quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Corujice descontrolada

Sei que o Caio é todo lindo, gostosinho, querido... Mas se ele nasceu assim é porque eu já tinha experiência em fazer menino lindo... Não é de babar ao ver meu meninão com 7 anos e lembrar que ainda ontem ele era meu bebêzinho?


quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Um olhar sobre o futuro

Eu acho que uma das linguagens mais significativas vem do olhar. Tenho a fama de não conseguir esconder meu estado de espírito, basta me dirigir um olhar e a pessoa sabe se estou bem ou mal.
Penso no olhar do Caio, no quanto ele é expressivo.
Dia desses escrevi sobre o
olhar que espero do mundo, para nós e como um todo.

Estamos vivendo um período muito bom, de conquistas muito significativas.
Esta semana tivemos revisões na neurologia, gastro e otorrino. Caíto deu show em todas, recebemos alta “trimestral” do otorrino (o mesmo que 60 dias atrás queria lhe botar um dreno!). Na neurologia, os exames indicam que a neuroplasticidade segue à mil na cacholinha tão amada de meu filhote. Ano passado tínhamos seis consultas mensais com especialistas diversos. Hoje, com os progressos que o Caio faz, mantemos apenas a neurologista, mas com ótimas perspectivas. Choro. Estou feliz e me sinto abençoada.

Aí lembro também de um
texto maravilhoso, que muito me marcou. Onde uma mãe de uma criança com PC fala sobre o poder do olhar. Que os olhos podem ser orgãos de carinho ou ferrões. Que eles têm o poder de amaldiçoar ou abençoar.

Sempre que meus olhos pousam em meus filhos, eu estou os abençoando. Nos dois, Caio e Yuri. Quando reconheço meus traços reproduzidos em seus rostos. Quando penso na perfeição da vida, da genética, do amor. Quando os vejo sorrindo e lhes sinto verdadeiramente felizes. Quando os vejo dormindo e respiro seus sonhos infantis. E isso se torna ainda mais forte, claro, quando olho para o meu pequeno guerreiro.

Meus olhos não enxergam meu Caio como um deficiente, um fardo, um castigo. Meus olhos abençoam a criança forte, alegre, que aprende a vida passo-a-passo ao mesmo tempo em que partilha lições grandiosas. Meus olhos abençoam as vitórias gigantescas que são cada nova sílaba, cada sorriso puro, cada médico que sai de nossa agenda (ainda que agradecendo sua passagem por ela). Eu sofro pelo que poderia ter sido e não foi. Mas abençôo tudo que poderia não ter sido e hoje é.

São olhos de mãe, claro. E por isso mesmo mais tendenciosos, mais complacentes. Mas são, acima de tudo, olhos marejados de fé e amor.

Hoje, ao acordar, meus olhos depararam com uma cena ainda inédita. O Caio estava sozinho em seu berço, completamente sentado! Sem ajuda, sem apoio. O fez sozinho. A felicidade transbordou em forma de lágrimas por estes mesmos olhos.

Mais uma vez, minha fé se renova, fortalecida em tudo o que vivemos, do início até o abençoado dia de hoje. E o tempo, que às vezes me é tão doloroso, como
postei semana passada, se torna nosso aliado. Começo a ver o futuro com olhos engrandecidos pela esperança. Sempre abençoando cada dia vivido, cada dia esperado. E, especialmente, abençoando meu amado Caio.

Olhando e abençoando... desde sempre!

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Bodas de Aço

Foi ao anoitecer, em setembro de 1996, que eu disse sim.
Sim, eu aceito.
Sim, eu te escolhi e me alegra ser tua eleita também.
Sim, quero ficar ao teu lado todos os dias de minha vida.
Sim, quero gerar filhos teus e construir uma linda família.
Sim, acredito que vamos ser muito felizes.
Sim, eu te amo.




Hoje, 11 anos de casamento. Ao celebrar nossas Bodas de Aço estou feliz. Depois de tempestades que nos vergaram, o amor segue assim, fortalecido.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tempo roubado

Têm muitas coisas que me dóem na minha história e do Caio. Agora mesmo, com a decisão que tomei, precisamos reviver muitas coisas do passado. Há poucos dias fiquei sabendo de um erro absurdo que cometeram conosco, no meu período de internação - eu estava com infecção diagnosticada, atestada como gravíssima para mim e para o bebê. Mas o antibiótico só chegou mais de 48hs depois. Ok, sei que escolhi "fuçar" neste passado, ciente que seria realmente doloroso. Mas o resultado a que espero chegar hão de compensar as lágrimas que são derramadas novamente.

Agora, vez ou outra, um pensamento me toma conta. Existe uma coisa, em toda a nossa trajetória que ninguém nunca vai conseguir nos devolver, ressarcir, compensar. O tempo.

Toda vez que penso em como as coisas aconteceram, penso no tempo que jamais teremos de volta. Ainda que meu Caio se recupere como acredito e os exames médicos indicam, nada vai nos devolver o que deixou de ser vivido.

Ontem, eu olhva um encarte de jornal com presentes para o Dia das Crianças. Meu filho não pode andar num triciclo. Provavelmente, quando ele adquirir controle do tronco, já estará grande para caber num. É apenas um exemplo simplista, mas existem coisas que não vivemos, que não descobrimos e que não aproveitamos. E que nunca acontecerão. É uma sensação que dói...

Fui roubada do primeiro banho no meu filho, da amamentação, das visitas na maternidade. Fomos roubados das descobertas dos primeiros meses que só começaram a acontecer após o primeiro ano. Somos roubados de compartilhar experiências com minhas amigas com filhos até menores que o Caio porque simplesmente existem coisas que ele ainda não consegue fazer. Somos roubados das fotos no balanço da pracinha, do primeiro uniforme do maternal. De uma vida realmente inclusiva, porque a sociedade como um todo não está preparada para aceitar e receber meu filho. Às vezes, somos roubados na nossa coragem e na nossa esperança, desacreditados na nossa insistência.

O tempo. Às vezes, torço pra que ele passe super rápido e logo o amanhã que tanto almejo descortine para nós. Sim, como me alerta com freqüência minha querida amiga Grilinha, eu sei que preciso ser paciente. Mas também torço para que tenhamos, eu e o Caio, muito tempo pela frente para viver tudo como eu egoistamente acho que a gente merece. E ainda que eu saiba que ninguém vai nos devolver o tempo que nos foi roubado.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Meus frutos

Nos meus 35 anos de vida, acho que já aprendi alguma coisa sobre semear e plantar.
Ando com vontade de colher, sabem?

● Quero colher os frutos do meu esforço. Me sentir realizada com o que tenho e ao mesmo tempo motivada a buscar mais. Merecer mais. Sonhar mais, lutar sempre.

● Quero colher os frutos do meu amor. Ver meus filhos desabrochando para a vida, Yuri mais seguro, educado e paciente, Caio mais forte e interativo. Ver minha família fortalecida neste amor e na união.

● Quero colher os frutos do meu trabalho. Ter mais tranqüilidade, segurança, motivação, reconhecimento.

● Quero colher os frutos da minha fé. Entender cada dia mais que Deus tem desígnios para mim e que eu estou pronta a cumpri-los, com confiança e serenidade.

● Quero colher os frutos do meu amadurecimento, para que eu saiba seguir plantando e esperar o tempo certo de poder colher e saborear todos os doces frutos que hão de me estar reservados.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Chico Xavier

Ele era um sábio. Um ser humano melhor que eu e que muitos outros que conheço. Uma alma generosa. E deixa lições que sempre me fortalecem. Na sua trajetória e nas suas doces palavras.

"Tenhamos paciência. O tempo nos dirá mais tarde o que o momento não pode nem deve elucidar".

"Tem fé, acredita num dia melhor, numa hora melhor, e põe-te a viver sem medo".

Assim seja, amado mestre!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Quem sou eu?

Definição: Uma mulher em busca de uma maturidade condizente com a idade, da realização profissional (e de reavaliação da carreira seguida até então). Uma mãe dedicada e apaixonada pela vida em família. Uma amiga pra todas as horas. Uma pessoa com fé.

Qualidades: Fiel, honesta (as vezes até demais), amorosa, parceira, boa cozinheira.

