sábado, 31 de janeiro de 2009

Rapi-Dinhas (ou como anda tudo por aqui)

Ah, que a vida tá uma correria sem fim.
Sem tempo pra atualizar o blog e acho que também sem muito assunto.
Mas vamos tentar contar as últimas e tirar o pó.
  • Pra quem não sabe ainda, estou desempregada desde 17/12. Natal e Ano Novo abstraí total. Peguei a primeira quinzena pra cuidar da saúde do Caio. Mas agora ando agitando os pauzinhos. Tô confiante que até março engato um novo emprego, legal.
  • Nessa quinzena minha mãe pegou um "bico" pra fazer e fiquei sozinha em casa com os meninos. Gente, perdi a prática! Sou a mãe e dona de casa full time mais atrapalhada do planeta! Sorte deles que preciso trabalhar fora...
  • Caio está iniciando Terapia Ocupacional, além da fono e da fisio. E estamos tentando a hidro. A TO tem o objetivo de dar funcionalidade aos movimentos que ele consegue fazer.
  • Falando em movimentos, Caio tem se movimentado muito bem. Está usando ambas as mãos para comer bolachas. Antes, apenas o braço direito conseguia movimentar-se, agora ele consegue usar os dois!
  • Ele também tem se esforçado e dobrado as pernas e segurado os pés e feito constantemente a posição de engatinhar. A fisio me afirmou que esse é um exercício extremamente difícil, que mostra o quanto o cérebro dele tem conseguido controlar alguns músculos. Para ficar nessa posição, ele precisa ao mesmo tempo fazer flexão nas pernas e extensão na coluna e braços. Ele se sustenta por muito pouco tempo, mas é um grande avanço, principalmente porque a iniciativa do movimento partiu dele.
  • Apesar de todos os percalços do segundo semestre de 2008, Caio atingiu a meta de peso imposta pelo gastro. Ganhou 1,5 kg. Ou seja, considerando hepatite, glaucoma, refluxo e internações e todo o gasto calórico destes novos movimentos que ele está fazendo, tá tudo beleza!
  • Fizemos uma testagem de alergias alimentares no Caio. Laudo: ele é reativo à banana, brócolis, arroz, carne de vaca, milho e glúten. Ou seja, pelos exames, banana, brócolis e todos os derivados da vaca provavelmente lhe serão proibidos para o resto da vida. Para arroz, milho e glúten, é uma "sensibilização" que pode ser temporária. Mas ele terá que ficar pelo menos 60 dias longe desses alimentos e seus derivados. Depois, refazemos o teste.
  • A notícia boa é que ele pode continuar com a soja e o leite que tanto ama, maçã, feijão, ovos, tomate, cebola e chocolate (de soja, claro) que são coisas que ele adora! Mas acho que vou ter que ficar sócia da Olvebra e seus produtos. E descobrir onde comprar "macarrão de quinua". Haja din-din.
  • Marido foi passar uma semana em MG, a trabalho. Volta terça que vem, à noite. E Yuri está na praia com a dinda. Ou seja, aqui em casa estamos Caio, eu e Deus.
  • Consegui um free que acho que vai ajudar bastante o apertado orçamento (ainda nem comecei a receber o seguro desemprego) enquanto o novo emprego não se confirma.
  • A nova administração municipal está fazendo uma filtragem nos bolsistas do município. E Yuri pode acabar sendo transferido para uma escola pública aqui mais perto de casa. O problema é que as escolas aqui são de péssimo nível, péssimo mesmo. Estou me esforçando pra que ele continue com a bolsa. Ou que eu arranje um emprego logo que me permita pagar a escola dele. Realmente é algo que não gostaria de privá-lo.
  • Caio ainda está na fase de ajuste do novo anticonvulsivante. Segue tendo espasmos, embora em menor quantidade, o que ainda me preocupa. Mas suas respostas motoras são um motivo pra gente seguir acreditando no melhor.
  • Sexta que vem, eu e Yuri vamos a SP. Eu vou realizar o imenso sonho de conhecer pessoalmente pessoas mais do que especiais. E rever outras tão amadas. Ganhamos as passagens de presente, por milhagem, e teremos hospedagem garantida. Ficamos apenas o final de semana. Mas tenho certeza de que além de viver momentos inesquecíveis, essa realização será meu "pé de coelho" pra muita notícia boa que ainda vai vir em 2009. Assim seja!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Anjos adormecidos

Caio ganhou o amado e desejado Júlio, dos dindos de POA, de Natal.
Agora é seu melhor e inseparável amigo.

