terça-feira, 22 de agosto de 2006

Um texto para refletir...

Sem muito assunto nem inspiração para escrever (o exame do Caio só fica pronto na quinta, ele e o Yuri estão gripados, estou entediada no trabalho...), e pensando em coisas que eu e as gurias do Mothern conversamos às vezes - sobre o tempo que podemos dar a nossos filhos, sobre como eles crescem depressa, publico um texto que adoro, do Affonso Romano de Sant'anna. Se chama Crônica para os Pais.

Há um período em que os pais vão ficando órfãos dos seus próprios filhos.
As crianças crescem independentes de nós, como árvores tagarelas e pássaros estabanados. Crescem sem pedir licença à vida.
Crescem com uma estridência alegre e, às vezes, com alardeada arrogância. Mas, não crescem todos os dias de igual maneira. Crescem de repente.
Um dia, sentam-se perto de você no terraço e dizem uma frase com tal maturidade que você sente que não pode mais trocar as fraldas daquela criatura.
Aonde é que andou crescendo aquela danadinha que você não percebeu?
Cadê a pazinha de brincar na areia, as festinhas de aniversário com palhaços e o primeiro uniforme do maternal?
A criança está crescendo num ritual de obediência orgânica e desobediência civil. E você quer que ela não apenas cresça, mas apareça!
Ali estão muitos pais ao volante, esperando que eles saiam esfuziantes sobre patins e cabelos longos,soltos... E lá estão nossos filhos com o uniforme de sua geração: incômodas mochilas da moda nos ombros.
Há um período em que os pais vão ficando um pouco órfãos dos próprios filhos.
Não mais os pegaremos nas portas das discotecas e das festas.
Passou o tempo do ballet, do inglês, da natação e do judô.
Saíram do banco de trás e passaram para o volante de suas próprias vidas.
Deveríamos ter ido mais à cama deles ao anoitecer para ouvir sua alma respirando conversas e confidências entre os lençóis da infância, e os adolescentes cobertores daquele quarto cheio de adesivos, pôsteres, agendas coloridas e discos ensurdecedores.
Não os levamos suficientemente ao parque, ao shopping, não lhes compramos todos os sorvetes que gostaríamos.
Eles cresceram sem que esgotássemos neles todo o nosso afeto.
No princípio, subiam a serra ou iam à casa de praia entre embrulhos, bolachas, engarrafamentos, natais, páscoas, piscina e amiguinhos.
Sim, havia as brigas dentro do carro, a disputa pela janela, os pedidos de chicletes e cantorias sem fim.
Depois, chegou o tempo em que viajar com os pais começou a ser um esforço, um sofrimento, pois era impossível deixar a turma e os namorados.
Os pais ficaram exilados dos filhos. Tinham a solidão que sempre desejaram, mas, de repente, morriam de saudades daquelas "pestes".
Chega o momento em que só nos resta ficar de longe torcendo e rezando muito (nessa hora, se a gente tinha desaprendido, reaprende a rezar) para que eles acertem nas escolhas em busca de felicidade.
E que a conquistem do modo mais completo possível.

8 comentários:

Isabella disse...

Ai, Dinha, que texto lindo. Realmente é para refletir, e muito.
Beijo!

Greice disse...

Dinha, texto lindo mesmo. Não sei o que vai ser de mim nesta fase, se vou conseguir ter o desapego suficiente. Tem uma mensagem no quadro do berçário da Mariana que diz "não faça dos seus filhos sua única razão de viver. Isso é muito pesado para eles." Mas eu não consigo pensar em razão melhor ou maior ainda.
beijos querida!

Greice disse...

Dinha, texto lindo mesmo. Não sei o que vai ser de mim nesta fase, se vou conseguir ter o desapego suficiente. Tem uma mensagem no quadro do berçário da Mariana que diz "não faça dos seus filhos sua única razão de viver. Isso é muito pesado para eles." Mas eu não consigo pensar em razão melhor ou maior ainda.
beijos querida!

Claudia medeiros disse...

Dinha, esse texto me fez lembrar do meu marido. Ele é muito mais apegado à Luíza do que eu e sofre com os passeios dela, com o tempo que ela passa na frente do computador ou no telefone com as amigas, ele não reclama dos fatos em si, mas de que ela não tem mais tempo pra ele. Tento explicar que faz parte da vida e da idade, mas ele não se conforma. É muito difícil para pais e mães aceitarem o cresscimento de seus filhos, mas é preciso. Beijos.

Dreds disse...

Eu adoro este texto, de uma sensibilidade sem tamanho mesmo! Sempre me emociona! E pode me citar sempre querida, sem problemas!
Beijo grande em vc e nos seus príncipes!

Bárbara (motherns) disse...

Amiga, só uma coisa pra esse "tio" : NUNCA SUBESTIME A CAPACIDADE DE UMA CRIANÇA ESTIMULADA COM MUITO AMOR." é só o que eu tenho a dizer.
Te adoro! beijos

Bárbara (motherns) disse...

Ah! toda sorte do mundo no exame do Caio!!
beijos

Claudia disse...

Ai, amo esse texto, é daqueles pra gente ler de vez em quando pra lembrar de que "é assim mesmo"...
Bjs querida