Defeitos: Sou ansiosa, um pouquinho ciumenta (mas tento controlar), geniosa, com momentos de egoísmo. Tenho a péssima mania de sofrer por antecipação. Choro por tudo – de alegria, de dor, de medo, de raiva.

O que posso melhorar: Estou me trabalhando para diminuir a ansiedade, que acho que é o defeito que gera outros tantos.

O que me tira do sério: Inveja, falsidade, “jeitinho brasileiro” e falta de consideração.

Maior alegria: Meus filhos. Todos os dias, até mesmo quando estou sem paciência e brigo com eles. Porque é o amor mais completo que se pode sentir.

Maior tristeza: São duas, na verdade. Não ter mais meu irmão ao meu lado. O erro médico grotesco que cometeram comigo e com o Caio.

Família: Um assunto conflitante pra mim. Porque existem familiares e “familiares”. Tenho grandes amigos na família e outros ainda melhores fora dela. O meu núcleo familiar (eu, marido e filhos) são o que mais importante há e tento construir uma história bacana pra gente – acho que estamos conseguindo.

Amigos:
Meu esteio em todos os momentos. Minha alegria compartilhada. Sou completamente dependente dos meus melhores amigos e amigas.

Trabalho: Atualmente, em crise. Penso em mudar de ramo, mas preciso de segurança pra isso. Penso em trabalhar por conta no que gosto, mas neste momento não posso abrir mão da estabilidade financeira que meu atual emprego proporciona. Sonho em fazer mestrado e dar aula.

Sonho de consumo: A casa própria. Um carro utilitário pra encher de tralhas e viajar muuuuito com a família.

Objetivo de vida: Chorar menos e sorrir mais. Ver o Caio sem seqüelas (ou que as que permaneçam não interfiram em sua qualidade de vida). Deixar como herança pros meus filhos conceitos que os façam homens de bem. Saber que eles são felizes. Ser feliz também.

Frases: “Deus não escolhe os capacitados. Ele capacita os escolhidos.”; “Um dia de cada vez”; “Deus faz tudo a Seu tempo”; “Tudo posso Naquele que me fortalece”; “Tudo vale à pena se a alma não é pequena”; “A fé tudo pode, o amor sempre vence”.

Sempre gosto destes questionários porque é uma excelente forma de autoreflexão.
Este recebi da Carol. Agora, devo passar para mais cinco pessoas. Adoraria ler as respostas da Babi, da Angélica, da Chris, da Claudia Medeiros e da Rê.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Os caminhos da vida

Dia desses me dei conta de que costumo usar a expressão “longo caminho” para tarefas ou jornadas que julgo difíceis e/ou sofridas.
Mas que falta de senso, não?
Afinal, quanto mais longa a estrada, maior a nossa chance de encontrar flores!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Reconstrução


Nos últimos seis anos este é um dia especialmente dolorido pra mim. Sempre comento que o ataque às Torres Gêmeas me remete à perda do meu irmão, que faleceu abruptamente quatro dias depois do atentado terrorista em Nova Iorque. Porque, como costumo dizer, meu mundo também desabou naquele setembro de 2001.

Já se foram seis anos. E acho que estou evoluindo. Ainda sinto saudades do meu amado Jon. Isso nunca vai passar. Mas está deixando de ser uma saudade triste para ser uma doce saudade de tudo o que compartilhamos em 25 anos juntos. Sempre “converso” com ele, pedindo perdão pela minha fraqueza de, algumas vezes, não aceitar o caminho que nos estava traçado. Não quero que minha dor o prenda em algum lugar. Hoje tento pensar mais no amor e no que ele nos trouxe de bom e menos no que não vivemos. Tivemos o tempo que nos estava destinado e acredito que fizemos o melhor uso dele. Dava pra ter sido diferente? Talvez, mas aí seria outra missão e não a nossa.

Deixando de olhar apenas para o próprio umbigo, me volto pra metrópole americana e para os significados do terror. O que me preocupa? Que a origem de tudo está na intolerância, na intransigência, na não-aceitação das diferenças – sejam elas raciais, religiosas, políticas. Me assusto porque não vejo que mudamos depois do World Trade Center. Reconstruir o que desabou é um árduo trabalho coletivo, da sociedade mundial. Buscando punir responsavelmente os culpados mas principalmente criando alicerces para as gerações futuras. Que elas possam se espelhar em exemplos de fraternidade, democracia, tolerância. Para que a história não se repita jamais.

Quero que meu amor saiba libertar meu querido irmão. Quero que o amor de todos nós, pela vida, pelo próximo, por nós mesmos, possa reconstruir muito mais que o cenário do horror. Que possa transformar os horizontes futuros.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Frase do dia (e pra vida)

"Porque eu sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura." Fernando Pessoa

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Desafio dos 7

Gosto desses "questionários" (putz, acabei de revelar minha idade com esta colocação... hehehe).
E também acho bacana que me conheçam melhor e eu possa fazer uma reflexão. Então, seguem 7 coisas sobre mim:

1. Meu nome: Cláudia Rejane Lacerda de Almeida. Minha mãe combinou previamente com meu pai que eu me chamaria Janaína ou Tatiana, ele bateria o martelo. Enquanto estávamos na maternidade, ele foi a cartório e me registrou como consta acima. Adoro Cláudia, mas detesto Rejane e achei a combinação péssima. Só assino o Lacerda, da minha mãe. Para os que me conheceram até uns 15 anos e para algumas primas do meu marido, sou a Cacau. Para os que me conheceram a partir do segundo grau (putz, reforcei minha idade de novo!) sou a Dinha, diminutivo de Claudinha.

2. Minhas origens: Nasci numa família pobre. Mãe faxineira (diarista), pai cobrador de ônibus. Na minha primeira infância, carne e leite eram luxos no máximo semanais. Passamos muita necessidade por conta do meu pai que era alcólatra, batia muito na minha mãe e gastava todos os seus ganhos com o vício. Aos 5 anos fui adotada por uma família de classe alta, mas sempre mantive o contato com minha mãe e meu único irmão. Meu pai nos abandonou naquela época e eu só voltei a vê-lo 25 anos depois, no enterro do meu mano. Guardo muita mágoa dele por isso.
O sofrimento que tive na infância, conhecer a pobreza e a riqueza, me tornaram uma boa pessoa - acho. Luto para que meus filhos não vivenciem o que eu passei, mas saibam dar o devido valor às coisas. E sei na carne que o importante é o que se é e não o que se tem.

3. Minha formação: Aprendi a ler e escrever sozinha, ainda aos 5 anos, brincando com gibis. Um ano depois, quando entrei na escola, tive minha poesia "Minha professora não tem sucessora" eleita pela Direção para uma homenagem ao Dia do Professor. Ali, decidi o que queria fazer na vida - escrever. Fiz faculdade de Comunicação, da UFRGS, Publicidade e Propaganda. Sou redatora numa agência, mas acho que deveria mesmo é ter feito jornalismo. Fui a primeira pessoa da minha família a ter um diploma universitário e me orgulho disso. Não porque me ache melhor do que alguém, mas porque depois de mim vieram outras e outras Lacerdas - as mulheres de minha família são fantásticas - a se graduarem. Sonho em escrever um livro e já decidi que não deixo esta vida antes de concluir este propósito.

4. Minhas manias: Sou extremamente organizada, crítica e detesto quando as coisas saem diferente do planejado. Não saio de casa sem arrumar a cama e lavar a louça. Adoro comer pipoca. Odeio acordar cedo. Rôo unhas quando fico nervosa. Sou chorona. Adoro seriados de TV, especialmente os policiais. Adoro comprar livros e DVDs e gostaria de ter mais dinheiro pra isso. Gosto de ouvir música, desde que não seja muito alta. Gosto de dançar, embora não saiba. Tenho um pouco de claustrofobia.

5. Meus medos: Tenho medo de morrer e de deixar meus filhos desamparados. Espero que minha trajetória por aqui só termine quando eles forem adultos. Tenho medo da velhice porque não quero que meus sonhos envelheçam. Tenho medo de perder pessoas queridas. A morte do meu irmão foi a maior dor que já passei nesta vida. Tenho medo de pessoas embriagadas, de dirigir e de quase tudo que é tipo de inseto.