E Yuri tem dois ursos que ele ganhou ainda bebê. Estão mais do que surrados, acabadinhos. Volta e meia quero me desfazer deles e ele não deixa. Semana passada entendi a razão...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Matando um leão por dia

Matando um leão por dia.
Essa foi uma das minhas primeiras expressões quando o Caio estava com uma semana de vida, internado na UTI Neo. Nada mais verdadeiro. Desde o princípio foi uma montanha russa emocional, um vai-pra-frente-volta-pra-trás.

"Mãe, ele é prematuro. Mas tem bom peso."
"Mãe, ele está com uma infecção."
"A infecção é gravíssima."
"Ele pode morrer em horas."
"Conseguimos vencer a infecção!"
"Mas a bactéria migrou para a meninge..."
"Ele está com grandes lesões cerebrais."
"Vamos salvá-lo."
"Ele está curado!"
"Ele ficou com hidrocefalia, seqüela da meningite. Vai precisar operar."

Enfim, Caíto veio ao mundo e não foi à passeio. Veio pra lutar e pra me ensinar a fazer o mesmo.

E, como dizem por aí, a luta continua.

Quando o Caio tinha 6 pra 7 meses e fez o primeiro eletro, ainda no HCPA, diagnosticaram algo grave mas não me disseram o que era. Quando iniciei o acompanhamento com a Fabi, veio o diagnóstico, assustador. Síndrome de West. Uma síndrome praticamente incurável, com degeneração neurológica, com raras chances de progressos motores ou cognitivos, que causa várias convulsões DIÁRIAS. Caio não tinha os sintomas, embora tivesse o traçado eletroencefalográfico da síndrome. Recentemente o traçado deixou de ter essas características. Mas aí apareceram as convulsões.

E eu NUNCA falei pra ninguém, exceto médicos, da síndrome. Porque, pra variar, ela era um diagnóstico sombrio e fechado: profundo e irreversível retardo mental e motor. Sem chances de desenvolvimento. O famoso "nenê-alface" que o neurocavalão falou um dia... E eu gritava dentro de mim: não, não e não!

Mas não posso tapar o sol com a peneira e o Caio tem avaliado bem mais seguido com o Richard, nosso novo neuropediatra, desde o episódio da hepatite. Desde a última internação em especial, ele tem tido alguns espasmos neurológicos que podem evoluir para uma crise convulsiva. Mas ainda assim, na primeira semana deste ano o Richard me tirou o peso do mundo das costas. Novos exames e acompanhamento comprovam: Caio não tem a síndrome de West. Mas tem epilepsia. Por conta da PC, dos problemas neurológicos.


Pode viver com ela a vida inteira sob controle.
Pode até existir fatores limitantes à reabilitação do Caio - tanto motora quanto cognitiva - do ponto de vista da literatura médica. Mas Caio contraria os prognósticos. E é nisso que, como sempre, tento me agarrar.
Principalmente no que diz respeito ao cognitivo. Ele entende, se esforça, se ajuda.
E o Richard diz que eu fiz certo. Minha postura de negar foi positiva.
Nosso neuro, recente em nossa história, me diz aquilo que gosto tanto de ouvir de alguém que está tratando o Caio comigo: que eu não devo aceitar pacificamente diagnósticos. Que devo buscar alternativas, terapias e acreditar nos avanços da medicina. Acomodar nunca!
E conheço o filho que coloquei no mundo, teimoso. Caio contraria tudo que lhe é imposto desde que nasceu. Ainda bem!

Aumentamos a dosagem da medicação e ficamos aguardando o fim dos espamos. Mas isso não aconteceu. Eles diminuíram. Mas, com a dosagem máxima da medicação para sua idade e peso corporal, era para terem desaparecido. O que achavamos que era espasmo, na verdade, já são
crises convulsivas leves e curtas, sem risco de seqüela cerebral. Mas que podem evoluir para as crises convulsivas clássicas.
E isso temos que evitar.

