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terça-feira, 11 de abril de 2017

A culpa não é nossa!

Não é preciso assistir Big Brother para saber do que todos falam hoje. Eu não assisto. Sei o nome dos personagens envolvidos pela repercussão. Mas, impossível não querer entrar lá e dar um abraço apertado na Emily, pois soube que ela chorou ontem, após a expulsão do seu namorado. Queria abraçá-la e dizer: Ei, tu não estás só. Mas, principalmente: TU NÃO TENS CULPA DE NADA. Posso falar com propriedade. Já vivi um relacionamento abusivo. E a gente custa a enxergar a violência e custa ainda mais a entender que a culpa não é nossa.

No começo, eu recebi um apelido “carinhoso” que me relacionava a uma baleia. Aceitei. Mas não, não era carinho. Depois, passei a usar somente roupas bem compridas para não exibir minhas pernas, pois ouvia que elas eram horríveis. Cortei meu cabelo, antes bem longo, e passei a usá-lo sempre preso num rabo de cavalo, afinal era “feio, de negra, cabelo ruim”. E eu não conseguia perceber que tudo isso era agressão, tudo isso era violência. Na verdade, só me caiu a ficha quando levei o primeiro tapa. Mas ela já existia há muito tempo.

Essa é uma conversa que, sempre que posso, tenho com outras mulheres. Tudo que te machuca – física e emocionalmente – e que te constrange é violência, portanto é crime. Ser subjugada como fui, era violência. Ter minhas conversas virtuais hackeadas, montadas e usadas contra mim, era violência. Ser coagida – de forma falsamente carinhosa – a esconder meu corpo, era violência. A agressão física foi só o auge do que eu permiti. Sim, eu permiti. E este é outro ponto: não me julguem porque, durante tanto tempo, eu me submeti a esse relacionamento. Só quem é mulher sabe os medos: sociais, culturais, financeiros, familiares. E esses medos, por vezes, nos dilaceram tanto quanto a dor da violência em si.

A esposa de Victor decidiu retirar a acusação e é julgada. A de José Mayer afirma que vai manter-se casada e é julgada. Emily é julgada – e pior, inclusive por ela mesma. Que distorção de valores! Não são elas que cometeram os crimes. Se elas ficam, se elas se culpam, ainda assim elas não são culpadas! São as vítimas! Uma noite, a Brigada Militar bateu em minha casa, devido a denúncias de meus vizinhos. Com tantos medos, fui até a porta e disse que estava tudo bem, ainda que meu semblante denunciasse o contrário. E as autoridades nada puderam fazer, afinal naquele momento foi a minha escolha.



Desses episódios todos, recentes, e de minha história pessoal fica a lição de que mulheres vítimas de violência precisam de colo, de amparo legal, de compreensão. Não de mais dedos acusatórios lhes sendo apontados. Precisamos que nós mesmas, mulheres, não julguemos umas às outras. Que a sociedade abra os olhos de que a violência não é o tapa, o puxão de cabelo, o empurrão. Ela sempre começa muito antes. E que nós NUNCA somos culpadas. Não é a nossa roupa, a nossa conduta, o que seja. É o desvio de caráter do agressor. 

terça-feira, 2 de setembro de 2014

As redes sociais e os diferentes posicionamentos

Acho que tudo na vida é causa e efeito. Sabemos disso. Eu ajo, um outro reage. É assim que se estabelecem as relações humanas: ao meu sorriso o outro reagirá com simpatia e podemos construir uma relação de afeto; ao meu empenho o outro reagirá com aprovação e podemos construir uma saudável relação profissional; e por aí vai. A internet e as redes sociais expõem isso de maneira mais contundente. E nos mostra que não somos seres tão sociáveis como queremos acreditar.

Li ontem a notícia que o ator José de Abreu excluiu sua conta de uma destas redes, para evitar o convívio (ou confronto) com o jornalista Diogo Mainardi, relação essa que já vem sendo conturbada desde os idos de 2005, segundo fontes. Mainardi acusa Abreu de apoiar determinadas chapas políticas em troca de favorecimento no financiamento de seus espetáculos; o ator rebateu que o jornalista é um canalha que explorou a própria doença do filho num livro. Como o que o filho de Diogo tem é paralisia cerebral, como também pretendo escrever um livro, talvez a notícia tenha me atingido em especial, é verdade. Mas acho que é uma reflexão válida para todos nós, enquanto pessoas que se acham incrivelmente conectadas e socializadas. Embuste.

Entre minhas polêmicas opiniões pessoais, sou do time que acha que quem vai na chuva é pra se molhar. Ser uma figura pública - independente se artista, político, comunicador - é saber-se alvo de observações e julgamentos constantes. Eu mesma, com este blog, tenho colocado a cara à tapa há 9 anos; nem sempre recebo só carinho e aprovação nos comentários ou emails. Muito antes pelo contrário, já recebi algumas mensagens bem pesadas, com críticas agressivas e nada construtivas. O que fiz com elas? Raramente as expus ou respondi publicamente. Porque acho que faz parte do ser humano julgar o outro - vejam bem: não digo se julgar é certo ou errado, é inerente, todos fazemos. As diferenças em como as relações se conduzem quando eu faço, quando tu criticas, quando eu reajo, é a proporção que se dá ao outro. Eu, Cláudia, julgo muito, julgo o tempo todo. Mas não costumo expôr meu veredito, a não ser que seja uma pessoa do meu círculo mais íntimo, a quem eu acho que minha opinião possa agregar de alguma forma. Ou porque é importante para manter essa nossa relação num patamar que qualifico com saudável.

E ainda assim, dentro desta minha teórica ordenação, eu acho que há limites. Mainardi é ácido. Sempre foi, nunca mudará. Não tem papas na língua nem na ponta dos dedos. Mainardi foi ácido em seu maravilhoso livro A Queda, onde conta a história de seu filho Tito, paralisado cerebral devido a um grotesco erro médico. Aliás, reverencio este livro. Me libertou de muitos sentimentos de culpa em relação ao meu Caio. Eu não preciso amar tudo, eu posso questionar muito, posso me debater ou posso encarar sem floreios - isso não tira a incondicionalidade do meu amor, tal qual o que o pai de Tito lhe dedica. José de Abreu, artista, imagino quantas críticas recebeu ao longo de sua carreira. No que a opinião do jornalista lhe alcança tanto? A meu ver, Diogo exerce o seu papel de crítico político - e aí, não há diplomacia mesmo (mais uma vez reforço: não estou dizendo que está certo, simplesmente é). Mas, usar uma história tão pessoal, uma história que nem é de Diogo, mas de Tito... aí acho que o ator errou feio a mão.

