segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Como a vida deveria ser

Sou uma apaixonada por cães.
Herdei esse sentimento da minha mãe adotiva. A que me ensinou que amor não tem a ver com sangue, não tem a ver com laços formais. Tem a ver com um sentimento puro e espontâneo.
E são dos animais, especialmente dos cães, que recebemos os melhores exemplos disso.
Sou da opinião de que eles merecem nosso melhor respeito.
São dos seres "irracionais" que vêm grandes lições de afeto, cuidado, não-preconceito e fidelidade.
Quando vejo minha Princesa junto ao Caio vejo dois seres que se gostam, que querem cuidar um do outro, que apreciam o carinho e a companhia mútua. Sem rótulos, sem diferenças. Simples assim. Como deveria ser a vida.





domingo, 24 de outubro de 2010

Carinho sempre é bom demais!

Eu sou naturalmente carente. Dedico essa característica à porção canceriana que me domina em maior escala. Por isso, adoooro ser mimada, elogiada, acarinhada... (quem não gosta?).
E muito me aquece o coração as leitoras recentes que conquistei, nem sei como, nem sei por onde.
Meus primeiros leitores foram meus amigos que me incentivaram a começar o blog, ainda antes da gravidez do Caio, no início de 2004. Através dele, vieram as "indicações". Depois da chegada do Ito, meu foco mudou, ou ampliou... e aí um grande grupo de mães, que se tornaram minhas amigas mais especiais, vieram dar Ibope ao Meus Frutos...
Não estou, de modo algum, menosprezando esses leitores e essas amizades tão especiais e marcantes em minha vida. Mas sempre me surpreendo e me sinto especialmente gratificada pela vida quando começo a receber emails, comentários e, principalmente, o carinho de pessoas que, como disse ali em cima, nem sei como chegaram aqui... e ficaram, e voltam sempre!

Essa semana recebi um selinho da Biih, uma menina linda, jovenzinha e que encontrou algum conteúdo que a interesse por aqui. Fico muito feliz de ver que os Meus Frutos seguem se perpetuando por aí...
Aproveito pra deixar meu beijo grande pra Biih, pra Luiza Coelho (és irmã da Karla e do Lu?), da Nana, da Núbia e dos muitos que, eu sei, me visitam com frequência.
A Biih me homenageou dizendo que meu blog faz a cabeça dela.
É uma responsabilidade. E uma honra.
Acredito que fosses extremamente generosa, minha linda... Mas é muito bacana receber esse carinho, especialmente porque me acho um tanto (pra não dizer 100%) monotemática...


Dos blogs que fazem minha cabeça?
Ah, eu já fui mais "viciadinha", viu Biih... Atualmente tô focada em pesquisas e outros planos "empreendedores". Ainda assim, tem gente que tem um talento danado e faz minha cabeça com seus blogs...

Adoro ler a Cass, minha amiga de tempos de Ensino Médio, que conta suas aventuras na maternidade com a leveza que a vida deve ter todos os dias. Amo ler a Letícia, aprender mais e mais e, principalmente, lembrar que tudo é como estava destinado a ser. E adoro o charme da e sua forma de escrever sobre tantas coisas diversas da maternidade, com tanta sapiência e também leveza. E na hora que quero desligar total do mundo-mãe, dou uma lida nas viajadas bacanas da Cynthia.
Era isso, espere que goste das minhas leituras.
Um beijo, Biih!
Com amor,
Dinha

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O que realmente importa

Eu ando numa eterna TPM do cão.
Sério, a vontade de puxar a cordinha e descer é dantesca.
Eu ia escrever um post e desabafar um pouco... Falar do meu lado de menos luz... Reclamar um pouco, espernear... nem é chorar, é um momento 100% tô p* com muitos e com tudo!
Daí que, como já comentei, o Caio anda super ruinzinho do refluxo, voltou a perder peso... Mas hoje, depois de 3 noites insones, as coisas começam a voltar pros eixos até a próxima aventura...
E ao invés de falar outra vez sobre como tudo isso me desgasta, e do sofrimento dele que tanto me dói... lembro de compartilhar que, ao primeiro sinal de melhora, ele me solta um beijo. E sorri. E volta a chamar "mamãe".
Ligo para o Yuri, que está na avó paterna e ele pergunta, com a vozinha angustiada, se o irmão melhorou. Respondo que sim e a alegria dele, do outro lado da linha emociona. "Nossa mãe, que ótimo! Manda um beijão pra ele, diz que o mano tá com saudades, já vai voltar pra casa pra brincar com ele".

E diante dessas coisas só posso me perguntar... do quê mesmo eu ia reclamar?

A coragem sem fim

O coração maior do mundo

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Dia do Médico e dos Anjos

Se o nascimento do Yuri pouco afetou minha relação com os médicos e minha visão pré estabelecida sobre a medicina, o Caio veio para mudar radicalmente isso. E é uma faca de dois gumes, porque desde o início cruzamos com péssimos e com excelentes médicos.
Foram médicos arrogantes (da Obstetrícia do Hospital), com pressa, sem tempo de ouvir a paciente em questão (eu) que conduziram os procedimentos de forma errônea que causaram a falta de oxigenação cerebral do meu filho. Mas foram médicos maravilhosos (da equipe da UTI Neonatal), atentos, interessados, humanitários, que levaram serviço para casa no final de semana e salvaram meu Caio de uma sepse e de uma meningite gravíssima, me devolvendo meu guerreiro vivo, pronto para lutar!