Por isso, Caio começou com um novo anticonvulsivante.
Mais um.
O terceiro, uma vez que este é associado aos dois que ele já usa.

E aí, eu me vejo exaurida e enxergo mais um imenso leão à minha frente!

Vou tirar forças de onde??? De novo! Cavar mais?

Não estamos conseguindo controlar sua epilepsia e vejo essa prescrição negando tudo aquilo que quero acreditar e pelo qual luto tanto.
Três medicações anticonvulsivantes...
Oito ao total, todas mais de uma vez ao dia.

Me sinto impotente de novo.
Amo tanto.

Quero tanto.
Luto tanto.
Acredito tanto.
Mas nessas horas, nada disso é suficiente e parece que estamos perdendo a guerra...

Tudo continua uma incógnita.
A notícia não é grave.
A epilepsia pode evoluir positiva ou negativamente.
Caio segue com as mesmas chances de reabilitação, se conseguirmos controlar a epilepsia.
Mas ser confrontada com uma realidade mais negativa me desestabiliza muito....
Sofro por ele. Ele fica sempre cuidando se temos algum remédio na mão quando nos aproximamos.
Se ele pudesse falar, certamente me diria que não quer, que não gosta.
E mesmo que ele pudesse falar, eu nada poderia fazer a respeito...

Tenho medo das complicações medicamentosas, dos excessos (necessários, porém excessos) de medicação para uma criança de menos de 4 anos.

Tenho medo de uma criança dopada por tantos remédios (coisa que nunca ocorreu) e que não consiga realizar aquilo que ele tanto tenta.
Tenho medo de tantos remédios mal completos os 6 meses necessários para a total reabilitação do seu fígado.
Tenho medo da evolução para uma epilepsia de difícil controle.
Me dói pensar em novos exames de rotina para controle hepático.
Me dói pensar que meu guerreirinho pode sofrer.

Tenho que me convencer de que, ao contrário do que eu queria tanto que fosse a nossa realidade, Caio não é um menino saudável.
É portador de uma doença crônica e várias seqüelas.
Necessita de muitos cuidados, é vulnerável e corre alguns riscos.


Sei que fiz a coisa certa.
O Richard me disse que eu sou muito observadora e provavelmente estamos poupando o Caio de novas crises convulsivas fortes, que necessitem de hospitalização. Este é meu pequeno alento. O de que, por mais que me doa, tento fazer o melhor por ele.

Eu não queria mais essa parte difícil da nossa vida. Queria só o bem bom.
Só os sorrisos, os sonhos, as traquinagens.
Mas não é assim.

Tô triste.
Pra variar, tenho medo de não dar conta.
Do leão me pegar de jeito, porque eu já ando pra lá de esfarrapada.

Mas aí olho pro Caio.
Recebo um beijo, um carinho.
E penso que se existe algo que sempre vamos vencer é no amor.
Ele sabe. Eu sei.

O leão que nos aguarde.
A gente segue por aqui.
E ainda estamos de pé.

"A vitória pertence aos homens e mulheres deste mundo que nunca deixam de tentar, que jamais desistem."

John Ortego

sábado, 17 de janeiro de 2009

Amor de Irmão, um tesouro incomparável

Estou com várias amigas vivendo ou prestes a viver a experiência do segundo filho. E se tornam inevitáveis as conversas sobre esta fase e o que ela traz de mudança para toda a família. Especialmente para o primogênito. Ciúmes, perda, o sentimento de divisão da mãe... E este assunto me tocou especialmente esta semana.
O Yuri, todos que me acompanham, sabem, foi planejadíssimo. O Caio foi uma grande surpresa desde o início. E comecei a lembrar de nossa trajetória. Eu, mãe de dois filhos.

Antes de eu engravidar, ele não admitia a hipótese de um irmão ou irmã. Repetia constantemente que somente ele seria meu bebê para sempre. Ele estava com 4 anos. E quando lhe contei que havia um maninho ou maninha na minha barriga, ele chorou muito. A ponto de fechar a porta do seu quarto e chorar na cama. Respeitei seu momento. Passados alguns minutos, ele veio enxugando as lágrimas, ainda fungando e disparou uma das frases que gravou para sempre no meu coração: "Tá bom, eu não 'querio' . Mas eu vou ser forte e vou ser bom pro meu irmão".

