos e inseguranças sempre existirão, com o Caio e com o Yuri também, porque faz parte de pelo menos 90% dos corações maternos. E o meu está dentro desta maioria.

Tenho sido a melhor mãe que posso, para os dois. Com falhas e tropeços, mas me dôo intensamente. E ambos têm me dado suas melhores respostas, sei disso. Quero poder pesar na balança somente as grandiosas (ou nem tanto assim) conquistas.

- A imunidade do Caio está 100%. Fechamos 8 meses sem otite, sem antibiótico.
- A cada dia que passa ele se mostra uma criança que tem pleno entendimento do mundo e das pessoas ao seu redor. Vide que tem pegado gosto por assistir filmes com a gente.
- Tem se esforçado muito para falar e provavelmente conseguiremos iniciar uma fonoterapia ainda neste mês.
- O mesmo esforço é visível em seus movimentos. Pra sentar, com as pernas em movimento, para pegar objetos. A coluna ainda não ajuda. Mas quando ela quiser funcionar, vai dar tudo certo!
- O tratamento nutricional é um sucesso! Caio deixou de ter cólicas e eu pude dar adeus aos intermináveis frascos de Luftal. Ele está comendo como não o fazia nos últimos dois anos. Ainda não o pesamos, mas o corpinho começa a tomar outras formas, mais arredondadas.
- Na carona de uma nutrição que tem lhe feito bem, ele a cada dia fica mais bem humorado e ativo. A sonolência causada pelos anticonvulsivantes é coisa do passado.

Enfim, tô naquela onda de quem gosta de passado é museu. Temos partes sofridas que fazem parte de nossa história, mas são passado. Não podemos mudar, foi assim. Podemos transformar o que está por vir. E tenho certeza que muita coisa bacana está chegando.

Já conto pra todo mundo. Ano que vem Caio vai estar caminhando, em sua festa de 4 anos. Mas se não estiver, não vou perder o sono por isso. Sei que receberemos tudo o que merecemos, no tempo em que Ele achar justo. O que vale é seguir acreditando, como cantarolava o Rei, que "daqui pra frente, tudo vai ser diferente".

terça-feira, 22 de abril de 2008

No colo do irmão - 2

O que mais me emociona são estes olhares.
O do Yuri, carregado de alegria e doçura.
O do Caio, de confiança e amor.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

No colo do irmão

O Caio ama estar no colo do Yuri. E o Yuri fica "se achando" quando segura o Caio. Um, sente-se querido, amado, protegido, interagindo. O outro se sente forte, confiável, grande, parceiro.
A maioria das pessoas é contra o Yuri segurar o Caio, dançar com ele, caminhar com ele no colo. Alegam que o Yuri pode não segurar direito, que o Caio pode jogar-se pra trás, se desequilibrar.
Aposto no amor e na vontade dos dois. São ambos que se realizam quando este encontro acontece.
Esta semana vi uma versão, até então impensada pra mim. Vi, num restaurante, a cena oposta: um menino com paralisia cerebral, numa cadeira de rodas, segurando a irmãzinha mais nova. As mãozinhas fechadas e em concha se entrelaçavam na cintura da pequena saltitante. E vi nos olhos dos dois a mesma alegria e cumplicidade que vejo nos olhos de meus filhos.
Essa cena aparentemente tão simples me fez repensar no conceito das coisas. Sobre a capacidade do portador de PC de ajudar, ser útil (afinal a mãe das crianças no restaurante, servia seu prato no buffet enquanto as coisas aconteciam normalmente - o filho mais velho cuidando do mais novo). Sobre a relação de entrega que existe entre irmãos. O Caio se entrega ao colo do mano. A pequena menina se entrega aos braços motoramente descoordenados mas cheios de afeto do irmão mais velho. Pensei no quanto o amor pode realmente derrubar barreiras, fazendo-as inexistentes.
Um colo, um carinho, a aceitação. A melhor terapia do mundo.
Que ela possa estar ao alcance do Caio, do irmão mais velho que vi no restaurante e de todas as pessoas do mundo. Porque realmente não existe melhor remédio do que aquele que afaga a alma, embalado pela solidariedade e pelo afeto.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Agora tá explicado!

Finalmente entendi porque Bill Gates se aposentou.
Medo da concorrência...



terça-feira, 8 de abril de 2008

Células-tronco: a esperança para muitas vidas

Mais de um mês já se passou desde o adiamento da votação, no Supremo Tribunal Federal, sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas médicas. São mais de 30 dias que protelam a esperança para muitas famílias. Esperança de qualidade de vida, de cura, do fim de dores físicas e emocionais. Esperança de continuar vivo.

São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.

O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.

Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.

Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.

Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.

Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Um menino de muitos sobrenomes

Sempre penso que existem assuntos que não gosto de repetir. Mas a indignação e até mesmo a dor que aperta meu peito, me fazem não ser forte como queria e volto atrás de minhas decisões. Dia desses ainda postei o “Sentir-se amado”, inspirada pelo carinho imenso de minhas amigas.

Hoje estou ferida.

Sei bem que falei que amor não se cobra. Mas estou muito triste por volta e meia ter a confirmação de que meu Caio é excluído no seio de sua própria família. É essa dor que me consome e que me faz ter tanto medo de uma sociedade despreparada para receber meu filho e lhe ofertar amor, estudo, lazer, emprego. Independente de suas deficiências.

As pessoas se omitem. Até perguntam “como ele está?”, mas não estão prontas para ouvir as respostas porque não fazem nada a respeito delas. Ou perguntam “o que o médico disse?”. Mas trazem neste questionamento um verdadeiro pavor de que a resposta não seja nada menos do que um impossível, porque imprevisível, “ele vai ficar 100% curado das seqüelas dentro de X tempo”.

Alguns o olham de canto de olho. Outros, viram o rosto.
Alguns querem saber de todos os prognósticos (e nem eu, nem os médicos os temos). Outros nem perguntam.
Alguns até brincam com ele, com um sorriso constrangedor nos lábios. Outros, o ignoram solenemente.
Não são poucas as vezes que me pergunto o que dói mais: a indiferença ou o preconceito velado.


Esta é parte da família do Caio. Pessoas que bradam no peito os valores da família, mas que na hora de pôr o discurso em prática sempre têm um compromisso mais importante do que seus ideais falsamente alardeados. A família que gasta mais de um salário mínimo em brinquedos e futilidades e não pergunta se eu tenho os 10 reais semanais do leite ou se vai dar pra comprar todos os 12 vidros mensais de anticonvulsivante. Que pergunta dos exames, mas que nunca pode ofertar uma carona e nos faz levar 4 horas em descolamentos em ônibus e metrô.

Eu até não cobraria alguma atitude, se eu não visse isso ser feito para outras pessoas. Que nem são “da família”. Então, se meu Caio tem os valorizados genes familiares, o que lhe falta? Sob a ótica da família, eu não sei responder. Sob a nossa, posso afirmar: falta respeito, solidariedade, amor, doação.

Mas, deixa pra lá. Perdem eles.
O Caio é Lacerda Mariante Fagundes.
E Amorim, Ruschel, Pasqual, Souza, Bouzada, Ribeiro, Villas, Sant Martin, Sodré, Silva, Pires, Rolante, Garigan, Medeiros, Frenzel, Oliveria, Seeman, Freitas, D'Ávila... e muito mais, em nome de um amor muito maior e verdadeiro.

sexta-feira, 28 de março de 2008

E a Páscoa foi doce...

Coelhão lindo!

Acho que os manos gostaram...

Valeu, Coelhinho!

Lindo e saboroso este menino - sentado sozinho! Se ele precisa engordar, tá cercado de bons motivos...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sentir-se amado


Se tem um coisa que aprendi com minha mãe de criação, é que existe algo na vida que jamais podemos cobrar: amor. Empatia, amizade, querer bem, amar. São sentimentos muito pessoais e que, em algumas vezes, surgem sem nenhum apelo racional a lhe sustentar. Porque, afinal, são tão somente emoção. E não posso exigir que me amem como eu gostaria. Alguns hão de me amar, outros não.
O tempo sempre me reforça o quão sábia ela era.
Muito do medo de preconceito que existe em mim ou da minha insegurança quanto ao futuro do Caio vem do fato de perceber que ele não é aceito por algumas pessoas que, numa ótica simplista, teriam o dever de amá-lo e protegê-lo. É o colo nunca recebido, a mão nunca estendida, as perguntas inconvenientes, a visita que não acontece, o olhar que traz uma curiosidade quase mórbida.
Mas aí, minha mãe retorna à lembrança: Todos nós temos os afetos de quem merecemos ter ou que soubemos conquistar, dizia ela.
E fico emocionada ao perceber o quanto o Caio é amado. Por uma verdadeira legião de amigas especiais, estas sim, sempre prontas a oferecer a mão, o ombro, uma ajuda, um carinho.
Às vezes costumo me lamentar, dizendo que me sinto em luta solitária com o Caio. Em momentos difíceis, parece que só eu acredito, que só eu corro atrás, que só eu me importo. Descobri que não é verdade. As amigas do Caio são, antes de tudo, minhas amigas. E lutam comigo, choram com minha dor, riem com minha alegria, torcem na mesma expectativa. Algumas, atribuladas em suas vidas pessoais, apenas têm tempo para nos dirigir uma prece, um pensamento positivo. Quero que elas saibam que este já é um grandioso presente, talvez o maior deles. Que sentimos esta energia e nos fortalecemos nela.
O que torna este sentimento ainda mais especial é que ele nos é dirigido por algumas pessoas que sequer nos conhecem pessoalmente. Conhecem a nossa história por aqui, pelo blog. E chegaram aqui porque alguém lia e contou adiante. Outras, já tivemos a oportunidade de abraçar. E o que é melhor: elas continuaram gostando da gente.
Me sinto extremamente honrada com este amor tão verdadeiro, generoso e desprendido que é dirigido a mim e ao Caio.
Sei que podemos vencer cada obstáculo, porque temos uma torcida imensa ao nosso lado, brigando junto. Sinto que somos verdadeiramente amados. E quando penso nisso consigo entender o pleno significado da expressão “bálsamo para a alma”. Sim, temos o amor que merecemos ter. E acho que realmente Deus tem sido muito generoso conosco.

