sábado, 31 de dezembro de 2011

Que venha 2012!

Eu acho assim.
Nada muda do dia para a noite.
2011 se vai, 2012 chega, mas não acontecem milagres.
Eu até acredito que eles (milagres) existem mesmo.
Mas são fruto de merecimento.
... Então nada vem por acaso.
Momentos bons e maus continuarão acontecendo, difíceis e fáceis, alegres e tristes.
O que importa é o que temos de mais precioso, íntimo e individual: nossos valores.
O que temos a repartir e compartilhar, deixar de lição, tornar o bem uma marca pessoal.
Mas não é sentar e esperar.
É aquela história... comece por você!
Ou como eu publiquei dia desses e quero que seja meu lema no Novo Ano: Seja a mudança que você deseja ver!
Eu convido todos os meus amigos e quem amo: vem comigo!
Vamos fazer a diferença em 2012!
Há de valer a pena!
Feliz Ano Novo!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O ano em que tudo (re)começou

É aquela história. Quando olho pra trás, acho que 2011 passou voando.
Já o defini. Foi um ano intenso.

Eu sou de uma geração que cresceu vendo grandes míticas se desenvolvendo em torno dos anos “dois mil e”... através de livros, filmes, previsões. Muitos diziam que o ano acabaria em 2000. 2001 era o ano da Odisséia no Espaço, 2010 o Ano em que 'faríamos' contato... No Mundo de 2020 era um mundo onde se comiam biscoitos reciclados de cadáveres... Tudo apocalíptico.

Acho sim, que foi um ano, como sempre, de muitas tristezas, de muitas perdas para a humanidade. Mas assim é sempre e assim continuará sendo. Eu ainda prefiro acreditar na metade cheia do copo. Em gente e momentos que fazem tudo valer à pena.

Para mim, 2011 foi o ano em que tudo ou começou, ou recomeçou.
Caio começou na escola, de longe o grande acontecimento do ano!
Eu recomecei a procurar meus espaços dentro da minha individualidade.
Estou tentando recomeçar minha vida profissional ou, ao menos, alguma estabilidade financeira.
Yuri começou seu sonhado futebol, sonhando em ser o Neymar daqui uns 6-7 anos...
Meu casamento viveu um forte recomeço, trabalhado, pensado, sentido.
Comecei novas e preciosas amizades, que muito me fortaleceram o espírito e o cotidiano.

Começo 2012 com as esperanças mais uma vez recarregadas.
Como já disse aqui, acredito muito em ciclos e energias.
Acho que 2011 foi um ano de começar a colher muito mansamente aquilo que venho plantado, com amor e sinceridade.
Nos meus sonhos, 2012 vai ser o ano de REALIZAR.
Seguindo no plantio, seguindo cultivando. Com trabalho. Com dedicação.
Mas acredito que vou ver muita coisa acontecer no ano que está prestes a começar.
Assim seja!

BOAS FESTAS E UM LINDO ANO NOVO a todos os meus queridos amigos daqui, leitores anônimos, amigos de todo dia!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Balanço

O que aprendi em 2011

  • A ser mais tolerante comigo mesma
  • A exercitar a paciência, comigo e com os outros
  • Que a inclusão existe, é possível
  • Toda luta nos dá a sensação maravilhosa de ter por que lutar
  • Todos nós cometemos erros e, para alguns, há a oportunidade de correção
  • Que Caio pode voar sozinho às vezes - e gosta disso
  • A ter momentos exclusivamente dedicados a mim e isso não é egoísmo
  • Que Yuri tem a sua própria história e eu não posso nem devo querer que seja igual à minha
  • Que amigos vão e vem, mas alguns são mesmo para sempre
  • Por pior situação que estejamos, ainda assim sempre podemos estender nossa mão à quem precisa mais
  • Que eu posso cultivar sonhos sem tirar os pés do chão
  • Certa estava minha avó: "Quem não arrisca, não petisca"
  • Não deixar nunca de exercitar a humildade e a gratidão
  • Pedir ajuda não é fraqueza
  • Aceitar ajuda é um ato corajoso
  • Ter fé - em Deus, em energia, em algo - faz toda a diferença

E o que quero aprender em 2012

  • A ser mais tolerante comigo mesma (sim, nunca é demais!)
  • A exercitar a paciência, comigo e com os outros (paciência, a rainha das virtudes, que eu a perca rara e mui brevemente)
  • Praticar a flexibilidade
  • Controlar a ansiedade que só me faz sofrer antecipadamente
  • Valorizar também a minha "fachada" como reflexo daquilo de bom que trago aqui dentro
  • Não duvidar de que sim, eu quero, eu posso, eu consigo
  • Deixar meus filhos voarem ainda mais longe, confiante de que eles sabem que têm para onde retornar
  • Que eu também posso voar, sem que isso signifique que eu esteja abandonando o Ninho.
  • Calar mais do que falar
  • Cultivar todos os valores aprendidos, sabendo que todo dia é oportunidade de aprender mais
  • Perfeccionismo não existe. Mas a persistência ainda assim é extremamente válida.
  • Um dia de cada vez.
  • A dar menos importância a quem não se importa comigo.
  • A amar e agradecer cada um que se importa.
  • A ter metas como motivação, não como auto-cobrança.
  • A ser feliz "por nada".
  • A lembrar, como li numa camiseta do Yuri, que "Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso, aprendemos sempre".

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pedimos para Nascer

“Eu não pedi para nascer!” Quantas vezes ouvimos essa frase, dita por incrédulos ou crentes. Aqueles, convencidos de que o sofrimento sempre é injustificável. Estes, como querendo cobrar de Deus ou da vida as dificuldades que experimentam e julgam não merecer.
            
Será mesmo que não pedimos para nascer?
            
Parecem mais razoáveis as crenças e as filosofias que apontam para a possibilidade de que a vida humana seja uma sucessão de existências direcionadas ao aprimoramento do espírito. E que este, no seu processo evolutivo, vai assimilando morte e renascimento como episódios interligados entre si, instrumentos indispensáveis ao despertar e ao evoluir da consciência que não morre nunca.
            
Quando entendemos que somos, nós próprios, os artífices da nossa sorte, os construtores da nossa felicidade, passamos a valorizar a vida. Esse é o verdadeiro passaporte para a eternidade.
            
