terça-feira, 11 de abril de 2017
A culpa não é nossa!
terça-feira, 2 de setembro de 2014
As redes sociais e os diferentes posicionamentos
terça-feira, 8 de julho de 2014
Acabou a Copa. Que venham as Eleições.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Andorinha??? Por que não?
domingo, 26 de agosto de 2012
Maternidade perfeita
quarta-feira, 25 de julho de 2012
A socialização da alienação
sábado, 14 de abril de 2012
A dor - e a força - de cada um
Meu Caio não nasceu com deficiência, não teve má formação, nada que pudesse prever uma deficiência. Sua paralisia cerebral veio do parto e de tudo que transcorreu durante ele e após ele. E eu lembro bem do semblante "funéreo" dos médicos à medida que iam me informando a evolução: sepse, meningite, lesões cerebrais, sequelas graves, hidrocefalia... Ainda assim, por pior que eles me desenhassem o quadro, eu reafirmava que o queria vivo, não interessando em quais condições. Já escrevi sobre isso. Firmei um contrato com Deus mais de uma vez, pela vida do meu filho! E digo, sem medo de errar, não houve um só minuto ao longo destes quase 7 anos de muita luta, mas de muito amor, em que eu ache que tenha feito a escolha errada.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
A onda da China e as células-tronco
Quatro anos de terapia três vezes por semana... Muito esforço por parte do Caíto... Mas ele tá indo. E a nossa esperança ali, do ladinho, sempre....



segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Se eu tivesse Um milhão de Reais
Eu ia comprar a minha casa... poderia ser aqui, por exemplo, ou essa aí de baixo...

ia ir à SP em torno do dia 17/09;
estaria em BH do dia 13 de novembro em diante...
passaria, no mínimo, mais uma semana no Rio.
Ia ser a feliz proprietária de um desses...
Ia ajudar a AACD e ter um canil cheio de bichinhos não mais abandonados.
Mas como eu não sou dissimulada, nem maluquete, nem mau caráter, nem sou "dada" a fingir ser quem não sou, acho que minhas chances diminuem consideravelmente...
Deixa eu voltar lá pros meus frees que eu ganho mais.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Os filhos de Michael Jackson
O que eu não consigo aceitar bem é esse cruel bombardeio em cima de seus filhos. A cada novo clique na Internet, um novo furo de reportagem. Michael Jackson não era o pai biológico dos filhos. Michael nunca registrou legalmente os filhos. O ex-dermatologista de Jacko é apontado com o doador do sêmen que deu origem à Prince Michael e Paris.
Primeiro. Eu nunca acreditei que as crianças eram filhas biológicas do astro pop. Mas, fossem ou não, isso não me diz respeito. Segundo e fundamental. Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II são os filhos legítimos de Michael Jackson. São porque foram criados por ele desde seus nascimentos. São filhos porque tiveram o homem, a pessoa Michael, como referência paterna. E nada é mais forte do que essa ligação pais e filhos. Nada mais verdadeiro do que esse amor. Nada mais sagrado. Ainda que não exista um único gene de Michael em qualquer uma das três crianças, elas acabaram de perder seu pai. Provavelmente um pai amado. Muito certamente essas três crianças encontram-se tristes, com sensação de medo do futuro e desamparo. Perderam neste momento a pessoa mais importante de suas vidas.
Alguns podem argumentar que Michael era estranho, um tanto neurótico por máscaras e tal. Mas foi neste mundo que as crianças cresceram. Com raríssimas exceções, pai e mãe são nossos ídolos de infância. Mesmo que não sejam pop star. Mesmo que às vezes nos maltratem. Mesmo que sejam geniosos.
Eu perdi minha mãe de criação aos 18 anos. Eu sabia que não era sua filha biológica – até porque mantive o contato com minha mãe de fato. E não fui adotada legalmente, por restrições da minha própria mãe biológica. Mas jamais aceitei que alguém dissesse que eu não fui a filha de quem me criou e amou por 13 anos. Ela é até hoje o meu referencial de mãe, da mãe que tive e da mãe que quero ser para meus filhos. Por isso, sou muito solidária à dor que os filhos de Michael Jackson devem estar sentindo. Acho que eles deveriam ser poupados neste momento, porque certamente eles perderam muito mais do que a maioria das pessoas especula.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Coelhinho da Páscoa, que trazes pra ele???



sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Caminho das Índias - Eu já vi, você também
Me nego a assistir Caminho das Índias, a próxima novela da Globo.
Primeiro, porque não sou noveleira.
Segundo, porque tenho certeza que já vi essa história antes.
Tá duvidando?
Olha só como vai ser...