6. Minha família: Sempre sonhei em ter minha própria família. Até teve uma época na adolescência que pensei em não casar nem ter filhos, mas irônicamente, fui a primeira entre minhas amigas a fazê-lo. Beijei muito na adolescência, mas namorados "efetivos" tive raros. O Sandro foi um deles e ficou até hoje, 15 anos depois. Amo ele "apesar de" e não "por causa de" e assim acredito que vamos envelhecer juntos. Meus filhos são meu tudo. É por eles que vivo, sonho, trabalho, respiro. Por eles, engulo sapos e viro uma leoa. Se me pedissem para defini-los numa única palavra, não seria amor, mas plenitude. Porque através deles vivo os mais completos e intensos sentimentos e experiências de vida.

7. Minha fé: Já freqüentei igreja luterana, mormón e centro espírita; embora não pratique nenhuma religião específica. Leio a Bíblia. Aprendi nos últimos anos que Deus é meu grande amigo e tenho longas conversas com Ele. Falo Dele o tempo todo. Ouvi dia desses uma entrevista em que diziam "Quem tem Deus no coração, tem religião". Acho que é isto. Todos devemos perceber e saber que é verdadeiro, se não a entidade, o poder transformador que existe dentro de nós, quando amamos e acreditamos.

E agora, para seguir a brincadeira, devo passar o desafio adiante. Acho que todas as minhas amigas já fizeram, mas adoraria saber mais sobre a Grilinha (vocês deveriam conhecer esta mãe e mulher maravilhosa), a Fernanda de POA e quem mais se inspirar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Filho perfeito

Foi tomada de emoção que assisti à reportagem do Jornal Nacional que noticiava o aniversário de três anos de um menino que nasceu com pouco menos de 10% de sobreviver. Ronaldinho ganhou uma linda festa de aniversário, com decoração, bolo, brinquedos, música. Sua festa aconteceu no hospital. De onde ele nunca saiu.

A equipe médica realmente celebra este menino com deficiências genéticas que comprometem os aparelhos respiratório e digestivo. Foram mais de 30 paradas respiratórias. Ronaldinho contradisse todos os possíveis prognósticos. O que fez a diferença?

“A mãe”, responde a médica chefe da equipe multidisciplinar que acompanha o menino. “Ela nunca desistiu dele e nós resolvemos apostar com ela”.

Vilma, a mãe, fala com emoção, mas serenidade, do filho. “Tive uma fé inteligente”, ela diz. “Nunca deixei de acreditar, mas sabendo de todo o quadro envolvido”. Os médicos se surpreenderam porque nunca haviam visto uma mãe daquelas, que não via nem tratava o filho como doente, por mais que seu quadro fosse gravíssimo. Para ela, ele era o filho perfeito. Porque era amado, podia sentir este amor e era feliz.

Choro. Agradeço à Vilma. Ela conseguiu expressar o que sempre pensei. O que quero dizer quando me nego a rotular meu Caio de deficiente. Ele também é meu filho perfeito. Porque tem amor e alegria. Porque é a vida abençoada que Deus colocou em meus braços. E eu também acreditei, embora não tenha tido a mesma sorte da Vilma de muitos aliados médicos nesta luta. Mas tudo bem, o meu amor de mãe e o amor misericordioso de Deus se mostraram soberanos. O bebê frágil venceu. Hoje, sigo acreditando e já posso dizer que meu guerreiro conta com um pequeno exército, de médicos e amigos que também acreditam. Vamos chegar lá.

Vilma e Ronaldinho, mais de 1100 dias de internação, confirmam que estou certa. O pequeno Ronaldo muito em breve vai realizar o que era considerado impossível. Vai para casa, viver junto aos pais e aos demais irmãos. Vai ter uma vida perfeita. Exatamente como ele, filho perfeito da corajosa Vilma. Exatamente como meu sorridente filho.


sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Loteria

Coisas que eu vou fazer quando ganhar na Mega Sena acumulada (como a de hoje, que está em R$ 54 milhões):

- Morar numa casa com piscina;
- Comprar uma casa ao lado, pra minha mãe;
- Contratar uma empregada para cada uma de nós;
- Contratar um motorista particular pra ficar à disposição do Caíto e suas necessidades;
- Comprar um carro utilitário com bastante espaço pra família viver viajando;
- Deixar o Yuri fazer todas as atividades extra-curriculares que ele deseja - futebol, música, participar de CTG;
- Comprar uma casa em Santa Catarina;
- Ajudar instituições sérias que trabalham com crianças com PC, com doações mensais de alimentos e medicação;
- Criar um baita sítio com uma estrutura bacana pra recolher cachorros abandonados e dar-lhes tratamento, amor e moradia;
- Tirar 2 casais de amigos especiais do aluguel;
- Ter uma coleção de bolsas e sapatos;
- Freqüentar semanalmente o cabelereiro e fazer tudo o que tenho direito com minhas "quilinas";
- Promover o Encontro Nacional Mothern num resort chiquérrimo, com passagens e estadias à todas as minhas queridas amigas;
- Promover, dentro deste encontro, o Encontrinho Nacional de Filhotes Mothern;
- Fazer alguma filantropia com muito critério;
- Conhecer a França, o Egito e a Grécia;
- Ir mais ao cinema, comprar mais livros e DVDs - pra mim e pras crianças;
- Pensar na hipótese de um terceiro filho (mas para isso o prêmio não pode demorar muito);
- Manter os pés no chão, levando uma vida simples na sua essência, que é o que realmente permanece.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Utopia?

É com este olhar, de alegria e amor, que quero ver o mundo.
E que ele também possa nos ver, com tolerância e respeito.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Amor e Dor

Sim, eu amo loucamente meu Caio.
Sim, eu agradeço cada dia por ele estar vivo.
Sim, ele tem qualidades maravilhosas, é lindo, sorridente, amoroso.
Sim, eu viveria tudo outra vez para tê-lo comigo.

Sim, eu tenho fé, mas também tenho medo.
Não, eu não me arrependo de nada do que vivemos até hoje, das nossas escolhas, das nossas crenças.

Sim, me dói que ele tente sentar sozinho e andar e não consiga.
Sim, me dói cada vez que vejo a cicatriz da cirurgia em seu abdômen, ou sinto o dreno atravessando seu corpo.
Sim, eu choro quando vejo a vergonha ou o preconceito estampado em olhares curiosos.
Sim, eu detesto quando me perguntam na rua: “Ele é doentinho?”, “Ele tem problema?”.
Sim, eu odeio pensar que ele quer falar, quer interagir e está aprisionado num corpo que não responde às suas vontades.
Sim, eu tenho inveja de bebês sadios e de todas as situações corriqueiras que não vivemos no nascimento, aos 2 meses, 6 meses, 1 ano, hoje.

Sim, eu odeio ser cliente fixa da farmácia, dos anticonvulsivantes, “sócia” do pronto atendimento, íntima das atendentes do plano de saúde.
Sim, eu quis morrer porque fiz a carteira de passe livre para transporte público onde se lê “PESSOA PORTADORA DE DEFICIÊNCIA”.
Não, eu não me orgulho da nossa agenda, de onde nunca saem os compromissos com fisioterapeuta, neurologista, eletroencéfalogramas de controle, tomografias do encéfalo.

Sim, dói todo dia e eu não consigo esquecer.
Sim, eu amo apesar de, acima de tudo, mais que tudo.

Alguém já disse uma vez, sabiamente: o amor é uma dor.
E eu sei disso.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Vai começar tudo de novo...

Ontem chego em casa e o Yuri tá atirado na cama, pernas e braços abertos, parece super cansado. Pergunto o que houve, como foi na escola. Ao que ele me responde: "Tá acontecendo de novo, mãe. Eu não consigo parar de pensar numa menina que me beijou no rosto. Acho que me apaixonei outra vez."

E eu não consigo parar de pensar que está acontecendo de novo, eu virando sogra!
Eu juro que vou me esforçar ao máximo para ser uma das exceções à regra "sogra é sempre jararaca", mas eu gostaria de ter mais tempo (tipo mais uns 8, 9 anos pela frente) pra me acostumar com a idéia...

Um anjo para mim

Mais de dois meses após uma difícil decisão, depois de juntar inúmeras peças de um quebra-cabeças, estou começando oficialmente uma importante luta. Estou confiante, mas peço a Deus que se faça o melhor.