Desperta o amor pela vida. De posse dele, o espírito vê-se  estimulado a novas e fascinantes experiências, que se expressam em reencarnações capazes até de oferecer  provas mais duras, destinadas a refazer o equilíbrio que nós próprios violamos (há quem chame isto de punição), mas cuja finalidade maior sempre será o progresso do espírito.
            
Pedimos, sim, para nascer.

Freqüentemente, até interferimos em complexas decisões elegendo a pátria, a família, a ocupação que deveremos ter. Não somos vítimas de um destino cego e cruel. Somos consciências viajando rumo à luz.

Milton Medran Moreira
Presidente da Confederação Espírita Pan-Americana

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dinha Drops

Então que a vida anda uma correria, ou intensa, como prefiro defini-la especialmente neste último mês. Acredito que em breve terei tempo para discorrer mais detalhadamente sobre alguns acontecimentos e sentimentos, mas por ora deixo breves notícias & fotos pra quem pergunta seguidamente pela gente.

* Caio conseguiu, finalmente, autorização para ficar mais um ano no Jardim. Ao mesmo tempo, iniciará em turno inverso, uma adaptação semanal em sua futura escola de ensino fundamental. Achei uma decisão muito acertada que, acredito, vai lhe trazer muitos benefícios.

* Ele ainda vai à escola até o dia 22, pois no decorrer destes dias ainda acontece a festinha de encerramento de todas as turmas e o amigo secreto. Mas já aconteceu o encerramento do Jardim, quando ele recebeu sua avaliação e fizeram uma pequena apresentação. Preciso dizer que babei?



* Yuri está estudando pra R1 em português, mas sigo preocupada. Inteligente ele é, mas está se esforçando minimamente, visivelmente querendo chamar desesperadamente nossa atenção e eu realmente não sei mais como agir. Para "ajudar", minha ansiedade está em potência mil!

* Na contramão disso tudo, acho que estou vivendo o melhor momento profissional desde meu afastamento em 2008. Me sinto reconhecida e com muito potencial de crescimento em 2012. Num rumo que acho que tenho talento para e que gosto muito.


* Passei num concurso do IBGE para emprego temporário. Não sei se serei chamada ou se poderei assumir. Mas fiquei em 13º lugar entre as 25 vagas para a minha cidade, o que me deixou muito feliz, dando um bom up na minha auto-estima.

* Dinha Doces ainda é minha paixão e meu relax. Não vou abandonar. Ao contrário, penso se um emprego definitivo me traria oportunidades de fazer cursos de especialização em confeitaria, por exemplo.


* Falar do meu amor por meus filhos me parece um pleonasmo. Mas ando pensando muito em mim. Em me cuidar mais, física e emocionalmente. Em ter mais tempos para as minhas vontades. Sem culpas. Na carona dessa vibe, voltei a clarear meus cabelos, ficando com muitos tons louros. Primeiro gostei, depois desgostei, agora estou hidratando e acostumando. Ainda falta a progressiva pra ficar 10.


 * E tomei coragem, impulsionada por minhas primas-afilhada-comadre e fiz uma tatuagem. Era um desejo que tinha desde sempre, mas também sempre tive muito medo. O medo se foi e ficou a tatoo. Linda. Amei.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O primeiro filho em segundo lugar?

Yuri foi, ao contrário do Caio, um filho muito desejado e planejado. Não que isso hoje seja motivo de diferenciação no amor incondicional que sinto pelos dois, cada um em sua individualidade. Mas o fato é que o Yuri foi uma gravidez muito sonhada, com dois anos de tentativas e um aborto espontâneo no meio do caminho. Caio, eu sei e digo, foi planejado especialmente para mim por Deus e eu agradeço todos os dias Seus desígnios, mas conscientemente eu não estava querendo engravidar naquele período.

Yuri sempre teve qualidades que muito me alegraram e orgulharam. E isso são sentimentos que crescem junto com ele. Ainda hoje, nessa chatíssima pré-adolescência que estamos descobrindo juntos, pela primeira vez para ambos, como mãe e filho, eu o admiro muito. Acho que ele é forte. Justo. Amoroso. Solidário.

Mas no meio disso tudo, fico com medo de não estar sabendo dizer, com minhas ações e no nosso dia a dia, essas coisas.

O Caio precisa fisicamente mais de mim. O que não significa que o Yuri não precise do meu amor, da minha presença, da minha ajuda. Por mais maduro que ele seja, ele ainda é uma criança. E é meu filho tão amado desde sempre. Quero muito que ele entenda isso.

Estou muito chateada porque Yuri teve um ano difícil na escola. O 6º ano lhe chegou junto com as mudanças físicas e hormonais, nove novos professores no lugar de um único, a primeira paixonite mais adolescente, o desejo de permanecer às galeras mais populares... Ao mesmo tempo, foi o ano do ingresso do Caio na escola. Motivo de muita felicidade pra todos nós, mas, ao mesmo tempo, de ciúmes. “A mãe agora só quer saber da escola do Caio” foi uma frase muito ouvida. Ao mesmo tempo, Yuri vibra com cada conquista do irmão. Sei que ele está sinceramente feliz com isso. Mas entendo sua porção humana naturalmente egoísta.

O fato é que Yuri entra na reta final da escola com fortes chances de entrar em recuperação terapêutica e, talvez, repetir o ano. E o que me chateia profundamente é que sei que não é um problema de aprendizagem. Volta e meia, ele gabarita as provas. Daqui a pouco, tira notas muito baixas. É participativo em aula, no momento seguinte, é agressivo com os professores.
Vejo ele pedindo socorro à sua forma. Gritando: “olhem pra mim, também sou filho de vocês, também sou criança, também preciso da atenção de vocês”. E, como sempre, me culpo. De não ter sabido lhe mostrar o quão importante ele é na minha vida. De quanto o amo tanto quanto amo seu irmão. De talvez, não ter mesmo lhe dado a devida e merecida atenção.