Obrigada a TODAS as meninas do LV! Amamos vocês!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Crer para ver

A Bíblia nos conta a história de São Tomé, que precisou ver Jesus pra crer em suas ressurreição. Uma famosa marca brasileira de cosméticos prega a alternativa contrária, em sua filosofia de responsabilidade social: é preciso existir primeiro o desejo para fazer acontecer. Também sou assim, na maior parte do tempo, quero crer para ver. E crendo, vejo maravilhas acontecerem.

Força do pensamento, fé, persistência. Não importa o nome. O que conta é a atitude.

Creio que tudo na vida é passageiro, inclusive nós. Então o lance é fazer desta passagem o nosso melhor.
Creio na força do amor, no poder transformador do desejo, em sonhos que impulsionam a realidade.
Creio em valores como honestidade, solidariedade, generosidade, despreendimento.
Creio que nada é por acaso, que minhas escolhas desta e de outras vidas influenciam o que sou, o que vivo.

Creio na lei da ação e reação.

Creio que meu casamento não é perfeito, mas é verdadeiro, então aposto um longo futuro nele.
Creio que o Yuri se sabe feliz e amado e, dono de um grande coração, tem um grande propósito nesta encarnação, junto à nós e a terceiros.
Creio que o Caio é gigante, iluminado e o vejo correndo à minha frente, sorrindo e brincando. Vejo porque creio.
Creio que minha família é uma benção, que superaremos tantos obstáculos quantos forem preciso para consolidar nosso amor e nossa união.

Creio em oportunidades de crescimento, não em castigo. Creio que sempre posso aprender a ser mais humilde. E que por menor que eu me veja, sou grande para alguém. E por menos que tenha, sempre posso me doar de alguma forma.

Creio no valor inigualável da amizade e, principalmente, creio que virtual é tão somente aquilo que não adubamos com atenção real.

Creio que em tantas coisas e as vejo acontecer em minha vida. As que ainda não vejo, creio, é somente questão de tempo.

Este post foi escrito há 10 dias. Mas está atualíssimo e o dedico à TODAS as minhas amigas do LV, em especial à Dê SP, Kathia, Lili, Angélica, Alessandra, Chris, Bárbara de Guareí e todo mundo que entrou na discussão da Geléia de Mocotó.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Em tempo: Dia Internacional da Mulher

Sou meio avessa às comemorações ao Dia Internacional da Mulher.
Mas impossível não me render à uma homenagem especial que recebi.
O Yuri fez um cartão totalmente caseiro, com folha de caderno, canetinhas hidrocor, recorte e colagem. Quando eu abri, pude ler sua letrinha ainda meio esquisitinha, mas linda:
"Mãe, sinto orgulho da mulher e da mãe que você é. Eu te amo. Feliz Dia da Mulher."
Como sacramentou um publicitário por aí: não tem preço!

terça-feira, 11 de março de 2008

Meu rapazinho

Sábado levei o Yuri pra cortar o cabelo.
Eu estava com pena, porque os dourados do sol ficaram muito bem nele, mas já estava muito comprido, embaraçando mesmo.
Chegando lá, ele me pede:
"Mãe, eu já estou grandinho, não quero mais usar este corte cogumelo. Posso pedir pro Beto algo mais moderno, tipo todo desbastado?"
Claro que pode, meu mocinho.
É que a mamãe aqui às vezes esquece ou quer minimizar a passagem do tempo.
Ficou lindo de qualquer jeito, o meu rapazinho vaidoso.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A insanidade de todos nós

