terça-feira, 8 de abril de 2008

Células-tronco: a esperança para muitas vidas

Mais de um mês já se passou desde o adiamento da votação, no Supremo Tribunal Federal, sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas médicas. São mais de 30 dias que protelam a esperança para muitas famílias. Esperança de qualidade de vida, de cura, do fim de dores físicas e emocionais. Esperança de continuar vivo.

São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.

O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.

Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.

Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.

Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.

Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.

7 comentários:

Bárbara (motherns) disse...

Clap, clap, clap, clap. Estou aqui, aplaudindo de pé seu post. É isso, vc falou tudo!! E se as vibes motherns são tão poderosas, vamos mandar umas pros homens lá de Brasília colocarem a mão na consciência e aprovarem a lei!!
Beijos

Greice disse...

Dinha, disse tudo. ainda que discordemos em varias coisas (aborto, etc), nesse caso não dá pra pensar diferente não. A vida tem que prevalecer, e com certeza ela está nesses embriões, mas de outra forma, né??

beijos amada...

vanessa disse...

Dinha,
Como sempre sábias palavras!
Um dia desses tava discutindo isso no meu trabalho. é difícil deles entenderem né?
bjs

Marlene M. disse...

Oi Dinha querida,
vc tem toda razao, Deus é amor e nao dor.
O mais puro amor dando aos homens sabedoria e inteligencia .
Infelizmente no nosso congresso nem todos tem sabedoria e inteligencia , mas vamos confiar no nosso Deus Supremo e tudo ira se transformar .
Bjusssssssss nessa familia linda.

Carolina disse...

Dinha, concordo plenamente com o seu ponto de vista. Acho que se existe a mínima possibilidade de melhorar a vida de uma pessoa a partir das células tronco de um embrião, isso é vida, isso é salvar uma vida, isso é amor, isso é Deus agindo.
Beijos.

Renata disse...

Concordo com cada palavra dita Dinha, vc está certíssima e espero que um dia os homens enxerguem que por ignorância estão impedindo que muitas crianças e adultos tenham uma vida mais feliz e saudável.
beijos,

Andressa disse...

Dinha, faço de suas palavras as minhas, especialmente porque com quase toda certeza eu terei embriões congelados que não utilizarei.
Para mim um embrião é apenas uma POSSIBILIDADE de vida. Se um embrião fosse realmente uma vida, nós que passamos por reprodução assistida precisaríamos gerar apenas um, implantar e comemorar a gravidez, não é mesmo?
Mas sabemos que isto está muito longe de ser realidade. O grande número de embriões é gerado exatamente porque não se sabe quantos serão necessários para gerar uma vida.
Me incomoda profundamente esta interveção religiosa em assuntos do Estado, esta imposição de crenças nas quais não acredito sobre a minha vida.
Mas tenho esperança que ainda teremos uma bela surpresa.
Beijos