Diogo expõe o filho. Eu exponho Caio. Não sabemos se eles concordam com isso, mas sabemos da importância de que nossas histórias sejam compartilhadas. Num primeiro momento por questões pessoais - se gosto de escrever, posso sentir essa necessidade urgente de escrever sobre meus sentimentos mais profundos de dor, de alegria, de esperança, de conformidade. E escrevo porque partilhar essa história é dar luz a uma minoria: a deficiência. Quando nos tornamos pais de uma criança deficiente, acho que só existem dois caminhos: ou se nega esta missão, ou se abraça uma causa inteira. Do modo que for, acho que Diogo e eu, optamos pela segunda opção.

Dou a cara à tapa e, claro, sei que haverão os julgamentos. Mas manerem. Só eu sei "a dor e a delícia de ser o que é". Por mais que eu escreva. Por mais que eu tente compartilhar. Não falem o que não sabem, o que não experimentam na carne e na alma. Não use a deficiência como sendo um castigo, uma infelicidade, um fardo. Não estigmatize o que já o é por demais, sem conhecimento de causa. Não seja superficial com o que teus olhos vêem, não seja conivente com o que é convencionado - teus olhos te traem, a convenção pode não ser espelho da realidade. 

Abreu pode ser um vendido, um interesseiro, um canastrão, um nojento, como Mainardi qualificou. Mainardi pode ser um escroto, um canalha, um maléfico, como publicou Abreu. Não estou julgando o mérito de nenhum deles. Mas deixem Tito em paz, não o envolvam. 

Estar em uma rede social é estar aberto a diferentes - e portanto contrários - posicionamentos. O problema é que a grande maioria só é social enquanto é curtido, é linkado, é retuitado. Aceite o ponto de vista do outro. Ainda que divergente do teu. Há sempre escolhas; podes tentá-lo fazer mudar de opinião, na base de uma civilizada troca de ideias. Ou podes deixar pra lá: é a opinião dele, é o que ele sabe, é o que ele tem a oferecer. E como diz aquele selinho amplamente compartilhado por aí: "Me julgue do jeito que você quiser. Afinal a opinião é sua, a realidade é minha". Mas, por favor, guardem os facões. Não acrescenta nadinha. 

terça-feira, 8 de julho de 2014

Acabou a Copa. Que venham as Eleições.

Eu ia escrever este texto o Brasil ganhando ou perdendo a Copa.

Perdeu feio. Acho que, para o que eu quero dizer, é até melhor.
Eu fui contra a realização da Copa. Acho sim que foi um desperdício de dinheiro público, uma roubalheira descarada, mais uma oportunidade para o favorecimento ilícito de um seleto grupo de políticos e empresários. Mas a partir do momento em que a Copa ficou sacramentada em nosso país, acho sim que nosso dever, como anfitriões, era fazer o melhor. Era receber civilizadamente, era torcer para fazermos bonito porque não é a derrota da Seleção que vai expor ao mundo as graves mazelas do Brasil. Delas sabemos muito bem. E delas, somos NÓS que temos que dar conta.

Eu amo meu país. Fico realmente emocionada com estes comerciais que conclamam o povo a ser unir em torno deste amor. Mas eu também me envergonho do país que NÓS estamos construindo. Conheço de pertinho seus defeitos, sua ineficiência, sua desigualdade. Eu, particularmente, como mãe de uma criança com deficiência, sei muito bem quão desumano, burocrático, inócuo e injusto ele pode ser. Só que no fundo, a culpa é toda nossa. Sempre é.

Somos os autores de nossa própria história. E fortalecemos tudo de ruim que há em nossa cidade, em nosso estado, quando envolvemos nossas atitudes com o jeitinho brasileiro e nos orgulhamos de levar vantagem. Quando furamos a fila. Quando conseguimos um benefício à frente de outrem pelo famoso Q.I. (quem indica). E, principalmente, quando seguimos delegando o poder a quem não está sabendo nos representar. A grande manifestação por toda a nossa insatisfação, replicam nas redes sociais, deve vir nas eleições de outubro. Concordo. E te convido a esta reflexão.

O governo está ruim? Muda teu voto, escolhe outro candidato, outro partido. É teu direito. Mais do que isso: é teu dever! Mas de nada adianta ser um alienado fora do período eleitoral. Ser politizado não é questão de formação, de status social ou acadêmico. É conscientização e participação. Devemos ficar de olho sempre. Em quem elegemos. No que estão fazendo com nosso dinheiro, em nosso nome. Devemos denunciar sempre que formos vítima de alguma injustiça – seja ela em que esfera for. Devemos lutar por nossos direitos – por mais básicos que eles sejam ou por mais árdua que pareça essa luta. Não podemos ficar dois ou quatro anos acomodados e aí, seis meses antes de retornar às urnas, começar a bradar que está tudo errado – como se fôssemos técnicos palpiteiros apenas em época de Copa do Mundo. A vigilância deve ser constante. Nossa atuação cidadã também.


Queimar bandeira (o jogo nem terminou enquanto escrevo e já tá rolando foto disso no Facebook), vaiar jogadores, fazer quebra-quebra não vai acrescentar nada! O circo não se resume à Copa, nossa responsabilidade não se resume a anos eleitorais. Que possamos usar nossa energia – seja ela de amor ao País, de tristeza pela Copa perdida ou de indignação ao que alguns chamam de circo armado – para escrever essa história como tem que ser. Com orgulho de ser brasileiro porque estamos sabendo fazer nossa parte com consciência e responsabilidade – nas urnas e todos os dias, como pessoas de bem.  

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Andorinha??? Por que não?

Eu sempre gostei de estudar.
Quando engravidei do Caio, planejava uma pós-graduação.
E por mais que minha vida tenha tomado rumos loucos e corridos, ainda aspiro voltar a estudar. Uma nova faculdade, talvez.
Penso muito no Direito. Gosto. Acho que meu idealismo me qualifica para, ao mesmo tempo que, já imagino, me faça confrontar muitas coisas erradas do sistema. Penso que poderia ser bem útil na futura ONG que pretendo ter... penso...

Aí, com essa função toda de ter que me enfronhar mesmo no processo para o Caio receber o suplemento nutricional, vou me inteirando da linguagem, dos trâmites... e lanço, de bobeira, no Facebook, a pérola: "Se eu fosse um par de anos mais jovem, eu juro que cursava Direito".
Foi um post campeão de comentários. A maioria, me apoiando (ah, os amigos...). E aí uma linda, competente e querida advogada que conheço e amo, me diz que não vale à pena. Que é muito mais frustrante trabalhar num sistema engessado do que depender dele. E, normal das redes sociais, houve uma breve discussão sobre "alguém tem que tentar mudar" e "uma andorinha só não faz verão". 

Na verdade, esse post veio muito ao encontro de um dos inúmeros questionamentos que tenho, que é sobre o idealismo - especialmente o meu, claro.