Yuri teve que amadurecer na marra. Aos 5 anos precisou entender que o irmão não era igual aos outros, não ia jogar bola com ele como ele sonhou durante minha gravidez. Aos 7, com a hepatite do Caio, teve que aprender que crianças também adoeciam gravemente, iam para o hospital e podiam, sim, morrer. Dos 9 em diante precisou saber sobre epilepsia e os diferentes tipos de convulsão. Sua infância precisou cultivar desde muito cedo, as asperezas e sustos da vida, ao lado da inocência natural da idade.



Temos estudado juntos, andei saindo “na balada” sozinha com ele. Embora ele mesmo goste de incluir o Caio em todos os nossos programas, estou tentando mostrar o quanto ELE é importante e amado. Os dois são. Os dois têm espaço no meu coração e hei de saber dividir melhor meu tempo. Espero que ainda dê tempo dele recuperar o ano escolar. Espero que, principalmente, ele possa acreditar verdadeiramente que amor de mãe não se divide, só se multiplica. Que ele é, naturalmente, o primeiro. Mas, em se tratando de filhos, nunca há um preterido.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

E o pássaro sabe voar...

Então que a semana foi de uma correria atrás da outra, muito trabalho (obrigada, Deus!), alguma função sem internet por conta de burrocracias da operadora, reunião na escola do Yuri e, para culminar, ontem um forte temporal que atingiu nossa cidade e deixou todos sem água, luz ou telefone. Por benção, nossa casa foi muito pouco atingida e já temos todos os serviços restabelecidos, o que não acontece em toda cidade ainda.

Mas, blá-blá-blá à parte, quero compartilhar com quem não acompanha as nossas redes sociais que o passeio do Caio foi um sucesso! Ele curtiu muito, aproveitou cada momento para poder mexer em tudo o que o Museu permite às crianças, não se estressou nem um momento, apesar da distância, da duração do passeio e do forte calor que fazia no dia.

A monitora me contou muitos detalhes cheia de felicidade. E isso é mais uma das coisas que me emocionam e que me fazem ser muito grata: ver ela falando do Caio é um momento à parte. Me vejo nela. Ela fala com tanta alegria por cada sinal da interação dele, com um sorriso daqueles que a gente percebe que brota no coração. Fico feliz por ele estar aprendendo a voar. Fico feliz por mim, por estar lhe permitindo seus voos.
















Em homenagem ao meu pássaro Caio, também deixo uma música que ele adora ouvir e que tem alguns trechos que mostram que sim, é ele, meu pássaro que começa a ganhar o mundo.



(...) Sou pássaro de fogo
Que canta ao teu ouvido
Vou ganhar esse jogo (...)


(...)
Minha alma viajante, coração independente
Por você corre perigo
Tô a fim dos teus segredos
De tirar o teu sossego
Ser bem mais que um amigo

Não diga que não
Não negue a você
Um novo amor
Uma nova paixão
Diz pra mim...

Tão longe do chão
Serei os teus pés
Nas asas do sonho rumo ao teu coração
Permita sentir (...)

Pássaro de Fogo - Paula Fernandes

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Asas ao meu pequeno pássaro

Frase muito conhecida por aí e de uma beleza e profundidade ímpares é a do jornalista Hodding Carter, que disse certa vez que “os dois maiores presentes que podemos dar aos nossos filhos são raízes e asas”.

Concordo e foi algo que sempre tentei fazer pelo Yuri, desde a mais tenra idade. Sempre lembro dele ainda bebezico e eu deixando ele passar de colo em colo, quando na verdade, no meu egoísmo de mãe de primeira viagem, eu não o quisesse fazê-lo. Queria fazer dele um menino sociável e que não necessitasse exclusivamente da mãe, por mais que isso me doesse. Deu certo (às vezes acho que até demais). Hoje, pré-adolescente, vou renovando as asas do meu Yuri, lhe permitindo algumas saídas sozinho, lhe dando algumas pequenas tarefas que exigem certa autonomia e responsabilidade. E a cada nova tentativa, o coração materno fica miudinho. Mas faz parte, é preciso, para ele e para mim.

Agora tentem imaginar esse mesmo processo em relação ao Caio. O meu eterno bebê. Ok, eu sei que ele não é bebê, nem gosta de ser tratado assim e eu não o trato assim. Mas o filho cuja vida foi tão batalhada desde sua turbulenta chegada. A criança cujos direitos eu preciso lutar ainda mais arduamente, todos os dias. O menino de saúde mais instável, delicada...

Colocá-lo na escola, nunca neguei, foi o grande rompimento do MEU cordão umbilical. Porque eu tinha muito medo de que ele não fosse bem aceito, bem tratado. Depois, tinha certeza que ninguém saberia cuidar dele e perceber suas sutis alterações de comportamento que podem virar crise como eu. E aí Caio recebe um anjo em forma de gente, a sua monitora, a tia Carla. Ela que me ensinou que não é preciso existir inclusão quando existe amor ao próximo. Ela que soube reconhecer as crises convulsivas do Caio quando elas mal se instalavam e providenciou o socorro imediato. Que ficou de mãos dadas comigo até ele entrar na UTI naquela crise mais forte. Ela que já aprendeu como o refluxo vem... Anjo, não há outra denominação.

Fico feliz demais em ver Caio tão bem inserido. Eu digo um milhão de vezes a quem me conhece: quero tudo para o Caio, que ele se reabilite mais, que talvez possa andar, se comunicar, cursar um curso superior... Sonho alto, eu sei. Mas, com os pés no chão, basicamente, o que desejo, em primeiríssimo lugar, é que ele seja feliz. E à medida que o vejo crescendo, desejo que ele possa realizar as coisas que são de sua vontade com alguma autonomia.

Tudo isso pra dizer que hoje Caio está com sua turma indo à Porto Alegre para o grandioso passeio de final de ano, no Museu de Ciências e Tecnologia da PUC. É o passeio mais longo que ele já fez (previsão de 6 horas entre ida e retorno) e o mais longe, em que eu não posso chegar em 15 ou 30 minutos caso necessite. E eu estou com o coração do tamanho de uma cabeça de alfinete. Insegura. A escola, talvez percebendo isso, me convidou para ir junto. Balancei, foi uma proposta tentadora. Mas, além de ter um compromisso profissional no final da tarde que ia conflitar, acho que preciso ainda aprender a seguir dando asas ao meu pequeno pássaro.

