terça-feira, 24 de abril de 2007

A flor da Siri

Hoje, vindo pro trabalho, vi três mulheres com a flor da Íris, ex-BBB, no cabelo. Não, eu não assisti Big Brother. Sim, eu sei quem é a Íris (ou Siri) porque ela está em todos os sites, jornais e revistas (até na Veja desta semana ela deu o ar da sua – ou nossa – desgraça). E eu já tinha reparado a tal flor, outro dia, noutras cabeças por aí.

É impressionante a Big Burrice Brasileira. Siri é uma formadora de opinião! Pessoas espelham-se nela, querem se parecer com ela. Mal posso acreditar! Não costumo ver pessoas se esforçando para transparecer a elegância culta de uma Fernanda Montenegro, ou a displicência inteligente de Marisa Monte (só pra citar algumas personalidades bastante conhecidas da mídia). Isso sem entrar no mérito da questão de Lya Luft, Diogo Mainardi, Cris Camargo ou Fabrício Carpinejar (entre alguns dos meus favoritos).

Não vejo na internet nem na imprensa, movimentos mais ativos contra a corrupção, contra os impostos excessivos e sem reversão de benefícios a seus pagadores, contra a ineficiência do serviço público. Vejo somente o pró. E não é o pró-ética, conscientização, valorização ou seja lá o que de realmente aproveitável for. Tem só a movimentação pró-futilidade, pró-corpos sarados e mente vazia, pró-alienação.

Sim, eu sei, as pessoas precisam de lazer. Mas não de distração, de algo que lhes tire o foco do que realmente importa. E aí tá na hora da gente parar de dar audiência ao que não presta, de sermos mais seletivos mesmo. E semear nas novas gerações (porque na nossa quase não tenho mais esperança) algo mais sólido do que a florzinha da inconseqüência e da beleza vazia.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

A primeira desilusão

No sábado, conversava com o Yuri, lhe dizendo que ele poderia escolher alguns coleguinhas da escola para sua festa de aniversário. Aí ele me citou 7 nomes. E senti falta de um, que eu jurava certo. Perguntei a ele:

“– Ué, a namorada não vai ser convidada?”
“– Não, a gente terminou ontem.”
Perguntei o por quê, insisti e ele não me dizia. Só domingo, eu sempre insistente, ele revelou:
“– Ah mãe, ela falava muito palavrão. Chamava os colegas de porco, mandava pro inferno. Achei ela braba e feia, pedi pra ela não falar mais essas coisas. Mas ela não parou. Aí eu disse pra ela: acabou e não te quero mais!”. (!?)
Pergunto se tem outra menina em vista...
“– Até tem... Mas ainda tô pensando se vou querer namorar de novo agora. Dá muito trabalho!”

E o pior de tudo, devo confessar: eu, em minha porção irremediavelmente sogra, respirei aliviada por esse desfecho...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Feliz Aniversário

Amanhã é aniversário do Sandro. Daquele que meu coração escolheu para ser o companheiro, o pai dos meus frutos. Perfeito? Não. Dedicado? Sim.
São 15 anos de relacionamento e os tropeços existem. Mas não apagam o amor dos meus olhos, nem a vontade de ainda conseguir te fazer muito mais feliz. Parabéns, amor! Que possas te aproximar cada vez mais das conquistas que ainda almejas. Com muita saúde e determinação. E que eu, Yuri e Caio, possamos estar sempre bem pertinho pra compartilhar tudo contigo. Te amamos! Feliz Aniversário!


O que mais quero é te dar um beijo / E o seu corpo acariciar / Você bem sabe que eu te desejo / Está escrito no meu olhar

O teu sorriso é o paraíso / Onde contigo eu queria estar / Ái quem me dera se eu fosse o céu, / Você seria o meu luar!

Eu te quero só pra mim / Como as ondas são do mar / Não dá pra viver assim / Querer sem poder te tocar

Meu coração está radiante / Bate feliz acho que é amor / Quando te vejo chego a sonhar / Penso em você quase a todo instante / Seu jeito meigo me apaixonou / O que fazer pra te conquistar?

O que mais quero é te dar um beijo / E o seu corpo acariciar / Você bem sabe que eu te desejo / Está escrito no meu olhar

O teu sorriso é o paraíso / Onde contigo eu queria estar / Ái quem me dera se eu fosse o céu, / Você seria o meu luar!