Nesses mais de 5 anos muito precisamos deles. E conhecemos de todos os tipos.
Aqueles que se acham seres humanos superiores, quase divinos. Que impõem diagnósticos e tratamentos. Que acham que alguns casos, como o do meu próprio filho, portador de paralisia cerebral, são casos "perdidos" e não merecem esforços de seu precioso tempo.

O que me alenta e alegra é saber que existe um outro lado. Existem os médicos por vocação, por amor. Que dedicam seus dias para melhoras a condição de vida de seus pacientes. Que usam da verdade, do carinho e do atendimento personalizado e humanizado como suas melhores ferramentas de trabalho. Que são meus parceiros na busca de dias cada vez melhores para o Caio, porque sabem que nada é impossível. Que a medicina não é uma ciência exata. Que precisamos ser, médicos e pacientes, cúmplices em busca da qualidade de vida.

A eles, minha eterna gratidão.
Minha homenagens à Dra. Jaqueline Aguiar Volkmann Amaral, a melhor pediatra que meus meninos poderiam ter e que eu acho que todas as crianças merecem.
Ao querido neuropediatra Dr. Richard Lester Khan que nunca fechou as portas para os sonhos que tenho para meu Caio, mas sempre com os pés bem fincados no chão.
Aos inesquecíveis doutores Valentina Gava Chakr, Diego Rodrigues Costa e Letícia Remus Moraes, que chefiados pelo dr. Mauro Bohrer, garantiram que eu pudesse ter o Caio aqui comigo, para contar essa história e aprender outras tantas.
Aos drs. Diego Malheiros de Moura e Luis Carlos Schneider por se tornarem nossos parceiros recentes, mas comprometidos e competentes, na luta nossa de cada dia.

São eles exemplo do verdadeiro digno exercício da medicina. São médicos maravilhosos. E se tornam anjos de quem, como a gente, precisa muito deles, praticamente todos os dias. A eles, nosso muito obrigado, nossos parabéns e os votos de um Feliz Dia do Médico - hoje e sempre!

Mimimis

E já que hoje é o dia do médico, a coisa por aqui anda feia.

Cainho, depois de uma faringite, teve um fungo na região buco-oral, provavelmente causada pelo próprio antibiótico que combateu a faringite. Agora tá atacadíssimo do refluxo. Essa noite gritou o tempo todo de dor, alternando momentos de muito vômito. E pior que não há nada a fazer a não ser esperar passar... A única coisa que me conforta um pouco é que ele, ao menos, já está aceitando o chá de hortelã, abençoada dica da Nalu para aliviar os desconfortos que vou agradecer pelo resto dos meus dias.

E eu, apesar de ainda estar perdendo peso a passos de "lesma de bengala", ando cheia de dodóis. Pra começar, uma dor no final da coluna que me mata quase que diariamente. Vou fazer uns exames, mas tudo indica que seja mesmo o "famoso" ciático. E pra ajudar, ou na carona disso, tenho surtado de dor no pé. O pé que vivo virando, que engessei ano passado e que radiografias apontaram que já tem duas fraturas antigas mal calcificadas. Ah, tá. Acho que realmente estou ficando velha...
:(

O jeito é seguir sendo amiga dos bons médicos e agradecer por eles existirem.

sábado, 9 de outubro de 2010

Dinha Doces

Com parte do meu salário recebido no IBGE finalmente decidi focar mais numa única atividade. Ok, ainda faço frees de PP, mas cada vez menos. O que me dá prazer e tem me dado também mais rendimento são os docinhos... Estou investindo minhas energias cada vez mais no Dinha Doces. Imprimi um cartão de visitas, estou testando novas receitas, agendei um curso de confeiteiro.
Quem sabe não seja um novo e exitoso caminho rumo ao sucesso? Ou, ao menos, à desejada estabilidade financeira... Uma certeza eu tenho: o caminho é doce.






sexta-feira, 8 de outubro de 2010

E falando em exemplo...

Palavras sempre atuais, eternamente sábias de Gandhi...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um exemplo a ser seguido

A amizade entre os homens e os animais é um belo exemplo de como deveriam ser todas as relações humanas... baseada no afeto, no respeito, na cumplicidade e na verdade. Alguém duvida?



quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Maktub

Os últimos dias não tem sido fáceis para o Caio.

