Terça, quarta, quinta e sexta da semana passada eu estava nervosa, triste, preocupada.
Sábado estava cansada.
Domingo e ontem eu estava feliz e confiante.
Hoje eu estou nervosa, triste, preocupada.
Que mulher é essa de humor tão oscilante? Louca? Bipolar?
E aí eu te pergunto: que mãe seria diferente?
Meu filho nasceu e quando eu deveria estar comemorando, recebendo mimos e parabéns, os médicos foram enfáticos: ele vai morrer em poucos dias! E eu me acabei de medo e tristeza. E Caio contrariou todas as estatísticas e sobreviveu. E eu fiquei exultante de tanta felicidade! E pelos dois primeiros meses de vida, foi assim.... Ele melhorava, piorava, melhorava, piorava. Veio a meningite, a hidrocefalia, a cirurgia. Vencemos! Viemos para casa!
Aos 7 meses, a ameaça de um novo problema grave, de uma nova cirurgia. E mais uma vez eu chorei de medo. E Deus foi misericordioso e tudo não passou de um susto. E eu derramei lágrimas de gratidão e alegria.
Quando eu começo a entender melhor o universo chamado "paralisia cerebral", aos 3 anos Caio tem hepatite e vai pra UTI. Os médicos dizem: é grave, difícil salvá-lo. E eu quero morrer junto, me acabo. E mais uma vez, a internação mínima prevista para 15 dias se transforma em 8 e Caio volta são e salvo pra casa. E eu não consigo explicar o tamanho da minha felicidade!
Mas a partir deste episódio, surge outro fantasma: as convulsões. Que eu entrava em pânico a cada uma. Que eu achava que ia perder meu filho. Até entender que tá, é crônico, dá, medica, passa. E começo a ter uma certa tranquilidade. De repente, por um ano inteiro, esse fantasma fica longe. E eu que tanto acredito em Deus, acredito também no milagre da cura. Porém, ele não veio.
Ao longo destes últimos 14 meses, Caio tem tido convulsões com uma frequência espantosa. Quase uma a cada 45 dias. Se eu quero ver a metade cheia do copo, são convulsões mais "brandas" em que às vezes não é necessária a remoção nem suporte de oxigênio. Mas nem por isso doem menos no meu coração de mãe.
E em busca de respostas e, principalmente, de qualidade de vida "ao meu tudinho" como o chamo, hoje conseguimos uma nova avaliação neurológica. E fizemos um eletroencefalograma de urgência. E o resultado nos deixou apreensivos. A médica diz que o traçado cerebral do Caio está um caos. Que uma séria avaliação tem de ser feita, inclusive exames mais modernos e específicos sobre a funcionalidade da válvula. Que muito provavelmente teremos que mudar toda a terapêutica. E me diz que o ideal é interná-lo, para que ele possa fazer os exames com mais conforto e rapidez, contando com o acompanhamento dos devidos profissionais em tempo real.
Internação. Outro fantasma que tanto me assombra.
Sim, eu morri um pouco quando ela disse essa palavra. Chorei, tive medo. Ainda estou com. Revivi tudo o que já passamos. E não sei se fico com ainda mais medo ou se me encorajo de perceber que daremos conta.
Não há de ser agora... Mas tenho medo.
Quero ter fé. Mas em momentos assim ela me parece absurda.
Queria entender o por quê desta montanha russa emocional nestes 7 anos.
Sei que cresci. Mais do que amar, admiro meu filho, pela alma grandiosa que ele é. Já me disseram uma vez e nunca esqueci que o caminho que leva à Deus é "estreito e apertado". Ainda assim, às vezes eu me pergunto: precisa ser tanto?
Quero ser forte, mas não sou.
Quero ser otimista, mas nem sempre consigo.
Quero ser feliz com meu filho... e muitas vezes sou!
Só que tem horas que esta montanha russa cansa.
Como agora, por exemplo.


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