Ontem à noite, saí com minha família para um jantarzinho. Quando íamos embora, parou na frente do restaurante, um "louco". Dessas pessoas mal-vestidas, que falam com seres invisíveis ou não, fazendo gestos teatrais.
Inicialmente, num momento de auto-preservação, senti medo. Depois, fiquei chateada.
As pessoas riam, apontavam para ele.
Ele saiu andando pela rua, parava em algumas portas, gesticulava, discursava. E mais pessoas riam.
Riam do quê, pensei?
A insanidade é engraçada? Ser "normal" é ser superior?
Me entristeço ao ver o preconceito tão abrangente de nossa sociedade. Basta sermos diferentes de uma minoria para nos sentirmos superiores.
Ninguém se pergunta o que fez aquele homem se desequilibrar. Um acidente, uma doença, um trauma emocional muito forte. As pessoas se ocupam em rir apenas.
Não se preocupam em olhar para seus próprios umbigos, em busca de suas imperfeições a fim de melhorá-las.
Ser egoísta, preconceituoso, isso sim é insano.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Parto anônimo - Um respaldo à irresponsabilidade

É estupefata que vejo a possibilidade de uma nova lei brasileira: o parto anônimo. Segundo o anteprojeto, a lei dará às gestantes a possibilidade de fazer todo o acompanhamento de pré-natal e o parto sem a necessidade de se identificar na maternidade e, inclusive, de ficar com o bebê. Com a proposta, a mãe fica livre de toda responsabilidade jurídica sobre a criança, que poderá ser deixada em hospitais ou postos de saúde para a adoção. É a versão moderna da “roda dos excluídos”, dizem uns. Pra mim, retrocesso puro. E abandono. Simples e cruel assim.

Os argumentos dos defensores deste projeto de lei é que assim diminuiriam os casos de crianças jogadas em latas de lixo e em lagoas e a vida seria preservada, uma vez que não seriam realizados abortos. Amparadas pela lei, as “mães” (dá pra chamá-las assim?) poderiam se desfazer de filhos indesejados sem maiores implicações. E os índices de adoção cresceriam.

É simplesmente absurdo e não dará certo.

Primeiro, porque mascara um problema social muito maior que é a falta de planejamento familiar. Admito que sou dona de um ponto de vista no mínimo controverso, pois acredito que a camada mais baixa da população muitas vezes engravida mais pela preguiça de buscar contraceptivos gratuitos ou pela eventual “vantagem” financeira e governamental que mais um filho pode acarretar. Mas ainda acho que o controle da natalidade é a chave que abre as portas para um país entrar na esfera do real desenvolvimento. É preciso investir fortemente em educação sexual, esclarecimento e livre acesso à contracepção. Enquanto filhos continuarem sendo gerados com irresponsabilidade e despreocupação, sorry em lhes dizer, nosso Brasil continuará sendo parte do terceiro mundo.

Em segundo, sou absolutamente favorável à legalização do aborto. Embora em pequena escala, “acidentes” acontecem. E a mulher, de qualquer camada social, deve ter o direito à escolha. Eu sou um exemplo disto. Engravidei do meu segundo filho sem planejar, num momento financeiro terrível. Pensei durante 15 dias se iria abortar ou não. Mas era tarde: eu já estava completamente apaixonada por aquele ser que crescia em mim. Ter meu segundo filho se tornou um desejo, uma opção. Eu não abortaria, hoje estou certa disto. Mas não me dou o direito de condenar quem o faça. Prefiro um aborto feito em condições básicas de higiene e segurança do que um recém-nascido morto após ser atirado, num ribeirão poluído, pela janela
. E também acho injusto com a própria criança que ela seja alvo de agulhas de tricô ou de comprimidos clandestinos de Cytotec. Sem falar no ônus que gera para a saúde pública tratar as seqüelas destas tentativas de aborto, muitas vezes mal sucedidas e que acabam comprometendo a saúde do futuro bebê.

Por fim, para aumentar os índices de adoção, o remédio é bem mais simples. Basta descomplicar. Milhares de homens e mulheres, em plenas condições sociais e emocionais, esperam um filho do coração. Já amam uma criança em suas vidas e, ao contrário do que se alardeia por aí, não esperam que ela seja branca e recém-nascida. Eu conheço pelo menos três casais de amigos nesta situação. E meu círculo de amizades nem é tão grande assim.

O que acho que este projeto de lei, se aprovado, vai fazer é superlotar as maternidades, os conselhos tutelares e os orfanatos. Vamos criar um problema ainda maior, uma vez que não temos estrutura para abrigar estas crianças enquanto a burocracia pela adoção acontece – e elas crescem. E pior: acho que a nova lei pode criar um precedente mais absurdo ainda. Se chego à conclusão de que não tenho condições de criar meu filho de 7 anos, também posso entregá-lo livremente para adoção?

