quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Classificados de empregos
De estabilidade. De dinheiro fixo, com dia certinho pra chegar.
Mais de 2 anos desempregada e tem sido f*da.
As necessidades do Caio só crescem. Agora, a médica fisiatra incorporou mais uma medicação à extensa lista que ele já usa. As comidas especiais, sem glúten, sem proteína animal e sem lactose cada dia mais caras. O benefício mal dá conta. Sempre tem algo que fica para o mês seguinte...
E nem vou entrar no mérito de que tenho DOIS filhos. Ou seja, Yuri também tem seus gastos.
Mas, se emprego não está fácil para ninguém, muito menos para a mãe de um portador de deficiência.
Algumas pessoas imaginam que num caso como o meu, buscariam qualquer emprego, qualquer salário, a ficar sempre correndo atrás da máquina no quesito finanças e as necessidades desse filho. Ok, maravilha. Na teoria.
Quem vai ficar com meu Caio enquanto trabalho? Não dá para ser uma simples babá. Precisa ser uma pessoa muuuuito paciente e atenta a qualquer sinal leve de crise convulsiva - as dele são quase silenciosas, mas perigosas, porque a saturação baixa muito e rapidamente. Precisará ainda acompanhar ele aos tratamentos de fisioterapia, hidro, t.o, fono. E, logo, logo, ainda vai ter que levá-lo e buscá-lo na escola. Vai se dispôr, assim? Por quanto? Quanto preciso ganhar para ter algum "lucro"?
Até 2008 quem cuidava dele era minha mãe. Eu pagava, na época, um salário mínimo a ela. Hoje ela não tem mais condições de saúde para assumir esse compromisso.
Não tenho medo nem preguiça de trabalhar. Tanto é que me sujeitei, como recenseadora, a trabalhar sábados, domingos, até tarde da noite, pegando sol e chuva na rua... naqueles dias de Censo eu negociava algumas horas por dia com minha mãe ou meu marido. Mas eu fazia meu horário, grande diferencial. E, como já disse, nesses últimos meses minha mãe teve problemas de saúde bem agravados, o que não permite mais que eu possa contar com ela por períodos maiores do que duas ou três horas... E meu marido tem assumido todas as despesas da casa nos últimos 6 meses. Mas, como é autônomo, quanto menos tempo ficar "na rua" atendendo seus clientes, menos dinheiro pinga aqui em casa.
Os docinhos me dão grande prazer e um bom retorno financeiro, mas as encomendas ainda são muito esporádicas. Agora, por exemplo, pós o boom das caixas para festas de fim de ano, tá tudo parado...
Minha grande expectativa reside que Caio possa se adaptar super bem à escola e, quem sabe, eu consiga um emprego para o turno da tarde. Aí, ele estando na escola (regular, municipal), posso, provavelmente, aceitar qualquer salário, que já será de valiosíssima ajuda.
Estou procurando, fazendo contatos, atualizei meu portfolio.
Entre as grandes e importantes metas para 2011 está voltar ao mercado formal de trabalho!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Cenas de uma tarde de verão...
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Boletim "com estrelinhas"
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Um olhar sobre o presente e o futuro
Yuri ganhou uma sonhada bicicleta aro 26 de Natal. Se emocionou imensamente e está curtindo horrores o presente (quem me acompanha no Orkut e Facebook, já deve ter visto as fotos).
Caio, semana passada, coincidentemente, foi posto na bicicleta adaptada pela sua fisioterapeuta, na ACADEF. E adorou! Tanto que hoje, ela me contava, ele não se concentrava em sua sessão de fisioterapia, ficava o tempo todo esticando os olhos para o canto da sala onde a bicicleta estava repousada. Até que sinalizou claramente que queria ir até ela. A fisio o colocou e ele se realizou! Andou, buzinou, a maior alegria... alterna momentos de coordenação e outros sem... mas, o essencial, é que apostou no seu desejo, o realizou e ficou feliz.
Fotografei ele e, baixando as fotos, foi impossível não fazer a analogia...

