segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Adeus iminente

Quem me conhece sabe o valor que dou aos meus animais, especialmente cães que sempre tive vários. Sou suspeitíssima para falar, mas acho que eles nos trazem lições de vida que somente seres humanos com muita sensibilidade tem a capacidade de disseminar. Mas existe o momento difícil, inerente à vida, que é o momento do adeus.


Ninho, o nosso Cocker Spaniel de 12 anos e 4 meses está indo embora.
Luninho, o filho da matriarca Luna.
O branco e bege que muitos achavam que o nome vinha do leite em pó.
O amigo amoroso, mas de personalidade.
O brincalhão que sempre adorou bola e balões.
O filhote que perdeu seu posto de “primogênito” da família, com o nascimento do Yuri.
Aquele que se tornou um parceiro, um guardião, um verdadeiro anjo da guarda para este “irmão” mais novo.
   

Ninho com menos de 30 dias (e eu grávida do Yuri!)

Aos 3 meses - parecia de pelúcia!

Quando eu fui pra maternidade, meu marido conta que o Ninho, então com 8 meses, sentiu muito minha ausência. Cheirava meu lado da casa, o meu banco no carro quando ele chegava das visitas ao hospital... Mas quando eu retornei, trazendo um outro “filhote” pra casa ele sofreu muito. Ficou mal, deixou de comer, passou a nos ignorar.
 
Ninho, sendo apresentado ao "mano Yuri" e passou a cuidar muito dele

Até que um dia tive a idéia de apresentá-los oficialmente. Coloquei um lençol velho na minha cama e deitei o Yuri, desenrolado de suas várias mantas de inverno. Trouxe o Ninho, lhe acarinhei e falei: “Ninho, este é o Yuri, o teu maninho. Ele veio pra ficar junto da nossa família e quando crescer, vocês vão brincar muito. Nós te amamos muito, Ninho, mas agora vamos dividir nosso amor também com o Yuri, está bem?”. Foi o que bastou. Ninho desceu já saltitante e abanando o seu “toquinho” de cauda. Daquele dia em diante, passou a vigiar o Yuri. Zelava por seu sono, vindo sempre me avisar quando ele acordava em seu bercinho. Não deixava estranhos se aproximarem dele. E logo aconteceu o que eu previa: eles viraram parceiros de brincadeiras. Na verdade, Yuri fez gato e sapato do mano Ninho. Puxava as orelhas, as patas. Deitava em cima dele. E nunca recebeu uma mordida, um rosnado sequer em troca.

Yuri pulando sobre o "santo" Ninho
Aos 2 anos e meio, Yuri aprontou aquele que seria o grande susto da sua infância. Eu trabalhava fora e o pai o buscava na creche. Um belo final de tarde, ao descer do carro, já na garagem de casa, Yuri decidiu se soltar da mão do pai e espiar por baixo da porta automática que se fechava. Ninho se desesperou ao ver o que ia acontecer e se jogou entre a porta e o contrapeso que a sustentava. Eu credito à piedade divina que a porta trancou e Yuri ficou apenas com um pequeno galo e um leve arranhão no queixo, sem nenhuma seqüela neurológica. No hospital o médico nos disse que se a porta o tivesse apertado uns centímetros mais para baixo, ele seria estrangulado.
Ao chegar em casa é que percebemos o Ninho. Com o corpo cheio de graxa e uma grande falha nos pêlos. Ele tentou travar a porta para que nada acontecesse ao “irmão”! Nem preciso dizer que nosso amor por este membro da família e suas quatro patas só aumentou, né?

Yuri com 5 anos, Ninho com 6 - e a parceria continuava

Eu teria muitos episódios pra dividir, para mostrar o quanto Ninho nos é especial. Mas acho que estes dois definem o que ele é para nós: um filho muito amado!

Então é triste ver que ele está partindo.
De uns meses pra cá, a catarata nos olhos aumentou. Ele ainda enxerga, mas muito pouco.
Não tem mais quase olfato.
Cansa com facilidade.
Mais recentemente, tem tido enorme dificuldade para subir ou descer qualquer pequeno degrau. Suas pernas ficam cambaleantes. Alguns dias, sequer consegue levantar-se. Provavelmente a displasia no quadril, que costuma acometer os cães idosos desta raça.