O destino nos pregou várias peças e foi o Yuri o meu grande parceiro de gravidez. O Sandro foi para Paris e foi Yuri quem foi às consultas pré-natais, quem assistiu as ecografias, descobriu o sexo do mano junto comigo e também votou forte na escolha do nome. Era ao lado do Yuri que eu dormia à noite e foi ele quem mais sentiu os movimentos do irmão, com quem conversava emocionado através da minha barriga. Estava escrito: ele já estava completamente apaixonado pelo mano que ia chegar!
Se é sabido que a chegada do segundo irmão representa, naturalmente, uma perda de espaço, uma divisão de atenções, para o Yuri foi ainda mais forte.

Uma noite, fomos dormir juntos. Na madrugada minha bolsa d'água rompeu, me levaram ao hospital e ele, dormindo, para minha sogra. Ele amanheceu sem pai (ainda na Europa), sem mãe, sem o irmão. Diziam que a mãe tinha ido buscar o mano no hospital. Mas eles custaram a voltar e ele, Yuri, não podia ir lá.
Depois de muito sofrimento, finalmente ele conheceu o Caio. E seu sorriso voltou a se iluminar como antes. A volta pra casa, a família completa, tudo parecia entrar nos eixos. Mas algumas coisas eram estranhas. O irmão não aprendia a sentar como os outros. Não falava como os outros, não aprendeu a andar, não interagia do mesmo modo que os outros. Uma pergunta começou a fazer parte do cotidiano do Yuri. "Quando o Caio vai conseguir, mãe?".

O tempo e o aprendizado que o Caio trouxe a todos nós fez o Yuri entender as diferenças do irmão. Deficiência. Paralisia cerebral. Neurônios. Fisioterapia. Remédios. Convulsão. Reabilitação. O Yuri teve o vocabulário e a vida enriquecidos. Às vezes sofro por ele. Percebo que ele precisou amadurecer à força. Com apenas 5 anos! Mas ele muito raramente se lamenta. Na maioria das vezes, engrandece o irmão, enaltece as qualidades que ele generosamente enxerga. Uma vez, quando o Caio tinha pouco mais de um ano e o Yuri parou de perguntar quando ele iria caminhar, vi ele acariciando o Caio no seu bercinho. E soltando, como sempre, uma pérola de amor: "Eu sei que tu ainda não consegue fazer um monte de coisa. Mas eu quero que tu saiba que mesmo assim tu é um ótimo irmão". Já postei muitos causos que demonstram o amor gigante que o Yuri sente pelo Caio (procurem no marcador Amor de irmão). Ele sabe que o Caio tem a prioridade na atenção, nas saídas (por médicos e terapias), no horário da alimentação, na escolha dos programas... E ainda assim ele, Yuri, consegue me dar seguidas lições. Como a recente história do cinema, contada aqui. Me mostrando que as maiores barreiras, as que precisam ser vencidas de verdade, são as que ficam dentro da gente.
Essa semana Yuri acompanhou Caio nas terapias. Ele sempre é curioso, quer saber maneiras de ajudar o irmão em casa. Aí a fono ensinou a ele uma "brincadeira" (na verdade, um exercício) para melhorar o déficit visual que o Caio tem num dos olhos. Com uma lanterna envolta num celofane colorido, no quarto, com luzes apagadas, brincamos com a laterna para que Caio siga sua luz. E o Yuri foi animadamente fazer o exercício com o Caio. Expliquei à ele o motivo do exercício, lembrei ele que o cérebro do Caio precisa de mais tempo e treino para fazer aquilo que todos fazem tão naturalmente. Para nossa feliz surpresa, Caio prontamente seguiu com a mãozinha na parede a luz que o Yuri dirigia.
E mais uma vez, vi nascerem lágrimas nos olhinhos do meu Yuri. Lágrimas de felicidade. Por acreditar e ver real as possibilidades de reabilitação do irmão tão amado. E ele me reiterou: "Amo muito o Caio, mãe. Queria muito ter ele na nossa vida, do jeito que ele é. Ele é o melhor irmão que alguém pode querer". Já me disseram que é muito difícil uma criança da idade do Yuri se emocionar ao ponto de chorar. Pois se nenhuma folha cai das árvores sem o consentimento de Deus, estou certa de que Yuri e Caio foram escolhidos a dedo, um para o outro. Que não existe nada mais lindo, forte e transformador do que esse amor entre irmãos. E como volta e meia deixam escrito nos comentários aqui, eu tenho o privilégio de ser a guardiã dessas duas jóias tão preciosas.