Olha para meu Caio e sua alegria, sua determinação em fazer tudo do seu jeito, sem pensar se está certo ou errado... e com a capacidade inspiradora de ser feliz simplesmente porque sim... e vejo um futuro repleto de esperança.
Assisto Yuri pedalando, realizado no seu objeto de desejo... Olho para ambos os meninos, cada qual do seu jeito, dentro de suas possibilidades, andando de bici e sendo feliz!
Que a vida seja simples assim, que tenhamos sempre novos sonhos mais a vontade de lutar por eles. Que não tenhamos medo daquilo que é tão somente aparente. Que nos apeguemos ao desejo firme de sermos felizes pela felicidade em si.... como meus andadores de bike me relembraram hoje...
Um lindo 2011 para todos!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Retrospectiva 2010
Foi um ano, especialmente, de rupturas.
Rompi com medos, com relações, com o passado, com pré-conceitos e até mesmo com velhos conceitos enraizados desde a minha infância. E no saldo geral, considero isso bom.
Rompi a barreira do meu preoconceito interior da forma mais plena. 2010 foi o ano em que encarei a deficiência do meu Caio de frente. Como costumo dizer, escrever e pensar, ainda sonho gigante para seu futuro. Mas decidi não atrelar mais nosso presente a essas expectativas. Enquanto isso, a vida acontece. E pode ser prazerosa. Um exemplo disso, foi a recente indicação para que ele troque sua órtese, já pequena, e a cadeira de rodas por outro modelo, mais adaptado à futura condição de estudante. Lembro de dois anos atrás, o quanto sofri, chorei e neguei, quando lhe foram indicados esses equipamentos pela primeira vez. Hoje sei claramente o quanto ele precisa deles para ter mais qualidade de vida. E sua deficiência é simplesmente a nossa condição. Ao invés de me lamentar, agradeço que tenhamos acesso a tais benefícios. E isso se aplica à toda nossa vida: quando encaramos nossos medos de frente, eles diminuem e tudo fica mais fácil. Dá até pra ser feliz.
Foi o ano também em que rompi meu casamento. Em que rompi com tudo o que sempre me foi ensinado e me entreguei à uma nova, breve, porém intensa, paixão. Quase meio ano depois, percebo que não foi um rompante. Resolvi dar outra chance ao meu relacionamento de quase 19 anos, mas, devo confessar, ainda não sei se estou no caminho certo. Às vezes penso que a gente nunca sabe se está. Sei que mudei, que nunca mais fui a mesma. Aprendi a me respeitar muito mais e exigir que meu parceiro faça o mesmo. Descobri que posso e devo me priorizar em alguns momentos. E, vendo desse ângulo, foi algo que só me fez bem, de um jeito ou de outro.
Uma das maiores dores que tive foi o rompimento de uma grande amizade, que eu acreditava demais ser um sentimento de verdadeiras irmãs. Neste, eu ainda evito pensar muito. Coloco na sacolinha das coisas que tinham que acontecer. Aprendi a ficar mais sozinha, mais introspectiva, mais reflexiva. Aproveitei a solidão para focar minha energia em outras atividades e aí me joguei de cabeça no Censo e consegui ganhar um dinheiro razoável por um tempo, surgiu o trabalho voluntário do Pestalozzi e Dinha Doces cresceu a todo vapor. Vou ensaiando ainda este caminhar sozinha, eu e meus filhos... Yuri sente falta também e não entende bem. Mas sou grata a tudo que vivi ao longo de tanto tempo com pessoas que nos foram tão queridas. Se um dia a gente se redescobrir, meu coração está aberto. Caso contrário, apenas agradeço, com amor.
2010 também foi um ano para aprofundar a amizade com meu Yuri que, eu vejo com tanta emoção e orgulho, cresce um menino tão correto, tão coração e, ao mesmo tempo, inteligente, generoso e solidário. Só posso agradecer à Deus por essa benção tão gigante. Que Ele siga protegendo os caminhos do meu quase adolescente.