Tempos atrás, resgatei aqui um livreto que gosto muito, com meditação de anjos para as diversas situações. Hoje, tomo a liberdade de dedicar um a mim mesma. Luz, clareza, verdade. É meu pedido para as pessoas envolvidas neste luta, que saibam ter o discernimento apropriado. É o que quero também pra mim e para o Caio, para que sejamos fortes o tempo que for preciso. Assim seja.

O anjo da Clareza

Quanto mais simples se torna a nossa vida, mais nos voltamos para a luz interior que surge para orientar corretamente a nossa ação. Isso é clareza, uma espécie de conhecimento interior que nos conduz com facilidade e leveza ao que é correto.

“A clareza de minha Alma flui através de mim quando penso, sinto e atuo no mundo”.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Pan e Parapan

É com profunda admiração e respeito que vejo o Brasil liderar, com larga vantagem, o quadro de medalhas do Parapan. Porque se a valorização do esporte, através de bolsas e patrocínios, já é difícil para atletas fisicamente “normais”, quem dirá aos PPDs.

E quando falo em admiração e respeito não me dirijo “à nação brasileira”, mas às histórias de superação individuais que certamente estão por trás de cada uma das 114 medalhas conquistas pelos atletas brasileiros até agora*.

Muito se fala em investimentos para a saúde e educação. Poucos se dão conta de que o esporte concentra em si ambas as oportunidades, tendo ainda a cidadania e a inclusão como bônus. E não falo somente em inclusão de deficientes físicos, mas na inclusão de classes sociais também, na interação de raças numa mesma equipe.

Eu já achei maravilhosa a campanha brasileira nos Jogos Pan-Americanos, considerando que alguns de nossos medalhistas vivem uma realidade cotidiana muito diferente do glamour momentâneo que a mídia lhes ofereceu. Grande parte de nossas medalhas são fruto de sacrifícios, de treinos sem apoio nem patrocínio, de calçados ou equipamentos inadequados, de longos trajetos percorridos a pé pela falta de uma simples passagem de ônibus. Mas são fruto maior do talento e do esforço de cada atleta.

E se vamos avaliar o Parapan então... faltam-me palavras. Nadador recordista com paralisia cerebral? Jogador de futebol sem uma perna? Atletas cadeirantes? Sim, é possível. Mas do que isso é emocionante. É certo que para cada um dos participantes do Parapan, tudo foi muito mais difícil. As barreiras impostas pelo preconceito e incredulidade certamente tornaram o caminho ainda mais árduo. Mas eles estão lá. E estão dando um show. São todos, de medalha no peito ou não, grandes vencedores.


* dados das 18h05 de 16/08/07.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Mas ELE é a minha luz!

Seu sorriso ilumina meus dias e aquece meu coração...

Nossa primeira incursão em outra esfera virtual.

Eu não sou só luz

Voltei a roer as unhas na última semana. Me chateio porque isso significa, pra mim, um retrocesso. Tive este péssimo hábito por mais de 14 anos, iniciando ainda na infância e me acompanhando até os 18 anos. Mas me chateio mais pela significação que ele traz nas entrelinhas.

Ando triste. E me condeno por estar triste. Faz parte do processo da terapia. Eu estava super bem, resolvendo as emergências e angústias do agora – filho, marido, emprego. Agora, estamos entrando num momento de resgate, bem mais profundo.

Volto a ser criança. E de lá trago muitas dores, muitas lágrimas, medos e traumas. Sei que eu não sou mais esta criança, mas ela ainda habita meu íntimo. E às vezes grita por mim, pedindo atenção.

Tenho pensando muito numa pessoa que fez parte deste meu período de vida. E nutro por ela meus piores sentimentos. Resolvi assumi-los, não como honrosos, mas também sem invalidá-los, pois são fruto da minha trajetória afinal:

- Eu odeio ela!
- Ela está doente e eu não tenho a mínima dó. Quero que se dane!
- Tenho raiva profunda do mal que ela me causou e a outras pessoas também (incluindo meu irmão).
- Eu não quero vê-la e não quero que se aproxime dos meus filhos de jeito nenhum! Não quero que toque neles, sequer que fale com eles.
- Tenho vontade de bater nela, mesmo sabendo que não adianta e que não é algo que eu vá efetivamente fazer. Mas bato mentalmente, seguidamente!
- Não me imagino a perdoando, em hipótese nenhuma.
- Se ela precisar de ajuda, não poderá contar com a minha.
- Não quero me culpar por esses sentimentos. Eu consegui transformar essa vivência traumática exatamente no exemplo do que meus filhos jamais terão em casa. Mas este é um mérito MEU e não deixo de ter raiva dela por tudo de ruim que ela me fez.

Dentro da evolução espiritual que busco, não consegui resolver esta história. Tento não me “açoitar” por isto, afinal somos todos luz e escuridão. Hoje eu estou na penumbra. Mas assumir e validar o que sinto como legítimo, me conduzirá à luz novamente, tenho certeza.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Ver a vida com outros olhos

Eu tenho uma nova amiga. Ela se chama Teresinha e nos vemos quase todos os dias, de segunda a sexta. Costumamos pegar o mesmo metrô de Porto Alegre para Canoas, no início da noite. E descemos na mesma estação.

Estou muito contente com minha recente amizade e fico triste nos dias em que nos desencontramos. A cada conversa vou descobrindo coisas em comum com a Teresinha: nossos filhos (ela tem uma filha de 4 anos) estudam na mesma escola. E temos muito pouco tempo para estar com eles, porque trabalhamos numa cidade e moramos em outra. Assim como eu, ela precisa se apressar para não perder o ônibus que a leva pra casa. Nós duas somos gordinhas. Descobri que temos a mesma idade (nascemos no mesmo mês!), temos gostos muito parecidos e crenças também. Brinquei com ela: "Menina, somos gêmeas separadas no nascimento"! Mas a Teresinha tem mais a me ensinar, do que eu a ela.

A Teresinha é deficiente visual. Mas não é isso que mais chama a atenção. É o seu sorriso. Lindo, espontâneo, cheio de vida.

Inicialmente eu a via uma vez por semana, quando ia pegar o Yuri na casa da minha sogra, nos dias em que ele faz judô. Pegávamos o mesmo ônibus. Aí comecei a reparar nela nos demais dias, quando nossos bairros diferentes nos levavam a embarcar cada uma num coletivo. Até que um dia, enquanto eu esperava o meu ônibus, eu a vi sozinha. Por menos de 1 minuto ela tinha perdido o seu ônibus e precisou esperar mais de 30 minutos o próximo horário. Fiquei com pena e passei a esperar a Teresinha na estação de Canoas, onde desembarcamos. Aí a conduzo mais rapidamente ao seu ônibus e depois pego o meu.

Fico feliz por tê-la conhecido. Não existe mérito nenhum no que estou fazendo. Os méritos são da minha nova amiga. Que me mostrou quão rabugenta eu era, ao correr desesperadamente a passarela de acesso, perder um ônibus e precisar esperar o próximo. Afinal, eu posso correr e ver o meu ônibus partindo! A Teresinha só sabe que o dela foi embora quando, depois de desviar de dezenas de pessoas e obstáculos, chega ao ponto da parada. Que me alertou como a vida fica mais fácil quando a gente encara tudo com um sorriso no rosto. A Teresinha me fez ver a vida com outros olhos. Me permitiu um olhar sobre a pressa e o egoísmo coletivos. Me oportunizou uma reflexão sobre acessibilidade no seu sentido mais profundo. Sobre o direito à cidadania. Sobre solidariedade ao alcance de todos. Não é preciso doar milhares de reais ou quilos e mais quilos de alimentos para ser solidário. Às vezes, um simples braço dado e 2 minutos do seu tempo são suficientes.