Um vidro não foi barreira pra esse amor se fortalecer...

Finalmente juntos, em casa

Sempre segurando o mano com muito cuidado


Felizes, sorrindo, sintonia pura!

Meigos e fofos...

Lindos e peraltas...

Parceiros de toda a vida!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Vale a pena ser honesto?

Quando assistimos muitos relatos de desonestidade, corrupção, descumprimento da lei e pessoas desonestas e corruptas em funções de destaque na sociedade podemos correr o risco de colocar em dúvida a honestidade como valor. Será que vale a pena ser honesto?

Esta dúvida nos assalta a mente principalmente depois de um dia estafante de trabalho. Levantamos cedo, trabalhamos o dia todo, a semana toda, o mês todo. Não temos um salário milionário, nem outra forma de ganho que não seja o fruto do nosso duro trabalho. Ao mesmo tempo vemos que a desonestidade, a corrupção, o descumprimento da lei parecem ser coisas "normais" para outras pessoas e até autoridades. Vale a pena ser honesto?

Nestas horas é preciso pensar ainda mais, raciocinar ainda mais, analisar ainda mais o que é a felicidade e quais são os valores que realmente valem a pena para um ser humano.

Na soceidade moderna o dinheiro, os bens materiais, o status acabaram sendo os principais valores. Para conquistá-los o homem moderno não mede conseqüências. O que vale é ter um carrão, uma bolsa de grife, uma mansão. Os valores morais, éticos, parecem ter sido esquecidos definitivamente.

A pergunta que temos que fazer é se tudo isso tem feito o ser humano mais feliz. Se a violência entre os homens diminuiu. E a resposta parece ser evidente: o homem não é mais feliz quando faz da vida material o seu objetivo maior.

Assim, é hora de repensar nossos valores e voltar a valorizar os valores morais mais elevados de honestidade, ética, respeito ao outro, polidez, humildade, lealdade, paciência, etc. Milhares de anos de filosofia e mesmo as religiões todas provam que são esses valores que realmente tornam o homem verdadeiramente feliz. Portanto, acredite, vale a pena ser honesto.

Pense nisso. Sucesso!

Luiz Marins. Jornalista, antropólogo e consultor empresarial.

Caminho das Índias - Eu já vi, você também

E já que entrei no papo televisivo, vamos lá.
Me nego a assistir Caminho das Índias, a próxima novela da Globo.
Primeiro, porque não sou noveleira.
Segundo, porque tenho certeza que já vi essa história antes.
Tá duvidando?
Olha só como vai ser...

Como escrever uma novela de Glória Perez*

Pegue um assunto da área médica que esteja na moda: clonagem, transplante de coração, mãe de aluguel... Convide Victor Fasano, Raul Gazzolla, Eri Johnson e Guilherme Karam para o elenco. Escreva diálogos sem sentido, crie personagens desajustados e esqueça todo e qualquer compromisso com a verossimilhança. O personagem masculino principal tem que ser interpretado por um péssimo ator (ou um ator que esteja em um péssimo momento). Não há explicação para este fenômeno, mas o fato é que as terríveis interpretações de Victor Fasano (Barriga de Aluguel), Ricardo Macchi (Explode Coração - lembra o robótico "Eu te amo, Dara"?) e Murilo Benício (O Clone) ajudaram a levantar o ibope das novelas. Os personagens suburbanos são fundamentais, devem ser bastante explorados. Mas também é imprescindível criar um núcleo que tenha costumes bem diferentes dos nossos, como muçulmanos ou ciganos. E uma mocinha deste núcleo tem que viver um amor impossível com um mocinho de fora do núcleo. Do meio para o fim da novela, crie uma campanha social.

Então é por aí.
Victor Fasano é aquele que só é chamado pela Glória.
Dessa vez, o núcleo de costumes diferentes é na Índia.
Será explorado o universo das doenças mentais e o que a ciência pode fazer por elas.
Pra mim, a única vantagem é que o Murilo não vai estar nessa de novo.
Ainda assim, me nego a ver o repeteco.