Foi também um ano de reencontros, alguns virtuais, outros com direito a visitas pessoais, memórias, risos... Cass, Géssica, Gérsinho, Laura, Deca... obrigada por retornarem à minha vida e trazerem lembranças tão bacanas do Becker e da Fabico. E o ano do fortalecimento de novas amizades virtuais muito preciosas, como a Biih, a Lu e a Karla, a Marlene, a Núbia, a Naná. Bem-vindas, voltem sempre!
Então, agora mesmo, enquanto escrevo o texto, não consigo achar 2010 um ano ruim.
Foi, repito, um ano difícil.
Foi, como diz um dos textos que publiquei, campeão de acessos, o ano do fogo.
Mas, acho que passei pelo fogo. E sobrevivi.
Que venha, então, outro ano pela frente!
Desejo de coração a todo mundo que entra aqui, que espia, que lê e reflete, que deixa comentário ou não, que me manda email, ou que apenas nos prestigia com seu precioso tempo...
um feliz ano novo!
Nos vemos em 2011!
Com amor,
Dinha, Caio & Yuri
sábado, 25 de dezembro de 2010
Minha prece de Natal
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
O melhor de cada um

O cartão de Natal, com árvore feita de mosaico de fotos de alunos do Instituto.
A Newsletter eletrônica, inicialmente bimestral.


O selo criado para a campanha Pestalozzi - Ano 85 - De Portas Abertas, que será trabalhado ao longo de 2011.
domingo, 12 de dezembro de 2010
Um dia de Domingo
Te encontrar
De qualquer jeito
Pra sentar e conversar
Depois andar
De encontro ao vento
Eu preciso respirar
O mesmo ar que te rodeia
E na pele quero ter
O mesmo sol
Que te bronzeia
Eu preciso te tocar
E outra vez
Te ver sorrindo
Te encontrar num sonho lindo
Já não dá mais pra viver
Um sentimento sem sentido
Eu preciso descobrir
A emoção de estar contigo
Ver o sol amanhecer
E ver a vida acontecer
Como um dia de domingo
Faz de conta que
Ainda é cedo
Tudo vai ficar
Por conta da emoção
Faz de conta que
Ainda é cedo
E deixar falar a voz
do coração"
Um Dia de Domingo - Michael Sullivan e Paulo Massadas
Quase cinco meses se passaram.
A única coisa que sei é que não sou mais a mesma, nunca mais fui.
E que não há um único dia que eu não lembre disso.
Do resto, nunca mais tive certeza de nada...
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Siglas
Houve um tempo em que se chamavam os deficientes de PNEs -Portadores de Necessidades Especiais. Não sei de onde surgem essas siglas. Hoje, é mais usado o PPD - Pessoa Portadora de Deficiência. Acho mais correto. Mais abrangente, mais igualitário.
Especialmente neste momento em que visitei escolas à procura daquela que me pareça ideal para o Caio este é um pequeno detalhe que me chamou atenção. Pode parecer - e talvez até seja - besteira minha, preciosismo... mas meu filho não é portador de nenhuma necessidade especial. As necessidades dele são as mesmas de qualquer outra criança, de qualquer outro ser humano. Ele precisa ser respeitado em sua individualidade. Ter o direito de ir e vir livremente. Precisa ser escutado, ainda que não fale. Precisa ser bem alimentado - ainda que seja em sua dieta restrita. Precisa ser bem higienizado, sem preconceito. Não pode nem deve ser subestimado. Deve ser estimulado.
Obviamente que, enquanto cadeirante e portador de paralisia cerebral, há que se fazer adaptações que sim, são necessárias. Mas para garantir seus direitos básicos - saúde, educação, sociabilização - e não "necessidades" especiais.