Como tenho trabalhado diretamente há 3 anos com um vereador de minha cidade, tem a ver também com política. Este ano, é eleitoral. E há muito começaram as especulações sobre prováveis candidatos. Li na página de um jornalista que muito respeito: "E aí, Fulano, deverias te candidatar e ajudar as causas que tanto divulgas". E seguiram-se centenas de comentários. Os contrários à ideia, dizendo que o tal jornalista é muito íntegro e correto para estar entre os políticos, que são "uma corja". Os que apoiam a candidatura teórica, que é justamente de pessoas íntegras e corretas que a política precisa.

E é sobre isso minha reflexão: ser uma andorinha, que não faz verão.
Mas se não lutarmos pelo que acreditamos, quem lutará por nós? E lutar não é só reclamar e divulgar o que está errado. É pôr a mão na massa e tentar fazer diferente. Alguém precisa começar. No Direito. Na Política. Na Vida.

Certo que o caminho de todos os precursores, quando eram andorinhas, era mais difícil. Mas alguém tem que ser. SEJA A MUDANÇA QUE VOCÊ QUER VER. Até que mais andorinhas foram se chegando... e o verão se fez! É aquela história, ninguém disse que é fácil. Mas eu, adolescente idealista, ainda acredito que é extremamente recompensador.

domingo, 26 de agosto de 2012

Maternidade perfeita


Eu evito entrar em polêmicas. Mas tem horas que simplesmente não consigo me calar. Numa época em que a liberdade de expressão é tão alardeada, eu não agüento ver o que na verdade é tão somente a opressão digital. Nas redes sociais, se convocam militantes para determinadas opiniões. E aqueles que discordam são massacrados em IP público! São excluídos, xingados, tachados de retrógradas. E, como sempre, é a mulher (especialmente aquelas que optam pela maternidade) o alvo mais frequente.

Pois eu me irrito profundamente com as defensoras ferrenhas do parto domiciliar como a única possibilidade de uma maternidade plena. A minha opinião é a de que a medicina não é vilã. É aliada (ainda que erros médicos ocorram, mas ainda credito isso à inerente falha humana).

Na minha primeira gravidez quis muito o parto natural. Era meu sonho de consumo baseado nos relatos de minha mãe, que me ganhou, primeira filha, num parto vaginal facílimo, rápido e praticamente indolor. E que teve meu irmão numa cesárea de emergência que lhe causou infecções, dores e a necessidade de outras cirurgias reparadoras ao longo da vida. Mas não foi possível. Meu útero simplesmente não dilatou, nem com o uso de ocitocina e uma espera de horas, permitido dentro da segurança médica, pela obstetra para me mostrar que não, eu não conseguiria parir naturalmente. Yuri veio ao mundo de cesárea. Nasceu lindo. E poucas vezes soube de um bebê mais tranqüilo do que ele. Não chorava. Não sofreu de cólicas. Era sempre muito calmo e feliz.

Na gestação do Caio, eu já esperava naturalmente por uma segunda cesárea. Que me foi negada pela equipe médica de emergência que me atendeu com rompimento total de bolsa, porque a gravidez não tinha ainda 34 semanas como “manda” as cartilhas médicas. Entrei eu e o bebê em sofrimento e uma angustiante espera de 3 dias. Caio finalmente veio ao mundo de parto normal. Quase morto. Cianótico, não chorou. Descrito como negro na sua declaração de nascido vivo. Foi esta falta de oxigenação prolongada que lhe causou a lesão cerebral que comprometeu sua vida para sempre.

E aí eu pergunto: valeu à pena? Porque eu não sou uma estatística mínima. Cerca de 90% dos casos de paralisia cerebral são decorrentes de problemas no parto ou logo após ele. Somente 10% tem relação com má formação fetal ou alguma doença congênita no bebê. E ainda que eu fosse uma estatística mínima, o meu sofrimento de mínimo não teve nada. Caio, hoje tenho plena consciência, é uma benção em minha vida. Mas que me foi dada a custo de muitas lágrimas, muita dor, muita luta.

Yuri foi amamentado no peito por um ano. Exclusivamente no peito por 6 meses, como reza a cartilha da mãe perfeitinha, sem conhecer água ou chás neste período.

Caio não pôde receber leite materno em seus primeiros dias. Depois, só por sonda. Perdeu o reflexo da sucção e logo adotou a mamadeira. Num esforço que só mãe faz ainda consegui dar meu leite mais complemento por 3 meses. Depois, mamadeira direto. E como recebi críticas por isso! “Ele é prematuro! Precisa ainda mais do teu leite!” Não brinca? Nem tinha percebido...

Eu acho que parto e amamentação são momentos lindos. Mas são somente uma pequeníssima parte do que realmente é a maternidade. Acho que Yuri foi uma criança doce, tranquila e feliz, mesmo que tenha vindo ao mundo através de um bisturi que abriu meu ventre. Veio ao mundo muito amado, recepcionado com abraços quentes de um sentimento verdadeiro. E assim foi criado.  Caio é um menino que cativa pelo sorriso, pela alegria de quem também se sabe amado. O leite dado via mamadeira, mas com o amoroso contato olho no olho e aquele bater de coração de mãe que ele podia ouvir sempre... ele sabe o valor que teve!

Ou seja: tenho dois filhos lindos, sadios, equilibrados, criados num ambiente de amor. Embora minha trajetória como mãe de ambos tenha sido exatamente oposta. Por isso, fico pra morrer quando vejo julgamentos tão severos a respeito da conduta de nossas semelhantes, outras mulheres, frente ao parto e amamentação. Cada um vai do que jeito que pode, do jeito que dá conta. A história que temos para construir com nossos filhos é para uma vida inteira. Acho cruel essa exigência da maternidade perfeita, personificada em parto natural e amamentação exclusiva. Pra mim, maternidade perfeita é aquela exercida com o coração. Com muita vontade de acertar, por amor incondicional àquele serzinho que acabamos de trazer ao mundo, mas sabendo que vamos falhar. E que isso não nos torna carrascas. Só faz de nós o que somos: humanas.

Eu sofro por cada jovem mãe que se deixa cair nesta neura de perfeição da “naturalidade”. Natural é o vínculo que devemos criar com nossos filhos. Não imposto pela opinião da moda, das antenadas, mas pela nossa real possibilidade. Deu pra parir naturalmente? Excelente! Não deu? Que venha com saúde! Amamentação exclusiva? Perfeito! Complemento e mamadeira? Faça da amamentação, do jeito que for, um momento de amor, esta é a vitamina realmente necessária.