* Texto originalmente publicado na revista Playboy, junho de 2002. Infelizmente, perdi minha cópia original com a devida autoria. Mas ele segue rodando pela internet.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Luto televisivo

O DVD vai trabalhar mais lá em casa...

- Terminou a reprise de Pantanal;
- A Favorita termina essa semana, patética;
- Começou o Big B*sta Brasil;
- Por conta disso, a maravilhosa Maysa foi empurrada para ainda mais tarde - e também termina essa semana.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Nossos comerciais, por favor

Aproveito para agradecer às recentes visitas de novas leitoras, muito generosas e carinhosas. Obrigada pela companhia, Maira, Shirley e Vale (?).

domingo, 11 de janeiro de 2009

sábado, 10 de janeiro de 2009

No escurinho do cinema

O Yuri adora cinema desde bem pequeno. Se concentra ao máximo, curte cada segundo como se saboreasse algo delicioso. E a tempos vinha me pedindo para irmos ao cinema de novo. Mas com uma nova condição: levar o Caio junto. E eu enrolava, enrolava e não levava. Levei ele, Yuri. Na saída do filme ele me diz que tinha gostado, mas com o Caio junto seria bem melhor.
E eu sempre com medo. E se o Caio não estiver pronto? E se ele chorar muito? E se ele se assustar? Procurava explicações racionais para uma grande insegurança minha. Cheguei a conversar com o Yuri sobre os problemas neurológicos do Caio, de que ele poderia realmente não se adaptar ao ambiente do cinema. E ele me fez a afirmação que me desarmou: "Tu nunca vai saber se não levar ele, se não tentar".
Ainda que cheia de dedos, saímos os três, quinta passada. Iríamos na fono, na fisio, almoçaríamos no shopping e então pegaríamos a esperada sessão de cinema. Os olhos do Yuri eram um brilho só. Ele adora ir nas terapias do irmão, conversar com os profissionais, aprender como ajudar em casa. E depois, o sonhado programa com o irmão!
A primeira barreira vencida foi o almoço. Eu sempre levava comidas prontas de casa (em embalagens térmicas adequadas, claro) para o Caio e pedia para algum estabelecimento da praça de alimentação esquentar no microondas. Dessa vez, fui na cara e na coragem. Um verdadeiro teste de sobrevivência, pensei.

Bom, primeiro o Caio ama as fritas do Mc.
Então morrer de fome ele não ia.
Mas enquanto o Yuri se fartava nos Mc lanches da vida, eu ainda consegui arroz, moranga e feijão num bufê. Caio mandou ver.

Era chegada a hora então. O temido cinema.
Compramos os ingressos e o Yuri pedia fotos a cada passo (vejam abaixo). Dizia que precisávamos registrar o primeiro cinema do Caio.
Entramos e em seguida começaram os trailers.
Caio olhava tudo em volta - já escurinho, o ar condicionado bem geladinho...
Arregalou o olho... e desandou a rir e "conversar".
Ele amou o ambiente, parece que achou muito interessante ver tanta criança junto conversando e dando risada.
Mas a animação durou exatamente o período dos trailers. Depois disso, ele virou pro lado e dormiu! O filme todo!

De qualquer forma, Yuri saiu realizado do cinema por ter tido a "companhia" do irmão. Pra variar, saiu me dando lição de moral: "Viu? Eu te disse que ele não ia chorar. Viu? Tu nem queria tentar..."

Mas sou obrigada a concordar com o Yuri.

Voltei pra casa MUITO feliz com nosso passeio, absolutamente típico de uma família normal. Pude perceber sim que os medos, o preconceito e a insegurança ainda batem forte é dentro de mim mesma.

Agradeço e me emociono com a postura tão naturalmente inclusiva do Yuri, com sua insistência em fazer o Caio presente em todos os momentos.
Amigas generosas me dizem que Caio me escolheu muito bem para ser a mãe dele. Mas acho que ele foi ainda mais certeiro ao escolher o Yuri como irmão.

Na entrada: a expectativa


Quase lá...

Reparem na carinha de realizado do Yuri...


Tudo certo na primeira ida do Ito ao cinema. Dormir durante o filme foi só um detalhe. Mas valeu demais! Que o diga o orgulhoso mano Yuri!

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009