Como escrever uma novela de Glória Perez*
Pegue um assunto da área médica que esteja na moda: clonagem, transplante de coração, mãe de aluguel... Convide Victor Fasano, Raul Gazzolla, Eri Johnson e Guilherme Karam para o elenco. Escreva diálogos sem sentido, crie personagens desajustados e esqueça todo e qualquer compromisso com a verossimilhança. O personagem masculino principal tem que ser interpretado por um péssimo ator (ou um ator que esteja em um péssimo momento). Não há explicação para este fenômeno, mas o fato é que as terríveis interpretações de Victor Fasano (Barriga de Aluguel), Ricardo Macchi (Explode Coração - lembra o robótico "Eu te amo, Dara"?) e Murilo Benício (O Clone) ajudaram a levantar o ibope das novelas. Os personagens suburbanos são fundamentais, devem ser bastante explorados. Mas também é imprescindível criar um núcleo que tenha costumes bem diferentes dos nossos, como muçulmanos ou ciganos. E uma mocinha deste núcleo tem que viver um amor impossível com um mocinho de fora do núcleo. Do meio para o fim da novela, crie uma campanha social.
Então é por aí.
Victor Fasano é aquele que só é chamado pela Glória.
Dessa vez, o núcleo de costumes diferentes é na Índia.
Será explorado o universo das doenças mentais e o que a ciência pode fazer por elas.
Pra mim, a única vantagem é que o Murilo não vai estar nessa de novo.
Ainda assim, me nego a ver o repeteco.
* Texto originalmente publicado na revista Playboy, junho de 2002. Infelizmente, perdi minha cópia original com a devida autoria. Mas ele segue rodando pela internet.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Luto televisivo
- Terminou a reprise de Pantanal;
- A Favorita termina essa semana, patética;
- Começou o Big B*sta Brasil;
- Por conta disso, a maravilhosa Maysa foi empurrada para ainda mais tarde - e também termina essa semana.
terça-feira, 8 de abril de 2008
Células-tronco: a esperança para muitas vidas
São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.
O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.
Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.
Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.
Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.
Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.
quinta-feira, 6 de março de 2008
A insanidade de todos nós
Inicialmente, num momento de auto-preservação, senti medo. Depois, fiquei chateada.
As pessoas riam, apontavam para ele.
Ele saiu andando pela rua, parava em algumas portas, gesticulava, discursava. E mais pessoas riam.
Riam do quê, pensei?
A insanidade é engraçada? Ser "normal" é ser superior?
Me entristeço ao ver o preconceito tão abrangente de nossa sociedade. Basta sermos diferentes de uma minoria para nos sentirmos superiores.
Ninguém se pergunta o que fez aquele homem se desequilibrar. Um acidente, uma doença, um trauma emocional muito forte. As pessoas se ocupam em rir apenas.
Não se preocupam em olhar para seus próprios umbigos, em busca de suas imperfeições a fim de melhorá-las.
Ser egoísta, preconceituoso, isso sim é insano.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Parto anônimo - Um respaldo à irresponsabilidade
Os argumentos dos defensores deste projeto de lei é que assim diminuiriam os casos de crianças jogadas em latas de lixo e em lagoas e a vida seria preservada, uma vez que não seriam realizados abortos. Amparadas pela lei, as “mães” (dá pra chamá-las assim?) poderiam se desfazer de filhos indesejados sem maiores implicações. E os índices de adoção cresceriam.
É simplesmente absurdo e não dará certo.
Primeiro, porque mascara um problema social muito maior que é a falta de planejamento familiar. Admito que sou dona de um ponto de vista no mínimo controverso, pois acredito que a camada mais baixa da população muitas vezes engravida mais pela preguiça de buscar contraceptivos gratuitos ou pela eventual “vantagem” financeira e governamental que mais um filho pode acarretar. Mas ainda acho que o controle da natalidade é a chave que abre as portas para um país entrar na esfera do real desenvolvimento. É preciso investir fortemente em educação sexual, esclarecimento e livre acesso à contracepção. Enquanto filhos continuarem sendo gerados com irresponsabilidade e despreocupação, sorry em lhes dizer, nosso Brasil continuará sendo parte do terceiro mundo.
Em segundo, sou absolutamente favorável à legalização do aborto. Embora em pequena escala, “acidentes” acontecem. E a mulher, de qualquer camada social, deve ter o direito à escolha. Eu sou um exemplo disto. Engravidei do meu segundo filho sem planejar, num momento financeiro terrível. Pensei durante 15 dias se iria abortar ou não. Mas era tarde: eu já estava completamente apaixonada por aquele ser que crescia em mim. Ter meu segundo filho se tornou um desejo, uma opção. Eu não abortaria, hoje estou certa disto. Mas não me dou o direito de condenar quem o faça. Prefiro um aborto feito em condições básicas de higiene e segurança do que um recém-nascido morto após ser atirado, num ribeirão poluído, pela janela. E também acho injusto com a própria criança que ela seja alvo de agulhas de tricô ou de comprimidos clandestinos de Cytotec. Sem falar no ônus que gera para a saúde pública tratar as seqüelas destas tentativas de aborto, muitas vezes mal sucedidas e que acabam comprometendo a saúde do futuro bebê.