Eu cada vez mais tento vestir a camiseta da não-culpa. Faço o meu melhor como mãe. Às vezes erro tentando acertar. Mas perfeita não sou, nunca fui, não ambiciono. E saber disso, tira também dos meus próprios filhos uma carga que eles não merecem. Temos uma vida inteira, muito além dos brevíssimos momentos do parto e amamentação para exercermos nosso aprendizado de amor mútuo. Como dizem por ai: fica a dica.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

A socialização da alienação

Eu sou uma deslumbrada com a internet, com a conectividade, com a capacidade de interação permitida. Sou uma viciada das redes sociais. É através dessas ferramentas que conheço pessoas fantásticas do mundo todo. Que aprendo mais sobre deficiência, tratamentos de reabilitação, discuto diagnóticos médicos. Que converso, troco ideias, desabafo. Que encontro colo, ainda que virtual. 

Mas, claro, internet também se tornou uma forma de lazer. De falar (publicar) abobrinhas, compartilhar memes, piadas, pensamentos de auto-ajuda, fotos de bichinhos fofinhos, de sátiras... Continuo achando bárbaro! Toda essa roda viva é, afinal, o que somos através da vida. Inclusive discordo categoricamente quando os que EU chamo de pseudo-intelectuais vêm bradar opiniões de que os cyber espaços estão precisando de mais conteúdo, de mais cultura... Ser culta ou inteligente não faz de mim uma PhD em chatice (ao menos eu espero que não). Que viva a breguice, o besteirol, o riso frouxo! Porque nas horas que precisa - e aí reside a grande diferença - eu também sei falar sério.

Por isso, assisto mais uma vez contrariada a propagação de "selos" repudiando a propaganda política, o compartilhamento de informações de candidatos e demais assuntos relacionados às eleições - tão próximas - nas redes sociais. 

Como assim? Não são, afinal, as redes sociais, uma das nossas formas de interagir globalmente? Não foi a democracia uma luta árdua a ser conquistada? Não é a informação um direito de todos - e eu acrescento, um dever dos ditos mais "esclarecidos"? Porque eu não entendo. Não querem fotos de bichinhos fofos. Mas não querem falar de política. Aliás, detestam política. 

Pois eu só tenho a dizer que enquanto continuarmos detestando política ou detestando, ao menos, receber informações sobre um processo crucial para o futuro de cada uma de nossas comunidades - essas sim, reais, a minha cidade, o meu bairro, a minha rua - vamos continuar pastando na mão dos mesmo políticos que elegemos e, mais tarde, criticamos.

Eu tenho meus candidatos e acho que são os melhores. E sei que cada um tem direito de ter os seus e ter a mesma opinião sobre eles. Mas tenho o direito de compartilhar o que, afinal, acho que eles têm a contribuir na sociedade que vivo. Em alguns casos, acho que é até mesmo um dever cívico. Sem enfiar goela abaixo de ninguém. Compartilhando, como é tão natural nestes espaços.

Dizem que o povo que não conhece sua história está condenado a repeti-la. O que dizer então do povo que não quer discutir o futuro do seu país, mas se mobiliza todo e replica as fotinhos da vilã da novela das nove? Sem críticas vorazes, por favor, eu mesma me divirto e encho meu mural com a Carminha e a Nina, fenômenos de comunicação atualíssimos. O perigo, reforço, existe quando se quer uma unanimidade ou homogeneidade que além de ditatorial é extremamente perigosa e insalubre. 

Celebremos as redes sociais e sigamos aprendendo a extrair delas o seu melhor. Vetar, ignorar, repudiar, fazer campanha contra o direto da opinião alheia. Isso não tem outro nome não. É tão somente a socialização da alienação. E disto, eu estou foríssima!


sábado, 14 de abril de 2012

A dor - e a força - de cada um

Os últimos dias foram tomados de uma avalanche - nas redes sociais, imprensa, nas ruas - de opiniões sobre o julgamento do STF do direito à interrupção da gravidez de bebês anencéfalos. Realmente, é um tema controverso. Mas o que me espanta - como sempre (então por que ainda espanta mesmo?) - é a guerra que o assunto se transforma. Cada um querendo expôr a sua verdade, a sua justificativa como a certa, a única e absoluta. Principalmente os que agem em nome do que justificam como "defesa da vida" e princípios religiosos.

Então, ainda que tardiamente, já que o STF já decidiu, gostaria também de me manifestar. E, como todos, eu também acho que tenho propriedade para falar no assunto.

E o que quero dizer é que a decisão de conceder à mulher o direito de interromper uma gestação deste tipo é soberana porque respeita a liberdade! Liberdade essa com a qual eu tenho o direito de decidir os rumos que minha vida vai tomar. Ou como alguns preceitos religiosos explicam é o direito ao livre arbítrio. Sempre digo que o Deus que acredito é mais tolerante do que os homens. Não condena com pedras, com agressão. Acredito sim, que todas as nossas ações geram consequências. Ainda assim, eu tenho o direito de escolher qual caminho trilhar. Tenho o direito de escolher quais dores tenho coragem e força para suportar e onde - aqui, nesta encarnação, ou mais tarde, em outro plano, como resposta a essas mesmas escolhas.

Meu Caio não nasceu com deficiência, não teve má formação, nada que pudesse prever uma deficiência. Sua paralisia cerebral veio do parto e de tudo que transcorreu durante ele e após ele. E eu lembro bem do semblante "funéreo" dos médicos à medida que iam me informando a evolução: sepse, meningite, lesões cerebrais, sequelas graves, hidrocefalia... Ainda assim, por pior que eles me desenhassem o quadro, eu reafirmava que o queria vivo, não interessando em quais condições. Já escrevi sobre isso. Firmei um contrato com Deus mais de uma vez, pela vida do meu filho! E digo, sem medo de errar, não houve um só minuto ao longo destes quase 7 anos de muita luta, mas de muito amor, em que eu ache que tenha feito a escolha errada.

E me choco, porque já escutei muito. Escuto ainda, como agora, em sua recente internação no Santo Antônio, de outra mãe, que ela teve um filho "como" o meu, mas que "Deus, graças, o levou". Acho que é fácil e superficial as pessoas acharem que podem medir meu sofrimento, meus problemas por ser mãe de um menino deficiente. Mas sempre reforço, que ninguém, só eu mesma, pode saber que alegria que é, que gratificante que é, que inspirador que é. Faço todos os tratamentos recomendados, sonho sim com melhorias, com avanços e reabilitação. Mas como fruto de uma estrada, como saldo da nossa história.

Mas para um bebê com anencefalia não há chance de história, de estrada, de futuro. A gestação de um bebê que sabe-se vai morrer logo em seguida, em minutos talvez, é desumana. Não creio num Deus que obrigue uma filha Sua a passar por isso. Ele traz a experiência. O que fazer com ela, de que modo lidar com isso, é direito de cada uma escolher como. Eu não saberia lidar com uma dor do tamanho da de Alessandra ou de Severina. Juro. Acho que enlouqueceria. E não as julgo. Assim como não julgo e admiro as que decidem levar a gestação até o final, movidas por amor, fé, o que seja. O que não pode é que ela seja uma imposição, ou fruto de medo da religião ou da opinião pública.