Ele teve uma sinusite em maio que, apesar de todo acompanhamento médico, ainda mantém sequelas até hoje. No feriado de 20 de setembro seu refluxo veio a milhão! E, para ajudar, nosso clima não tem sido dos melhores também, oscilando muito. O resultado é uma recém descoberta faringite... Nessas aventuras, ele perdeu quase um quilo e voltou à faixa amarela da tabela de peso... alerta... afff!
Essas intercorrências, apesar de relativamente corriqueiras na vidinha do Caio nunca são bem assimiladas pelo meu coração materno. Tudo que é simples ou normal para qualquer criança (ainda que mães sempre sofram ao ver o mínimo desconforto do filho) adquire proporções gigantescas em nossa rotina, considerando o quadro do Caio. Tenho muitos medos, medo de perdê-lo, tristeza de ver suas dores e nada poder fazer...
Como a paralisia cerebral dele foi causada por prematuridade e anóxia no parto mais imperícia médica, nessas horas eu sempre penso se poderíamos ter feito algo, cinco anos atrás, para impedir que ele passasse por essas provações... Sim, eu sei, uma das grandes missões da minha terapia e da minha vida é parar de buscar culpados... mas esses são os sentimentos que, volta e meia, me atormentam.
São nesses momentos que vejo quão fundamental são as amizades que fiz na internet, no Orkut e na blogosfera... compartilhando experiências, sonhos, anseios, com outras mães de crianças com pc. Relembro da amiga que teve gravidez de risco diagnosticada desde o início, acompanhamento médico especial, todos os recursos à disposição... e nada disso impediu a paralisia em seus dois filhos! Não que eu me alegre com isso ou diminua minha dor durante os períodos de crise do Caio. Mas servem para eu relembrar porque eu tenho aquela minha fé quase inexplicável...
Maktub!
Estava escrito!
Caio é o filho que me estava destinado desde sempre, meu filho amado e especial.
Nossa luta foi escolhida por ambos e juntos vamos matando um leão por dia.
Esta escrito que teríamos momentos difíceis, mas que também saberíamos saborear, depois da tempestade, cada motivo para sorrir.
E é o sorriso do meu guerreiro o meu maior alento. Porque ele é constante, persistente, valente como o próprio dono dele.
Às vezes é barra. Mas estava escrito que daríamos conta. Que ele, meu Cainho, viria para me dar lições infinitas. De que haveriam dias melhores e piores. Mas que tudo, absolutamente valeria à pena.
Quando olho seu sorriso não tenho a menor dúvida disso.
Makutb.
Ainda bem!


Caio em foto tirada ontem, mais magrinho, no antibiótico, mas com o sorriso inconfundível de quem sabe tirar da vida o seu melhor... Obrigada por me ensinar tanto, meu filho!

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Bodas de Marfim

Há 3 meses meu casamento esteve no olho do furacão.
Tínhamos chegado num ponto que não havia mais nada. Perspectiva, carinho, vontade... E no meio da pior de todas as crises, percebemos que ainda havia amor. Não sei nem explicar como, mas ele está renascido.

No início, tive medo de apostar nele - meu casamento - outra vez.
Abri mão de emoções sedutoras que uma aventura me prometia e resolvi voltar para aquele que um dia escolhi "para sempre".
E hoje tenho certeza de que vim pelo melhor caminho.
Eu e o Sandro estamos reescrevendo nossa história.
Com paixão, com verdade, com respeito. Me arrisco a dizer que nunca tinha sido assim. Estamos nos redescobrindo e tem sido muito bom.

Por isso, hoje temos mais e mais motivos para celebrar.
Estamos completando 14 anos de casados, nossas Bodas de Marfim.
Estamos consolidando nosso amor, nosso bem querer um pelo outro... E para marcar esta fase, esse compromisso renovado de sermos felizes, trocamos nossas alianças.
O Sandro na verdade, nem tinha mais a dele.
A minha, não servia mais no dedo, seguia no porta-joias.
Escolhemos uma aliança simples, de aço com filete de ouro.
Forte como queremos ser. Mas com o brilho inconfundível do amor verdadeiro a lhe nortear.
E com a certeza de que ainda celebraremos muitas e muitas outras datas assim.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Corujando

Na falta de assunto, seguem fotinhos da minha melhor inspiração.

Caíto brincando em sua nova mesa de atividades da cadeira... alternando momentos de concentração e pura alegria!

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um amor para sempre

Meu amado Jon,

essa semana fez 9 anos que teu sorriso foi iluminar outra dimensão.
Não sofro mais. Entendi. Como já escrevi em outra ocasião, o sentimento se transformou numa doce saudade.
Às vezes penso no Jon que não cheguei a conhecer: o Jon tio dos meus filhos, o Jon talvez pai... Então lembro ainda mais forte do Jon que só eu tive o privilégio de conhecer e ter... o Jon irmão, meu mano, meu parceiro, meu ombro amigo, meu confidente... me arrisco a dizer, minha alma gêmea.
Se acredito que nenhum sentimento é tão intenso e perfeito quanto o amor de uma mãe pelo filho que gera, tive a benção de vivenciar contigo um amor ideal entre irmãos. Um amor verdadeiro, alegre, quentinho... E esse, eu sei, é do tipo raro de amor para sempre.
Hoje não choro mais tua ausência, porque sei que ela inexiste. Sei que, de onde estás, tu ainda me acompanhas e me ampara. Que bom que pude chegar até aqui e perceber que agora o dia 15 de setembro é dia de doces e alegres lembranças. E de uma imensa gratidão com o Pai, por ter me proporcionado esses momentos contigo.
Esteja em paz, meu mano “véio”, como costumava te chamar.
Eu daqui sigo te amando, até a hora da gente se reencontrar outra vez.