Filho não se dá. A eles, nos doamos. Amamos, respeitamos, ensinamos valores, no intuito de realmente estar formando os cidadãos do amanhã. Para que nas gerações futuras um assunto deste porte não seja nem cogitado.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O Poder da Mente

Uma pessoa na qual tenho a maior credibilidade me reforçou semana passada de que estou certa. O Caio vai andar, vai falar. Vai se desenvolver tão bem que quem o conhecer daqui alguns anos não acreditará nas dificuldades vencidas por este pequeno grande.
Confesso que fico receosa. Não com as previsões em si, mas na minha expectativa de que a melhora seja assim tão significativa. Sempre acreditei no potencial do meu filho mas tenho medo de pedir dele mais do que ele pode me dar. Ao mesmo tempo tenho em meu coração a quase certeza de que sim, ele pode, ele quer, ele vai.

Em setembro último, reencontrei no Hospital de Clínicas, a Ana Luíza*, “colega” de UTI Neo do Caio. Ela nasceu prematura, com 26 semanas de gestação. Teve cegueira da prematuridade, hemorragia cerebral, precisou fazer reconstrução do intestino. Ficou internada 104 dias (quase o dobro do meu guerreiro). Depois, voltou e fez duas cirurgias: uma pra colocar a DVP (exatamente como o Caio) e outra para abrir seu crânio que estava fechando prematuramente (a tal cranioestenose que chegaram a suspeitar que o Caio tivesse). Os prognósticos dados à menina (atendida pelo mesmo neurocirurgião “sensível” que comparou o Caio à uma alface)? Vegetativa, para sempre. Lembro muito do quanto eu e a mãe da Ana Luíza chorávamos no ombro uma da outra, do quanto conversávamos com Deus, do quanto defendíamos o amor materno como instrumento de cura. Pois tive a felicidade de ver a Aninha (2 anos e 8 meses) caminhando e chamando sua mãe de “mã-mã”. A surdez, antes diagnosticada, foi revertida pelo amadurecimento cerebral da menina. A mãe dela me conta que tudo foi assim, de um dia pro outro, os neurônios acharam o caminho, as conexões se fizeram corretas e lá está Aninha se negando a ser carregada no colo.

Neste final de semana fiquei sabendo de mais uma grande vitória. William* é colega de fisioterapia do Caio. Teve uma anóxia profunda ao nascimento. Iniciou a fisio logo após a alta hospitalar, aos 4 meses de vida. Somados ainda à sua agenda, a fono, a hidro, a equoterapia. Conheci-o com 3 anos. Numa cadeira de rodas adaptada, muito pouco sustentava o próprio pescoço e não falava. Muito sacrifício, muita dor, me relatava a mãe. Pouco antes do Natal, encontrei-o com sua mãe na rua e ele apontava e falava alegremente: “Caminhão! Vrrruuuum!”. Pois sexta, fiquei sabendo que William, aos 5 anos, começou a caminhar! Ainda precisa que sua mãe o guie, segurando suas mãos. Mas já venceu, está de pé!

Eu posso visualizar inúmeras vezes ao dia, meu Caíto correndo, contando suas coisas, cantarolando. Não é utopia, é um sentimento que insiste em preencher meu peito.
Não desprezo o poder e os avanços da ciência. Estou consciente que os progressos do Caio devem ser compartilhados com os tratamentos, acompanhamentos e medicações. Mas não é mérito exclusivo deles.

Ana Luíza e William têm mães amorosas, persistentes. Que não desistiram ao primeiro “impossível” que ouviram de médicos experientes. Carregaram seus filhos nos braços e uma fé quase inabalável nos corações. Quero ser como elas, luto pra isto.

Respeito opiniões diversas com a maior humildade, mas meu tempo vivido com o Caio me fez aprender ou ter a certeza sobre algumas coisas. Sei que nossa mente tem o poder de transformar situações. Querer, e acreditar que é possível, é sim 50% do caminho para as realizações. A fé num Deus, numa força, numa energia pode transmutar nossos destinos. O amor incondicional é poderoso, talvez o mais poderoso de todos os sentimentos.

Caio é um guerreiro. É um vencedor. E ainda hei de vê-lo imponente, de pé, sorridente como ele só, ratificando minhas crenças.

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade das crianças.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Eles

Se tem uma coisa que me alegra, me orgulha e me emociona é a sintonia de meus filhos, como irmãos. São parceiros, se amam, se entrosam. Não é preciso mais nada!