Nada é mais pessoal do que o sentimento de cada um, especialmente de cada mãe. Me parece sim, que qualquer opção que seja, é uma escolha de dor, como foi dito. Então, a escolha é até onde acolher e enfrentar esta dor. Alguns divulgaram a história da menina Vitória, como um exemplo de anencéfala. Há controvérsias e eu não sou ninguém para dizer que é ou não é. Ainda assim, admiro seus pais. Mas eu não teria a mesma coragem, admito. Que Deus vai me julgar por isso, eu sei. Mas acredito que Ele vai me julgar por uma vida inteira. Que, justo, vai usar uma balança. A votação do STF só reforça o livre arbítrio e, a meu ver, é um avanço rumo à igualdade de condições. Porque quem quiser fazer a interrupção da gestação e tem condições financeiras, vai continuar fazendo. Quem não quiser, por suas crenças ou o que for, também não será obrigado a fazê-la. Mas outras Alessandras e Severinas poderão viver sua dor com mais dignidade, com mais respeito.

Não somos juízes uns dos outros. Somos irmãos de jornada. E essa, talvez, seja a lição mais importante de todo este episódio. Já dizia Caetano que "cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Que nós façamos as nossas escolhas e respeitemos sempre a dos outros, sem julgar. É isso.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

A onda da China e as células-tronco

Vou começar me defendendo, porque entendo que minha posição pode gerar muitas controvérsias.

Sou uma grande entusiasta das pesquisas com células-tronco. Vejo nelas uma imensa esperança para milhares de doentes até então incuráveis. Torço profundamente para que o tempo comprove seus inquestionáveis benefícios. Exultante, sei que aqui em Porto Alegre, ao lado da minha cidade, está se formando o primeiro Hospital do Cérebro do país, onde estudos com células-tronco no tratamento da epilepsia estão a todo vapor. Que grande avanço, que benção maravilhosa!

Mas é com receio e até uma certa tristeza que vejo uma avalanche de viagens à China, em busca do tratamento com células-tronco, pipocando por aí. Primeiro na internet. Depois, em jornais locais. Aqui mesmo, entre conhecidos, sei de dois casos de pessoas determinadas a levarem seus filhos ao país asiático, ansiando a cura total.

Acho que o caso da menina Clara, uma linda pernambucaninha de 2 anos, foi o estopim nacional.

Desejo muito que Clara e sua família alcancem o êxito que desejam. De coração. Porque o êxito deles também pode ser uma chance pro meu Caio. E duvido muito que exista um pai ou uma mãe que não sonhe, diariamente, com a cura total e milagrosa para as deficiências do seu filho com paralisia cerebral. Temos bicho carpinteiro, estamos sempre querendo saber as novas técnicas, as terapias mais avançadas, as novidades da neurociência.

Eu não sou diferente. Vejo meu Caio andando, falando. Sonho muito alto. Vejo ele de toga, se formando! Tento ser pé no chão mas, na grande maioria das vezes, meu coração não permite. Então também deposito esperanças gigantes nas possibilidades abertas pelas células-tronco.

Mas se alguém me desse hoje o dinheiro necessário para levar o Caio à China, eu não o levaria.

As experiências com células-tronco são somente isso: experiências. Nada concreto, nada a longo prazo ainda, para que tenhamos a segurança necessária para entregar nossos filhos a elas. Especialistas são cautelosos. Melhoras existem. Acontecem. Mas, em algumas experiências com não-humanos, por exemplo, há relatos de um grande declínio após o período de melhora. Então, é preciso que as experiências com humanos se deem a longo prazo, a fim de verificar todos os seus efeitos - bons ou maus. E ainda não tivemos tempo para isso! Uma outra leva de cientistas defende de que, assim como as células-tronco podem se transformar em qualquer tecido, elas podem também gerar tumores, alguns deles inclusive malignos...

Eu não arriscaria os ganhos que vejo meu Caio tendo nas terapias convencionais. Sim, admito. Na maioria das vezes, essas melhorias são muito mais lentas do que eu desejo, sonho pra ele. Mas, considerando seu quadro neurológico, cada pequena melhora tem um valor incalculável.

Vejo as melhoras da Clarinha e entendo o justificado entusiasmo de seus pais.
Mas ela tem apenas 2 anos. Ainda tem uma longa estrada pela frente. As melhoras que ela apresenta podem ser, sim, resultado do amadurecimento cerebral, da fisioterapia, do tampão do olho... e não necessariamente das células-tronco.

Depois, muito se fala da falta de ética médica na China. Juro que não quero passar por invejosa ou ressentida. Mas eu, que luto para que o erro médico que causou a paralisia do Caio seja indenizado, não aceitaria fazer um tratamento pra ele sem ter ciência da origem exata dessas células. Eu só levaria o Caio à China se o caso dele fosse aboslutamente irremediável, com grande sofrimento e nenhuma expectativa de melhora. Só por desespero mesmo. Mas não é o que acontece.

Entendam que não estou criticando quem foi à China. Mas acho que é preciso cautela. É preciso pesquisar muito, ouvir muitas opiniões, pesar bem os possíveis fatores envolvidos... Sei bem o quanto nossa ansiedade para ver bem aqueles que tanto amamos pode ser tornar perigosa. Então a palavra é somente essa: cautela. Mais prudência e se atirar menos na onda da moda.

Recentemente crianças começaram a ser convocadas para participar de testes pro tratamento da epilepsia com células-tronco em Porto Alegre. Titubiei. Mas não inscrevi o Caio. Posso estar sendo covarde, mas hoje eu não troco o certo pelo duvidoso. Ainda. Espero que Deus, o tempo, a evolução científica, me provem o contrário daqui uns anos. Ainda assim, tem futuro pra gente. E enquanto ele não chega, eu fico aqui, assistindo e torcendo pra que eu esteja errada e dê tudo muito certo pra quem consegue ir pra China. E pra que um dia, a gente não precise ir tão longe em busca de melhoras significativas...
;)

Quatro anos de terapia três vezes por semana... Muito esforço por parte do Caíto... Mas ele tá indo. E a nossa esperança ali, do ladinho, sempre....



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Se eu tivesse Um milhão de Reais

Já que qualquer um anda ganhando um milhão de reais por aí, não custa sonhar né?

Eu ia comprar a minha casa... poderia ser aqui, por exemplo, ou essa aí de baixo...




ia ir à SP em torno do dia 17/09;

estaria em BH do dia 13 de novembro em diante...

passaria, no mínimo, mais uma semana no Rio.

Ia ser a feliz proprietária de um desses...


Ia ajudar a AACD e ter um canil cheio de bichinhos não mais abandonados.


