terça-feira, 22 de agosto de 2017

27 anos depois, a calça 42

E hoje o que me parecia impossível, aconteceu. Quase 7 meses depois do início da reeducação alimentar e da atividade física, eu visto uma calça 42. Numeração que não usava desde os 18 anos - ou seja 27 anos! Pra mim, uma grande conquista e muitas lições:

- Deixar de ser obeso é um desafio diário, principalmente para eliminar a mente gorda.


- Ainda procuro o equilíbrio, entre comer certo e "enfiar o pé na jaca". Entre treinar por prazer, por foco no objetivo maior e respeitar também os meus limites.

- Descobri sabores nunca antes imaginados e que o paladar também pode ser educado.

- Fazer meu leite, minha salada e outros agrados gastronômicos pra mim mesma, se tornaram um prazeroso ritual.

- Nos meus posts compartilhados falo muito em mindset: é o mais desafiador - reeducar a mente.

- Também a nutrição afetiva: hoje olho a comida, na maior parte das vezes, de forma diferente. Mas ela ainda nutre meu emocional. Por isso a importância das boas escolhas.

- Ser amorosa comigo quando fujo da dieta ou mato a academia. Quanto mais me cobro, mais isso reflete em atos inconscientes de punição e auto sabotagem. Entender que tenho me esforçado e feito a cada dia o melhor que consigo fazer naquele dia.

- Ainda preciso mudar a forma de me enxergar. Na maioria das vezes, vejo no espelho a Cláudia que já pesou quase 120 quilos, que já vestiu 54. Ainda enxergo a obesa mórbida. Mas, definitivamente, essa não existe mais.






E deixem eu confessar, mesmo que eu negue isso a mim mesma. Nunca me senti tão linda! Por dentro e por fora! Uma beleza, consequência da outra.

O desafio segue. Diariamente. Só por hoje, eu consegui entrar na calça 42. Esses dias ainda, comentei com algumas pessoas que me sentia me perdendo de mim. Acho que não é por aí. Estou me reencontrando. Quem eu sempre quis ser. Talvez por isso, em alguns momentos, tenha dificuldade de reconhecer a "nova" Cláudia. Mas a cada dia também, eu vou seguir me esforçando, pra nunca mais deixar escapá-la. ❤️

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Para Caio

Faz tempo que não escrevo de ti, filho. E esse blog, esse espaço nasceu justamente por ti, que me fez entender a força e o valor dos meus frutos. Mas como tal, precisaram de tempo para maturar e serem saboreados. E a cada nova estação é possível que os ciclos se renovem e também alguns sentimentos adormecidos, aparentemente superados, renasçam.

Ontem tirei uma foto tua, como tantas que sempre tiro. Porque sou uma mãe assumidamente coruja. Porque tua alegria me comove e inspira. Tu estavas pronto para ir à escola. E eu fiquei profundamente tocada ao vê-la. Meu Deus, como tu é lindo, meu filho! Como teus traços são perfeitos! Como teu rosto se ilumina, com teu sorriso que nasce dos olhos, da alma!


Mas preciso te dizer, filho. Me doeu. Muito. Eu aceito, mas tem dias que dói bastante. Mortalmente. Tua deficiência. Tuas impossibilidades. Tuas limitações, causadas nessa vida por irresponsabilidade alheia. Sei, acredito mesmo, combinadas entre nós dois, muito antes. A gente topou enfrentar juntos. Mas ainda assim me dói. Porque vejo que tu tentas falar mais do que consegues hoje e não ser entendido te frustra. Porque te esforças pra que teu corpinho responda além do que ele tem conseguido. E porque todo nosso empenho não tem dado os resultados mais desejados. É duro conviver com desapontamentos. E ser feliz apesar deles. Vendo por este ângulo, acho que até que estamos nos saindo bem.