Esta semana ele vai fazer uma avaliação veterinária.
Morro de medo que indiquem a eutanásia.
Não quero ter que tomar esta decisão.
Rezo para São Francisco que ele ainda tenha mais um tempo e com qualidade.
Que exista um remédio, um fortificante.
Mas sei que ele está indo embora.
Vai ser triste dizer adeus.
Espero que o céu dos cachorrinhos o acolha com o mesmo amor e alegria com os quais convivemos por mais de 12 anos.

Na praia, agora em dezembro... sempre lindo!

domingo, 22 de janeiro de 2012

Um único desejo

Como 2012 ainda não venceu seu prazo de 30 dias, me acho no direito de rever meus desejos de Ano Novo e refazê-los.
Deixo tudo pra trás.
Desisto de mudar minhas imperfeições e as do próximo.
Abro mão de todos os meus sonhos de consumo.
Cancelo meus pedidos de amor, o do Yuri passar por média na escola, até mesmo do Caio poder andar ou falar.

Neste momento me vem a necessidade mais urgente, vital: que Caio pudesse ter controle da sua epilepsia.

Na madrugada de ontem ele teve nova crise.
Não foi das mais severas, mas, sempre é um susto.
Precisou ser removido ao hospital e ficou bom logo depois de uma dose mínima (0,5 ml) de diazepan na veia. Recebemos alta em duas horas. Nada mal, considerando alguns episódios recentes.
Ainda assim, sempre fico apreensiva.
Não foi o caso desta vez, mas fico com medo de uma queda brusca de oxigenação.
Sempre imagino se ele sofre, fisicamente, ao ter estas descargas elétricas em seu cérebro.
Fico triste no quanto, ao menos nas 24 horas seguintes, ele dá passos para trás, comendo pouco, ficando sonado, apático.
Ainda não fechamos um novo diagnóstico neurológico, nem sei se o teremos mas este é, claro, o meu desejo. Alguns médicos falam que é natural, com a proximidade dos 7 anos, uma reordenação cerebral que pode intensificar as crises convulsivas. Outros de que é normal, simplesmente para a síndrome de West, diagnosticada quando Caio tinha 7 meses. Mas que o atual neuro me disse que não havia mais uns dois anos atrás... e que o deixou sem crise por mais de um ano!

Como sempre, procuro respostas que não me podem, ainda, serem dadas.
Espero que um dia elas venham.

Como mãe, só não quero mais ver meu filho fora de si, com dificuldade respiratória, precisando ser puncionado.
Eu imaginei e rezei muito para que neste 2012, as crises nos dessem uma bela trégua.
Mas, por enquanto, não foi assim.
Ela veio sem aviso, num dia em que Caio passou ótimo.
Veio apenas 42 dias depois da última.
Veio, mais uma vez, trazer desassossego ao meu coração, que parece se querer se conformar com a epilepsia mas não consegue.

Então, abro mão de todos os outros pedidos de Ano Novo e deixo este único.
Que se eu pudesse, compartilhava com todas as crianças com epilepsia do mundo!
Sem crises, por favor, Papai do Céu.
Vou falar com o PROCON das mães, acho que ainda estou dentro do prazo legal para recorrer.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Um exemplo

Flávia e sua família são o grande exemplo nesta minha jornada com o Caio.
Me fazem acreditar e ter esperança.
Sua história me dá forças para lutar.
Abençoados sejam, Flávia e seus pais.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O dilema de sempre

E o ano muda, mas a maioria dos sentimentos - ou a confusão deles, não.
Sigo me perguntando, quase todo o dia: O que sou? "Só" mãe? Doceira? Publicitária?

Agorinha, dia 6, fez dezessete anos que me formei.
Ainda lembro de toda a luta e, principalmente, de toda emoção do dia.
Vinda de uma família basicamente de agricultores, colonos e, com raras mulheres trabalhando fora - mas nas lidas domésticas, fui a primeira Lacerda com um diploma universitário. Somado à minha infância turbulenta, foi uma mega conquista. Me orgulho até hoje. Não que eu me ache melhor do que ninguém, especialmente das "mulheres Lacerda" que me antecederam. Apenas tive boas oportunidades e as aproveitei.


