sexta-feira, 18 de maio de 2012

7 anos de vida, 1 ano de muita felicidade

Caio completou sete anos ontem.
E naquelas coincidências mágicas que o destino às vezes me prega, foi também ontem que ele completou seu primeiro ano como estudante.
Um ano de muita alegria. De descobertas. De novos aprendizados - para ele e para toda a família. Já escrevi várias vezes aqui sobre a escola dele. Não existem palavras suficientes de agradecimento pelo AMOR dedicado ao meu filho naquele espaço. Amor esse que é ensinado naturalmente às demais crianças, que aceitam Caio com espontaneidade e carinho. Todos desejam ser colegas do Caio.
Envolta em todos esses sentimentos de alegria, pude ontem realizar um sonho meu: ofertar ao Caio sua primeira festa de aniversário individual, junto aos seus amigos, na sua escola.
Caprichei, dentro das minhas possibilidades, também como forma de agradecimento a todas as pessoas que nos proporcionam essa experiência inesquecível e gratificante.
Mas foi mais do que sonhei. Caio estava feliz como nunca. Cantaram muitas músicas em homenagem à ele, fizeram uma oração, fizeram rodinha de presentes. E ele entendeu e amou cada minuto.
E eu vendo sua felicidade, fiquei feliz como nunca na vida.
Sei que nos realizamos com a felicidade de nossos filhos. Mas o dia de ontem ficará marcado naquele cantinho dos dias para nunca mais esquecer.
Foi lindo.
Confiram uma amostra.


























quinta-feira, 17 de maio de 2012

Aniversário em Dose Dupla!

12 anos atrás. Uma quarta-feira cinzenta que logo se transformou num dia de garoa e ventinho frio. Mansamente, Yuri me despertou e avisou que havia chegado o dia de nos conhecermos. Curti cada minuto final dessa doce espera e às 16h50 recebi nos braços o sonho maior da minha vida, aquele que veio mudar meu coração pra sempre.



7 anos atrás. Depois de alguns dias turbulentos e uma noite marcada por... medo e ansiedade, aquela terça-feira trouxe, junto às primeiras luzes do dia a certeza de que a vida é uma árdua mas apaixonante batalha. Meu Caio fez sua estreia às 7h20, dando a dica de que, dali em diante, tudo seria mais intenso, desafiador mas gratificante.


Com suas semelhanças ou diferenças, meus dois filhos escolheram o mesmo dia para me mostrar que tenho a capacidade de exercer o maior amor do mundo. Sou uma eterna aprendiz na mão destes meninos e agradeço todos os dias por me darem esta oportunidade. Cada alegria, cada emoção, cada dúvida ou lágrima que vivo por e com eles só me fazem ter a certeza absoluta do meu papel nesta vida: ser a mãe deles. Com amor, orgulho, felicidade e gratidão.

 
Amo, amo, amo, amo vocês, meus meninos lindos!

Feliz aniversário! Feliz vida!Ver mais

domingo, 13 de maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Inclusão: senta que lá vem história

Então que eu sabia que Caio e eu ganhamos na sorte grande quando iniciamos sua jornada escolar. Tudo tem sido perfeito em sua escola, com a equipe que o acompanha, com muito, muito amor mesmo – e eu sigo insistindo que o estímulo que mais traz resultado é aquele movido pelo amor de quem o faz. Mas tenho plena consciência que, infelizmente, ainda somos exceção. E eu, ansiosa de carteirinha que sou, já me preocupo em como vai ser ano que vem, quando ele precisará ingressar realmente no ensino fundamental.

Para que o Caio permanecesse mais um ano na educação infantil, conforme desejavam suas professoras, a SME fez uma exigência: ok, ele fica, mas passa a freqüentar também, de uma a duas vezes na semana, sua futura escola de ensino fundamental (já definido pela nossa localização geográfica), para que ele fosse se adaptando ao ambiente, aos novos profissionais que o acompanhariam, que eles fossem aprendendo a se comunicar com o Caio, etc. Em tese, ótima ideia. Em tese.

 

Fomos chamados pela escola no início de março. Ao chegar lá, me deparo com uma “sala de recursos” para crianças com dificuldade de aprendizagem. Não são todas as escolas municipais que têm, algumas possuem e recebem crianças de toda rede pública que são encaminhadas via equipe pedagógica da sua escola. Mas, ao contrário do que tinha nos desenhado a SME, não estavam esperando receber o Caio, menino com PC, cadeirante, que não fala, com pouco controle motor. Esperavam receber uma criança “normal”, que, pela idade, precisaria de reforço na pré-alfabetização. Daí eu encontro uma monitora que se apavora, que disse que precisaria de mim em tempo integral, que nunca enfrentou desafio tão grande, etc, etc, etc.