Por fim, para aumentar os índices de adoção, o remédio é bem mais simples. Basta descomplicar. Milhares de homens e mulheres, em plenas condições sociais e emocionais, esperam um filho do coração. Já amam uma criança em suas vidas e, ao contrário do que se alardeia por aí, não esperam que ela seja branca e recém-nascida. Eu conheço pelo menos três casais de amigos nesta situação. E meu círculo de amizades nem é tão grande assim.
O que acho que este projeto de lei, se aprovado, vai fazer é superlotar as maternidades, os conselhos tutelares e os orfanatos. Vamos criar um problema ainda maior, uma vez que não temos estrutura para abrigar estas crianças enquanto a burocracia pela adoção acontece – e elas crescem. E pior: acho que a nova lei pode criar um precedente mais absurdo ainda. Se chego à conclusão de que não tenho condições de criar meu filho de 7 anos, também posso entregá-lo livremente para adoção?
Filho não se dá. A eles, nos doamos. Amamos, respeitamos, ensinamos valores, no intuito de realmente estar formando os cidadãos do amanhã. Para que nas gerações futuras um assunto deste porte não seja nem cogitado.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Milhões unidos no besteirol
Estava eu zapeando entre os canais de TV quando, ao passar pela Globo, assisti Pedro Bial dizendo: "estamos chegando aos 25 milhões de votos". Na hora, passei adiante até encontrar uma programação do meu agrado. Mas depois parei pra pensar. Como assim 25 milhões de votos?
Tanto se fala que o povo brasileiro é acomodado, não se mobiliza, não luta, não é solidário... Acho que estão todos errados. Afinal, pelo menos 25 milhões de atenções foram dispensadas. Para quem? Ao eliminado da semana!
Ah, isso sim é importante!
Ainda esta semana, final do dia, eu voltando pra casa, num trajeto de ônibus que dura aproximadamente 45 minutos. Atrás de mim, uma jovem e um senhor conversavam animadamente. Por pelo menos 30 minutos o assunto foi o BBB, as intrigas, os namoros, os participantes favoritos. Lá pelas tantas, o senhor muda radicalmente o rumo da conversa. "E as aulas da tua menina já recomeçaram?". "Não, ia ser dia 11 de fevereiro, depois dia 20... agora parece que vai começar só em março". "Ah é? O que aconteceu?". "Ah, nem sei direito."
?????!!!!! Como assim? A moça sabe tudo sobre o anjo, o líder, a votação pro paredão e não sabe por que as aulas da filha estão sendo adiadas? Isso, meus senhores e senhoras, é a famosa alienação.
Não condeno quem encontre no programa momentos de lazer, todos precisamos de uma pitada de cultura inútil vez ou outra. Não assisto Big Brother, mas também perco meu tempo com bobices televisivas. Cada um com seu gosto.
O que não aceito são 25 milhões de pessoas gastanto seus telefones e pagando impostos por uma bobagem tão grande. Ou parando no meio do trabalho pra votar no eliminado. Não vejo estes esforços para derrubar taxas abusivas. Não percebo tamanha movimentação para barrar leis esdrúxulas no Congresso. Se 25 milhões de eleitores levassem seu voto tão a sério quanto num paredão do BBB, poderíamos ser poupados da presença de Clodovil Hernandéz em Brasília, por exemplo.
Mas este, não é um problema do Brasil. É de cada um de nós e de nossas escolhas.
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Pan e Parapan
E quando falo em admiração e respeito não me dirijo “à nação brasileira”, mas às histórias de superação individuais que certamente estão por trás de cada uma das 114 medalhas conquistas pelos atletas brasileiros até agora*.
Muito se fala em investimentos para a saúde e educação. Poucos se dão conta de que o esporte concentra em si ambas as oportunidades, tendo ainda a cidadania e a inclusão como bônus. E não falo somente em inclusão de deficientes físicos, mas na inclusão de classes sociais também, na interação de raças numa mesma equipe.
Eu já achei maravilhosa a campanha brasileira nos Jogos Pan-Americanos, considerando que alguns de nossos medalhistas vivem uma realidade cotidiana muito diferente do glamour momentâneo que a mídia lhes ofereceu. Grande parte de nossas medalhas são fruto de sacrifícios, de treinos sem apoio nem patrocínio, de calçados ou equipamentos inadequados, de longos trajetos percorridos a pé pela falta de uma simples passagem de ônibus. Mas são fruto maior do talento e do esforço de cada atleta.
