segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Uma fé cansada, outra persistente

Tá, vou parar de bancar a forte.

Desde que o Caio voltou do hospital, ando um pouco afastada das minhas queridas amigas do LV. Pessoas importantíssimas, que me emocionaram com o carinho, cada uma na sua fé, numa verdadeira corrente por mim e pelo Caio. Ando afastada de todos, de um modo geral. Mas hoje, resolvi abrir meu coração.

Não tem sido fácil. Estou esgotada. Física, mas em especial, emocionalmente. Caio voltou pra casa com a imunidade bastante abalada, em relação ao status que ele havia atingido. Nestes 30 dias pós-alta, ele já teve uma virose, uma crise brônquica (depois de não tê-las por dois anos) e várias crises estomacais, inclusive com vômitos. E tem sido difícil manter a serenidade e a fé. Já refizemos exames e consultas e tudo indica que "é assim mesmo". Sua hepatite foi gravíssima e vai levar um tempo até ele conseguir se firmar novamente. Seu trato gastrointestinal sofreu muito com as trocas de medicação e administração de algumas drogas tão fortes. E isso, me disse a nutricionista, não vai se reequilibrar assim de um dia para outro. Ele não corre riscos de maior gravidade ou de uma nova hospitalização, por exemplo. Mas lembram, daqueles velhos fantasmas ressucistados que comentei logo após ele baixar na UTI? Pois é, eles não querem me largar.

Ando com medo. O medo de perdê-lo repentinamente, voltou.
Ah, sim, e tem a revolta. A minha dor impotente de vê-lo com dor e nada poder fazer.
Aí, chega a descrença... Já andamos tanto... E quando tudo ia tão bem, como num jogo de peões, alguém nos puxa lá para o ponto de partida de novo. Sinceramente? Estou cansada de jogar! Me pergunto se algum dia poderemos atravessar todo o tabuleiro...
Sim, eu sei. Eu não tenho, os médicos não têm, ninguém tem as respostas. E a angústia, a ansiedade e a incerteza, mais uma vez, comprimem meu coração até deixá-lo do tamanho de um noz. O coração que anda cansado de viver de sobressalto, na palma da mão.

Entendam que não estou cansada do meu filho. Jamais! Ele é minha luz, meu mestre, meu amor maior, a razão pela qual Deus me pôs neste mundo... Mas ando cansada dos caminhos pelos quais passamos, e repassamos, e mais uma vez... como se andassemos em círculos. Existem horas que essa minha fé teimosa (lembram dela?), parece não adiantar de nada.

A fisioterapeuta do Caio prescreveu dois novos "auxílios" para ele. Uma goteira, que é um suporte para o pé e parte da perna (um pouco abaixo do joelho), para ajudá-lo a posicionar corretamente o pé. Ao mesmo tempo, pede que ele use mais o carrinho estilo guarda-chuvas e a cadeira de refeição, onde sua postura fica melhor. Final da semana passada, ela prescreveu o parapódium que é uma espécie de prancha, onde a criança fica de pé e brinca com um tabuleiro. Inicialmente fiquei deprimida. Fiquei imaginando o Caio sendo transformado num "robôzinho". E fiquei me perguntando se todos estes esforços valerão à pena, se trarão algum resultado efetivo. Tento colocar os pés no chão e perceber se o Caio já não alcançou o máximo de seu desenvolvimento e eu sigo insistindo, talvez até forçando os próprios limites dele.

Mas aí, pessoas queridas me fazem recordar tudo o que já vivemos e superamos. Todos os prognósticos que o Caio contrariou. As provas que ele não pára de dar do quanto quer estar aqui e do quanto pode ir além. E se é pra lembrar de algo "velho e ressuscitado", vou lembrar que o Caio superou a morte. Mais de uma vez. Definitivamente, ele não veio pra esse mundo só à passeio. Quando, teoricamente, não havia chance nenhuma, eu acreditei junto com ele e fizemos o "impossível". Então, se agora, existe alguma possibilidade, por que desacreditar? É, eu não posso e não vou desistir. Minha amigas me relembram. O Caio, com sua coragem alegre, não me deixa travar. Posso esmorecer. Mas aí, eu pego sua mãozinha, ergo a cabeça e sigo em frente.