Se quero que meu filho seja visto como um igual e tenha as mesmas oportunidades dos demais, preciso confiar e deixá-lo ir, só com sua galerinha. Sim, ele tem especificidades. Mas preciso acreditar que ele está bem assessorado. E sei que ele está.

Voa meu lindo Caio, voa.
Descubra o mundo, fortaleça tuas amizades, rompa mais e mais barreiras.
Desfrute. Aprenda. Seja feliz.
Com muito orgulho e amor, a mamãe segue aqui, vendo tuas asinhas crescerem e buscarem novas paisagens.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Omissão, que fácil que é

Então que eu, que me julgo super antenada em algumas questões, vejo também o quão ingênua posso ser. Caio matriculado no jardim, educação infantil, ensino regular, começou as aulas 6 (SEIS) meses após sua inscrição porque eu sou brasileira e não desisto nunca, achei que agora tudo seriam flores.

Ha-ha-ha!
Só o que me resta.

Pessoal que me acompanha por aqui e pelo facebook tá vendo a peleia. Já são mais de 30 dias desde o meu pedido à Secretaria de Educação, amparado em parecer pedagógico de suas professora e monitora mais laudos de pediatra, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional que o acompanham, solicitando sua permanência por mais um ano na educação infantil.

Primeiro, o departamento de educação infantil, leu, pensou e chegou à conclusão que não era de sua alçada este assunto, passou para o CEIA - Centro de Educação Inclusiva e Acessibilidade. Este, por sua vez, como subdepartamento da Secretaria, leu a solicitação, achou (disse mas não escreveu) o pedido coerente mas afirmou que não tinha autonomia para uma decisão deste porte. O pedido foi encaminhado então à direção do departamento de inclusão. Que ficou com a papelada por mais de 10 dias, leu e deu um parecer: quem tem que decidir é o departamento de educação infantil!

Como assim? Estamos andando em círculos!

Na verdade, todo este episódio lamentavelmente me confronta com aquela verdade que já sabemos, nua e crua: a inclusão inexiste para algumas pessoas. Não é necessária, é trabalhosa, dispendiosa.

Todos sabem dos medos que tive no início do Caio na escola. E todos também viram como fomos felizes! Que serviço lindo, que inclusão de verdade sua escola faz. Passados 6 meses de convívio escolar, Caio é amado, aceito por colegas, professores, funcionários. É popular. Tem apresentado sinais claros de desenvolvimento cognitivo, motor e social. É um feliz estudante!

Eu não imaginei que sua inserção no grupo escolar fosse tão fácil. E é triste ver que os entraves burrocráticos, de funcionários públicos que fazem jus a má fama da categoria, estão tentando impedi-lo de seguir seu caminho. Querem que ele vá a todo pano para a primeira série do ensino fundamental. Ou, não tendo condições para, que vá logo para uma escola especial. Argumentam que se permitirem que ele fique agora, aos 6 anos, ainda aos 9 ou 10 estaremos desejando ele na educação infantil! Façam-me o favor! Parecem que torcem para que ele não seja apto ao ensino regular. Não querem lhe dar o tempo necessário para ele mostrar suas capacidades, desenvolver melhor suas potencialidades. A escola especial, que o rejeitou ano passado, entende que a paralisia cerebral não é necessariamente uma condição de incapacidade mental. Os gestores do nosso ensino regular estão com uma tremenda resistência em investir, em apostar, em pagar pra ver.

E o que mais me aborrece é que ninguém quer ser o pai da criança. Ninguém quer dizer SIM ou NÃO ao Caio e nosso pedido. É um jogo de empurra-empurra. Uma triste omissão de seus papéis na sociedade e no sistema educacional do município.

Já tive várias conversas pessoais com nosso prefeito porque eu previa que alguma dificuldade poderia atravessar nosso caminho. Ele já sabe muito bem quem é o Caio, sua história e como tem sido ativa sua participação na escola. Mas de nada adianta ele apoiar a inclusão em sua totalidade, se seus departamentos e secretarias subordinadas não seguem a mesma cartilha. Se preciso for, muito em breve, ele me reencontrará pessoalmente para tratar deste tema.

O lado positivo é que a própria escola comprou a briga junto comigo. Solicitaram à diretora que, na sua programação de vagas 2012 fizesse duas listas de Jardim: uma com o nome do Caio, outra sem. Ou seja, não resolveram nada. Ela se negou. Disse que a vaga é dele até alguém assumir oficialmente e com justificativa posição contrária. Eu agora estipulei um prazo. Dizem que dia 22 a diretora do departamento infantil retorna de férias. Anotem: dia 25 estarei na frente dela cobrando uma posição. Porque estão querendo nos matar no cansaço outra vez, tal e qual ano passado, quando o inscrevi em dezembro para que somente em maio ele fosse chamado. Não vai acontecer de novo. Além de escaldada, essa luta é fichinha diante de tantas outras que já travamos. E das que sei que ainda teremos pela frente. Mas se tem uma coisa que nunca vai acontecer, é meu filho deixar de ter a mesma oportunidade de crescimento das demais pessoas pela omissão de uns. Ah, isso não! Porque se omitir é muito fácil. "Não fui eu". Quero ver é ir a luta e dar a cara à tapa. Isso sim é para os fortes. E é o que eu e Caio somos.


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Oração ao tempo

E lá se passou quase um mês e eu, de novo, não apareci por aqui.
É aquela velha história: ideias existem, mas às vezes me falta ânimo. E não é que eu não queira mais compartilhar. Quero e muito. Mas o tempo, ah esse deus dos mais lindos, como já disse Caetano... ele anda sendo cruel pra mim. Dia desses pedi no Facebook pro papai do Céu, só por um dia, me dar um dia com 36 horas.

Tento ver se isso é bom.
A vida tem sido intensa. Com suas dores e suas cores.
Mas na maior parte das vezes, já compartilhei isso aqui, o tempo me parece cruel. Tenho a impressão que ele não me permite saborear os instantes vividos. Às vezes, penso que ele me toma algo precioso, que não sei bem o que é.
Tenho medo de não estar fazendo jus ao tempo que ganho aqui nesta dimensão.
Ao tempo com meus filhos, com meus amores, com meus amigos.
Tenho medo de não estar sabendo aproveitar bem a viagem.