Mas como eu não sou dissimulada, nem maluquete, nem mau caráter, nem sou "dada" a fingir ser quem não sou, acho que minhas chances diminuem consideravelmente...

Deixa eu voltar lá pros meus frees que eu ganho mais.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os filhos de Michael Jackson

Eu nem vou entrar muito no mérito de julgar Michael Jackson ou rotulá-lo porque acho que ele foi uma personalidade bastante controversa. Na minha humilde opinião ele foi um gênio, um grande talento do show business. Mas também foi vítima de circunstâncias e de uma vida pessoal muito infeliz. Ponto.

O que eu não consigo aceitar bem é esse cruel bombardeio em cima de seus filhos. A cada novo clique na Internet, um novo furo de reportagem. Michael Jackson não era o pai biológico dos filhos. Michael nunca registrou legalmente os filhos. O ex-dermatologista de Jacko é apontado com o doador do sêmen que deu origem à Prince Michael e Paris.

Primeiro. Eu nunca acreditei que as crianças eram filhas biológicas do astro pop. Mas, fossem ou não, isso não me diz respeito. Segundo e fundamental. Prince Michael I, Paris Michael e Prince Michael II são os filhos legítimos de Michael Jackson. São porque foram criados por ele desde seus nascimentos. São filhos porque tiveram o homem, a pessoa Michael, como referência paterna. E nada é mais forte do que essa ligação pais e filhos. Nada mais verdadeiro do que esse amor. Nada mais sagrado. Ainda que não exista um único gene de Michael em qualquer uma das três crianças, elas acabaram de perder seu pai. Provavelmente um pai amado. Muito certamente essas três crianças encontram-se tristes, com sensação de medo do futuro e desamparo. Perderam neste momento a pessoa mais importante de suas vidas.

Alguns podem argumentar que Michael era estranho, um tanto neurótico por máscaras e tal. Mas foi neste mundo que as crianças cresceram. Com raríssimas exceções, pai e mãe são nossos ídolos de infância. Mesmo que não sejam pop star. Mesmo que às vezes nos maltratem. Mesmo que sejam geniosos.

Eu perdi minha mãe de criação aos 18 anos. Eu sabia que não era sua filha biológica – até porque mantive o contato com minha mãe de fato. E não fui adotada legalmente, por restrições da minha própria mãe biológica. Mas jamais aceitei que alguém dissesse que eu não fui a filha de quem me criou e amou por 13 anos. Ela é até hoje o meu referencial de mãe, da mãe que tive e da mãe que quero ser para meus filhos. Por isso, sou muito solidária à dor que os filhos de Michael Jackson devem estar sentindo. Acho que eles deveriam ser poupados neste momento, porque certamente eles perderam muito mais do que a maioria das pessoas especula.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Coelhinho da Páscoa, que trazes pra ele???

A Karla me perguntou e fica aqui a dica para alérgicos e intolerantes à leite de vaca.
Este ano, a indústria finalmente oferece mais opções de ovos e chocolates para o Caíto.
Antes, eu estava fadada a comprar ações da Olvebra, exclusiva no segmento.
E embora com mais opções, como o Sollys da Nestlé, ainda são os da Olvebra os mais baratos em relação ao peso/tamanho.

Aqui em Canoas, especificamente, encontrei uma loja chamada Armazém Natural, próxima à fisio dele onde tem ainda outras marcas. Ou seja, o ninho do Caíto deve estar bem servido!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Caminho das Índias - Eu já vi, você também

E já que entrei no papo televisivo, vamos lá.
Me nego a assistir Caminho das Índias, a próxima novela da Globo.
Primeiro, porque não sou noveleira.
Segundo, porque tenho certeza que já vi essa história antes.
Tá duvidando?
Olha só como vai ser...

Como escrever uma novela de Glória Perez*

Pegue um assunto da área médica que esteja na moda: clonagem, transplante de coração, mãe de aluguel... Convide Victor Fasano, Raul Gazzolla, Eri Johnson e Guilherme Karam para o elenco. Escreva diálogos sem sentido, crie personagens desajustados e esqueça todo e qualquer compromisso com a verossimilhança. O personagem masculino principal tem que ser interpretado por um péssimo ator (ou um ator que esteja em um péssimo momento). Não há explicação para este fenômeno, mas o fato é que as terríveis interpretações de Victor Fasano (Barriga de Aluguel), Ricardo Macchi (Explode Coração - lembra o robótico "Eu te amo, Dara"?) e Murilo Benício (O Clone) ajudaram a levantar o ibope das novelas. Os personagens suburbanos são fundamentais, devem ser bastante explorados. Mas também é imprescindível criar um núcleo que tenha costumes bem diferentes dos nossos, como muçulmanos ou ciganos. E uma mocinha deste núcleo tem que viver um amor impossível com um mocinho de fora do núcleo. Do meio para o fim da novela, crie uma campanha social.

Então é por aí.
Victor Fasano é aquele que só é chamado pela Glória.
Dessa vez, o núcleo de costumes diferentes é na Índia.
Será explorado o universo das doenças mentais e o que a ciência pode fazer por elas.
Pra mim, a única vantagem é que o Murilo não vai estar nessa de novo.
Ainda assim, me nego a ver o repeteco.

* Texto originalmente publicado na revista Playboy, junho de 2002. Infelizmente, perdi minha cópia original com a devida autoria. Mas ele segue rodando pela internet.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Luto televisivo

O DVD vai trabalhar mais lá em casa...

- Terminou a reprise de Pantanal;
- A Favorita termina essa semana, patética;
- Começou o Big B*sta Brasil;
- Por conta disso, a maravilhosa Maysa foi empurrada para ainda mais tarde - e também termina essa semana.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Células-tronco: a esperança para muitas vidas

Mais de um mês já se passou desde o adiamento da votação, no Supremo Tribunal Federal, sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas médicas. São mais de 30 dias que protelam a esperança para muitas famílias. Esperança de qualidade de vida, de cura, do fim de dores físicas e emocionais. Esperança de continuar vivo.

São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.

O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.

Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.

Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.

Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.

Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A insanidade de todos nós

Ontem à noite, saí com minha família para um jantarzinho. Quando íamos embora, parou na frente do restaurante, um "louco". Dessas pessoas mal-vestidas, que falam com seres invisíveis ou não, fazendo gestos teatrais.
Inicialmente, num momento de auto-preservação, senti medo. Depois, fiquei chateada.
As pessoas riam, apontavam para ele.
Ele saiu andando pela rua, parava em algumas portas, gesticulava, discursava. E mais pessoas riam.
Riam do quê, pensei?
A insanidade é engraçada? Ser "normal" é ser superior?
Me entristeço ao ver o preconceito tão abrangente de nossa sociedade. Basta sermos diferentes de uma minoria para nos sentirmos superiores.
Ninguém se pergunta o que fez aquele homem se desequilibrar. Um acidente, uma doença, um trauma emocional muito forte. As pessoas se ocupam em rir apenas.
Não se preocupam em olhar para seus próprios umbigos, em busca de suas imperfeições a fim de melhorá-las.
Ser egoísta, preconceituoso, isso sim é insano.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Parto anônimo - Um respaldo à irresponsabilidade

É estupefata que vejo a possibilidade de uma nova lei brasileira: o parto anônimo. Segundo o anteprojeto, a lei dará às gestantes a possibilidade de fazer todo o acompanhamento de pré-natal e o parto sem a necessidade de se identificar na maternidade e, inclusive, de ficar com o bebê. Com a proposta, a mãe fica livre de toda responsabilidade jurídica sobre a criança, que poderá ser deixada em hospitais ou postos de saúde para a adoção. É a versão moderna da “roda dos excluídos”, dizem uns. Pra mim, retrocesso puro. E abandono. Simples e cruel assim.

Os argumentos dos defensores deste projeto de lei é que assim diminuiriam os casos de crianças jogadas em latas de lixo e em lagoas e a vida seria preservada, uma vez que não seriam realizados abortos. Amparadas pela lei, as “mães” (dá pra chamá-las assim?) poderiam se desfazer de filhos indesejados sem maiores implicações. E os índices de adoção cresceriam.

É simplesmente absurdo e não dará certo.

Primeiro, porque mascara um problema social muito maior que é a falta de planejamento familiar. Admito que sou dona de um ponto de vista no mínimo controverso, pois acredito que a camada mais baixa da população muitas vezes engravida mais pela preguiça de buscar contraceptivos gratuitos ou pela eventual “vantagem” financeira e governamental que mais um filho pode acarretar. Mas ainda acho que o controle da natalidade é a chave que abre as portas para um país entrar na esfera do real desenvolvimento. É preciso investir fortemente em educação sexual, esclarecimento e livre acesso à contracepção. Enquanto filhos continuarem sendo gerados com irresponsabilidade e despreocupação, sorry em lhes dizer, nosso Brasil continuará sendo parte do terceiro mundo.

Em segundo, sou absolutamente favorável à legalização do aborto. Embora em pequena escala, “acidentes” acontecem. E a mulher, de qualquer camada social, deve ter o direito à escolha. Eu sou um exemplo disto. Engravidei do meu segundo filho sem planejar, num momento financeiro terrível. Pensei durante 15 dias se iria abortar ou não. Mas era tarde: eu já estava completamente apaixonada por aquele ser que crescia em mim. Ter meu segundo filho se tornou um desejo, uma opção. Eu não abortaria, hoje estou certa disto. Mas não me dou o direito de condenar quem o faça. Prefiro um aborto feito em condições básicas de higiene e segurança do que um recém-nascido morto após ser atirado, num ribeirão poluído, pela janela
. E também acho injusto com a própria criança que ela seja alvo de agulhas de tricô ou de comprimidos clandestinos de Cytotec. Sem falar no ônus que gera para a saúde pública tratar as seqüelas destas tentativas de aborto, muitas vezes mal sucedidas e que acabam comprometendo a saúde do futuro bebê.

Por fim, para aumentar os índices de adoção, o remédio é bem mais simples. Basta descomplicar. Milhares de homens e mulheres, em plenas condições sociais e emocionais, esperam um filho do coração. Já amam uma criança em suas vidas e, ao contrário do que se alardeia por aí, não esperam que ela seja branca e recém-nascida. Eu conheço pelo menos três casais de amigos nesta situação. E meu círculo de amizades nem é tão grande assim.

O que acho que este projeto de lei, se aprovado, vai fazer é superlotar as maternidades, os conselhos tutelares e os orfanatos. Vamos criar um problema ainda maior, uma vez que não temos estrutura para abrigar estas crianças enquanto a burocracia pela adoção acontece – e elas crescem. E pior: acho que a nova lei pode criar um precedente mais absurdo ainda. Se chego à conclusão de que não tenho condições de criar meu filho de 7 anos, também posso entregá-lo livremente para adoção?

Filho não se dá. A eles, nos doamos. Amamos, respeitamos, ensinamos valores, no intuito de realmente estar formando os cidadãos do amanhã. Para que nas gerações futuras um assunto deste porte não seja nem cogitado.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Milhões unidos no besteirol

Eu prometi pra mim mesma que não ia me manifestar sobre o Big Brother Brasil. Porque em suas oitava edição, o reality show conquistou adeptos que, a meu ver, elevam o programa à categoria futebol-política-religião. É melhor não se discutir a respeito. Mas o que vi ontem não consigo deixar passar.
Estava eu zapeando entre os canais de TV quando, ao passar pela Globo, assisti Pedro Bial dizendo: "estamos chegando aos 25 milhões de votos". Na hora, passei adiante até encontrar uma programação do meu agrado. Mas depois parei pra pensar. Como assim 25 milhões de votos?
Tanto se fala que o povo brasileiro é acomodado, não se mobiliza, não luta, não é solidário... Acho que estão todos errados. Afinal, pelo menos 25 milhões de atenções foram dispensadas. Para quem? Ao eliminado da semana!
Ah, isso sim é importante!
Ainda esta semana, final do dia, eu voltando pra casa, num trajeto de ônibus que dura aproximadamente 45 minutos. Atrás de mim, uma jovem e um senhor conversavam animadamente. Por pelo menos 30 minutos o assunto foi o BBB, as intrigas, os namoros, os participantes favoritos. Lá pelas tantas, o senhor muda radicalmente o rumo da conversa. "E as aulas da tua menina já recomeçaram?". "Não, ia ser dia 11 de fevereiro, depois dia 20... agora parece que vai começar só em março". "Ah é? O que aconteceu?". "Ah, nem sei direito."
?????!!!!! Como assim? A moça sabe tudo sobre o anjo, o líder, a votação pro paredão e não sabe por que as aulas da filha estão sendo adiadas? Isso, meus senhores e senhoras, é a famosa alienação.
Não condeno quem encontre no programa momentos de lazer, todos precisamos de uma pitada de cultura inútil vez ou outra. Não assisto Big Brother, mas também perco meu tempo com bobices televisivas. Cada um com seu gosto.
O que não aceito são 25 milhões de pessoas gastanto seus telefones e pagando impostos por uma bobagem tão grande. Ou parando no meio do trabalho pra votar no eliminado. Não vejo estes esforços para derrubar taxas abusivas. Não percebo tamanha movimentação para barrar leis esdrúxulas no Congresso. Se 25 milhões de eleitores levassem seu voto tão a sério quanto num paredão do BBB, poderíamos ser poupados da presença de Clodovil Hernandéz em Brasília, por exemplo.
Mas este, não é um problema do Brasil. É de cada um de nós e de nossas escolhas.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Pan e Parapan

É com profunda admiração e respeito que vejo o Brasil liderar, com larga vantagem, o quadro de medalhas do Parapan. Porque se a valorização do esporte, através de bolsas e patrocínios, já é difícil para atletas fisicamente “normais”, quem dirá aos PPDs.