E eu estava errada. Eu não tenho porque ter pena da Teresinha. Tenho orgulho da mulher, esposa e mãe que sei que ela é. Da profissional que batalha. Da nova amiga que ganhei e que me traz, a cada encontro, tantas lições bonitas. Que me fez enxergar coisas aparentemente óbvias, que estavam ali bem no meu nariz. Mas que eu não tinha capacidade de ver. Obrigada, Teresinha! Deus te abençoe!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Qual é a música - 4

Essa veio direto do CD que a Ju mandou pro Caíto. Quem foi criança nos anos 80 cantou com o Balão Mágico e Roberto Carlos. Olhando com a pureza infantil, é um lindo hino à amizade. E não tem fotinho acompanhando porque é impossível colocar amigos maravilhosos que tenho, sem cometer injustiças.
Assim deveriam ser as relações humanas, sempre. Valorizando a essência e não o aparente. Enaltecendo a tolerância e a aceitação das inevitáveis diferenças. Entendendo a amizade e o querer bem como os valores mais importantes da vida. Quem tem mais de 30, canta comigo!

Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
(Parece mesmo estranho, hein?!)
Também um bico de pato
E um jeitão de sabiá
Mas se é amigo
Não precisa mudar
E é tão lindo
Deixa assim como está

E eu adoro, adoro
Difícil é a gente explicar
Que é tão lindo

Se tem bigodes de foca
Nariz de tamanduá
(E orelhas de camelo, né tio!?)
Mas se é amigo de fato
A gente deixa como ele está

É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo é tão bom de se gostar
E eu adoro, é claro
Bom mesmo é a gente encontrar
Um bom amigo

São os sonhos verdadeiros
Quando existe amor
Somos grandes companheiros
Os três mosqueteiros
Como eu vi no filme

É tão lindo, não precisa mudar
É tão lindo deixa assim como está
E eu adoro e agora
Eu quero poder lhe falar
Dessa amizade que nasceu
Você e eu
Nós e você
Vocês e eu
É tão lindo

- Tio...
- Hein?!
- É legal ter um amigo, né?
- É maravilhoso!Mesmo que ele tenhaBigodes de foca e até um nariz de tamanduá
- E orelhas de camelo tio, lembra?
- Orelhas de camelo?
- É tio!
- É mesmo, orelhas de camelo!Mas é um amigo, né?
- É...
- Então não se deve mudar.
(É tão lindo - Al Kasha / J.Hirschom / versão: Edgard Poças)

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Qual é a música - 3

Pro meu guerreiro. Temos várias: Como é Grande o Meu Amor por Você também foi compartilhada com ele; Força Estranha é linda, Sempre Assim foi meu "hino" pra agüentar a UTI Neo. Cantei, inclusive, alguns hinos religiosos. Mas teve uma especial. Esta eu cantava segurando sua minúscula mão ainda em tempos de incubadora. Inicialmente era pelo refrão. Depois descobri que ela tem TU-DO a ver com a gente e nossa história.

(Mesmo com a carinha suja de chocolate, ele não é lindo?)

Meu coração sem direção
Voando só por voar
Sem saber aonde chegar
Sonhando em te encontrar
E as estrelas que hoje eu descobri
No seu olhar
As estrelas vão me guiar

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos dentro de mim
E vivesse na escuridão

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

Hoje eu sei
Eu te amei
No vento de um temporal
Mas foi mais
Muito além
Do tempo de um vendaval

Dos desejos num beijo
Que eu jamais provei igual
E as estrelas dão um sinal

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez perdesse os sonhos dentro de mim
E vivesse na escuridão

Se eu não te amasse tanto assim
Talvez não visse flores
Por onde eu vim
Dentro do meu coração

(Se eu não te amasse tanto assim – Herbert Vianna e Paulo Sérgio Valle)

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Qual é a música - 2

Essa é do meu Fifo, o Yuri, primeiro amor incondicional da minha vida. Têm outras também que tem tudo a ver, Como é Grande o Meu Amor por Você que cantei desde o dia que me soube grávida até horas antes do parto; tem Frisson, linda; tem Velha Infância, perfeita pra amor de mãe e filho. Esta, a Dê, literalmente cantou a pedra no comentário do post anterior, foi uma das primeiras que ele me cantou na íntegra numa apresentação da escolinha há um par de anos atrás. Era o que ele queria me dizer. É o que tento lhe falar, todos os dias. E o trecho do poema do Eça de Queiroz recitado pelo Arnaldo Antunes no meio da música, sublinhei uma parte... tudo a ver com maternidade (também)!


Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu pensar em você
Isso me acalma
me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pra as paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão
É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui

Deixa eu dizer que te amo
Deixa eu gostar em você
Isso me acalma
me acolhe a alma
Isso me ajuda a viver

Hoje contei pra as paredes
Coisas do meu coração
Passeei no tempo
Caminhei nas horas
Mais do que passo a paixão

É um espelho sem razão
Quer amor fique aqui
Meu peito agora dispara
Vivo em constante alegria
É o amor quem está aqui

Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you

"Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente!
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades,e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma,e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente, cada passo conduzia um êxtase, e a alma se cobria de um luxo radioso de sensações!"

Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you
Amor I love you


(Amor I love you – Marisa Monte e Carlinhos Brown)

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Qual é a música - 1

Eu adoro música. Minha mãe quis muito me ensinar a gostar de música clássica, mas não deu. Tenho o ouvido “ruim”. Gosto mesmo é de cantar junto. E freqüentemente, associo uma música bem pop (pra não dizer povão) a situações e pessoas queridas.
Essa foi a que lembrei dia desses e que me fez começar esta série...
Começo com a minha, que adoro há anos e que tem tudo a ver com a Cláudia que estou cultivando nos últimos tempos.



Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Eu nada sei

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso chuva para florir

Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha e ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou

Conhecer as manhas e as manhãs,
o sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
é preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora
Cada um de nós compõe a sua história
E cada ser em si carrega o dom de ser capaz
De ser feliz

(Tocando em Frente – Almir Sater e Renato Teixeira)

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Errar é humano

Todo mundo erra. É da natureza humana sermos falhos. E me parece óbvio que ninguém erra intencionalmente. O errado mesmo é quando o que era uma eventual fatalidade é fruto de descaso. Todo mundo erra. Até mesmo os médicos. Porque, antes de tudo, são humanos. Mas infelizmente nem mesmo eles sabem disso.

Conversando com a fisioterapeuta do Caio me choco ao saber que as estatísticas apontam que mais de 90% dos casos de paralisia infantil ou neonatal têm origem no erro médico. Dá pra visualizar que a cada 100 crianças, mais de 90 são absolutamente sadias e normais até se defrontar com a imperícia de um profissional médico? Deste universo, menos de 10 têm seqüelas neurológicas decorrentes de doença, acidente ou má formação. São vítimas de um erro praticamente irreparável: o pecado da soberba.

Pela minha vivência com o Caio, em dois universos bem distintos - um hospital público (mas de grande referência nacional, inclusive com uma UTI Neonatal certificada em nível sul americano) e um plano de saúde privado, convivi em ambos com dois tipos bem distintos de médicos: profissionais maravilhosos, dedicados, que se envolvem com o paciente e sua família e lhe decifram o universo (ou tentam, juntos) de prognósticos e terapias; e um grupo de médicos que se acham superiores, que trazem em si o conceito cavernoso de que o título de “doutor” lhes confere uma aura quase divina, desacreditando em tudo o mais ao seu redor e deixando bem claro ao que está sendo atendido de que eles, os médicos, são onipotentes e oniscientes e que o paciente só está à sua frente porque não é normal, porque tem uma doença.

Acredito piamente que o erro médico é fruto maior e direto desta arrogância. Desta auto-estima inflada. Desta prepotência que, na grande maioria das vezes, desacredita em Deus. E aí, também entra um mérito que brilhantemente me alertou a maravilhosa neurologista do Caio, quando falávamos do já “famoso” neurocirurgião que me disse que não deveria esperar nada do meu filho, porque era um caso sem perspectiva nenhuma de melhora – acreditar em Deus é algo extremamente pessoal, mas ao lançar uma frase desta força, o médico está desacreditando em sua própria profissão e nos recursos disponíveis.

Eu e o Caio tivemos a infelicidade de passar pelas mãos de médicos que não quiseram me ouvir, que não deram atenção ao meu histórico gestacional e aos manuais de conduta. E isto ocasionou sua paralisia cerebral. Mas também tivemos a benção de encontrar profissionais excepcionais, com os quais compartilho a evolução do Caio e meu grande aprendizado, como mãe e pessoa.