Tempo... é tudo o que eu almejo.
Ainda que eu saiba que o meu tempo é o agora.

Caio anda instável de saúde novamente e isso me angustia.
Nos intervalos das frequentes convulsões, voltaram as crises de refluxo/enxaqueca, com dias seguidos de vômitos.
Queria tanto uma explicação lógica e definitiva, um tratamento eficaz e perene. Mas isso, faz tempo que procuro, ainda não veio.
Sinto meu filho fragilizado e isso sim, faz de mim um cristal.
Quero que o tempo passe e reconquistemos a estabilidade de um ano atrás.

Em contrapartida, profissionalmente, vejo perspectivas.
Este foi um mês muito proveitoso com a formatação de trabalhos de conclusão de curso para faculdades. Gosto porque é um "dinheiro fácil", ao mesmo tempo que me mantém atualizada com assuntos diversos.
Na outra ponta, fui muito reconhecida por meu chefe e isso me fez bem. Penso que posso estar mais perto do que nunca, nos últimos 3 anos, de retomar minha profissão de uma forma digna, inteira. Sinto que as sementes plantadas, passado o tempo de germinação, começam a brotar com raízes boas.
Gostaria que o tempo passasse logo e pudesse me trazer esses almejados frutos.

Essa sou eu.
Esse eterno poço de contradições.
Vendo que já tive respiros no passado que gostaria de voltar a viver.
Querendo que o futuro me traga novas energias e motivação.

No meio de tudo isso, ganhei uma nova amizade que me tem sido muito preciosa.
Está me ajudando a acreditar que sim, tudo vai dar certo e eu vou encontrar um caminho de equilíbrio.

Como ansiosa nata e em tratamento, pra variar, hoje eu queria que o tempo já tivesse acontecido e na sua passagem trouxesse as respostas que tanto desejo.
Mas sei que é tudo no tempo de Deus.
Sigo confiando. E vivendo como dá.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Epilepsia, o meu bicho-papão

Então que aconteceu de novo.
Caio teve uma nova crise convulsiva ontem à tarde, após uma crise de refluxo gastroesofágico, o que atrasou toda sua medicação em mais ou menos 6 horas.

Eu costumo dizer que não há crise branda para um coração de mãe. Não é nada fácil ver um filho convulsionando, tremendo sem controle, babando, ficando anóxico. Caio ontem não ficou anóxico (roxinho), saturava bem apesar da crise. Então, acabo colocando suas crises em escalas. A de ontem foi "mediana". Durou uns 10 minutos e só cessou após a chegada do socorro médico e da aplicação de Diazepan na veia. Mas cessou mui brevemente (menos de um minuto) e colocaram suporte de oxigênio por insistência da médica, mas ele sua saturação em crise não baixou dos 93%. De qualquer forma, eu sofro e sofro muito.

O neuropediatra dele insiste que não podemos deixá-lo tendo crises com essa frequência atual - média de uma a cada dois meses. Pergunto à ele quais os riscos. Novas lesões cerebrais e consequente atraso ou comprometimento maiores em seu desenvolvimento, me diz. A literatura médica afirma que, a cada crise convulsiva, morrem neurônios. A solução?, pergunto novamente. Associar um quarto anticonvulsivo aos três que ele já toma. Com a direta consequência dele ficar dopado a maior parte do tempo. As crises, muito provavelmente, cessariam. Pra mim, isso não é solução. Já escrevi sobre isso antes, aqui.


Quando conheci o atual neurologista do Caio, ele me perguntou porque eu estava tão descontrolada ao ver meu filho convulsionando, visto que ele tem síndrome de west. Hein???? Não entendi nada. O Richard foi o primeiro a me "botar as cartas na mesa" e me explicar o que era o temido traçado eletroencefalográfico com hisparritmia que o Caio apresentava desde os 6 meses e que tanto assustava os demais médicos, que apenas me diziam: "é grave". Me explicou que Caio tem uma desordem nas descargas elétricas cerebrais e que, por isso, ele vai convulsionar sempre. West é um tipo de epliepsia muito forte, algumas crianças com várias crises diárias! E eu não poderia ficar histérica cada vez que o Caio tivesse uma crise. Eu tinha que saber enfrentá-la, ajudá-lo.

Sempre vou agradecer a honestidade e clareza com que o médico me colocou essas coisas. Foi libertador. Óbvio que não gosto de ver o Caio em crise convulsiva. Mas saber que faz parte, que é nossa condição, me mune de mais discernimento para lidar com ela no dia a dia.

Então, agora, não entendo esse tratamento onde dopar é a saída. Saída pela janela, cara pálida! Estou tentando uma segunda opinião médica pelo convênio, mas tá difícil! Quero refazer tomo e eletro do Caio. Porque na prática, mesmo ele tendo essas crises contínuas, ele acorda normal, como se nada tivesse acontecido. Ainda ontem, abriu os olhos, olhou ao redor, me esticou o bracinho e me mandou um beijo fraquinho, mas tão cheio de amor! Não vemos perda neuronal! Eu não vejo, os profissionais que o acompanham na reabilitação não vêem... O neuropediatra me diz que ter ficado um ano inteiro sem crises, como nos aconteceu dos meados de 2010 para cá, foi a exceção da regra. Não costuma acontecer. Médicos não costumam usar a palavra milagre. Eu acredito em bençãos.

Caio costuma convulsionar quando tem um foco infeccioso, febre, estresse por noites mal dormidas... enfim. Absolutamente normal para uma criança com seu quadro. Só que me questiono zilhões de vezes ao dia se essa minha postura afinal, de ver a epilepsia como nossa condição normal, está certa. Porque realmente não quero dopar meu filho. Para mim, seria como perder a guerra e perdê-lo para a vida. Caio mostra respostas, evoluções e comportamentos que nunca foram acreditados para uma criança com paralisia cerebral e síndrome de west. E eu sigo querendo acreditar que a medicina não é uma ciência exata. Cada indivíduo é único, sua forma de reação à uma doença ou tratamento também pode ser único.

Nisso tudo, só fica meu pavor de estar escolhendo errado. Caio não tem autonomia, eu decido por ele. E, por enquanto, tenho decidido que vamos enfrentar a epilepsia como tem sido: pronto atendimento, diazepan, monitoramento da oxigenação, repouso e bola pra frente!

