quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Eu sei. E você?

Médico, jornalista e escritor, o gaúcho Moacyr Scliar começa diversas de suas crônicas com a seguinte mensagem: “A batalha final não será entre o Bem e o Mal, nem entre ...” citando exemplos de aparentes grandes diferenças, para concluir que a batalha final se dá entre pequenas picuinhas da personalidade humana.
Parafraseando Scliar, de quem sou admiradora, acredito que a batalha final não será entre o Bem e o Mal, entre anjos e demônios, entre crentes e pagãos. Acredito que a batalha final será entre os que sabem e os que não sabem.

Entre os que sabem que não existe somente o bem e o mal indissolúveis, mas coexistentes como as duas faces de uma mesma moeda; e os ruins de matemática que só lembram de contas exatas e esquecem das frações.

Não tá entendendo?

É o seguinte. Eu sou boa.
Uma boa pessoa, uma boa mãe, uma boa amiga, uma boa cidadã.
Mas não sou 100% boa nunca, quanto mais 100% do tempo.

Eu sou uma pessoa que elogia, que cultiva bons sentimentos e princípios, que trabalha, que é honesta.
E ainda assim, sou uma pessoa que às vezes fica de saco cheio com a vida, cansada de estar sempre sorridente, que faz uma fofoquinha básica e fala mal da vizinha sim.

Sou uma mãe atenciosa, participativa, amorosa. Mas xingo o Yuri pra ele tomar banho, imponho os horários, não sou flexível a estudos. Coloco limites no Caio também. E se o choro é de manha, pode chorar que eu não vou atender. Às vezes tenho vontade de arrancar os cabelos e me esconder num cantinho frio e escuro pra nenhum deles me encontrar.

Sou uma boa amiga, sempre pronta a ajudar, a dar a mão, que não sabe ser cínica, no máximo “diplomata”. Mas também tenho meus momentos internos de preconceito e julgamento, assim como tenho certeza que meus bons e verdadeiros amigos tem à meu respeito. A diferença é colocar em prática ou não.

Enfim, o que quero dizer é que sou boa.
E sou má. Muito má, infantil, com muitas coisas a aprender.
Porque sou humana.
E trago em mim a maior das características desta humanidade: a imperfeição!

Então, às vezes, o que faz toda a diferença é esse saber.
Sei que sou uma imperfeita humana!
Com qualidades e defeitos.
Erros e acertos.
Saldo positivo e saldo negativo, dependendo do momento.

Não estou à caça do bem e do mal.
Tento cuidar do meu nariz sem ficar apontando o dos outros.
Porque sei que sou do bem e sou do mal, tudo junto ao mesmo tempo.
Afinal, é por causa deste grande “dilema” existencial que estou aqui.
Caso contrário, meu lugar seria em outra dimensão.
E sinceramente, EU SEI, que não estou pronta.

E você? Sabe?

6 comentários:

Dani S disse...

Dinha, é isso mesmo. Se tem algo que me irrita nessa vida é maniqueísmo, é o julgamento do outro sem ver as próprias falhas, é a hipocrisia. E também acho triste quem se julga tão benevolente a ponto de selecionar pessoas a partir da relação dela com outras, ou o posicionamento perante fatos. Parece escola primaria: se vc falar com a chiquinha, não gosto mais de você.:-P

disse...

Dinha adorei o post! Concordo contigo. E acho que é isso que me faz gostar das pessoas, mesmo quando elas pisam na bola vez ou outra. É olhar para dentro e ver que eu também faço isso vez ou outra. Modos que, continue assim imperfeitíssima, que eu continuarei te amando. Bjs

Daniela de Floripa disse...

É isso aí Dinha !Beijos mil

Greice disse...

Dinha, perfeito, pra variar. Eu acho que a gente pode alimentar o bem e/ou o mal dentro de nós, podemos tentar melhorar sempre. Mas pra isso temos que nos voltar pra nossa própria vida, pros nossos problemas, pros nossos sentimentos, sempre tentando evoluir. Quem se distrai muito caçando as bruxas do mundo, julgando o alheio o tempo todo acaba não tendo tempo de evoluir, né não??

beijos, e amo-te. Boas férias!!

greice

Anônimo disse...

Dinha querida, uma vez me disseram que o que mais nos irrita nos outros é aquilo que nós nao gostamos em nós. É uma grande verdade. Na medida em que aceitamos que naos somos perfeitos temos cada vez mais tolerância com os "defeitos" dos outros.
Amei o post. Estou louca de saudades. Quando voltar te ligo. Márcia POA

Alessandra disse...

MA-TOU A PAU !
beijo da sua amiga imperfeita mas que te adora
Ale