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A torta da Zazá

Que o Caio ama o Cocoricó, seus clipes musicais e personagens, quase todo mundo sabe.
O que a gente não sabia (ou no meu caso, tinha medo de não ser) é que ele ama porque entende todo o programa.
Ele tem os DVDs de Clipes 1 e 2, que rolam diariamente lá em casa, vai pra praia, etc... febre mesmo!
E esta semana ele ganhou um DVD com episódios da turma do sítio do Júlio.
Eu achei que ele não ia dedicar a mesma atenção, uma vez que é muito mais diálogo do que música e sempre tenho dúvidas do quanto o pequeno déficit visual dele pode atrapalhar sua interação com a TV. Para minha total surpresa e alegria, ele amou as histórinhas. Pude perceber que ele conhece os personagens, suas vozes e tudo o mais. E parecia acompanhar com o olhar atento todo os episódios.
O DVD rodou duas vezes. Na terceira vez, ele já reconhecia suas partes favoritas. Quando iniciava o diálogo, ele já começava a rir... E imitou o cavalo Alípio cheirando a torta da Zazá no forno, franzindo o nariz e tudo! E ria muito e gritava junto com a Zazá o seu "aaaahhhhh", pela torta que queimou!
Ficamos muito felizes. Pelo generoso presente. Por ele ter curtido tanto. Por percebermos o quanto ele entende e interage. São as pequenas grandiosas vitórias de nosso menino!
Nos Dias Quentes do Verão, a torta da Zazá queimou. Mas para nós teve um sabor delicioso...

Irmão amoroso

O Yuri, todos sabem, é um irmão maravilhoso pro Caio.
Tá sempre brincando, estimulando o irmão. É cuidadoso, manda beijos, faz muito carinho. Canta, lê, dá mamadeira e até faz dormir.
Ontem à noite, saímos eu, ele e o Caio de ônibus - íamos encontrar o Sandro mais adiante.
Ele me pede pra segurar o Caio no colo e eu permito porque isso deixa os dois muito felizes.
Uma senhora, no banco ao lado nos pergunta:
" - Ele tem paralisia cerebral?"
O Yuri corre na minha frente e responde:
" - Tem sim. A senhora não acha que ele é lindo?"
Ela sorri um pouco desconcertada, mas parece ainda insistir em nos desconcertar:
" - Sim, é muito bonito. Ele não caminha?"
E seu Yuri de novo:
" - Não, mas só por enquanto. Mas ele manda beijo, canta do jeito dele e é um irmão maravilhoso".
A senhora não fez mais perguntas.
O Yuri se vira pra mim:
" - Viu mãe, como eu cuido bem do Caio, defendo ele, amo ele? Eu não tenho vergonha das dificuldades do meu irmão. Tenho orgulho dele. E acho que ele me ama também".

Como diz uma amiga minha, às vezes acho que o Yuri é uma sábia alma velha num corpo de criança.

Yuri, meu amor, Caio e eu te amamos muito sim e também temos muito orgulho de ti!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Volta às aulas

A alegria do meu Yuri ontem, ao recomeçar as aulas, era contagiante.
A empolgação com o material novo, os novos cadernos de heróis. A expectativa do reencontro com os amigos, conhecer a nova professora, acenar para a anterior, orgulhoso da nova etapa a ser vivida. Ele me contou do "friozinho na barriga" com as coisas novas que vai aprender e se ele vai mesmo conseguir aprender (não tenho a menor dúvida, meu anjo!).
Me emociono e me orgulho, como sempre, ao ver cada novo passo de meu filho. Seu crescimento, sua ânsia em desbravar novos caminhos, seu coraçãozinho sempre empolgado com a vida que a cada dia se abre mais e mais para ele.
Segunda série, terceiro ano. Estou certa de que estás pronto, meu filho. Sei que vais dar show e dar mais motivos ainda pra mãe bobona aqui verter muitas lágrimas.
Quando liguei pra casa ontem, no final do dia, mal te continhas pra me contar as novidades do teu primeiro dia.
Hoje vais novamente arrumar a mochila, colocar o uniforme, pentear o cabelo para o lado e abusar do perfume (aluno charmoso é outro papo). E tua escola e a vida por si só seguirão te recebendo de braços abertos. Vai e arrasa. Fica com Deus. Te amo!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Pra quem tava com saudades nossas

Seguem umas fotinhas tiradas por minha prima e comadre Gabi, dinda do Yuri.
Reparem no bronze, na boa forma e nos cabelos dourados do meu primogênito e no sorriso sempre contagiante do meu Caíto (o espichado que não engorda nunca). Créditos à madrinha então, que tbém aparece aí. Se Deus quiser, agora em março teremos máquina digital outra vez.






quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Milhões unidos no besteirol

Eu prometi pra mim mesma que não ia me manifestar sobre o Big Brother Brasil. Porque em suas oitava edição, o reality show conquistou adeptos que, a meu ver, elevam o programa à categoria futebol-política-religião. É melhor não se discutir a respeito. Mas o que vi ontem não consigo deixar passar.
Estava eu zapeando entre os canais de TV quando, ao passar pela Globo, assisti Pedro Bial dizendo: "estamos chegando aos 25 milhões de votos". Na hora, passei adiante até encontrar uma programação do meu agrado. Mas depois parei pra pensar. Como assim 25 milhões de votos?
Tanto se fala que o povo brasileiro é acomodado, não se mobiliza, não luta, não é solidário... Acho que estão todos errados. Afinal, pelo menos 25 milhões de atenções foram dispensadas. Para quem? Ao eliminado da semana!
Ah, isso sim é importante!
Ainda esta semana, final do dia, eu voltando pra casa, num trajeto de ônibus que dura aproximadamente 45 minutos. Atrás de mim, uma jovem e um senhor conversavam animadamente. Por pelo menos 30 minutos o assunto foi o BBB, as intrigas, os namoros, os participantes favoritos. Lá pelas tantas, o senhor muda radicalmente o rumo da conversa. "E as aulas da tua menina já recomeçaram?". "Não, ia ser dia 11 de fevereiro, depois dia 20... agora parece que vai começar só em março". "Ah é? O que aconteceu?". "Ah, nem sei direito."
?????!!!!! Como assim? A moça sabe tudo sobre o anjo, o líder, a votação pro paredão e não sabe por que as aulas da filha estão sendo adiadas? Isso, meus senhores e senhoras, é a famosa alienação.
Não condeno quem encontre no programa momentos de lazer, todos precisamos de uma pitada de cultura inútil vez ou outra. Não assisto Big Brother, mas também perco meu tempo com bobices televisivas. Cada um com seu gosto.
O que não aceito são 25 milhões de pessoas gastanto seus telefones e pagando impostos por uma bobagem tão grande. Ou parando no meio do trabalho pra votar no eliminado. Não vejo estes esforços para derrubar taxas abusivas. Não percebo tamanha movimentação para barrar leis esdrúxulas no Congresso. Se 25 milhões de eleitores levassem seu voto tão a sério quanto num paredão do BBB, poderíamos ser poupados da presença de Clodovil Hernandéz em Brasília, por exemplo.
Mas este, não é um problema do Brasil. É de cada um de nós e de nossas escolhas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Um carma, por amor

Foi com o coração carregado de emoção, ternura e uma sensação de plenitude que terminei de ler o livro "O Amor me trouxe de volta", que ganhei no final do ano. E queria compartilhar um pouco do que li e (acho que) aprendi.
Muito se fala em carma (ou karma, como preferirem). Mas constantemente é um termo associado a coisas ruins, sendo um comparativo sinônimo de fardo. Só que na verdade, não é assim que o carma deve ser sentido. Ele é tão somente a nossa missão, o nosso propósito para esta encarnação. E está diretamente relacionado à ligação de nossas almas com outras almas. O pagamento ou resgate de questões pendentes não precisam vir necessariamente pelo sofrimento ou na mesma moeda. Podemos pagar um mal feito recebendo amor.
E ter esta consciência é maravilhoso!
Devo admitir que minha leitura se iniciou tendenciosa porque tenho alguns indícios somados à minha crença pessoal de que o Caio é uma alma que decidiu voltar pra mim. E já influenciada por estes sentimentos, encontrei pontos ainda mais fortes de identificação no livro que me fizeram reforçar minha opinião. E isso não tem nenhuma relação com as deficiências dele, mas somente à história de um amor e uma ligação muito fortes que se mantém para todo o sempre.
Pude, sob esta ótica, entender muitas coisas. Tive alguns questionamentos respondidos.
Mais do que nunca estou certa de que fui escolhida por meu filho. E pude entender perfeitamente que não fui escolhida para ter um menino com paralisia cerebral para pagar por algo. Fui escolhida por ele pelo amor que ele me tem desde outra vida. Talvez ele esteja pagando um preço por essa escolha, por antecipar este reencontro. E se foi assim mesmo, ele decidiu pagar por me amar demais. Decidiu pagar para estar ao meu lado.
Amor. Amor. Amor. Sempre falo dele, quando falo em meus filhos, mas especialmente do Caio, da minha esperança no seu desenvolvimento, do meu apoio incondicional.
Agorinha ainda teve o post Terapia do Amor.
Porque é tão somente com amor que posso cercar aquele que tanto quis estar comigo.
Sei que o amor cura. Sei que ele pode tudo. Sei que meu Caio é um carma, e sim, eu o mereço muito. Mereço seu amor. E ele merece todo o meu também.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ao infinito e além