No entanto, essa nostalgia toda com meu diploma na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, erguido aos meus 21 anos, também me deixa uma sensação de fracasso. Hoje, à beira dos 40, me pergunto: aonde tudo aquilo, aquele empenho, aqueles sonhos, aquela garra, me levou?


Na linha da fé que mantenho, sei que tudo tem um porquê. Tudo está designado. Não existe um único dia em minha vida em que eu não agradeça a vida do Caio na minha existência. Não existe um único anoitecer em que eu não agradeça a Deus pela benção que são meus dois filhos. Mas é preciso ser realista e assumir que sim, depois do nascimento do Caio, a vida profissional ficou ainda mais difícil. Se o mercado de trabalho já é cruel com as mulheres, eu diria que ele é sádico com as mães e praticamente inexistente para as mães de crianças deficientes.

Mais do que as cobranças de alguns poucos amigos e familiares e da sociedade, sei que nunca é possível contentar todos. Se opto pela maternidade em detrimento da profissão, sou tachada de acomodada. Se priorizo a carreira, lá vem o rótulo de mãe omissa. É. No way.

E eu tenho bem claro o que é prioridade pra mim: meus filhos. Não tenho falsa humildade ao assumir que eu sei, como me afirmam alguns médicos, que Caio só está vivo e se desenvolvendo com a qualidade que está, por conta da minha assistência integral.

Mas quando as contas apertam, os avisos de corte chegam e não vejo que não quero abrir mão de certas escolhas - comer bem (ainda que sempre em casa), investir na van escolar do Yuri (já que ele é bolsista de uma escola particular), manter o plano de saúde do Caio e o atendimento domiciliar de urgência, eu novamente me questiono o que adiantou estudar tanto e hoje não conseguir ganhar dinheiro com isso.

Sei que a faculdade não foi em vão.
Mais do que me tornar uma diplomada, me fez desenvolver visão crítica, raciocínio lógico, coerência de ideias.
E às vezes acho que isso tudo é fundamental para eu correr atrás do que é necessário ao Caio. Pesquiso, fuço, requisito. E, na maioria das vezes, conseguimos o que queremos!

Eu queria duas coisas que parecem simples mas não são.
Me conformar que não sou uma publicitária, apenas cursei a faculdade.
E ganhar dinheiro com algum dos meus talentos - os doces, os convites e lembrancinhas de festa personalizados, os textos - mas sem precisar abrir mão de estar sempre junto ao meu filho, em seus tratamentos e terapias, vivendo intensamente cada momento dos seus progressos que eu sei, ainda vão longe.

Haverá um dia que isto será possível?

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

2012 rolando - e eu tentando tirar o pó daqui

Então que mais da metade do primeiro mês do ano já foi embora. Daqui a pouco é Carnaval, reinício das aulas, Páscoa, aníver dos meninos... É aquela história, o tempo urge!
Por aqui tudo mais ou menos na paz.

Menos porque eu continuo sofrendo muito de ansiedade, querendo respostas pras coisas, previsões certeiras pro futuro e por aí vai. Aí fica dificílimo contentar, né?


Apesar da nossa eterna falta de grana, Yuri tem conseguido curtir as férias. Ficamos quase uma semana na casa de praia da dinda dele, 100% transportados e custeados pela mesma. Depois, mais uma semana “caseirando” na minha sogra, que tem uma casa e um pátio amplos, onde ele se esbaldou. Dia desses foi ao shopping com a “pri”(ma) de 22 anos. Eles tem se dado muito bem e ele se sente ao lado dela. Ainda tem planejado para a frente, alguns dias na casa de um colega, talvez um pulo em Santa Catarina na casa dos tios Zi e Néia, talvez mais uns dias em Capão Novo. E ainda nem conseguimos pegar um cineminha! Desse jeito as férias vão ser curtas!