E quando falo em admiração e respeito não me dirijo “à nação brasileira”, mas às histórias de superação individuais que certamente estão por trás de cada uma das 114 medalhas conquistas pelos atletas brasileiros até agora*.

Muito se fala em investimentos para a saúde e educação. Poucos se dão conta de que o esporte concentra em si ambas as oportunidades, tendo ainda a cidadania e a inclusão como bônus. E não falo somente em inclusão de deficientes físicos, mas na inclusão de classes sociais também, na interação de raças numa mesma equipe.

Eu já achei maravilhosa a campanha brasileira nos Jogos Pan-Americanos, considerando que alguns de nossos medalhistas vivem uma realidade cotidiana muito diferente do glamour momentâneo que a mídia lhes ofereceu. Grande parte de nossas medalhas são fruto de sacrifícios, de treinos sem apoio nem patrocínio, de calçados ou equipamentos inadequados, de longos trajetos percorridos a pé pela falta de uma simples passagem de ônibus. Mas são fruto maior do talento e do esforço de cada atleta.

E se vamos avaliar o Parapan então... faltam-me palavras. Nadador recordista com paralisia cerebral? Jogador de futebol sem uma perna? Atletas cadeirantes? Sim, é possível. Mas do que isso é emocionante. É certo que para cada um dos participantes do Parapan, tudo foi muito mais difícil. As barreiras impostas pelo preconceito e incredulidade certamente tornaram o caminho ainda mais árduo. Mas eles estão lá. E estão dando um show. São todos, de medalha no peito ou não, grandes vencedores.


* dados das 18h05 de 16/08/07.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Errar é humano

Todo mundo erra. É da natureza humana sermos falhos. E me parece óbvio que ninguém erra intencionalmente. O errado mesmo é quando o que era uma eventual fatalidade é fruto de descaso. Todo mundo erra. Até mesmo os médicos. Porque, antes de tudo, são humanos. Mas infelizmente nem mesmo eles sabem disso.

Conversando com a fisioterapeuta do Caio me choco ao saber que as estatísticas apontam que mais de 90% dos casos de paralisia infantil ou neonatal têm origem no erro médico. Dá pra visualizar que a cada 100 crianças, mais de 90 são absolutamente sadias e normais até se defrontar com a imperícia de um profissional médico? Deste universo, menos de 10 têm seqüelas neurológicas decorrentes de doença, acidente ou má formação. São vítimas de um erro praticamente irreparável: o pecado da soberba.

Pela minha vivência com o Caio, em dois universos bem distintos - um hospital público (mas de grande referência nacional, inclusive com uma UTI Neonatal certificada em nível sul americano) e um plano de saúde privado, convivi em ambos com dois tipos bem distintos de médicos: profissionais maravilhosos, dedicados, que se envolvem com o paciente e sua família e lhe decifram o universo (ou tentam, juntos) de prognósticos e terapias; e um grupo de médicos que se acham superiores, que trazem em si o conceito cavernoso de que o título de “doutor” lhes confere uma aura quase divina, desacreditando em tudo o mais ao seu redor e deixando bem claro ao que está sendo atendido de que eles, os médicos, são onipotentes e oniscientes e que o paciente só está à sua frente porque não é normal, porque tem uma doença.

Acredito piamente que o erro médico é fruto maior e direto desta arrogância. Desta auto-estima inflada. Desta prepotência que, na grande maioria das vezes, desacredita em Deus. E aí, também entra um mérito que brilhantemente me alertou a maravilhosa neurologista do Caio, quando falávamos do já “famoso” neurocirurgião que me disse que não deveria esperar nada do meu filho, porque era um caso sem perspectiva nenhuma de melhora – acreditar em Deus é algo extremamente pessoal, mas ao lançar uma frase desta força, o médico está desacreditando em sua própria profissão e nos recursos disponíveis.

Eu e o Caio tivemos a infelicidade de passar pelas mãos de médicos que não quiseram me ouvir, que não deram atenção ao meu histórico gestacional e aos manuais de conduta. E isto ocasionou sua paralisia cerebral. Mas também tivemos a benção de encontrar profissionais excepcionais, com os quais compartilho a evolução do Caio e meu grande aprendizado, como mãe e pessoa.

Eu erro. Em casa, no trabalho, em minhas relações, em meus julgamentos. Por descuido talvez, por ansiedade muitas vezes, mas nunca por prepotência. Sei da minha nata condição de imperfeita. Se 90% dos nossos médicos pudessem se ver assim, humanos antes de doutores, com a humildade de se saberem aprendizes constantes do dia-a-dia, lidando com amor com o instrumento maior de suas profissões – que é a vida do próximo, estou certa de que os níveis de erro médico poderiam ser inversos ao que acontece hoje. Porque seriam ocasionados por seres humanos e não por pretensos donos da verdade.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A flor da Siri

Hoje, vindo pro trabalho, vi três mulheres com a flor da Íris, ex-BBB, no cabelo. Não, eu não assisti Big Brother. Sim, eu sei quem é a Íris (ou Siri) porque ela está em todos os sites, jornais e revistas (até na Veja desta semana ela deu o ar da sua – ou nossa – desgraça). E eu já tinha reparado a tal flor, outro dia, noutras cabeças por aí.

É impressionante a Big Burrice Brasileira. Siri é uma formadora de opinião! Pessoas espelham-se nela, querem se parecer com ela. Mal posso acreditar! Não costumo ver pessoas se esforçando para transparecer a elegância culta de uma Fernanda Montenegro, ou a displicência inteligente de Marisa Monte (só pra citar algumas personalidades bastante conhecidas da mídia). Isso sem entrar no mérito da questão de Lya Luft, Diogo Mainardi, Cris Camargo ou Fabrício Carpinejar (entre alguns dos meus favoritos).

Não vejo na internet nem na imprensa, movimentos mais ativos contra a corrupção, contra os impostos excessivos e sem reversão de benefícios a seus pagadores, contra a ineficiência do serviço público. Vejo somente o pró. E não é o pró-ética, conscientização, valorização ou seja lá o que de realmente aproveitável for. Tem só a movimentação pró-futilidade, pró-corpos sarados e mente vazia, pró-alienação.

Sim, eu sei, as pessoas precisam de lazer. Mas não de distração, de algo que lhes tire o foco do que realmente importa. E aí tá na hora da gente parar de dar audiência ao que não presta, de sermos mais seletivos mesmo. E semear nas novas gerações (porque na nossa quase não tenho mais esperança) algo mais sólido do que a florzinha da inconseqüência e da beleza vazia.