Abre parênteses: eu poderia dizer que ouvi praticamente a mesma coisa na sua escola de educação infantil. Sou realista, num primeiro momento, o quadro de Caio e suas “impossibilidades” assusta. Mas lá, reagiram diferente. Cientes de que seria sim um desafio, mas com a vontade de fazer acontecer. Fecha parênteses.

 
Daí já começaram a colocar barreiras, pois o único horário que tinha sido reservado para o Caio seria nas segundas-feiras pela manhã, o que conflita com seu horário de fisioterapia, o qual é bem difícil de mudar – e exigiria toda uma mudança de logística, transporte da prefeitura, etc. Coloquei isso, mas a monitora (do primeiro ano) me disse que as outras crianças já vinham de atendimento nos anos anteriores, já tinham seus horários estabelecidos, os pais não poderiam mudar, blá-blá-blá.... Ou seja, senti total má vontade.


Como Caio precisou fazer um breake por conta da hospitalização no Santo Antônio, deixei assim. Pouco depois de voltarmos, recebo nova ligação da escola “nova” que me aconselha a encaminhá-lo à sala de recursos em outra escola, que também estaria passando a contar com este tipo de atendimento. Aí fui falar com a diretora da escola do Caio: o que EU tinha entendido é que a sala de recursos seria uma maneira de fazer uma espécie de adaptação do Caio à nova escola. Não era simplesmente um método de estimulação a mais, disso fico com os atendimentos especializados que ele já tem na Acadef! Então, de nada adiantaria colocá-lo em “outra” escola. A diretora me disse que partilhava da minha mesma opinião, iria ver, ok.

Encurtando a história, ontem fui chamada na “nova” escola para conversar com a diretora. Ela me disse que em nenhum momento receberam comunicado oficial da Secretaria de Educação. Que não teriam como fazer este tipo de adaptação, porque pela “dinâmica” da escola não teriam como saber quem será a professora dele ano que vem, só às vésperas da aula iniciar. Que não têm pessoas preparadas, que elas precisariam fazer cursos, se especializar. Que eu teria que começar a pleitear desde agora uma monitora exclusiva ao Caio, como a lei determina, mas que a escola não fornece por si, a ordem tem que vir da SME. Mas, que estariam de portas abertas para o Caio.


Sorri, apertei a mão e dei meia volta. Não quero meu filho imposto numa escola porque é lei. Quero aceitação. Quero que ele tenha as mesmas oportunidades de aprendizado que as demais crianças. Saí triste, confesso. Mas eu sabia que nem sempre tudo seria tão fácil.
Voltando na escola do Caio (a atual, do jardim), a monitora me pergunta o resultado da conversa. Conto. Falo minhas impressões. E, mais uma vez, tenho uma feliz surpresa. Ela me disse que tinha feito questão de eu ir, porque tinha o mesmo sentimento. Caio não era bem vindo lá. Lidavam com o pensamento de “ah, mas é só ano que vem que ele começa, ano que vem a gente vê, agora o ‘problema’ não é nosso”.

E me conta que desde o início do ano ela tem feito um curso semanal de inclusão. Que toda sexta-feira pela manhã ela não vai à escola, embora receba para. Está fazendo um curso no Centro de Educação Inclusiva e Acessibilidade. E com total respaldo da diretora, que cobre sua ausência com outra funcionária. Que ela, atual monitora do Caio, tem se enfronhando no Departamento de Inclusão, porque exigem acompanhar Caio além do Jardim para que seja dada continuidade ao seu trabalho. De nada adianta, ela me diz, todo o esforço que fazemos, se ano que vem vão “largar” ele numa escola qualquer, somente porque a lei manda.

Preciso dizer que amei?

Ela me disse para ficar bem tranqüila. Que sabem que o caso do Caio assusta, até porque, ao que tudo indica, ele é mesmo o precursor no nosso município. É mais difícil, é mais trabalhoso. É. Mas vêem resultados. E acreditam que podemos ir adiante. Me diz que, fazendo estes cursos, ela se qualifica para discutir e questionar com propriedade os direcionamentos que a SME quer dar ao caso. E que, se preciso for, cogitam até mesmo que ele vá para outra escola, com cedência da mesma monitora por meio turno, afinal ela é funcionária do município.

Como eu já sei, só reafirmei: isso é comprometimento com uma causa! É cuidado para com o próximo. É inclusão de verdade. Abençoadas sejam! E que venha o caminho que nos estiver destinado. Porque, como eu também já sabia, a luta apenas continua. Mas tenho certeza do quão recompensadora ela é e será.
Amém.