A sociedade precisa entender que acessibilidade não é apenas um problema de portadores de deficiência. É um problema para pobres, homessexuais assumidos, minorias étnicas, obesos. Para todos aqueles que, de algum modo, são diferenciados. Mas, como sempre digo, a inclusão começa em cada um. Em não se automaquiar, buscando disfarçar sua imperfeição. Claro que existem momentos em que sonho com meu Caio mais igual às demais crianças, andando, brincando, interagindo. Mas afirmo com toda a verdade do meu coração que não é vergonha nem algum sentimento de inferioridade que impulsiona meu desejo. É um simples e natural anseio materno. Porque hoje entendo que a vida se tornou, se não mais fácil, mais leve, ao assumir meu filho como ele é: o mais lindo, o mais esperto, o mais amoroso E uma pessoa portadora de deficiência. Meu amado PPD!
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
Coisicas
A saída são as sempre fáceis rapi-Dinhas:
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Conversa vai, conversa vem e me convenceram (ou fui convencida, porque acho que, no fundo, é o que eu sempre quis): Caio está inscrito numa escola regular para 2011. Ainda falta uma entrevista com a Equipe de Inclusão, que vai abordar todas as necessidades dele que a escola vai suprir, mas parece definitivo. Em breve, se Deus quiser, a matrícula efetiva. Assim que sair, compartilho aqui.
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A lista de Natal do Yuri ano passado ainda era cartinha pro Papai Noel, pedindo Hot Wheels, alguns games e outros brinquedos. A desse ano é uma lista diretamente endereçada for me, com os seguintes itens: gel para o cabelo, perfume de homem (significa que não pode ser linha Infantil), roupas fashion, óculos new wave, dinheiro para fazer mechas na franja, chuteira F50.
Sim, definitivamente ele cresceu.
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O Natal, como sempre, tá mexendo muito comigo.
Esse ano quero tentar reproduzir ao máximo a ceia de Natal que minha avó Piti nos fazia todo ano.
Vou me empenhar para fazer suas tradicionais bolachinhas coloridas.
Freud explica?
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Essa semana, na ACADEF, conversando com a recepcionista, ela me pergunta se não sonho ainda em ter uma menina. Respondo que não, por três fatores: falta de dinheiro, falta de paciência pra começar tudo outra vez, idade avançada. Ela pergunta minha idade, respondo e ela fica - visivelmente - de queixo caído. Diz que me imaginava com, no máximo, 30 anos. Sério, quase beijei ela na boca! Hahahaha!
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Essa semana tive a oportunidade de conversar longamente com minha amiga, irmã e comadre Janinha... E lembrar porque a amo tanto. Só com ela consigo ser 200% transparente, assumindo sentimentos que me parecem inconfessáveis até pra mim mesma. Como é bom a gente ter alguém assim!
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Minha cunhada está bastante deprimida em seu tratamento contra o câncer.
Está na fase de perder todo o cabelo, etc.
Eu queria muito ajudar, mas tivemos um distanciamento relativamente recente e agora me parece tão fake querer reaproximar, por mais que eu queira, sinceramente. Não sei o que fazer.
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Eu sei que minha cabecinha é confusa.
Mas o coração tem me sacaneado um monte também, por esses dias...
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O IBGE nos mandou um 13º ridículo, que não fecha com nenhum cálculo cabível, e não tem ninguém para nos explicar. Transparência zero. Nesse quesito, trabalhar no Censo foi uma m*.
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Cheia de resoluções para 2011 que, vocês já perceberam?, já está batendo à porta.
Como sempre, com esperanças renovadas.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Escolhas difíceis
Nossa, é tão difícil... ouço opiniões diversas e contraditórias e não sei para que lado devo ir.
Em princípio, tudo certo para ele ir ao Nei Gomes. Mas a fonoaudióloga da ACADEF, que tem acompanhado o Caio ao longo desse ano, me diz que a escola não está com boas condições. Que está enfrentando salas de aula com superlotação e, por isso, não está conseguindo promover o ensino a que se propõe. E insiste que o Caio deveria ir para uma escola regular.
Eu, por mais que queira e sonhe tanto para ele, não o vejo em condições de estar numa escola regular. Minha psicóloga me diz que eu estou superestimando o Caio e seu potencial, estou superprotegendo-o de forma que pode prejudicar seu desenvolvimento... Que eu preciso romper o meu cordão umbilical que me une à ele. Que devo trabalhar por sua autonomia. Decepções e dificuldades sempre existirão, mas eu não posso deixá-lo numa redoma para evitar essas vivências que, afinal, também virão para o crescimento dele.