Eu erro. Em casa, no trabalho, em minhas relações, em meus julgamentos. Por descuido talvez, por ansiedade muitas vezes, mas nunca por prepotência. Sei da minha nata condição de imperfeita. Se 90% dos nossos médicos pudessem se ver assim, humanos antes de doutores, com a humildade de se saberem aprendizes constantes do dia-a-dia, lidando com amor com o instrumento maior de suas profissões – que é a vida do próximo, estou certa de que os níveis de erro médico poderiam ser inversos ao que acontece hoje. Porque seriam ocasionados por seres humanos e não por pretensos donos da verdade.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Em Gramado

Atendendo à pedidos (em especial à sogra do Yuri, Karol) e também pra extravasar minha corujice...

Eu e meus 2 homens favoritos.


Caíto todo alegre curtindo um café colonial no colo do pai.

Eu e meu parceirão, fazendo um brinde (com muito suco de uva)!

Eu e meu lindão no Lago Negro - repararam no novo corte de cabelo dele?

Eu e meus 3 homens favoritos...

Meu top model à beira do Lago...

Lindão, curtindo o passeio!

A duplinha dinâmica!

Chegou a noite... o e sorriso do Yuri não esmocereu!

terça-feira, 31 de julho de 2007

Troca de cartas

A Juliana é uma prima muito especial, que ganhei com a família do meu marido. É uma mulher excepcional, valente, verdadeira. Venceu uma leucemia que médicos julgavam incurável. Mas este é apenas um dos seus feitos. Uma das coisas que mais admiro na Juliana é sua capacidade de ser transparente. A gente sabe, só de olhar, se ela está feliz, de mau humor, triste. E sua transparência também é sinônimo de fidelidade, sinceridade, coragem.
E ela sempre teve alta sintonia com o Yuri, a quem chama de Fifo. Hoje sei que mesmo que a Juliana não escolha ser mãe, ela é uma excelente mãe para os meus filhos.
Amo ela e suas escolhas. Semana passada, ela nos mandou um CD pro Caio, pelo correio, me emocionei demais e lhe enviei uma carta-resposta por email. Quero compartilhar com vocês.

Carta para Juliana

Prima amada, eu costumo tanto dizer que te amo “sem saber o por quê”.
Hoje, confesso que minto.
Eu tenho muito claro pra mim os motivos do meu amor e da minha admiração.
E uma caixinha de SEDEX que chegou pelo correio, só veio ratificar esses sentimentos.

Dizer pra ti que amei o CD que enviaste pro Caio não será suficiente pra te mostrar meu real sentimento a respeito desse teu generoso gesto, que pode parecer até simples, mas que encerra em si uma grandiosidade de ação, sentimento, perspectiva.

Mas o mais importante, que talvez nem tu tenhas te dado conta, é a mensagem que chegou ao meu coração junto com teu CD. Assim como eu, tu acreditas. Acreditas que o Caio compreende e gosta de música. Acreditas que ele pode e deve ser estimulado pra se desenvolver cada dia mais. Acreditas que, com PC ou não, ele é uma criança igual a todas as outras e merece a alegria de músicas infantis.

Obrigada, meu amor. Não existem as palavras pra quantificar minha gratidão. Muitas vezes me vejo em luta solitária pelo desenvolvimento do meu guerreiro. Me vejo sonhando sozinha o futuro que sei que ele merece e há de ter. As pessoas têm medo, Ju. Acho que como, assim como o Caio, já estivestes muito próxima do outro lado da vida, tens exata noção do que isso significa. As pessoas não querem se envolver. Por medo. Por ausência de conhecimento. Por falta de sensibilidade.

Certa vez, houve alguém de nossas relações, durante uma ocasião festiva que me disse “na lata” que não tinha comprado um brinquedo pro Caio (ao passo que comprou para outras crianças da família, incluindo o Yuri) porque “não adiantava”.

Na grande maioria das vezes, Ju, não preciso que presenteiem o Caio, que dêem ajuda financeira (bem, até preciso, mas isto deixa de ser o mais valioso). Tudo o que queria, era apenas que lhe dessem um olhar. Um olhar. E que pudessem ver que, a despeito de deficiências ou seqüelas, ali tem um ser humano maravilhoso, uma alma gigante, uma simples, doce e inocente criança. Na minha busca pessoal por evolução espiritual não guardo mágoa de quem não dá ao Caio o olhar que desejo. Sei que ele tem os olhares que merece, dos corações que estão sinceramente abertos a lhe dar afeto sem rótulos, carinho sem preconceito.

Ao te imaginar fazendo a seleção destas músicas, ao vislumbrar tu escrevendo no CD, preenchendo as lacunas da caixa do SEDEX... vi que o Caio estava presente em teu coração todo o tempo. E o carteiro acabou trazendo não só ao Caio, mas à todos nós aqui de casa, um presente sem tamanho, de valor inestimável, de importância incomensurável.

Obrigada, Juliana. Que Deus te abençoe. Sempre.


E ela me respondeu. E me emocionou ainda mais. Ju e Lidi: amo vocês. Pra sempre.

Cacau

Não preciso dizer o quanto tuas palavras me emocionaram.

Sei que o Caio gostou, esta semana baixei várias historinhas para os dois.

Sei que ele é capaz de saber disso, sei que ele me ouve e me entende...e sabe o quanto amo ele...o quanto foi esperado, inclusive por mim.

É uma criança surpreendente. Não preciso te dizer isso.

Só agradeço por tê-lo por perto, por ser meu também.
Os meus dois meninos, lindos,espertos e felizes.

O caio é um felizardo por ter a família que ele tem.

E eu por fazer parte desta real família.... dos que os amam, de verdade.

Sei que ele me entende, porque olha bem no fundo dos meus olhos, enquanto converso,canto ou conto as coisas pra ele.

Só lamento por não estar perto sempre, por vcs morarem longe,por eu não ter recurso para participar mais da vida deles.

Espero que tu saibas, que realmente eles são especiais pra mim.

Amo vcs, muito, sinceramente.

Queria ver a carinha dele quando escuta...poderias fotografar?

Beijos...emocionados...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Check list de férias

Ok, elas não foram exatamente como eu sonhei. Caio teve nova crise de otite, o que abreviou nossa estadia na Serra e nos tirou umas 3 noites de sono até o antibiótico injetável fazer efeito. Por conta disto, seus exames de controle anuais que estavam agendados tiveram que ser postergados. Logo em seguida, eu tive amigdalite e também precisei de um antibiótico. Mas, ainda que sem grandes movimentações turísticas, deu pra curtir estes breves dias de descanso, fazendo aquelas coisas simples mas que tornam a vida mais leve:

● Acompanhei o Caio nas sessões de fisio, pude botar a conversa em dia com sua fisioterapeuta de quem gosto muito e me senti parte integrante da rotina do meu filho outra vez (ainda que temporariamente);
● Brinquei de jogos de tabuleiro e cartas com o Yuri e reafirmei que, à medida que ele cresce, se torna ainda mais meu parceiro;
● Dormi no meio tarde, ladeada por meus filhos, com o sol do inverno batendo em nossa janela;
● Comemos, os três, brigadeiro na panela;
● Fomos à vídeo locadora do bairro numa terça-feira às três da tarde, com a única preocupação de encontrar DVDs bem legais pra assistir – e conseguimos;
● Fizemos, durante a semana, umas 3 edições do Dia Nacional do Pijama - traje oficial do dia inteiro, somente trocado por outro na hora do banho, à noite;
● Olhei atentamente para cada detalhe do rosto dos meus filhos, para seus cabelos macios, seus sorrisos iluminadores e me dei conta de que o amor que tenho por eles é cada dia maior. E que também por eles, preciso voltar ao batente. Mas que é maravilhoso contar com estes períodos de pausa.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

terça-feira, 17 de julho de 2007

Eu firmei um contrato com Deus

Eu não faço psicoterapia. Faço terapia reencarnacionista. Porque é assim que encontro as respostas que procuro. Porque acredito que é ao tratar as dores e traumas da alma, fio condutor de tudo, que equilibro minha mente, energizo meu corpo. E na última sessão, tive uma experiência muito forte, que tem me acompanhado desde então.

Eu amo o Caio. Mas sofro por nosso cotidiano às vezes ser tão difícil, dolorido, trabalhoso. E sempre que reafirmo este amor, lembro de quando soube da meningite e dos riscos; pedi aos médicos, e especialmente à Deus, meu filho vivo de qualquer maneira. Minha mãe me conta que ela orou muito para que o Caio sobrevivesse, mas que entregou nas mãos de Deus, porque não queria ele vegetativo.