Me pergunto o tempo todo se ele sofre com as convulsões, se tem dor. Ou se como poéticamente quero acreditar e me é aparente, ele dá conta.
Dizem que 7 anos costuma ser uma idade decisiva para crianças com West. Eu queria mesmo é que a síndrome nos desse tchau, fosse embora levando a epilepsia junto. Mas sei que isso é incerto.
A certeza que tenho é que quero meu filho inteiro para a vida, descobrindo e sentindo cada experiência. As boas e as más. Mas inteiro. Estou querendo muito?

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Meu pai e eu, the never ending story...

Já escrevi algumas vezes aqui sobre meu pai... Acabei me dando conta de que há até um marcador aqui no blog só pra ele. Sinal de que ele é importante na minha história. Como acredito que é ou deve ser todo pai, toda mãe. Pena que a nossa história é de uma complicação sem fim...

Tentando resumir: meu pai separou da minha mãe quando eu tinha mal 5 anos. Ele era alcóolatra, violento, batia muuuito nela. Não a deixava trabalhar fora, mas também não provia a casa como devia, por conta do seu vício. Até aí eu entendo tudo. Mas não consigo aceitar o fato de que, após separação, meu pai nunca mais procurou a mim e meu irmão. Eu, como tinha lembranças claras das surras que ele dava na minha mãe, não sentia tanto sua falta. Mas meu irmão, que mal chegou a conhecê-lo, muito chorou e pediu pra ver nosso pai. Minha mãe não permitia e meu pai não nos procurava. Sabem quando aconteceu o reencontro entre pai e filho? 25 anos depois, no enterro do meu irmão!

Eu acho que esse pode ser um dos motivos que eu não me permito evoluir minha relação com meu pai. Me dói pensar que meu irmão quis tanto ter um pai, ou ao menos conhecer o seu e não conseguiu. Às vezes penso ser injusto que eu desfrute da companhia dele, visto que essa tentativa de aproximação só aconteceu pela morte do meu irmão.

Mas não é um motivo isolado. Falo - e sinto - que meu pai para mim é um estranho, do qual tenho má impressão. Não conheço este homem e ele não me conhece. Tentamos algumas vezes, mas sempre me foi dolorido. Meu pai não tem traquejo, por assim dizer. Na primeira vez que me viu, comentou sobre o quanto eu era magrinha quando criança e como tinha ficado tão gorda. Numa outra visita, me lembrou que devia ficar de olho no Yuri para ele não seguir meu caminho (no quesito forma física). Ok, até entendo. Não me orgulho do meu corpo. Não desejo que Yuri siga pelo mesmo caminho. Mas com 25 anos de brecha na relação pai e filha, acho que teríamos coisas mais importantes ou significativas para conversar. Depois do nascimento do Caio, ele volta e meia me telefonava perguntando quando ele iria ficar curado, quais são os prognósticos médicos... E na boa, não aguento esse tipo de cobrança! Me canso de explicar que paralisia cerebral não se cura!

No nosso último contato, ele chorou. Disse que eu era muito fria. Que esperava ouvir de mim um "eu te amo, meu pai". Oi? Já tenho uma vida toda empepinada, não preciso mais uma pessoa na minha vida pra me cobrar beleza física, cuidados com um filho, a reabilitação plena de outro e declarações de uma filha amorosa! Me poupe, mas, na minha concepção, quem me deve é ele!

Nunca mais atendi seus telefonemas.
E lá se foi mais de ano... Mas o ruim é que não me sinto bem com isso.
Penso nele. Penso, como já escrevi por aqui, no único avô que meus meninos têm e não convivem, não conhecem.
Entendo a doença do alcoolismo, já superada.
Entendo a separação com minha mãe e sei hoje que ela também fez sua parte para que ele não nos procurasse.
Às vezes até penso que ele pode ter danos neurológicos pelos anos de bebida...

Nas reaproximações anteriores, imaginei que eu poderia ir desarmada, sem criar expectativas.
Mas não adianta.
Eu sou a filha. Eu fui "abandonada". Eu quero colo.
E aí acho que nossa relação tem tudo pra dar errado.
Porque ambos queremos a mesma atenção. Eu e ele queremos receber, antes de doar.

Ultimamente tenho pensado bastante nele outra vez.
De que está velho, talvez no fim da sua jornada.
Da paz que talvez eu alcançasse se pudesse perdoá-lo e viver, algum tempo, uma relação minimamente sadia.
Se tem assunto mal resolvido (ou não resolvido) na minha vida, este assunto é meu pai.
E isso me dói.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Pertencendo a lugar nenhum

As matrículas e rematrículas escolares estão a todo vapor aqui em Canoas.
Para quem estuda nas escolas municipais - como o Caio - a rematrícula garante a vaga no ano seguinte. As vagas que são disponibilizadas pela saída dos alunos para outras escolas, outros níveis de ensino, são distribuídas através de sorteio público, visto que são vagas bem concorridas. A vaga do Caio especificamente foi conseguida após sorteio com base na lei que prioriza seu ingresso na rede de ensino.
Lembro ainda do quanto fiquei feliz quando ele foi finalmente chamado para ingressar na escola. O quanto estamos sendo felizes neste quesito - inclusão, estímulo, sociabilização, aprendizado - ao longo dos 5 meses que Caio tem frequentado o jardim.

Mas, para mim parece claro que suas limitações especialmente físicas lhe impõem outro ritmo de desenvolvimento. A professora e monitora que o acompanham falam que o desenvolvimento dele é visível (e sim, eu vejo!). Mas que ele precisaria de mais um tempo na educação infantil, explorar melhor certas experiências sensoriais, lúdicas, antes de ingressar no ensino fundamental. Comentei aqui. A Secretaria de Educação indica que ele precisa ir para a primeira série, o que implicaria em trocar de escola, visto que já tem 6 anos completos. E isso me angustia, pois se os professores e demais profissionais acham prematuro para ele, eu acato, acredito. Alguns estudiosos são contra o ingresso no ensino fundamental com 6 anos inclusive para as crianças sem deficiência. Pois a SME quer que ele vá para a primeira série. Se for indicado que ele não tem condições de frequentá-la, deve ser encaminhado à uma escola especial.