Então recebi uma tarefa... devo visitar mais escolas, conversar, pesquisar. E aí sim tomar a decisão. Por ora, estou cada vez mais indecisa e confusa. Quero o melhor para meu Caio, com certeza. Mas não sei por onde ir. Peço mais uma vez que Deus me ilumine com a sabedoria, a maturidade e até mesmo os instintos necessários para escolher a melhor escola.
A única certeza é que ano que vem tem mais um estudante aqui em casa...
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Na mesma linha, Caio tem sinalizado que não quer usar mais fraldas.
Tem ficado com ela seca por vários períodos e quando vai ao banheiro, faz o número 1 e número 2! Conversando com a equipe que o acompanha na ACADEF, tudo foi muito comemorado. E nos foi dito que, então, precisamos ir adiante. Se Caio sinaliza que não quer usar mais fraldas é porque ele entende, sente-se desconfortável, etc. Está na hora que eu comece um treinamento mais intensivo, acreditando no potencial dele, para tentar, quem sabe, um desfralde.
Como já postei dia desses, eu não imaginava viver isso com o Caio tão "cedo".
Como já escrevi ali em cima, me dizem que eu mesma superestimo a capacidade do Caio. Não é porque não fala que ele não pode realizar outras atividades, como ir ao banheiro, por exemplo.
De segunda tarefa que eu recebi (além da pesquisa em escolas diversas), está treiná-lo mais, permitir que ele fique sem fraldas em dias quentes, comece a condicioná-lo mais vezes a ir ao banheiro.
Ele vai fazer xixi na roupa, na cadeira.... claro! Mas devo estar pronta, porque é normal a qualquer criança. No caso dele, claro, a paciência, o estímulo e o treinamento devem ser maiores.
Então, lá vamos nós.
Desafios cade vez maiores para o Caio e, especialmente, para a mãe dele.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Por aqui as coisas andam assim
Caio começou sua adaptação na escolinha inclusiva com ênfase em artes. Chegou sonolento, pois o início da tarde costuma ser seu horário de sesta e eu já me preocupei. Chorou um pouco antes de inicar a chamada. Pediu mamadeira. Por ser uma escola voltada à portadores de deficiência, há uma relativa flexibilidade. Então ele entrou na salinha mamando. Mas, para minha alegria, durou bem pouquinho... Com a professora começando as atividades, ele logo não quis mais o seu leite e entrou muito fácil nas brincadeiras. Riu, assoprou uma flauta, deu gritinhos de feliz. A professora me disse que, assim, de orelhada, ele tem um grande potencial. Mostrou prazer em estar ali, se integrou facilmente, aceita toque, beijos, se esforçou para se comunicar. Caio saiu de lá cheio de sorrisos e dentro do meu coração, eu estava igualzinha...
Daí fomos para a segunda etapa, que foi conversar com a chefe da psicopedagogia clínica do Unilasalle (universidade privada, em minha cidade). E a hidro não era bem hidro, era um projeto de natação que a pessoa precisa ficar em pé sozinha. Então não deu pro Caio. O projeto de hidro terapêutico mesmo acontece de março a dezembro, com os acadêmicos dos cursos de fisioterapia e afins. Daí, para o Caio, só para março do ano que vem - nesse período deve estar concluída a piscina da ACADEF, então é algo que só bateremos o martelo mais adiante.
Mas a ida ao Unilasalle foi extremamente produtiva.
Na sala, me receberam a psicopedagoga e uma funcionária da secretaria de Educação do município. E elas me questionaram que o Caio já deveria estar numa escola, o que ele faz de terapias e estimulação, etc.