Cainho está muito bem. Não teve nenhuma crise convulsiva nos últimos 40 dias.
Eu e a nutri dele resolvemos retirar novamente o arroz da dieta dele e as crises de vômitos quase sumiram, teve uma pequena, mas creditei ao refluxo, como conseqüência de um dia muito quente em que ele ficou quase que 100% do tempo deitado. Aguardemos a evolução para ver... No geral, percebo que ele sente falta da escola. Ele não aceita mais ficar sozinho por muitos minutos. Quer sempre companhia, conversa, toque. Fico feliz, pois cada vez mais percebo o quanto a escola só acrescentou ao desenvolvimento dele. Estou confiante que em 2012 ele tenha um up ainda maior!


Semana que vem tem a consulta anual de férias com a pediatra de ambos. Sinto que Caio cada vez mais consegue ficar com o acompanhamento “padrão” de uma criança “normal” e que vou incomodar muito a Jaque em suas porções hebiatra (médica de adolescentes) e mãe experiente em relação ao desenvolvimento do Yuri, que está dando um salto.


Eu sigo cansada, mas menos.
Afinal, ainda tenho os compromissos fisioterápicos do Caio e Yuri está na escola de futebol. Caio entra em férias da fisio dia 10 de fevereiro e então, dali até o dia 23, quando iniciam as férias do Yuri devo ter uma trégua real, sem nenhum compromisso na agenda dos filhos! Deus permita e abençoe.

Entrei 2012 decidida a ser menos diplomática. A colocar pra fora o que sinto, o que penso. Com jeitinho, afinal sou canceriana típica, sentimental. Mas deixando de me sufocar com coisas que me fazem mal e eu guardo só pra mim para não machucar os outros. Ainda não sei se isso é bom ou mau, o tempo dirá.


Ainda não estou feliz com meu cabelo (a louca eterna das melenas), mas cadê dinheiro pra uma progressiva?


Também ainda não fui chamada para o concurso do IBGE e na verdade nem sei se quero (a bipolar de sempre, assunto do próximo post).


Na vida doméstica-familiar, achamos que nossa cachorrinha Princesa está grávida (ou prenha, como preferirem. Pra mim ela é filha, está grávida!). Eu não queria, mas em se tratando de gestações-surpresa sei bem que quem planeja é o hômi lá de cima. E Ninho, nosso Cocker amado, dá cada vez mais sinais de que, muito provavelmente, não verá o final deste ano. Seus quase 13 anos estão pesando bastante. Ele está surdo, com a visão bem comprometida e com problemas para caminhar, falta de equilíbrio, etc. Fico triste, tenho preparado especialmente o Yuri. Faz parte da vida.


Daí que esse post sem sentido nem ordenação, foi uma tentativa de resumir o que andou acontecendo em nosso pequeno recesso. Daqui por diante, mais uma vez, espero ter ânimo, tempo e inspiração para compartilhar algumas coisicas.


Um obrigada especial aos leitores que não desistem dos Meus Frutos apesar das minhas publicações esporádicas. Vocês podem não saber, mas fazem a diferença pra mim. Um beijo no coração!

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

sábado, 31 de dezembro de 2011

Que venha 2012!

Eu acho assim.
Nada muda do dia para a noite.
2011 se vai, 2012 chega, mas não acontecem milagres.
Eu até acredito que eles (milagres) existem mesmo.
Mas são fruto de merecimento.
... Então nada vem por acaso.
Momentos bons e maus continuarão acontecendo, difíceis e fáceis, alegres e tristes.
O que importa é o que temos de mais precioso, íntimo e individual: nossos valores.
O que temos a repartir e compartilhar, deixar de lição, tornar o bem uma marca pessoal.
Mas não é sentar e esperar.
É aquela história... comece por você!
Ou como eu publiquei dia desses e quero que seja meu lema no Novo Ano: Seja a mudança que você deseja ver!
Eu convido todos os meus amigos e quem amo: vem comigo!
Vamos fazer a diferença em 2012!
Há de valer a pena!
Feliz Ano Novo!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O ano em que tudo (re)começou

É aquela história. Quando olho pra trás, acho que 2011 passou voando.
Já o defini. Foi um ano intenso.