E se vamos avaliar o Parapan então... faltam-me palavras. Nadador recordista com paralisia cerebral? Jogador de futebol sem uma perna? Atletas cadeirantes? Sim, é possível. Mas do que isso é emocionante. É certo que para cada um dos participantes do Parapan, tudo foi muito mais difícil. As barreiras impostas pelo preconceito e incredulidade certamente tornaram o caminho ainda mais árduo. Mas eles estão lá. E estão dando um show. São todos, de medalha no peito ou não, grandes vencedores.
* dados das 18h05 de 16/08/07.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Errar é humano
Conversando com a fisioterapeuta do Caio me choco ao saber que as estatísticas apontam que mais de 90% dos casos de paralisia infantil ou neonatal têm origem no erro médico. Dá pra visualizar que a cada 100 crianças, mais de 90 são absolutamente sadias e normais até se defrontar com a imperícia de um profissional médico? Deste universo, menos de 10 têm seqüelas neurológicas decorrentes de doença, acidente ou má formação. São vítimas de um erro praticamente irreparável: o pecado da soberba.
Pela minha vivência com o Caio, em dois universos bem distintos - um hospital público (mas de grande referência nacional, inclusive com uma UTI Neonatal certificada em nível sul americano) e um plano de saúde privado, convivi em ambos com dois tipos bem distintos de médicos: profissionais maravilhosos, dedicados, que se envolvem com o paciente e sua família e lhe decifram o universo (ou tentam, juntos) de prognósticos e terapias; e um grupo de médicos que se acham superiores, que trazem em si o conceito cavernoso de que o título de “doutor” lhes confere uma aura quase divina, desacreditando em tudo o mais ao seu redor e deixando bem claro ao que está sendo atendido de que eles, os médicos, são onipotentes e oniscientes e que o paciente só está à sua frente porque não é normal, porque tem uma doença.
Acredito piamente que o erro médico é fruto maior e direto desta arrogância. Desta auto-estima inflada. Desta prepotência que, na grande maioria das vezes, desacredita em Deus. E aí, também entra um mérito que brilhantemente me alertou a maravilhosa neurologista do Caio, quando falávamos do já “famoso” neurocirurgião que me disse que não deveria esperar nada do meu filho, porque era um caso sem perspectiva nenhuma de melhora – acreditar em Deus é algo extremamente pessoal, mas ao lançar uma frase desta força, o médico está desacreditando em sua própria profissão e nos recursos disponíveis.
Eu e o Caio tivemos a infelicidade de passar pelas mãos de médicos que não quiseram me ouvir, que não deram atenção ao meu histórico gestacional e aos manuais de conduta. E isto ocasionou sua paralisia cerebral. Mas também tivemos a benção de encontrar profissionais excepcionais, com os quais compartilho a evolução do Caio e meu grande aprendizado, como mãe e pessoa.
Eu erro. Em casa, no trabalho, em minhas relações, em meus julgamentos. Por descuido talvez, por ansiedade muitas vezes, mas nunca por prepotência. Sei da minha nata condição de imperfeita. Se 90% dos nossos médicos pudessem se ver assim, humanos antes de doutores, com a humildade de se saberem aprendizes constantes do dia-a-dia, lidando com amor com o instrumento maior de suas profissões – que é a vida do próximo, estou certa de que os níveis de erro médico poderiam ser inversos ao que acontece hoje. Porque seriam ocasionados por seres humanos e não por pretensos donos da verdade.
terça-feira, 24 de abril de 2007
A flor da Siri
É impressionante a Big Burrice Brasileira. Siri é uma formadora de opinião! Pessoas espelham-se nela, querem se parecer com ela. Mal posso acreditar! Não costumo ver pessoas se esforçando para transparecer a elegância culta de uma Fernanda Montenegro, ou a displicência inteligente de Marisa Monte (só pra citar algumas personalidades bastante conhecidas da mídia). Isso sem entrar no mérito da questão de Lya Luft, Diogo Mainardi, Cris Camargo ou Fabrício Carpinejar (entre alguns dos meus favoritos).
Não vejo na internet nem na imprensa, movimentos mais ativos contra a corrupção, contra os impostos excessivos e sem reversão de benefícios a seus pagadores, contra a ineficiência do serviço público. Vejo somente o pró. E não é o pró-ética, conscientização, valorização ou seja lá o que de realmente aproveitável for. Tem só a movimentação pró-futilidade, pró-corpos sarados e mente vazia, pró-alienação.
Sim, eu sei, as pessoas precisam de lazer. Mas não de distração, de algo que lhes tire o foco do que realmente importa. E aí tá na hora da gente parar de dar audiência ao que não presta, de sermos mais seletivos mesmo. E semear nas novas gerações (porque na nossa quase não tenho mais esperança) algo mais sólido do que a florzinha da inconseqüência e da beleza vazia.