Ainda assim, quero te pedir: me desculpe. Me desculpe porque ando muito cansada. Cansada dessa rotina estressante de horários cronometrados para tantos compromissos de reabilitação. Cabeça cansada de sempre criar o plano B, o C, quase esgotando o alfabeto, buscando mais e mais oportunidades para que desenvolvas o teu melhor. Cansada de andar de ônibus, de olhares preconceituosos ou de comiseração, de correr atrás de receitas médicas contínuas, de andar sempre com o oxímetro na bolsa. Exaurida de pessoas que não têm sequer a dignidade de olhar para nossos sapatos, quiçá para calçá-los, e ainda assim emitirem opiniões e julgamentos. Que não sabem da missa a metade, porque não querem saber.

Me perdoa, filho. Quando reclamo de dores musculares pelo manuseio diário contigo. Porque né? Além de lindo, estás um rapaz, quase da minha altura! Te peço perdão quando choro de cansaço – escondida ou na tua frente. Me perdoa quando deixo prevalecer minhas vontades, meu bel prazer. É quase uma questão de sobrevivência, sabe filho? Me perdoa porque eu sei que disse que te carregaria em meus braços a vida inteira e parece que as forças me faltam demasiado cedo. Me perdoa se eu aprendi tanto com tua coragem, mas ainda assim, não sou sombra da fortaleza que tu és. Sei que as minhas limitações são infinitamente maiores que as tuas. Te venero por isso.

A tua imagem tão linda dessa semana doeu meu coração. Repito: como tu é lindo, meu filho! E como é imenso esse amor que te tenho! Esse amor que tem se sentido impotente, mas que é tão visceral. Que só a gente sabe, porque só a gente vive. Não tem sido nada fácil, né filho? E o mais incrível disso tudo: somos peculiar e genuinamente felizes. Eu te agradeço por não desistir de mim. Eu te agradeço por ter me escolhido. Te agradeço por dar a tua vida para eu me tornar melhor. Te agradeço por tua luz acolher minha sombra. E juntos sermos completos.

Eu te amo. Obrigada por me permitir isso.

Mamãe (uma das poucas, mas lindas palavras, que tu consegues dizer) 

domingo, 6 de agosto de 2017

Plantio com propósito, colheita com sucesso

Uma das conexões mais lindas que se pode fazer - e eu tenho aprendido, devagar, a meu tempo, mas de forma muito significativa - é com a natureza. Da terra, de seus ciclos e frutos, a lição de que toda força, vitalidade, poder e legado são mais valiosos quando brotam assim: naturalmente. E todos temos este dom. Durante grande parte da minha vida me achei justamente sem dom para o cultivo de qualquer plantinha que fosse. Tenho transformado meu pequeno quintal num variado pomar e horta. Com paciência e dedicação. O segredo?! Talvez o propósito. Quando me propus a fazer meus plantios darem certo. De verdade. De coração. É assim é com todas as esferas de nossas vidas. Seja o que fores fazer, faça entregue. 

Esses dias colhi o gengibre mais lindo da minha vida. Que eu mesma plantei. Há muito namorava os que eu comprava em mercados e fruteiras e pensava: como é possível serem tão grandes e bonitos. Minhas colheitas eram tão singelas. Hoje sei, aprendi, que eu não estava esperando o tempo adequado de maturação. Minha ansiedade atrapalhou e colhi frutos menores. O erro foi me ensinando e o resultado foi essa colheita exitosa. 



Para a semana que vai começar, te convido a refletir sobre o sentido dessas palavras na tua vida. Tens aceitado o tempo perfeito da natureza? Tens dedicado verdadeiramente teu coração a cada projeto, sonho, relação e investida? Aliás: qual é o teu propósito de vida, o que queres colher? E tua natureza, teus princípios, têm sido respeitados? O que te faz sentir conectado com a vida?! Pode parecer perguntas assustadoras, complexas. 

Respira e observa atentamente a vida ao teu redor. As respostas podem​ estar muito mais perto do que imaginas. As minhas, desse vez, vieram na colheita de um lindo gengibre.

Feliz semana a vocês!
Um beijo,
Cláudia