Caíto consultou com a Dra. Fabi, hoje, sua neurologista.
Apesar de às vezes achar este acompanhamento mensal um tanto desnecessário e cansativo, cada consulta acaba sendo uma injeção de ânimo pra mim.
Ela reforçou que, como eu já tinha observado, o Caio está com as mãos bem mais coordenadinhas e sem se contrair. Sua visão também apresentou sensível melhora. E a Fabi me reforça o quanto o Caio é maravilhoso, desenvolvendo-se mês a mês. Na grande maioria dos casos de PC, ou a criança fica com seu desenvolvimento estagnado ou alterna períodos de grande melhora com a estagnação. No caso dele, todo mês é um detalhe que mudou, uma função que ele aprendeu, um músculo que começou a trabalhar. Isso nos mostra que o cérebro dele está em constante exercício e aprendizado, o que só reitera que nossas expectativas de dias melhores não são nada infundadas.
Meu pequeno valente, o herói dos meus dias, não conhece limitações. A exemplo de Buzz Lightyear ele sabe que pode conquistar o infinito e além. E eu viajo junto na sua coragem e ousadia. Porque o céu pode ser o limite, mas nossa esperança é ilimitada.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A terapia do amor*

Um dia desses conversava pelo MSN com uma amiga pra lá de especial. E comentei com ela o quanto me sinto diminuída às vezes, ao confrontar minha realidade com a de outras mães de crianças com PC. O tratamento do Caio é restrito meramente à fisioterapia motora (ele fazia fisioterapia respiratória também, mas teve alta clínica), ao uso da medicação anticonvulsivante e a exercícios de estimulação em nível global – envolvendo postura, coordenação motora, audição, visão e fonoaudiologia – propostos pela pediatra, neurologista e fisioterapeuta dele. Ou seja, elas nos ensinam alguns exercícios ou brincadeiras pra fazer em casa e nós nos esforçamos para repetir. Mas é tudo feito de um modo bem empírico, quase instintivo.

Comentei com minha amiga que me dói e me culpo por não ter recursos para oferecer a ele mais terapias, como a fono, hidro e equoterapia. Algumas amigas minhas ainda fazem acupuntura, sessões de reiki e inúmeras outras terapias auxiliares com seus filhos. Penso que o Caio está tendo (lembro sempre, APESAR da minha eterna ansiedade) um ótimo desenvolvimento em relação a tudo o que seu pequeno cérebro já sofreu – anóxia, meningite, hidrocefalia. Lembro que transformamos um cérebro 80% lesionado num cérebro com 95% da área preenchida por neurônios sadios e perfeitos, prontos a aprender. E me questiono se o resultado não poderia ser uma melhora ainda maior, com respostas ainda mais efetivas do meu pequeno, se tivéssemos acesso a outros tipos de tratamento. Mas esta minha doce amiga me reconforta ao lembrar que nossa família disponibiliza ao Caio, com grande riqueza, uma terapia fabulosa: a do amor incondicional.

E aí sempre relembro de quando o prognóstico era absolutamente sombrio. Quando não havia futuro a se esperar. E quando meu amor gritou: eu não aceito! Ainda que soe arrogante da minha parte sempre tive consciência que meu amor resgatou meu Caio mais de uma vez, para compartilhar comigo esta encarnação. Então tento absorver as palavras da minha querida e realmente acreditar que os progressos alcançados por meu filho, a grande maioria deles considerada impossível por muitos médicos, se deve sim à terapia do amor, que lhe ofertamos todos os dias, de maneira intensa e completa.


Sob essa ótica, é com grande alegria que vejo suas mãozinhas cada vez menos contraídas, pouco a pouco mais coordenadas para pegar e manter seguro o objeto de desejo. É cheia de esperança que percebo seu olhar cada vez mais direcionado às pessoas, aos desenhos, à vida. E aplaudo incessantemente cada vontade dele de sentar, levantar. E me soa como maviosa sinfonia cada sílaba, cada risada sonora. Meu filho vive e é feliz, abençoado seja!

Em nome deste amor, quero mais. Estamos lutando arduamente para que o Caio tenha direito a todos os tratamentos possíveis. Para que meu filho siga florescendo lindamente para a vida, sempre regado pelo amor, este agente transformador de tudo.

A quem passar por aqui peço uma prece, uma vibração positiva, um pensamento carinhoso. Para que a caminhada siga firme rumo a seu propósito. Assim seja!

* Para minha querida Dê.