Se vai dar certo? Não sei. Porque não sei o que é "dar certo" nesta vida. Mas sei o que é lutar, se esforçar, fazer de tudo pra ser feliz, do jeito que dá. Caio me ensina isto todos os dias. E eu vou me empenhar muito pra não esquecer.

E é assim, oscilante, bem canceriana caranguejo que ando pra frente, pro lado, pra trás, pra frente de novo. E volta e meia me escondo num buraquinho de areia. Mas minha gratidão para com todas que lutam com a gente (e pra essa luta e esse amor a geografia não conta) persiste. Maior que a fé: inabalável.

Em especial para Dani S, com amor.

11 comentários:

Dani S disse...

Ai, querida, assim eu choro!:-) Mas eu tenho certeza de tudo que te disse, viu? O caminho é pra frente e o universo conspira a teu favor. E do Caíto, claro! mts bjs

disse...

Que post lindo Dinha! Só posso dizer que estou contigo nessa caminhada! Entendo todos esses sentimentos e creio junto contigo. Esmorecer jamais! Bjão

Bárbara disse...

Não sei o que te dizer querida!!!
Sei que não deve mesmo ser fácil, tem dias que um buraco vai bem mesmo!!! mas sei, que apesar de cansada, sua fé ainda está aí, junto de vc... E com certeza, tudo vai dar certo!!!
Mta força pra vcs!!! Que vc consiga sentir um abraço bem apertado... Um beijo de querer mto bem vc em seu rosto... Que Deus esteja com vcs, sempre!!!
Bjks!!!

Lê POA disse...

Dinha, lindo teu post!
Tropeçar, cambalear, cansar, pedir agua faz parte das longas caminhadas, por isso teus sentimentos são normais mas acima de tudo tua fé que esta sempre ai do ladinho na hora da fraqueza tb de d;a forças para seguir a trilha, se precisar de um apoio, de uma carona, de um ombro amigo nesta caminhada sabe que SEMPRE poderá contar comigo!

Grilinha disse...

Dinha

Esta vida é dura, mas só os mais fortes conseguem. Nós não somos, mas temos de ser...temos de conseguir por eles. E ser honesta e abrir o coração é o caminho.
Não esqueça que a parte mais escura da noite é justamente antes do amanhecer.

Rezo muito por vocês e acredito no seu lutador !

Tudo de bom para vocês !

Beijo muito solidário.

Renata disse...

Dinha querida, eu entendo tanto seu post sabia. Acho que você é tão forte, tão determinada, mas não é fácil né, é normal sentir medo, é humano.

Só posso ficar daqui rezando e torcendo pra dar tudo isso passar e seu Caito fofo nunca mais ter motivos pra chorar nessa vida.

beijos,

Mãe de dois disse...

Dinha

Sei que tem hora que o desanimo, o cansaço , e tudo o mais bate, tenha fé , vai dar tudo certo , conte com nosso apoio. E não tenho dúvidas que Caito veio a este mundo pra ensinar algo, algo muito especial, que talvaez hje não possamos compreender totlmente, mais que o tmpo va mostrar qual a missão desse pequeno guerreiro.

Isa disse...

Dinha, minha linda, meu apoio incondicional prá você. Inclusive pro seu cansaço, sua desesperança, sua falta de fé. E meu desejo absoluto de que tudo se transforme e que seja felicidade e realização prá todos vocês.
Um beijo enorme.

Bárbara disse...

Dinha, nunca esqueça que a gente tá sempre aqui, viu?! Inclusive nessas horas de cansaço! Sempre que precisar vc sabe a quem correr, né?!
Beijos e fique bem!

Chris disse...

Dinha, não sei muito o que dizer... apenas mando meu abraço mais que apertado, colinho, ombro, ouvidos, o que precisar.
Beijos enormes,

Chris

Claudia disse...

Dinha, meu anjo, eu acho que é perfeitamente normal que vc bambeie em alguns momentos, você é humana e momentos de fraqueza são normais, mas o importante é que rapidinho vc volta a ser a mulher forte e guerreira que sempre foi e continua seguindo em frente e levando o Caio pela mão.
Beijos