Um beijo,
“Cadinha”

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A inclusão nossa de cada dia

Que a inclusão é uma luta, todos sabemos.

O que nem sempre nos damos conta, que é uma luta que começa dentro de cada um de nós. Quando nós aceitamos as diferenças, dificuldades e deficiências de alguém. Não como fardo, não como peso, como impeditivo ou como barreira. Mas apenas como uma outra condição.

Sei da deficiência e das limitações do meu Caio. Mas vejo muito antes disso... vejo meu filho! Na condição que ele é. E como mãe, meu papel mais importante é lutar pela felicidade dos meus filhos, dos dois. No caso do Caio é incluí-lo nos momentos mais gostosos da vida também. Nem só de terapias, medicações e medicina vivemos.

Sábado agora tivemos mais uma deliciosa festinha de aniversário, dessa vez o primeiro aninho da nossa amada Gabriele. Caio estava muito animado e me pareceu que ele podia e queria curtir a festa ao máximo. Então eu e minha mãe o levamos para o play para brincar. Claro, ele precisa de ajuda. Mas pode se divertir muito... as fotos não me deixam mentir.

Olhares de espanto sempre existirão. Nem sei se eles diminuiram ou se tornaram menos importantes para mim. Importante, fundamental mesmo é ver o rostinho feliz do meu filho, se sentindo parte integrante daquela criançada gritona, correndo, fazendo a maior folia... do jeito dele, dentro das suas possibilidades, ele também fez!

Relembro de tudo o que já passamos. Dos piores prognósticos não confirmados, de uma criança completamente vegetativa. Penso como cada movimento, cada resposta que o Caio nos dá, por menor que seja... quão grandiosa ela se torna! E nada me orgulha mais do que ver que conseguimos fazer dele uma criança feliz! Em ocasiões assim, não enxergo a criança deficiente. Vejo o menino alegre, seguro porque sabe do amor que lhe dedicam. O menino de 5 anos que não sabe andar, que mal sabe falar... mas que sabe tirar da vida as maiores lições, os melhores momentos... E, acreditem, dentro do meu coração de mãe, não existe quentinho mais gostoso.





quarta-feira, 8 de setembro de 2010

E o feriado foi doce...

... literalmente!
Encomenda de 800 negrinhos e branquinhos para um aniversário de 1 aninho...
Aqui, passo a passo, como transformar uma meleca de leite condensado em delícias... aceito encomendas... hehehehe!











terça-feira, 7 de setembro de 2010

Uma semente

Faz mais de três anos que sonho poder proporcionar a equoterapia pro Caio. Sei de seus resultados fantásticos. Infelizmente, além de só ter em Porto Alegre, é uma terapia caríssima.

Fiz até um vídeo, tentando um apadrinhamento empresarial pro Caio, mas foi em vão.


Então ontem, coloquei em prática uma idéia alimentada há alguns meses. Fui em uma audiência pública, que nosso prefeito realiza semanalmente para atender demandas da população. Ele recebe 15 pessoas, em sessões individuais. E apresentei um projeto de tentar implantar uma escola de equoterapia em Canoas. Temos o terreno, o espaço e animais mansos, que podem ser montados por crianças, doação de um senhor, ex-patrono de CTG (Centro de Tradições Gaúchas) que perdeu uma filha deficiente ainda na infância. E ele quer ajudar a escrever uma história diferente para outras crianças... Precisamos de amparo legal e técnico. Levei ao Jairo Jorge todas os requisitos que devem ser cumpridos para que possamos abrir um estabelecimento filiado à ANDE Brasil - Associação Nacional de Equoterapia. E ele ficou muito entusiasmado com a idéia, já encaminhou um ofício na hora para sua equipe de saúde e me prometeu pensar com muito carinho e dedicação na idéia.

Canoas já tem a ACADEF, associação credenciada pelo Ministério da Saúde como Centro de Referência em Reabilitação e atendimentos de alta complexidade. Podemos, com a Equoterapia, tornar nossa Canoas uma cidade referência em inclusão e acessibilidade. Jairo vai propor uma parceria com a ACADEF, para que ela ofereça o serviço de equoterapia a seus associados, disponibilizando seus competentes profissionais. E ele pediu um estudo de viabilidade econômica para implantar um projeto piloto de equoterapia para um pequeno grupo inicial de 10 crianças. Sabe que o SUS dificilmente arcará com os custos, mas tem vontade de que a Prefeitura possa fazer esse investimento.


Fiquei muito feliz com nossa audiência. Com a disposição aparentemente tão sincera do nosso prefeito. Com minha vontade de lutar e fazer mais por meu filho, por outras crianças, por nossa cidade. Com a pequena semente que talvez tenha sido plantada. Agora é seguir, como sempre, na luta e na fé. Porque, mais do que nunca, acredito que sonho que se sonha junto pode se tornar realidade...


Eu e o prefeito Jairo Jorge, na audiência pública na qual ele me recebeu




segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Rapi-dinhas

Ando numa correria só.
Sem internet aliás.
Mas feliz.