Eu te quero só pra mim / Como as ondas são do mar / Não dá pra viver assim / Querer sem poder te tocar

(Coração Radiante – Mauro Jr, Xande de Pilares e Helinho do Salgueiro)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Mulher, essa eterna culpada

Vou confessar: eu condenei Suzana Vieira e Ana Maria Braga por seus recentes casamentos. Quando a primeira levou chifre em rede nacional, eu endossei: “Bem feito! O que ela esperava de um marido 29 anos mais jovem?!”. E quando Ana Maria anunciou seu novo casamento, lá fui eu de novo. Aplaudi a declaração da Hebe Camargo, dizendo que não tem nada a ver “garoto casar com véinha”.

Dia desses, uma amiga comentou em seu blog que ela não gostava de divulgar que é “a esposa do dono” para não ser pré-julgada. No mesmo dia, li uma entrevista com a atriz Flávia Alessandra na qual ela comentava que trabalhou muito pra provar que ela tinha talento, não era apenas “a mulher do diretor” (no caso, Marcos Paulo, diretor global e ex-marido em questão).

Aí, parei pra pensar. Por que são as mulheres que precisam sempre se justificar? Por que não os homens? Ao invés de perguntar por que Suzana e Ana Maria escolheram garotões, vamos questionar por que os garotões escolheram as mulheres maduras. Em vez de cobrar Flávia Alessandra por ter sido casada com um diretor, vamos ver por que o diretor só casa com atrizes...

Enfim, estes são exemplos simplistas mas que me fizeram refletir o quanto de cobrança a sociedade impõe às mulheres. Se as coisas (qualquer uma, no trabalho, em casa, na vida pública ou privada) dão errado, a culpa é da mulher. Se dão certo, de quem é o mérito? Normalmente dos homens, a mulher no máximo divide os louros (o velho e machista ditado: “Por trás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher”).

E as exigências se acumulam. É aquela velha história de que, tendo filhos, precisamos ser excelentes funcionárias para provar que a maternidade não atrapalha a carreira. Trabalhando fora, precisamos ser mães e esposas exemplares. E lindas. E bem-humoradas. E sempre prestativas, conciliadoras, afáveis, generosas.

Ao homem, cabe o quê? Porque nas últimas décadas, tarefas, tanto domésticas quanto profissionais têm sido divididas igualmente entre homens e mulheres. Dia desses, pesquisando para uma concorrência aqui na agência, li uma pesquisa que indicava que o Brasil é o terceiro país do mundo em mulheres empreendedoras. As empresárias (dos mais diversos portes, contando aí consultoras de marcas de cosméticos, por exemplo) são maioria crescente em relação aos homens. Interessante. E ainda assim, diante de tanta competência feminina, a mulher segue sendo crucificada pelas mazelas mundiais, condenada por suas opiniões pessoais (como euzinha mesmo fiz com Suzana e Ana). Hoje, peço desculpas públicas a ambas. Mea culpa.

A mim, basta que meu homem me ame e compartilhe comigo a função de criar e solidificar nossa família. E que não me venha com cobranças mil. Culpada? Sim, a mulher é. De dar a cara a tapa, de assumir suas escolhas, de ousar em seus caminhos, de tentar abraçar o mundo inteiro pra que ele dê certo. Apesar dos preconceitos e das culpas.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

O sorriso do meu filho

Se tem uma coisa que me fascina no Caio é sua facilidade em sorrir. Um sorriso que ilumina todo o rostinho dele, que concede uma luz ainda maior aos seus olhos.

Porque seus singelos sorrisos se enchem de significados. Eles são, pra mim, sua ponte maior com o mundo. São sua mais genuína forma de expressão. O Caio fala muito pouco ainda. Mas seus generosos sorrisos traduzem tudo o que meu anjo quer falar.

Eu chego em casa, não interessa o horário. Costumo dizer, já da porta da frente: “olha quem chegou...”. E ele solta uma risada das mais gostosas, que consigo escutar mesmo que ele não esteja ao alcance da minha visão. E quando ele me enxerga, aí mesmo é que o sorriso “escancara”.