Então eu lembrei claramente do dia em que o pediatra da UTI Neonatal veio me falar que ele estava com meningite, que era grave e que, se ele sobrevivesse, poderia ficar com inúmeras seqüelas. Enquanto o médico falava, eu vi à minha frente as mais diversas imagens de um menino já grande – com 5, 8, 12 anos... em situações muito difíceis...com sonda, entubado, deformado, enfim. Eu não imaginei, eu vi mesmo! Olhei firme para o doutor e perguntei:

- Ele pode morrer?
- Pode. Temos boas chances de salvá-lo mas é bem provável que ele fique com seqüelas...
- Vamos combinar uma coisa – disse eu. Vocês salvam meu filho, me entregam ele vivo. Das seqüelas, eu dou conta depois.

Minha terapeuta me fez ver que ali, naquele instante, eu assinei um contrato com Deus. Ele me mostrou as possibilidades, as piores perspectivas. Leu em voz alta aquelas letrinhas miúdas nas quais a gente põe a culpa quando se dá conta que fez a escolha errada.

Eu poderia, ainda que inconscientemente, dizer: Senhor, é um fardo muito pesado para mim, não poderei com ele.
Mas não, o que eu disse foi: Sim, eu aceito. Eu quero trilhar este caminho, por mais árduo que ele seja.

Este é o famoso livre arbítrio. Deus não impõe nada. Nós temos as escolhas, embora na grande maioria das vezes elas não nos pareçam conscientes.

Deus foi maravilhoso comigo. Me deu a oportunidade clara e inequívoca de escolher. E, ao fazer minha escolha, Ele me abençoou ainda mais. Porque realizou meu desejo de ter meu filho nos braços e por me dá-lo em condições infinitamente melhores do que vislumbrei.

Essa (re)descoberta de que Deus e eu combinamos tudo, foi muito importante. Tem me aliviado o coração todos os dias, quando penso que vou fraquejar.

Eu quis esta missão maravilhosa de ser a mãe do meu Caio. Eu aceitei os desafios, ciente de que eles não seriam poucos nem pequenos. Como me disse uma vez a Greice, uma adorável e sábia amiga, eu pedi apenas uma chance. Deus me dá várias, todos os dias. O mínimo que posso fazer é agradecer sempre. E seguir lutando com o mesmo amor, coragem e fé com os quais compactuei com Deus naquele dia.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

35 anos para ser feliz

Eu já a amei e já a odiei. Hoje, nem tanto o céu, nem tanto a terra, sei que ela (assim como todos nós) tem seus piores e melhores momentos. Este texto, que reencontrei nos meus arquivos, tem tudo a ver com o meu momento (lembra um pouco o post Devaneios, ali embaixo).
E, ao invés do peso da idade, me dá um certo alívio... Hehehe

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.

A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.

Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.

Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.

Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.

(Martha Medeiros, Coluna Almas Gêmeas, Outubro de 1998)

3.5

Então... novo dígito acrescentado à meu currículo e... tô me achando!
As manifestações de carinho foram muitas e muito generosas.
Impossível agradecer individualmente, mas quero mandar um super beijo a todos que ligaram, mandaram email, sinal de fumaça, deixaram recado no Orkut, me fizeram ser o assunto "dominante" do LV no final de semana. Aos que apareceram lá em casa e me mimaram.
As mensagens foram muito generosas e tudo o que posso dizer é que sim, sou especial. Por contar com amigos e amigas tão maravilhosos ao meu redor. Por receber o afeto de pessoas as quais admiro muito. Pela família querida que muito me acarinhou. Por ser homenageada de maneira tão singela e ao mesmo tempo tão grandiosa - o scrap lindo que a Chris me fez; Carolina Piscitelli, do alto dos seus 2 anos recém feitos, cantando "parabéns à você" pra mim ao telefone na íntegra; as congratulações honrosas da Tia Cris, de quem sou fã (putz, citei alguns nomes...).
Obrigada, de coração! Amo TODOS vocês - se eu colocar todos os nomes, o blog vai ficar parecendo o site da Listel!

P.S. Desse jeito, com tanto mimo, corro 2 riscos. 1. Subir à cabeça e eu me dar alta da terapia. 2. Eu querer fazer 3.6 logo pra receber mais!

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Devaneios à véspera da nova idade

Quando eu estava prestes a fazer 25 anos, eu tive um chilique. Ataque de frescura mesmo. Achei que estava ficando velha, que não tinha feito nada da minha vida, estava desempregada, não tinha filhos nem muitos planos pro futuro que afinal já estava ali. Eu ia fazer um quarto de século! Comprei meia dúzia de cremes Renew da Avon, para mulheres acima de 25 anos! Não usei nenhum.

Dez anos depois, olho pra trás e acho graça, bobagem de guria. Mas olho para o presente e me assusto um pouco... 10 anos! Bem, já plantei árvores, já tive filhos. O livro? Tenho realmente investido nesta idéia. Espero realizá-lo antes que se passem mais dez anos. Não tenho mais a pressa ansiosa de antes. Mas tenho medo de não conseguir viver tanta coisa que ainda almejo.

Ok, as ilusões estão bem menores. Sei que não vou dar mais a volta ao mundo. Mas Paris e a Grécia ainda terão a honra de me receber. Não serei uma mega executiva de uma multinacional importantésima. Mas ainda encontrarei meu espaço profissional e terei um nome razoavelmente conhecido e valorizado. Não penso mais em morar numa mansão global, com piscina enorme, motorista, festas regadas à champanhe. Uma singela casinha própria de 3 quartos, onde habite também a saúde e harmonia e possamos receber bons e fiéis amigos para compartilhar um suco de uva natural (ou de laranja, se você preferir) já está de bom tamanho. Nunca serei magra e os cabelos são, sim, assumidamente crespos. Nunca mais comprei Renew. Um visual legal é importante, mas tenho investido mais no que tenho por dentro. No que posso deixar para quem sequer me viu alguma vez pessoalmente.

Ainda quero aprender muito. Com meus filhos, com meus amigos, na faculdade (onde ainda quero estar de novo).
Ainda quero perder algumas manias chatas, coisas da criança que não cresceu. Antes que virem esquisitices de uma velha caduca.
Ainda quero ver meus filhos transformados em homens de bem. E ver no rosto de netos lindos que fiz minha parte.

É... pensando bem tem muitos “ainda” pra querer, sonhar, lutar, ver acontecer.

Tomara que ainda dê tempo!

P.S. A tristeza vai se transformando em uma doce saudade. Já faz seis anos que eu e o Jon comemoramos nosso último aniversário juntos... Pensando melhor, acho que não. Seguimos juntos, de mãos dadas, como nesta foto tirada 30 anos atrás. Parabéns pra ti também, amado irmão!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Tudo que aprendi com meus filhos

Quando eu pensava no dia que, hipoteticamente, seria mãe, eu imaginava quão bacana e ao mesmo tempo desafiador deveria ser ensinar “tudo” a uma pessoa em formação.

Como costumo dizer, ainda bem que o mundo dá voltas. Hoje sei que muito do que, em meus devaneios, pensava sobre este “ensinar filhos” – como falar, andar, se vestirem, comer, serem educados - não é nada! Quase todo mundo está capacitado a disseminar tais conhecimentos. Muito mais importante e transformador é tudo o que meus filhos me ensinam, diariamente.

O Yuri me ensinou a ser mãe. A dominar meus egoísmos, a ser mais determinada, a focar novos objetivos, a estabelecer prioridades. Me fez ver o balanço da pracinha de outra maneira, me apresentou ao universo das festas infantis, me fez pesar valores e escolher a primeira creche. Me provou que a pele mais macia e os cabelos mais sedosos são da menor pessoa da casa. Me avisou que chuchu pode ser gostoso (?).Cantou funk, regaae, sertaneja e gauchesca. E me provou que não existe gosto musical bom ou ruim, o que conta é se divertir. Ainda hoje, aos 7 anos, segue me dando lições infinitas. Dia desses descobri (reaprendi) com ele, fazendo o tema de casa, que existem plantas que se desenvolvem a partir de uma raiz, um galho, uma folha.. Isso sem contar que fiquei sabendo do nome de alguns jogadores do Manchester, do Real Madri, do Barcelona... Me ensina responsabilidade e parceria da forma mais plena e gratificante que pode haver.