(Abre parênteses: Fiquei uma porção chateada, pois descobri mais uma vez que o Caio não faz "tudo" o que poderia estar fazendo. Haveria indicação dele estar fazendo estimulação precoce desde bebêzico, e outras atividades... Como sempre, por mais curiosa e ativa que eu me ache, o desconhecimento, a falta de orientação é ainda é uma das maiores barreiras que o deficiente e sua família encontram. Comentei que descobri que Caio tinha pc com quase 1 ano. Que ele só começou fisioterapia após 7 meses de muita insistência minha... Enfim. Me entristeço pensando se perco uma precioso tempo por falta de informação... mas o que está feito, está. Foco em acreditar que Deus faz tudo a Seu tempo, como tem que ser. Fecha parênteses).
Então, alguns telefonemas, e Caio foi encaminhado, com vaga assegurada para uma escola estadual de educação especial para o ano letivo de 2011, para um projeto de estimulação global. A psicopedagoga me disse que o foco dessa escola é estimular a criança para que ela desenvolva melhor sua percepção sobre o mundo ao redor, forme conceitos, estabeleça relações. É um preparatório para que ela ingresse numa escola regular com reais condições de mostrar um bom acompanhamento (dentro de suas condições, claro). Ela disse algo que veio ao encontro de um dos meus medos de colocar o Caio "de cara" numa escola regular... de nada adianta a criança caminhar, por exemplo, se ela não souber perceber o que acontece ao seu redor. Caio dá importantes sinais de que consegue, acredito que essa experiência vai ser bem enriquecedora.
Hoje à tarde vou no CRE formalizar sua matrícula e encaminhar o pedido ao transporte que a prefeitura disponibiliza.
Para 2011 então ficaremos assim, inicialmente: seguimos com a fono, fisio e t.o. Devemos iniciar a hidroterapia. Caio segue no espaço inclusivo Legato, afinando suas sensibilidades de comunicação através da arte. E vai para a escola Nei Gomes, começar seu preparo efetivo para uma escola regular em 2012.
Na outra ponta, segue a feliz saga do cocô.
O que era um sofrimento, com direito à muito choro, constipação de mais de quatro dias, se transformou como um passo de mágica.
Eu andava muito preocupada, pois o Caio só funcionava com supositórios e, mesmo assim, com muuuita paciência. Estava com medo de que seus intestinos estivessem "viciados", quase parados. Mas, agora, vemos a coisa por uma ótica muito positiva. Caio tem ido ao banheiro até duas vezes por dia. Menos de um minuto sentado no vaso e problema resolvido com direito à muitas risadas da parte dele. Começamos a perceber que era ele que não queria mais fazer cocô na fralda. Que segurava tudo o que podia e não podia.
Ontem ele estava sentado e daqui a pouco começou a ficar muito incômodo, me chamando.
Como eu estava ocupada concluindo o almoço, conversava pedindo calma... Quando fui ver, tinha havido um pequeno escape e ele lutava para não ficar sentado em sua cadeira. Levei ele ao banheiro e foi aquela festa do "tchau, cocô!".
A questão da higiene e da própria sociabilidade dele fica muito beneficiada por esse importante passo, mas ainda mais, nos sinaliza sobre sua capacidade de raciocínio e auto-controle. Agora, falta só lhe ensinar a palavrinha mágica, para pedir efetivamente cada vez que ele quiser ir ao banheiro. Mas o passo maior já foi dado, para nossa imensa alegria.
Agora, aqui em casa, é sempre assim!
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Rapi-Dinhas do Ito
Não é de hoje que sou fã da Cristiana Soares e do seu Por Que Heloísa?. Já reli um par de vez e me vejo em diversas passagens. Uma das que mais me chama atenção é quando ela diz que os pais de Heloísa parace "até que tinham pulga no traseiro. Levavam Heloísa para tudo o que é lado. Médicos, especialistas e curandeiros." Acho que existe um inconformismo compreensível em pais de crianças com deficiência, ainda mais (imagino eu) se essa deficiência aconteceu por um "acidente". E, sem culpas, assumo que já levei o Caio em quase tudo que é lugar. Em "médicos, especialistas e curandeiros". Tem horas que até numas igrejas malucas dá vontade... Mas devo dizer que é num famoso médium, aqui mesmo de Canoas, que não trabalha com nenhuma vertente religiosa, mas sim com o poder da mente, que tenho encontrando um sentimento maravilhoso. Já ouvi os mais diversos e milagrosos relatos de cura. Semanalmente ele recebe caravanas de todo o Brasil, inclusive do exterior. Retomei com muita fé o tratamento que ele recomendou ao Caio. E não sei se é a evolução natural do meu pequeno ou se é sim, o poder de Paulo Flores, mas ele está se transformando em outra criança. Querem ver?