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Aqui em casa, todos pegamos um gripão de derrubar.
O Yuri que, mui raramente fica febril, não pôde ir às aulas da última semana.
A forte virose incluiu os moradores da casa dos fundos (minha mãe e cia.).
A exceção foi o Ito, que se manteve incólume.
Ponto pra imunidade dele e pra alegria da gente.

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Fechei o primeiro setor do Censo, estou na metade do segundo.
Estou fazendo uma invasão, com condições muito precárias de moradia.
E é impressionante o quão tenho sido bem recebida, o quanto esses moradores estão esclarecidos a respeito do Censo.
Estou amando essa experiência, quando terminar tenho muito causo bacana pra contar.
E, como eu imaginava, é uma lição de vida diária.

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Nosso querido amigo Roque partiu quinta passada, vencido pelo câncer que ele tão bravamente combateu por 3 anos.
Yuri ficou arrasado, está vivenciando seu primeiro luto de quem ele tinha como um avô. Mas ele está crescendo e fico orgulhosa disso.
E sei que nosso "Roquinho" está lá em cima, num lugar lindo e iluminado como ele merece.

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Na mesma semana, uma de minhas cunhadas anunciou que ela inicia também um tratamento contra um câncer no seio. Fé sempre. Eu sei que ela move montanhas.

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Hoje à tarde tenho audiência com o Prefeito da nossa cidade.
Tô torcendo muito e acreditando demais na realização de um grande sonho para meu Caio e para muitos...

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Sabem gostinho de quero mais?
Pois é... cadê o juízo?

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Acho que ter certeza é para poucos.
Eu ainda não tenho certeza. Tenho quase...
Mas sei que faria quase tudo novamente. E cada vez mais acredito em predestinação, em males que vêm para bem, nas coisas que estão escritas... Então, vou cumprindo meu caminho.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Tudo ao mesmo tempo agora...

Eu tenho algumas superstições que não me abandonam. Uma delas é de que agosto realmente é o "mês do cachorro louco", como dizem... O meu especialmente foi algo ainda inexplicável em palavras.

Vivi algumas rupturas bem difíceis. Não sei se são definitivas mas, certamente, estão dando um novo rumo à minha vida. E, passada a dor e até mesmo a surpresa inicial, tudo parece encontrar novos eixos. Rompi também meu casamento, um relacionamento de 18 anos. E agora, depois de uma grande ventania, estamos tentando reescrevê-lo. Não é retomar, porque no ponto que estava, esse eu não quero mais... Ainda estou um pouco em cima do muro, sem saber se estou no caminho certo. Mas acho que está valendo a tentativa e a esperança.

Difícil é apagar projeções sobre um futuro que não cheguei a viver. Acredito que uma aventura em meio a tanto tempo de vida estável tem a capacidade de realmente mexer com nossas emoções e ideias... Mas, nesse momento, decidi abri mão de vivê-la, embora ainda tenha momentos de questionamento sobre minhas próprias escolhas.

Caio tem tido crises muito frequentes de vômitos. Uma a cada semana, pelo menos. Exames médicos concluídos, não há diagnóstico novo nem justificável. "Apenas" seu refluxo severo... No meio disso, aí sim, esqueço de mim e piro uns tempos.

Yuri tem se mostrado um pré-adolescente difícil de lidar. Busco culpados e quase sempre as flechas apontam para minha própria cabeça. Mas preciso confiar na minha terapia, a passo de tartaruga, mas, devagar e sempre. E na dele, que, a psicóloga já me avisou será lenta e longa. Ele dá uma importância demasiada à sua aparência física e isso tem influenciado negativamente em sua conduta, em seus relacionamentos, em várias esferas de sua vidinha. Torço pra que ele supere. E eu também.

Pra dizer que nem tudo é chororô, tem coisa bacana sim.

Meu trabalho no IBGE está sendo bem gratificante. Hoje terminei meu primeiro setor de entrevistas, tendo passado por 166 residências. E, como eu imaginava, é uma lição de vida. Espero levar grandes ensinamentos desse período.

Os frees em PP também estão rolando e ontem me surgiu uma oportunidade que parece bem interessante, que casaria bem com minha experiência profissional e de mãe também. Se der certo, depois abro aqui...

E ainda existem os docinhos... Encomendas a todo vapor!

Me sinto um pouco sem foco... parece que estou querendo atirar pra tudo quanto é lado. Mas, ao mesmo tempo, contraditóriamente, eu sou meu próprio foco. Pela primeira vez, em tantos anos, estou ME priorizando. Meus sentimentos, minhas vontades, meu prazer, minhas realizações. Se estou trilhando pelos caminhos certos, não sei. Mas sei que é atrás de mim mesma que preciso ir... E estou fazendo por onde.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Fantasmas e fé

Caio hoje faz 5 anos e 3 meses.
E nunca canso de pensar que cada data, que cada dia deve ser imensamente comemorado. De lembrar o quão guerreiro, o quão vitorioso é meu filho.

Já escrevi aqui que gostaria de esquecer isso, de vê-lo como uma criança absolutamente normal, sem nada de fantástico ou excepcional. Mas infelizmente, não é a nossa realidade. E preciso muito, em alguns momentos, viver tudo outra vez pra me manter na fé de que tudo vai acabar bem.