Ele adora música. De todos os tipos. Basta ouvir um princípio de ritmo e pronto – lá vem o sorrisão pro rostinho de novo.

Quando se aproxima os horários de comer... ao som do microondas, ele já começa a sorrir e dar gritinhos de contentamento.

A Páscoa... ele adora chocolates (nem sei a quem puxou)! A cada ovo ou bombom que recebeu, ele se agarrava prontamente à embalagem e... sorria muito.

O sorriso do meu filho me dá sinais diários do quanto ele percebe o mundo ao seu redor, entende emoções, demonstra suas opiniões. Em síntese, é a comprovação de que, por mais que sua parte motora carregue as seqüelas da meningite, seu cognitivo é normal. Muitas vezes sim, encerrado nas limitações físicas, mas ali, ativo, atento, vibrante. E nos mostra que ele é feliz, na condição que é, porque sim ele se sabe amado, sim ele sabe retribuir esse amor.

Compartilho seguidamente meu sofrimento ao ter o Caio tachado de deficiente. Mas seu sorriso tão lindo me dá o respaldo para afirmar que de deficiente ele não tem nada. Algumas pessoas que trabalham com terapias espiritualistas e harmonização de energias, que têm contato com o Caio, já me afirmaram mais de uma vez: que alma perfeita, que já vivenciou em curto espaço de tempo tanto sofrimento e se mantém tão alegre, tão viva. Eu me arrisco a dizer mais. Deficiente? Nem pensar! O Caio tem a riqueza e a capacidade que a maioria dos melhores QIs que conheço não têm: a capacidade de sorrir, de ser feliz.


Lambuzado de chocolate: os olhos sorriem junto com todo o rosto.
Delícia pura!

terça-feira, 10 de abril de 2007

Família crescendo

Costumo dizer que eu não posso ver nem filhote de cachorro nem de gente que logo quero ter mais um. Por essas e outras que nossa família ganhou no domingo, um novo membro: o Scott. Na verdade, ele é meu neto, filho do meu filho-cocker Ninho. Mas é também, o novo mano do Caio e do Yuri. Olhem só que fofura... não é a minha cara?

36 dias de puro mimo

O Caio se grudou - literalmente - no novo mano

E o Yuri fala com ele: "vem com o paizinho"...

Mano, filho, neto... desse jeito, logo logo o Scott vai precisar de ajuda da psicanálise freudiana...

quinta-feira, 5 de abril de 2007

O significado das minhas Páscoas

Páscoa sempre me traz dois sentimentos: ternura e melancolia. Quem me conhece há mais tempo, sabe que trago da Páscoa as lembranças mais genuinamente felizes com meu irmão. De uma infância pobre, onde fazer cestos de Páscoa com recortes de revista, menores que uma tampa de caixa de sapatos, era o apogeu da inocente esperança e cumplicidade de duas crianças. E na manhã de domingo, quando 2 ou 3 bombons, com algumas balas, surgiam no meio dos papéis picados, víamos a materialização de nossos sonhos: o coelho existia! E principalmente, NÓS existíamos para ele!
Enfim, realmente foram tempos muito felizes, dos quais tenho muitas saudades.

E com os rumos que minha vida tomou nos últimos dois anos, a simbologia religiosa da Páscoa se tornou ainda mais forte. A festa da vida. A celebração da fé. O milagre maior de Deus. A cada dia, minha fé se fortalece.

Meu pequeno menino, meu anjo Caio, está cada dia “maior”, mais atento, falante, ativo, mais lindo! Ele conquista a todos com sua simpatia, seu sorriso, seus beijos. Falta pouco mais de 40 dias para completar 2 anos! Ainda ontem, meu Yuri fazia o dever de casa de matemática – fez 12 contas de somar, utilizando palitos para ajudá-lo. E não errou nenhum resultado! O meu primeiro bebê... aquele que há 7 anos atrás ainda repousava em meu ventre.

Ah, o milagre da vida. Vida que sabe ser tão sofrida, tão poética, tão árdua, tão simples. Celebrar a vida, todos os dias. Agradecer todos os momentos, aprender com eles. Cada um de nós somos o próprio milagre. Que saibamos simplesmente viver, amar, acreditar, abençoar.

Uma Feliz Páscoa para todos.