Caio não tomava quase líquidos. Viciado pelo tempo de internação na UTI Neo, só aceita mamadeira bem quentinha. Água, suco nem pensar. No máximo um chá morninho... Isso era péssimo, pois sobrecarregava seus rins já entupidos de medicação. E sempre facilitava a desidratação nos episódios de refluxo. De uns tempos pra cá, as coisas estão mudando radicalmente. Os sucos entraram em sua vidinha devagar e hoje são, no mínimo, 2 copos diários. Uma vitória.
Na carona, tinha o intestino eternamente constipado, com uso de supositório, pelo menos, duas vezes na semana. Dia desses, estava levando o Caio ao banho, quando ele soltou um "pum". Como ele já estava sem roupa, coloquei ele no vaso. E ele fez o número 2 e ficou feliz da vida por seu feito. De lá pra cá, tem sinalizado com frequência quando quer ir e tem dado super certo. Adeus constipação e adeus fraldas sujas - ao menos de cróquis...

Amanhã ele começa suas aulas de adaptação na escolinha com ênfase em música. Acho que ele vai amar, estou na maior expectativa.
Amanhã também ele vai fazer sua matrícula na hidroterapia, um dos meus sonhos acalentados há tanto tempo. Por indicação do neurologista dele, conseguimos uma bolsa integral num projeto de reabilitação e que não vai conflitar com os tratamentos que ele já faz na ACADEF.
É isso. Cada coisa a seu tempo, um dia de cada vez. Mas tenho vivido muitas alegrias com meu pequeno grande. E tenho certeza que muitas outras nos estão reservadas.
Assim seja!
sábado, 13 de novembro de 2010
Aventuras mais recentes
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Martelo quase batido
Visitei algumas escolas "especiais" e na grande maioria, não havia espaço para o Caio. Algumas instituições são escolas de educação especial, reconhecidas pelo MEC e tudo. Mas então, conflitaria com a possibilidade dele frequentar uma escola regular. Ou uma ou outra. Então, nesse momento, é não.
E o lugar que mais gostei, da direção, do posicionamento e que acho que fecha com nossa necessidade é a Associação Legato.
Lá o Caio vai começar a frequentar a Adaptação. Inicialmente só 1h30 por semana, até vermos a resposta dele. Mas vai ter os primeiros contatos com o convívio social, com regras, com deveres também. Como ele gosta horrores de música e lá tudo é trabalhado através das artes, então acho que ele vai adorar.
A diretora me disse que conforme ele mostrar interesse ou demonstrar prazer em estar lá, ela vai incluí-lo em outras atividades e oficinas.
Ele já ia começar hoje mesmo, mas devido à mais uma crise punk de refluxo, ficou pra semana que vem. Estou entre ansiosa (eu? capaz!!!!), eufórica e alegre. Acho que fizemos uma boa escolha.
Conforme o andar da carruagem, ano que vem ele começa alguns turnos numa pré-escola para, então, em 2012, ele iniciar na escola regular. Claro que, tudo depende das respostas que ele der nessas experiências.
De qualquer forma, já começamos a trilhar um novo e diferente caminho!