O Caio me ensinou a ser uma mãe ainda mais atuante. Me ajudou a desenvolver minha fé, coragem e persistência. Me mostrou que não adianta sofrer por antecipação. Me deixou bem claro que sim, como diz o velho ditado, o importante é ter saúde. Me fez ver que eu fazia parte da maioria da população que erroneamente confunde deficiência motora com retardo mental. Venceu barreiras consideradas intransponíveis e me deixou claro que a força que move o mundo não é física. Me fez entender e vivenciar o real significado da expressão “amor incondicional”. Leio todas as bulas, aprendi sobre interação medicamentosa, especialidades médicas, sintomatologias relacionadas. No mínimo, enriqueceu meu vocabulário. Me fez dimensionar de forma mais realista o tamanho de cada problema da minha vida. Transformou uma simples palavra na maior das minhas lutas: inclusão. E reforça com seu sorriso a consagrada lição do poeta – tudo vale à pena, se a alma não é pequena.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Cliques do final de semana

Caipira lindo versão 1
Caipira ("Caipira não, cowboy, mãe!" Ah, tá.) lindo 2!

Yuri e seus colegas de escola (e a profe agüenta esta patota?)
Bonecão lindo e entrouxado pra agüentar o frio...

Motherns RS, no aníver da Carolina (ao centro com sua mãe Karina), eu com Caio e Lê POA com Leandrinho - a Ísis já tinha ido embora...
O Caio se ligou no Clifford (que eu tbém amo)!

Caio e Leandrinho - lindeza em dobro!
Caio radicalizou: até tatuagem, ele fez!
Foto? E o Yuri lá tem tempo pra isso, quando tem tanta coisa legal pra curtir?

O Aprendiz

Se, a exemplo de Roberto Justus, ele estiver procurando um Sócio... tenho um forte candidato!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Coração Nota 10

Não é só nas notas escolares que meu primogênito é exemplar.
O Yuri vive fazendo planos das coisas que vai ensinar e das brincadeiras que vai fazer com o Caio quando ele conseguir caminhar e souber falar melhor. Conversa horas com o irmão dizendo: "Quando tu andar, o mano vai te ensinar a jogar futebol", "Quando tu aprender a falar tudinho, o mano vai te ensinar um monte de música legal"... e por aí vai.
Mas tenho medo do Yuri criar expectativas quanto aos prazos dessas coisas acontecerem, embora já houve um tempo em que ele perguntava "quando" ia acontecer e hoje ele não faça mais esse tipo de questionamento. E para que ele não se fruste com o irmão, tento alertar:
- Filho, a gente não sabe quando o Caio vai conseguir andar e falar. Talvez demore um pouco mais, um ou dois anos. Não dá pra saber.
Ao que ele, alma pura, grande e generosa responde:
- Não me importa, mãe. Amo meu irmão de qualquer jeito!

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Um dia a menos

Ontem uma amiga que me é muito especial veio me contar que sonhou com "nosso filhinho" (como ela se refere carinhosamente ao Caio) dando seus primeiros passos.
Impossível não me emocionar ao perceber que os meus sonhos não são só meus. Que a minha luta e a minha fé não são só minhas, mas partilhadas por outras pessoas que nos querem bem.
Essa corrente me fortalece. E me dá a certeza ainda maior que cada dia que passa é um dia a menos para que esses sonhos se tornem a nossa realidade.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Introspecção

Ando olhando bastante pro meu próprio umbigo. Relendo minha história de vida, desde as mais remotas lembranças da minha infância. Revivendo memórias afetivas alegres e outras nem tanto. Tentando limpar as mágoas, trabalhá-las melhor dentro de mim.
Não é um processo fácil. Às vezes, esbarro no confronto entre os sonhos que tive e a realidade em que se transformaram.
Rever a própria história de vida pode acarretar num misto de orgulho e frustração. As dores são revividas, assim como os momentos felizes.
Bateu uma saudade imensa do meu irmão, de nossa infância, da cumplicidade que cresceu com a gente.
Meus últimos dias foram sofridos, angustiantes.
E somou ainda uma forte decisão que tomei recentemente. Eu penso estar forte. Alguns trâmites necessários para colocar esta minha decisão em prática me provaram que não é bem assim. O que é dor, sempre dói.
Mas quem me conhece, sabe (e eu estou aprendendo a saber também). Eu desço sim, mas sempre consigo voltar pra cima, onde a luz me alcança e fortalece.

Esta semana também me fez sofrer a dor de uma amiga querida. Mas como tudo na vida nos traz lições, o acontecimento me fez resgatar um livreto que gosto muito - Meditando com os anjos. À ela, dediquei um anjo. Hoje, dedico um pra mim também e pra quem mais estiver precisando.

O ANJO DA CORAGEM

Agir com o coração. Toda ação que é inspirada por um centro de verdadeiro amor traz consigo firmeza e segurança inabaláveis. Ser corajoso é saber que o medo não oferece resistência ao amor.

Meu coração está aberto e pleno de coragem. Minha força é ser capaz de ser eu mesmo todo o tempo. A vitória pode não ser, mas a luta, esta com certeza, é minha.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Literal

Vocês conhecem a expressão "sono dos justos"? Pois é...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Seu primeiro boletim

Ainda ontem, ele estava dentro do meu barrigão. Hoje, explora cada dia mais o que o mundo tem a lhe oferecer. Seu primeiro boletim me dá ainda mais motivos pra encher a boca e dizer: este menino lindo e estudioso, fui eu que fiz!

terça-feira, 5 de junho de 2007

Olhar pra trás para poder andar pra frente

Eu sempre penso que deveria esquecer de vez tudo o que aconteceu com o Caio e comigo, deixar de lado os questionamentos e tocar a vida “daqui pra frente”. Só que eu não consigo. Nos piores momentos, as lembranças, a revolta, os medos, voltam com toda a intensidade.

O grande diferencial disto tudo é que ultimamente continuo vivendo esses sentimentos ruins de um modo completamente diferente. Às vezes percebo que preciso deles, justamente pra me fortalecer. Preciso olhar pra trás e ver, na riqueza dos detalhes mais tristes, o quanto já vencemos. Do quanto já fomos capazes até agora. E me calçar da certeza do quanto ainda vamos superar.


Ontem à noite o Caio estava especialmente lindo. Ele conversava tão animadamente a sua "enrolação", comigo, com o pai dele e com o mano Yuri. Aquele vocabulário que os que o amam entendem perfeitamente. Onde cada nova sílaba adquire a maior de todas as significações. E enquanto ele falava, instalado em seu bebê conforto (que usamos bem "em pé", como cadeirinha), ele impulsionava o corpo pra frente, colocando os pés no chão, como se quisesse sair correndo! Era lindo de ver!

E são em momentos assim que minha "bipolaridade" se manifesta. Eu me entristeço por ele. Ele é tão lindo, tão alegre, merecia estar correndo pela casa com o irmão e os cachorros, nos deixando de cabelo em pé com suas bagunças! Mas me emociono e me alegro imensamente com este menino. O mesmo menino que, disseram, não resistiria uma semana. O bebê que me entregaram nos braços, com a recomendação de "não esperar nada" dele. Ele é tão forte, corajoso, guerreiro mesmo. Merece cada manifestação de felicidade que consegue ter, contagiando quase todos à sua volta, nos enchendo o coração de orgulho por suas vitórias.

Sim, eu tenho meus piores dias, em que choro, não aceito, me desespero. Mas na grande parte deles, eu tenho aprendido com este anjo tão sábio, o famoso lema: um dia de cada vez. Porque quando olho lá pra trás e vejo os dias sombrios que vivemos, posso mais uma vez saber que soubemos trazer luz para o nosso presente. E é alimentada por essa mesma luz, pela coragem do pequeno grande guerreiro e pela teimosa fé que trago no meu peito, que tenho certeza de que dias (ainda) melhores virão, que nosso caminho está apenas começando, que tem muito chão pela frente. E que vamos (literalmente) caminhar de mãos dadas por muitos e lindos horizontes.
Amém.