Eu sou de uma geração que cresceu vendo grandes míticas se desenvolvendo em torno dos anos “dois mil e”... através de livros, filmes, previsões. Muitos diziam que o ano acabaria em 2000. 2001 era o ano da Odisséia no Espaço, 2010 o Ano em que 'faríamos' contato... No Mundo de 2020 era um mundo onde se comiam biscoitos reciclados de cadáveres... Tudo apocalíptico.

Acho sim, que foi um ano, como sempre, de muitas tristezas, de muitas perdas para a humanidade. Mas assim é sempre e assim continuará sendo. Eu ainda prefiro acreditar na metade cheia do copo. Em gente e momentos que fazem tudo valer à pena.

Para mim, 2011 foi o ano em que tudo ou começou, ou recomeçou.
Caio começou na escola, de longe o grande acontecimento do ano!
Eu recomecei a procurar meus espaços dentro da minha individualidade.
Estou tentando recomeçar minha vida profissional ou, ao menos, alguma estabilidade financeira.
Yuri começou seu sonhado futebol, sonhando em ser o Neymar daqui uns 6-7 anos...
Meu casamento viveu um forte recomeço, trabalhado, pensado, sentido.
Comecei novas e preciosas amizades, que muito me fortaleceram o espírito e o cotidiano.

Começo 2012 com as esperanças mais uma vez recarregadas.
Como já disse aqui, acredito muito em ciclos e energias.
Acho que 2011 foi um ano de começar a colher muito mansamente aquilo que venho plantado, com amor e sinceridade.
Nos meus sonhos, 2012 vai ser o ano de REALIZAR.
Seguindo no plantio, seguindo cultivando. Com trabalho. Com dedicação.
Mas acredito que vou ver muita coisa acontecer no ano que está prestes a começar.
Assim seja!

BOAS FESTAS E UM LINDO ANO NOVO a todos os meus queridos amigos daqui, leitores anônimos, amigos de todo dia!

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Balanço

O que aprendi em 2011

  • A ser mais tolerante comigo mesma
  • A exercitar a paciência, comigo e com os outros
  • Que a inclusão existe, é possível
  • Toda luta nos dá a sensação maravilhosa de ter por que lutar
  • Todos nós cometemos erros e, para alguns, há a oportunidade de correção
  • Que Caio pode voar sozinho às vezes - e gosta disso
  • A ter momentos exclusivamente dedicados a mim e isso não é egoísmo
  • Que Yuri tem a sua própria história e eu não posso nem devo querer que seja igual à minha
  • Que amigos vão e vem, mas alguns são mesmo para sempre
  • Por pior situação que estejamos, ainda assim sempre podemos estender nossa mão à quem precisa mais
  • Que eu posso cultivar sonhos sem tirar os pés do chão
  • Certa estava minha avó: "Quem não arrisca, não petisca"
  • Não deixar nunca de exercitar a humildade e a gratidão
  • Pedir ajuda não é fraqueza
  • Aceitar ajuda é um ato corajoso
  • Ter fé - em Deus, em energia, em algo - faz toda a diferença

E o que quero aprender em 2012

  • A ser mais tolerante comigo mesma (sim, nunca é demais!)
  • A exercitar a paciência, comigo e com os outros (paciência, a rainha das virtudes, que eu a perca rara e mui brevemente)
  • Praticar a flexibilidade
  • Controlar a ansiedade que só me faz sofrer antecipadamente
  • Valorizar também a minha "fachada" como reflexo daquilo de bom que trago aqui dentro
  • Não duvidar de que sim, eu quero, eu posso, eu consigo
  • Deixar meus filhos voarem ainda mais longe, confiante de que eles sabem que têm para onde retornar
  • Que eu também posso voar, sem que isso signifique que eu esteja abandonando o Ninho.
  • Calar mais do que falar
  • Cultivar todos os valores aprendidos, sabendo que todo dia é oportunidade de aprender mais
  • Perfeccionismo não existe. Mas a persistência ainda assim é extremamente válida.
  • Um dia de cada vez.
  • A dar menos importância a quem não se importa comigo.
  • A amar e agradecer cada um que se importa.
  • A ter metas como motivação, não como auto-cobrança.
  • A ser feliz "por nada".
  • A lembrar, como li numa camiseta do Yuri, que "Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso, aprendemos sempre".