E como tudo, só espero que faça meu menino ainda mais feliz.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Yuri, Lado B
Se me orgulho do coração lindo que ele tem, me preocupo horrores com a pré-adolescência com cara de adolescência total que, a meu ver, chegou cedo demais. No meu tempo, a gente não tinha direito a esses pitis não... ou dava sorte (como eu, com minha mãe de criação) e rolava altas DRs... ou não tínhamos vez e o chinelo comia solto (como no caso do meu mano, com nossa mãe biológica). E confesso, para horror dos pedagogos de plantão, me DNA puxou à família... tenho que respirar muuuuito devagar, contar até 5 mil e meditar horrores pra não dar uma chinelada corretiva nesse mocinho que tá ficando um tanto abusado... Afffffffff... quem disse mesmo que seria fácil.
Yuri está bastante intratável. Não gosta mais de estudar, está num momento totalmente improdutivo e umbilical. Se deixar, chega da escola e sua vidinha se resume a dormir, ouvir música, assistir tv, jogar um game ou ficar navegando. Só pensando em seu bel prazer. Dividir tarefas? Arrumar o próprio quarto? Quem me dera! Claro que sou uma mãe pentelha, fico pedindo colaboração... E aí ou escuto a palavra "saco" numa proporção nunca dantes imaginada, ou fico escutando incontáveis suspiros que também significam "ai que saco" ou ainda entramos no mundo do rapazinho cansado, incompreendido e vítima de todos.
A comida segue sendo um drama. Depois do momento anorexia, ele está se alimentando bem. Mas só quer junk food. E cada vez que insisto num arroz com feijão, senta que a ladainha recomeça... suspiros, sacos e afins...
Ok, eu ainda lembro da minha adolescência e da mãe maravilhosa que tive ao meu lado nessa época e na qual tento me espelhar todos os dias. Mas, numa coisa, o Yuri tá certo... é um "saco" mesmo! Muito difícil colocar limites sem parecer a mãe carrasca. Fueda impôr as regras pra uma pessoinha que se acha gente grande e colocá-lo no devido lugar dos seus parcos 10 anos. Em muitos momentos, é muito tênue a linha que separa o diálogo e a permissividade...
Como tudo, é um aprendizado.
Que faço lado a lado do meu pré-adolescente malinha, mas que tanto amo...
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Yuri, Lado A









sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Então...
Cecilinha, que meu filhote vai batizar neste domingo - em foto no meu colo, nessa semana!
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Desejos quase ocultos...
O maior dos meus casos
De todos os abraços
O que eu nunca esqueci
Você foi!
Dos amores que eu tive
O mais complicado
E o mais simples prá mim...
Você foi!
O melhor dos meus erros
A mais estranha história
Que alguém já escreveu
E é por essas e outras
Que a minha saudade
Faz lembrar
De tudo outra vez...
Você foi!
A mentira sincera
Brincadeira mais séria
Que me aconteceu
Você foi!
O caso mais antigo
E o amor mais amigo
Que me apareceu...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...
Me esqueci!
De tentar te esquecer
Resolvi!
Te querer, por querer
Decidi te lembrar
Quantas vezes
Eu tenha vontade
Sem nada perder...
Ah!
Você foi!
Toda a felicidade
Você foi a maldade
Que só me fez bem
Você foi!
O melhor dos meus planos
E o maior dos enganos
Que eu pude fazer...
Das lembranças
Que eu trago na vida
Você é a saudade
Que eu gosto de ter
Só assim!
Sinto você bem perto de mim
Outra vez...
(Outra vez - Roberto Carlos)
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Várias variáveis (ou à moda do Tuí)
2010 já era.
E mais uma vez, um trilhão de planos para o "próximo ano".
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Meu coração anda thunder dividido. Ainda.
Yuri, Lucas, Ana Paula, Lara, Luana - a galerinha 2000 - Quem permitiu que eles crescessem assim?
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Fui escolhida pelos moradores da minha ruae adjacências para encaminhar um abaixo-assinado, de uma solitação do bairro ao nosso Prefeito. Estou colhendo as assinaturas e vou levar pessoalmente à Audiência Pública. Tô ficando íntima do JJ....
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Sim, eu sou a mulher-sonho.
Tenho trocentos.
Mas hoje, a realização de um só me bastaria...