No seu acompanhamento neuropediátrico de rotina, estão incluídos os eletroencefalogramas de controle. Nada de novo, nada de ruim, mas nada de bom. Caio continua com as ondas cerebrais desorganizadas e com potencial epilético. Por conta do seu saudável aumento de peso, o Richard, seu neuro, aumentou a dose de um dos anticonvulsivos, o Depakote. Dose terapêutica que, se espera, diminuam cada vez mais a incidência das pequenas crises convulsivas que Caio tem com alguma frequencia. E esse é um dos remédios que me despertam fantasmas. Ele é secretado diretamente pelo fígado e pode sobrecarregá-lo, podendo causar, inclusive, nova hepatite medicamentosa no meu pequeno.

Caio usa três anticonvulsivos para que ele possa tomar doses pequenas a médias de cada, evitando que se sobrecarregue justamente algum órgão, pelo excesso. E aí agora voltamos à rotina do monitoramento mais frequente das provas hepáticas do seu sangue. O que não é garantia de nada. Quando Caio teve hepatite, em 2008, ele tinha feito provas com resultados normais. A hepatite chegou galopante quinze dias após os exames.

O que eu penso de tudo isso? Que tenho medo. Que tenho medo de ter medo. Que tenho medo de não saber enfrentar o que nos está destinado. Preciso então resgatar sempre e sempre nossa história para me certificar de que damos conta. De que está tudo certo, tudo dentro do nosso já conhecido script. De que não estamos sós. De que os fantasmas existem sim. Mas que eles não são nada diante da nossa fé, aquela teimosa, de que sim, vai dar tudo certo. De novo. E mais uma vez. E tantas vezes quantas for preciso.
Amém.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Dar nome a um filho...

Sempre achei que é uma enorme responsabilidade escolher o nome de uma pessoa. E é o que acontece com nossos filhos. Yuri foi escolha do pai dele. Com Y, como o astronauta russo Gagarin. Fui meio contra, mas não obtive êxito ao tentar persuadi-lo. Hoje, não imagino meu Yuri com outro nome que não o seu lindo Yuri...
Mas há dificuldades.
Na escola, quando começou a alfabetização, ele não encontrava objetos com a letra Y para ilustrar seu nome. Recentemente ele me fez lembrar desse episódio. Está acontecendo uma brincadeira na escola, onde a criança precisa citar o que levaria junto numa viagem... que comece com sua letra. E aí fomos pesquisar novas palavras "abrasileiradas" com a letra Y. As flexibilidades da figuração de linguagem do português nos permite até mesmo citar algumas marcas como sinônimo de substantivo. Para os publicitários se chama branding, que é o sonho de todo produto/marca/anunciante. Seja o que for, ufa! Tô salva! Arrumei algumas "coisas" para meu Yuri levar em sua viagem de brincadeiras...

Então, Yuri pode levar em sua viagem...

... um yakissoba (macarrão chinês),


levar ou ir com uma yamaha (moto),


ir acompanhado de um yanomami (índio)


e ainda levar um yorkshire (cachorro)


Fica a dica para futuros papais... existem vários elementos para se levar em consideração na hora de escolher o nome do seu filho, preste atenção!!! Mas também fica a constatação de que ter um filho é a mágica oportunidade de reinventar regras...

domingo, 8 de agosto de 2010

Carinho

Ter 38 anos tem suas vantagens.
Entre elas, saber que nada como um dia após o outro. E que nenhum dia se repete.
Recebi no finalzinho dessa semana o carinho em forma de presente da minha querida leitora e amiga Marlene.
Um gesto de uma generosidade e doçura sem fim, que aqueceu meu coração.
E o maior de todos os valores: feito pelas mãos da própria Marlene.





Quem quiser conferir mais de suas obras de arte, acessem http://www.mmora-bolsas.blogspot.com/
Obrigada, querida, mais uma vez. Ter uma amizade assim é que é um presente sem tamanho!

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Tristeza

"É melhor sofrer uma injustiça que praticá-la, assim como às vezes é melhor ser enganado do que não confiar".

Samuel Johnson

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A escolha é a alma gêmea do destino*

Sei que das nossas escolhas são feitos os nossos caminhos.
E acho que saber disso é que torna o ter que escolher tão difícil.
Ainda que se possa mudar o caminho no meio, sempre fica a questão: e o outro caminho, como será?

* frase de autoria de Sarah Ban Breathnach

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Quero viver... Viva eu!

Hoje é meu dia.
Mais um dia.
De tantos que quero viver.
Intensa.
Com garra.
Com sentimento.
Com sangue pulsando.

Estou quase chegando na idade da loba.
Mas me sinto renascendo...
Brotando para a vida...


É o que tenho feito.
Semeado.
Adubado.
Cuidado do meu jardim.


Porque quero que a vida floresça em mim,
para mim,
por mim.