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pedimos para Nascer

“Eu não pedi para nascer!” Quantas vezes ouvimos essa frase, dita por incrédulos ou crentes. Aqueles, convencidos de que o sofrimento sempre é injustificável. Estes, como querendo cobrar de Deus ou da vida as dificuldades que experimentam e julgam não merecer.
            
Será mesmo que não pedimos para nascer?
            
Parecem mais razoáveis as crenças e as filosofias que apontam para a possibilidade de que a vida humana seja uma sucessão de existências direcionadas ao aprimoramento do espírito. E que este, no seu processo evolutivo, vai assimilando morte e renascimento como episódios interligados entre si, instrumentos indispensáveis ao despertar e ao evoluir da consciência que não morre nunca.
            
Quando entendemos que somos, nós próprios, os artífices da nossa sorte, os construtores da nossa felicidade, passamos a valorizar a vida. Esse é o verdadeiro passaporte para a eternidade.
            
Desperta o amor pela vida. De posse dele, o espírito vê-se  estimulado a novas e fascinantes experiências, que se expressam em reencarnações capazes até de oferecer  provas mais duras, destinadas a refazer o equilíbrio que nós próprios violamos (há quem chame isto de punição), mas cuja finalidade maior sempre será o progresso do espírito.
            
Pedimos, sim, para nascer.

Freqüentemente, até interferimos em complexas decisões elegendo a pátria, a família, a ocupação que deveremos ter. Não somos vítimas de um destino cego e cruel. Somos consciências viajando rumo à luz.

Milton Medran Moreira
Presidente da Confederação Espírita Pan-Americana

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dinha Drops

Então que a vida anda uma correria, ou intensa, como prefiro defini-la especialmente neste último mês. Acredito que em breve terei tempo para discorrer mais detalhadamente sobre alguns acontecimentos e sentimentos, mas por ora deixo breves notícias & fotos pra quem pergunta seguidamente pela gente.

* Caio conseguiu, finalmente, autorização para ficar mais um ano no Jardim. Ao mesmo tempo, iniciará em turno inverso, uma adaptação semanal em sua futura escola de ensino fundamental. Achei uma decisão muito acertada que, acredito, vai lhe trazer muitos benefícios.

* Ele ainda vai à escola até o dia 22, pois no decorrer destes dias ainda acontece a festinha de encerramento de todas as turmas e o amigo secreto. Mas já aconteceu o encerramento do Jardim, quando ele recebeu sua avaliação e fizeram uma pequena apresentação. Preciso dizer que babei?



* Yuri está estudando pra R1 em português, mas sigo preocupada. Inteligente ele é, mas está se esforçando minimamente, visivelmente querendo chamar desesperadamente nossa atenção e eu realmente não sei mais como agir. Para "ajudar", minha ansiedade está em potência mil!

* Na contramão disso tudo, acho que estou vivendo o melhor momento profissional desde meu afastamento em 2008. Me sinto reconhecida e com muito potencial de crescimento em 2012. Num rumo que acho que tenho talento para e que gosto muito.


* Passei num concurso do IBGE para emprego temporário. Não sei se serei chamada ou se poderei assumir. Mas fiquei em 13º lugar entre as 25 vagas para a minha cidade, o que me deixou muito feliz, dando um bom up na minha auto-estima.

* Dinha Doces ainda é minha paixão e meu relax. Não vou abandonar. Ao contrário, penso se um emprego definitivo me traria oportunidades de fazer cursos de especialização em confeitaria, por exemplo.


* Falar do meu amor por meus filhos me parece um pleonasmo. Mas ando pensando muito em mim. Em me cuidar mais, física e emocionalmente. Em ter mais tempos para as minhas vontades. Sem culpas. Na carona dessa vibe, voltei a clarear meus cabelos, ficando com muitos tons louros. Primeiro gostei, depois desgostei, agora estou hidratando e acostumando. Ainda falta a progressiva pra ficar 10.