Neste momento sofro por ver que, para grande parcela da sociedade, meu filho não pertence a lugar algum. Não tem um laudo definitivo de deficiência mental que o possibilitasse ser aceito numa escola de educação especial - onde, inclusive ele foi rejeitado no início deste ano, antes de ingressar em sua atual escola. Mas suas limitações físicas são barreira para a maioria das pessoas concebê-lo no ensino regular. E infelizmente, essa situação, de exclusão, de ser exceção onde nenhuma regra se aplica não se limita à escola...

Penso que luta gigante ainda teremos pela frente.
Tento imaginar como a batalha sem fim que foi para Flávia e sua família. Provar que por trás daquele corpo aparentemente inoperante havia um cérebro que entendia, absorvia conhecimentos e era capaz - com os devidos suportes - a dar as devidas respostas.

O cognitivo do Caio ainda é uma incógnita.
Ele alterna momentos de rápida resposta e interação com outros de aparente ausência.
Nenhum dos profissionais que o acompanham querem estabelecer ainda um atestado de comprometimento mental. Dizem que ele necessita ficar mais tempo exposto a mais estímulos para que possamos ver até onde ele consegue ir. E ele está indo bem.

É óbvio que ele tem atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Mas isso não quer dizer que ele é incapaz de aprender, de acompanhar. E sofro pensar que ele possa a ser impedido de mostrar sua potencial capacidade.

De qualquer forma, com ajuda e orientação de amigos, consegui reunir laudos de pediatra, fonoaudióloga e terapeuta ocupacional que o acompanham, recomendando a permanência na educação infantil por mais um ano. Fiz uma solicitação de próprio punho, baseando meu requerimento no direito à temporalidade flexível do ano letivo que crianças portadoras de deficiência têm. Suas professoras fizeram um parecer. Amanhã entramos com a solicitação oficial na SME pela permanência do Caio. Espero que seja apreciado com brevidade ou minha ansiedade vai me consumir. A diretora me garante que, por enquanto, a vaga do Caio fica para ele mesmo, não é disponibilizada até que a Secretaria se pronuncie.

Cainho, Cainho, às vezes fico surpresa da quantidade de habilidades que tu colocas, diariamente, no colo da mamãe aqui... Mas se tem algo que aprendi contigo, meu filhote, é a não desistir. Vamos lutando sempre. Como dá, com as armas que temos... E com aquela fé teimosa, que tu me ensino há mais de 6 anos... Deus há de nos reservar o melhor. Acreditemos e aguardemos.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O dia da criança por aqui, foi assim...

Caio fez sua estreia na Expoaer, na Base Aérea de Canoas, em meio à maior muvuca.
Assistiu e adorou o show da Esquadrilha da Fumaça, tirou foto perto de vários aviões, ganhou uma camiseta de oficial da FAB e, no final, um folder todo autografado pelos pilotos da Esquadrilha! Show!











Yuri ganhou a permissão de furar a orelha e usar seu tão sonhado brinco.
Gostar, eu não gostei. Mas permiti, porque entendo a onda do momento.
Ele não foi na Expoaer porque tinha um aníver regado à futebol (proposta sempre irrecusável pra ele).


Apesar da sensação, cada vez mais frequente, de só ter UMA criança em casa, ainda tá valendo.
E foi um dia bacana.
Caio, dá pra ver, curtiu horrores. E aí, alegria de filho é nossa felicidade.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Depressão

Há pouco mais de um ano minha vida entrou no olho de um furacão.
Às vezes, parece que saí dele... Em outras, me vejo girando velozmente sem ter a mínima ideia de onde vou parar.
As coisas pareciam ter entrado nos eixos, embora os eixos que eu conhecia e pelos quais me guiava, definitivamente, tenham mudado de lugar.
Nos últimos meses eu só tive uma certeza: a de que nada é para sempre. Nem a tempestade. Muito menos a calmaria.

A primeira vez que me dei conta que eu podia ter depressão foi no final de 2006. Eu sentia uma infelicidade por tudo. Chorava copiosamente. Queria dormir o dia inteiro. E, embora não o fizesse, varava as noites em larga insônia. Mas, como tudo na minha vida, eu me culpava. Me culpava por estrar deprimida. Me sentia fraca de caráter por isso. Será que a vida não podia sair um pouquinho do seu eixo que eu já tinha vontade de desistir de tudo? Na época encontrei um médico maravilhoso que me explicou muito sobre a depressão. Principalmente que ela é uma doença. Não tem nada a ver com caráter. Mas que tem tratamento. E tê-lo ao alcance era uma benção.

Comecei a tomar remédios e fazer terapia.
E por um par de anos, foi meu esteio.

Eu às vezes acho que eu sou a minha maior sabotadora. Porque parei de fazer terapia e comecei a fazer terapia reencarnacionista. Abre parênteses: não estou criticando nenhuma das duas opções. Mas eu queria algo mais "natural". Sim, eu era cheia de preconceitos. Eu não queria ser "louca". Eu não queria me "chapar" - e eu tomava uma dose bem levinha - com antidepressivos e ansiolíticos. Eu queria enfrentar o meu mundo, as minhas dores particulares de cara limpa.

Acho que não deu muito certo.
Especialmente ao longo de 2010 fui me perdendo de mim mesma.
E hoje, confesso, me vejo frustrada e infeliz a maior parte do tempo.
Mas eu ainda me questiono e me culpo.

Me pergunto porque sou assim... depressiva...
Eu acho, acho mesmo que tenho garra, que sou valente.
Então, por que me entrego ao mimimi, à auto-piedade?
Porque sim, hoje, depois de muita terapia, eu assumo: ainda acho que o mundo me deve. Que eu merecia que a vida me fosse melhor, mais fácil, mais florida.

E, por favor, não venham fazer relação dos meus sentimentos com a deficiência do meu filho. Isso é parte integrante da minha concepção frente a tudo que minha vida se transformou ao longo dos meus 39 anos. E, sem sombra de ser demagoga, Caio me trouxe muito mais perspectiva. Às vezes acho que, se não fosse por ele, eu já tinha desistido de tudo mesmo.

