segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O primeiro filho em segundo lugar?

Yuri foi, ao contrário do Caio, um filho muito desejado e planejado. Não que isso hoje seja motivo de diferenciação no amor incondicional que sinto pelos dois, cada um em sua individualidade. Mas o fato é que o Yuri foi uma gravidez muito sonhada, com dois anos de tentativas e um aborto espontâneo no meio do caminho. Caio, eu sei e digo, foi planejado especialmente para mim por Deus e eu agradeço todos os dias Seus desígnios, mas conscientemente eu não estava querendo engravidar naquele período.

Yuri sempre teve qualidades que muito me alegraram e orgulharam. E isso são sentimentos que crescem junto com ele. Ainda hoje, nessa chatíssima pré-adolescência que estamos descobrindo juntos, pela primeira vez para ambos, como mãe e filho, eu o admiro muito. Acho que ele é forte. Justo. Amoroso. Solidário.

Mas no meio disso tudo, fico com medo de não estar sabendo dizer, com minhas ações e no nosso dia a dia, essas coisas.

O Caio precisa fisicamente mais de mim. O que não significa que o Yuri não precise do meu amor, da minha presença, da minha ajuda. Por mais maduro que ele seja, ele ainda é uma criança. E é meu filho tão amado desde sempre. Quero muito que ele entenda isso.

Estou muito chateada porque Yuri teve um ano difícil na escola. O 6º ano lhe chegou junto com as mudanças físicas e hormonais, nove novos professores no lugar de um único, a primeira paixonite mais adolescente, o desejo de permanecer às galeras mais populares... Ao mesmo tempo, foi o ano do ingresso do Caio na escola. Motivo de muita felicidade pra todos nós, mas, ao mesmo tempo, de ciúmes. “A mãe agora só quer saber da escola do Caio” foi uma frase muito ouvida. Ao mesmo tempo, Yuri vibra com cada conquista do irmão. Sei que ele está sinceramente feliz com isso. Mas entendo sua porção humana naturalmente egoísta.

O fato é que Yuri entra na reta final da escola com fortes chances de entrar em recuperação terapêutica e, talvez, repetir o ano. E o que me chateia profundamente é que sei que não é um problema de aprendizagem. Volta e meia, ele gabarita as provas. Daqui a pouco, tira notas muito baixas. É participativo em aula, no momento seguinte, é agressivo com os professores.
Vejo ele pedindo socorro à sua forma. Gritando: “olhem pra mim, também sou filho de vocês, também sou criança, também preciso da atenção de vocês”. E, como sempre, me culpo. De não ter sabido lhe mostrar o quão importante ele é na minha vida. De quanto o amo tanto quanto amo seu irmão. De talvez, não ter mesmo lhe dado a devida e merecida atenção.

Yuri teve que amadurecer na marra. Aos 5 anos precisou entender que o irmão não era igual aos outros, não ia jogar bola com ele como ele sonhou durante minha gravidez. Aos 7, com a hepatite do Caio, teve que aprender que crianças também adoeciam gravemente, iam para o hospital e podiam, sim, morrer. Dos 9 em diante precisou saber sobre epilepsia e os diferentes tipos de convulsão. Sua infância precisou cultivar desde muito cedo, as asperezas e sustos da vida, ao lado da inocência natural da idade.



Temos estudado juntos, andei saindo “na balada” sozinha com ele. Embora ele mesmo goste de incluir o Caio em todos os nossos programas, estou tentando mostrar o quanto ELE é importante e amado. Os dois são. Os dois têm espaço no meu coração e hei de saber dividir melhor meu tempo. Espero que ainda dê tempo dele recuperar o ano escolar. Espero que, principalmente, ele possa acreditar verdadeiramente que amor de mãe não se divide, só se multiplica. Que ele é, naturalmente, o primeiro. Mas, em se tratando de filhos, nunca há um preterido.

2 comentários:

Bih Dias disse...

Ai, que lindo texto!!!
Amei, amei, amei!
Sabes o qnto curto seu lado maezona, né? Acho muito lindo isso.

Cassandra disse...

Oi Dinha!

Querida, minha solidariedade total neste sentimento! Eu tenho tido dificuldade em entender o que na Fernanda é pura birra e o que é ciúme do irmão, que deve ser tolerado. A ideia de dar uma atenção exclusiva eventualmente é muito boa, tenho certeza que vai funcionar com o Yuri.
E teus filhos estão maravilhosos, parabéns pelo excelente trabalho que tu tens feito com eles.
E contigo, como estão as coisas? Quando puder manda notícias.
Beijo.