 * E tomei coragem, impulsionada por minhas primas-afilhada-comadre e fiz uma tatuagem. Era um desejo que tinha desde sempre, mas também sempre tive muito medo. O medo se foi e ficou a tatoo. Linda. Amei.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

O primeiro filho em segundo lugar?

Yuri foi, ao contrário do Caio, um filho muito desejado e planejado. Não que isso hoje seja motivo de diferenciação no amor incondicional que sinto pelos dois, cada um em sua individualidade. Mas o fato é que o Yuri foi uma gravidez muito sonhada, com dois anos de tentativas e um aborto espontâneo no meio do caminho. Caio, eu sei e digo, foi planejado especialmente para mim por Deus e eu agradeço todos os dias Seus desígnios, mas conscientemente eu não estava querendo engravidar naquele período.

Yuri sempre teve qualidades que muito me alegraram e orgulharam. E isso são sentimentos que crescem junto com ele. Ainda hoje, nessa chatíssima pré-adolescência que estamos descobrindo juntos, pela primeira vez para ambos, como mãe e filho, eu o admiro muito. Acho que ele é forte. Justo. Amoroso. Solidário.

Mas no meio disso tudo, fico com medo de não estar sabendo dizer, com minhas ações e no nosso dia a dia, essas coisas.

O Caio precisa fisicamente mais de mim. O que não significa que o Yuri não precise do meu amor, da minha presença, da minha ajuda. Por mais maduro que ele seja, ele ainda é uma criança. E é meu filho tão amado desde sempre. Quero muito que ele entenda isso.

Estou muito chateada porque Yuri teve um ano difícil na escola. O 6º ano lhe chegou junto com as mudanças físicas e hormonais, nove novos professores no lugar de um único, a primeira paixonite mais adolescente, o desejo de permanecer às galeras mais populares... Ao mesmo tempo, foi o ano do ingresso do Caio na escola. Motivo de muita felicidade pra todos nós, mas, ao mesmo tempo, de ciúmes. “A mãe agora só quer saber da escola do Caio” foi uma frase muito ouvida. Ao mesmo tempo, Yuri vibra com cada conquista do irmão. Sei que ele está sinceramente feliz com isso. Mas entendo sua porção humana naturalmente egoísta.

O fato é que Yuri entra na reta final da escola com fortes chances de entrar em recuperação terapêutica e, talvez, repetir o ano. E o que me chateia profundamente é que sei que não é um problema de aprendizagem. Volta e meia, ele gabarita as provas. Daqui a pouco, tira notas muito baixas. É participativo em aula, no momento seguinte, é agressivo com os professores.
Vejo ele pedindo socorro à sua forma. Gritando: “olhem pra mim, também sou filho de vocês, também sou criança, também preciso da atenção de vocês”. E, como sempre, me culpo. De não ter sabido lhe mostrar o quão importante ele é na minha vida. De quanto o amo tanto quanto amo seu irmão. De talvez, não ter mesmo lhe dado a devida e merecida atenção.

Yuri teve que amadurecer na marra. Aos 5 anos precisou entender que o irmão não era igual aos outros, não ia jogar bola com ele como ele sonhou durante minha gravidez. Aos 7, com a hepatite do Caio, teve que aprender que crianças também adoeciam gravemente, iam para o hospital e podiam, sim, morrer. Dos 9 em diante precisou saber sobre epilepsia e os diferentes tipos de convulsão. Sua infância precisou cultivar desde muito cedo, as asperezas e sustos da vida, ao lado da inocência natural da idade.



Temos estudado juntos, andei saindo “na balada” sozinha com ele. Embora ele mesmo goste de incluir o Caio em todos os nossos programas, estou tentando mostrar o quanto ELE é importante e amado. Os dois são. Os dois têm espaço no meu coração e hei de saber dividir melhor meu tempo. Espero que ainda dê tempo dele recuperar o ano escolar. Espero que, principalmente, ele possa acreditar verdadeiramente que amor de mãe não se divide, só se multiplica. Que ele é, naturalmente, o primeiro. Mas, em se tratando de filhos, nunca há um preterido.