Recentemente me vi no fundo do poço por uns dias.
Vontade zero pra vida.
Mas aí eu junto cada pedacinho que acho que ainda tenho de coisas boas e volto outra vez. Mas não queria que fosse assim. Acho que só o bate-papo da terapia não tem adiantado. Acho que vou precisar voltar pra minha tarja preta.

Eu estou em desalinho.
Acho que cresci muito. Mas ainda tem um tantão pela frente me esperando.
E eu quero dar conta.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes

Hoje é o Dia Nacional de Luta das Pessoas Deficientes, instituído pelo movimento social em Encontro Nacional, em 1982 e sancionado pela Lei nº 11.133/2005.
Foi escolhido o dia 21 de setembro pela proximidade com a primavera e o dia da árvore, numa representação do nascimento das reivindicações de cidadania dos deficientes e participação plena em igualdade de condições.

Eu, como mãe de um portador de deficiência, desejo apenas que ele tenha RESPEITO e OPORTUNIDADE. Acho que são duas palavras que encerram em si tudo o que há de pleno para a existência humana.

Respeito à sua infância, vida e cidadania.
O direito de brincar, ser bem assistido na escola, na saúde, no transporte.
O direito de ir e vir, garantido pela acessibilidade vivida na prática (sonho distante, mas não impossível, depende muito da boa vontade dos nossos governantes).
O direito de viver, sem que lhe dirijam, a todo momento, olhares de espanto, curiosidade ou nos façam perguntas ou colocações estapafúrdias.

E oportunidade de crescer, dentro de suas limitações, e ser feliz!
Que meu Caio possa ter acesso ao ensino, à reabilitação, à profissionalização, se Deus permitir. E que esteja realmente na mãos de Deus se isso vai acontecer ou não, mas não em entraves "buRRocráticos".

Enfim... que ele tenha, todos os dias, muitos motivos para exibir serenidade e alegria e que isso não dependa somente dos meus esforços como mãe que ama incondicionalmente, mas de toda uma sociedade preparada para aceitar as diferenças.


Para celebrar devidamente o dia, a ACADEF inaugurou sua piscina de hidroterapia e fui uma das mães convidadas a participar da cerimônia. Caio já está com seu atendimento agendado a partir do dia 07/10. Me emocionei vendo a piscina pronta, tão linda, pois pude acompanhar a gestação da ideia e toda a luta para concluir a obra... Já imagino Ito fazendo altas estripulias nesse espaço maravilhoso!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Inclusão escolar - a luta continua

Então que vai tudo às mil maravilhas com o Cainho na escola. Ele está super integrado, é muito bem aceito por todos, colegas, profes, funcionários. São todos de um carinho comovente. Seu desenvolvimento deu um salto nestes quatro meses. Ele vocaliza muitas sílabas novas, está cada vez entendendo mais tudo o que falamos com ele e respondendo à sua maneira. Do ponto de vista motor está cada vez mais curioso com as mãos, adora brincar com o material escolar – giz de cera, hidrocor, lápis coloridos... Também tem movimentado mais o tronco e as pernas, e eu credito isso ao fato dele querer “descer” da sua cadeira para brincar com os colegas. Emocionalmente, ele também mudou para melhor. Alegre ele sempre foi, mas agora anda mais tranqüilo também. Se diverte “sozinho”, sem a necessidade constante de musica, por exemplo. Eu só vejo ganhos e fico muito feliz por ele.
 
Como Caio iniciou na escola quase na metade do ano, nós – eu e a equipe, da escola – tínhamos planejado que vamos solicitar, agora em outubro, a permanência dele na escola, em 2012 no jardim B, que, teoricamente, é para crianças que ainda não tenham completado 6 anos. A partir dos 6 anos, a lei estabelece que a criança ingresse no Ensino Fundamental. Mas queremos defender que além da defasagem do meses deste ano, que o Caio não cursou, a necessidade que ele tem de ainda aprender mais na Educação Infantil.

Num primeiro momento, a coordenadora da Educação Infantil se mostrou enfática: a lei é clara, aos 6 anos completos no início do ano letivo de 2012 Caio terá que ser encaminhado à uma escola de Ensino Fundamental. Se não tiver condições de freqüentar uma, deverá ser matriculado numa Especial.

Ou seja, estamos assim: direção, professora e monitora querem o Caio no jardim B ano que vem. Instâncias superiores da Secretaria de Educação acenam que é impossível.

E isso posto, pra mim que já sofro tanto por antecipação, dá pra imaginar como eu estou me sentindo, né? Primeiro que realmente acho que Caio ainda está muito longe de estar apto a cursar uma primeira série. Segundo, que tenho medo de uma nova adaptação, de uma nova procura, já que sua escola atual oferece apenas a Educação Infantil. Terceiro que, em tese, no Ensino Fundamental do município não há a figura da monitora, para alimentar a criança, levá-la ao banheiro, ajudá-la com os materiais. Eu conheço UM caso de uma avó que conseguiu uma monitora para seu neto, um menino de 9 anos que conheço desde que o Caio era bebê. Acho ele e o Caio em condições de desenvolvimento equivalentes e as experiências dele e de sua família me servem de referência nestes momentos. Sem monitora, sobraria pra mim, mais uma vez abrir mão dos meus espaços e exercer este papel integralmente. Quarto, que neste momento a Educação Especial não é uma opção que eu gostaria de tentar. Ainda. É aquilo que já tinha acordado antes. Caio precisa estar no ensino regular, até que se mostre incapaz para tanto. Ou não.

O problema é que a deficiência física pode vir a se tornar uma grande barreira neste momento. Na educação especial, querem um laudo de deficiência mental que não temos. No ensino regular, querem dele uma autonomia motora que também não existe.

Estou um pouco triste.
Ansiosa de como vai ser.
Mas, também, tava tudo muito florido pra ser verdade...
De qualquer forma, sei que vou lutar com todas as minhas armas. Vou buscar laudos, se preciso for. Pesquisar brechas legais. Me basear em algumas vivências reais de outras mães com filhos deficientes que freqüentem o ensino regular. Usar contatos, se preciso for...

É, amigos, a luta continua.
Mas, se Deus permitir, está muito longe o dia que vão vencer nossa vontade de seguir na batalha. Até mesmo porque já faz tempo que Caio me ensinou que impossível é algo que não existe.