Quero viver.
E hoje...
Viva eu!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Altos e baixos

Acontecem algumas coisas na minha vida que a estão mudando consideravelmente.
São mudanças pensadas, planejadas e, atualmente, em execução num misto de coragem e arrojo.
Mas não é um caminho fácil. Antes, pelo contrário, é muito longo e por vezes muito dolorido também.
Algumas pessoas já me perguntaram mais diretamente, qual o segredo...
E eu não sei dizer. Porque cada alegria que tenho sentido, de forma tão intensa, nos últimos tempos, é fruto de uma árdua luta, especialmente comigo mesma.
Não há mágica.
Estou ciente das minhas fragilidades e tal como um dependente químico, estou vivendo um dia de cada vez. Vivo minha felicidade hoje, sem pensar se ela perdurará amanhã.

E hoje, só por hoje, estou triste.
Insegura.
Ansiosa.

Mas, como eu sei, é só por hoje.
Amanhã há de ser um novo dia.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Quanto vale um SIM

Você consegue um bom emprego na hora que bem entender? Você descola um amor do dia pra noite? Se entrar num banco, sai de lá com um empréstimo sem burocracia? Se você respondeu sim para todas estas perguntas, parabéns. E fique atento para o horário de partida do seu disco voador, pois a qualquer momento você terá que voltar para seu planeta.

Entre nós, terrestres, o sim é uma resposta rara. Na maioria das vezes, NÃO há vagas, NÃO querem editar nossos poemas, NÃO temos fiador, a garota NÃO quer ouvir uns discos na sua casa, o garoto NÃO quer usar camisinha e o guarda de trânsito NÃO foi com sua cara e vai multá-lo, sim, senhor. NÃO está fácil pra ninguém.

Ao contrário do que possa parecer, esta não é uma visão pessimista da vida. As coisas são assim, dão certo e dão errado. Pessimismo é acreditar que ouvir um não seja uma barreira para realizar nossos planos. Tem gente que fica paralisado diante de um não. Nunca mais vai à luta. Já o otimista resmunga um pouco e em seguida respira fundo e segue em frente.

Quando eu tinha 17 anos, mandei uns versos para um concurso de poesia. Não ganhei nem menção honrosa. Daí entreguei meus versos para o Mario Quintana avaliar. Ele não respondeu. Neste meio tempo eu estava apaixonada por um cara que ignorava minha existência. Quando eu não estava pensando nele, fazia planos de morar sozinha, mas meu estágio não era remunerado. Aí quis viajar para a Europa, mas não consegui entrar num programa de intercâmbio. Surpreendentemente, não me passou pela cabeça a idéia de me atirar embaixo de um caminhão.

Hoje tenho nove livros publicados (cinco deles de poesia), sou casada com o homem que amo, tenho a profissão dos sonhos e viajo uma vez por ano, e tudo isso sem ganhar na megasena, sem cirurgia plástica, sem pistolão ou pacto com o demônio. O segredo: cada não que eu recebi na vida entrou por um ouvido e saiu pelo outro. Não os colecionei. Não foram sobrevalorizados. Esperei, sem pressa, a hora do sim.

O não é tão freqüente que chega a ser banal. O não é inútil, serve só para fragilizar nossa auto-estima. Já o sim é transformador. O sim muda a sua vida. SIM, aceito casar com você. SIM, você foi selecionado. SIM, vamos patrocinar sua peça. SIM, a Ana Paula Arósio deu o número do celular dela.

Quando não há o que detenha você, as coisas começam a acontecer, SIM.

(Martha Medeiros)

Contagem regressiva

Faltam 6 dias...
E eu ando feliz como pinto no lixo!
Tudo vai dar certo!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Inferno astral? Tô fora!

Faltam 9 dias pro meu aniversário!
Eu sempre curti muito fazer aniversário, mas nos últimos anos as coisas andavam diferentes. Primeiro porque meu mano Jon saiu dessa dimensão e como éramos "gêmeos de dia", acaba que eu ficava constrangida em ficar feliz no aniversário que passou a ser só meu, e não mais da gente... Depois, porque os imprevistos da vida me pegaram assim: desprevenida. E eu não estava sabendo bem lidar com eles, me sentia entre frustrada e triste, como se a vida estivesse apenas passando por mim.
Esse ano estou com outro astral. Estou feliz por perceber que o tempo não pára, mas que eu também posso e devo me mexer muito! E que não, não estou tão velha assim. Se Deus permitir, mal estou chegando à metade da minha existência. Ainda dá tempo pra muitos sonhos, muita luta e muitas realizações...

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Objetos de desejo:

* Um novíssimo par de Havaianas;
* Relógio de pulso;
* Óculos de sol;
* Perfume;
* Copos grandes e coloridos;
* Um livro bem bacana;
* Muitos batons.

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Já combinei e tals, mas ainda tô em dúvida quanto à comemoração - se em casa, mais discreta ou jantando fora... Só tenho uma fé, quase certeza. Não vim pra esse mundo à passeio, mas também vim pra dar muito sorriso, que é o que vale à pena!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Tempo de adubar...

Nossa, quase um mês sem passar por aqui!
Mas minhas idéias andam tão efervescentes que não tem me sobrado tempo pra quase nada!
A vida corre e eu decidi que não quero ficar pra trás.
Muitas coisas boas começam a acontecer.
Decidi que, se quero ter bons frutos, é hora de cuidar bem da árvore.
No caso, myself :)
E estou feliz e serena como há muito não era.
Daqui duas semanas estou de aniversário. E esse ano decidi que não existiria inferno astral pra me impedir de ser feliz. Tem dado certo!
Ainda não posso abrir de outras coisas que estão acontecendo ou em vias de.
Mas, estou emagrecendo. Sem fazer dieta, sem sentir. Simplesmente porque ando tendo mais prazer na vida em si, do que à mesa.
E passei no concurso do IBGE. Vou ser recenseadora. É um trabalho temporário, o concurso não foi muito difícil. Mas, das 303 vagas destinadas à minha cidade, fiquei em 18o. lugar. Serviu pra dar uma boa sacudida na minha auto-estima. Quem sabe novos caminhos não venham nesse rastro?
Quero colher, como sempre.
Mas, agora, é tempo de cuidar da terra, de suas raízes...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Onde estão meus bebês?

Um, começa a apresentar espinhas no rosto...
O outro, dá sinais de que, em breve, teremos troca de dentes naquele lindo sorriso...
Como assim?
Como é que eles decidem crescer de uma hora pra outra e nem avisam a mamãe aqui?

sábado, 5 de junho de 2010

Viver com medo

Faz algum tempo estou aceitando melhor a minha porção “mãe humana”. O que vem a ser isso? Uma mãe normal, apenas. Nada de supermãe, nem de mãe especial. Uma mãe que erra, que cansa e que tem sentimentos conflitivos. Tudo legítimo e que em nada diminui o imenso amor que tenho por meus filhos. Claro que os sentimentos menos nobres teimam em aparecer com mais freqüência em relação ao Caio. Não a ele propriamente dito. Mas à nossa condição. Às vezes sinto raiva, me sinto injustiçada, pergunto o por quê de eu ter um filho deficiente... Tudo normalíssimo. E, de todos os sentimentos dessa esfera, existe um, um só, que me provoca um extremo desgaste emocional: é viver com medo.

Caio teve uma nova convulsão hoje. Focal, rápida, não precisou ser removido ao hospital. Recebeu suporte de oxigênio em casa e foi liberado para ficar em observação – observação essa feita pela mãe aqui.
Quando falo que sonho tudo para meu filho, ao mesmo tempo tenho profunda noção do quanto eu preciso tão pouco para ser uma mãe realizada. Sim, eu sonho com ele falando, andando, cursando uma faculdade. À medida que os anos passam, sei que meus sonhos cada vez mais podem se restringir somente à minha ansiedade emocionalmente envolvida de mãe e cada vez menos a respostas objetivas da trajetória da reabilitação do Caio, por melhor que ela seja. Ainda assim, teimo em sonhar. Como a famosa personagem cadeirante da novela recém terminada, vou questionar todos os dias de minha vida, se um dia será possível ver meu menino em pé.

Mas, se é pra ser bem pé no chão, eu ficaria feliz com muito menos. Queria que meu filho deixasse de ter epilepsia. Me conformo dele não andar, dele não falar, de nunca estudar e de, talvez, ser sempre o meu bebê. Quem me conhece sabe que reconhecer isso, me é extremamente difícil e dolorido. Mas eu aceito o que for. Consigo ver, em nossa história, a beleza e a verdade de nossa interação, de nossa sintonia. Caio não fala quase, mas se comunica perfeitamente comigo e com quem tem paciência e disponibilidade para ele. Tenho fé (ainda que esta também possa ser idealizadora demais) de que ele sempre terá algum anjo a zelar por ele, mesmo quando eu não mais estiver aqui. E também sei que de nada adianta fazer confabulações catastróficas sob um amanhã que nem sei se realmente existirá.

Agora, as crises convulsivas acabam comigo. Me matam um pouquinho por vez. Existe um texto ora atribuído à Marina Colasanti,ora à Clarice Lispector, que diz que a gente não devia, mas se acostuma. Se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Eu queria muito, no caso da epilepsia do Caio, me acostumar para sofrer menos.

Ele não tem crises multifocais, daquelas que a pessoa baba, se debate. A crise dele é quase silenciosa. É um olhar que para. Um dedinho que tremula. A língua que fica durinha no céu da boca. E a saturação dele começa a despencar... Já foi a menos de 60% e precisou de horas de suporte de O2 no hospital para se recuperar. Dizem que abaixo de 90% corre-se o risco de sofrimento e seqüelas.
Hoje, ele convulsionou enquanto lanchava. Mas já convulsionou durante uma sessão de fisioterapia. Durante a primeira mamadeira da manhã. Dormindo até! E eu preciso estar sempre muito atenta a padrão respiratório, tonalidade da pele, qualquer reflexo minimamente diferente. E reforço: não tem nada pior do que viver com medo. Com medo que aconteça de novo. Com medo que o nível de oxigenação dele caia demais. Com medo de não perceber imediatamente. Com medo de, numa dessas, eu perder meu filhote.

Sei que muitos convivem com a epilepsia a vida inteira. Sei de casos que ela pode regredir, embora, tecnicamente, não haja cura. Pesquisas recentes com células tronco estão à mil nesse segmento. Rezo todo dia para que eu nunca mais precise assistir meu filho tendo uma convulsão. Mas sei que vou assistir ainda, por um tempo ao menos. Essa é a única certeza que tenho. E a de que é muito triste viver com medo.