sexta-feira, 30 de maio de 2008

Boas novas

Notícias para o Brasil comemorar e das quais deve se orgulhar. Que sejam as primeiras de muitas outras que virão, falando de inclusão, solidariedade, avanços médicos e liberdade.

Supremo libera pesquisas com células-tronco embrionárias

Jovem com paralisia cerebral recebe carteira da OAB

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Somos quem podemos ser

O título deste post é também título de uma música de uma banda gaúcha de quem fui sempre muito fã, os Engenheiros do Hawaii (cujos shows curti muito no fim dos anos 80).
Tantos anos, depois, me convenço do quanto eles estavam certos.

Hoje, trouxe o Caio pra uma avaliação no dentista, que fica em frente à minha sala, no meu endereço comercial. Yuri, enciumado, quis vir junto pra ficar jogando na internet enquanto o mano era atendido. No horário do meio-dia fui levá-los em casa, até porque o Yuri tem aula. Quase na minha esquina, reencontro a Gê. Uma grande amiga da minha mãe, também me foi uma querida amiga no final da minha adolescência. Ela mora no mesmo conjunto habitacional, mas eu nunca mais a tinha visto. Sei que ela tem uma bisneta deficiente, com 6 anos de idadde, com paralisia cerebral severa, não movimenta nenhuma parte do corpo, é cega. Volta e meia ela encontra minha mãe com o Caio e elas conversam.

Ela olha o Caio com aquele olhar que eu costumo lançar aos filhos de minhas amigas, da idade do Caio ou menores, quando os vejo realizando as normais (e no meu caso, sonhadíssimas) estripulias infantis. E pela segunda vez, ouço alguém me dizer: "ah, se ela pudesse ser como ele". Ela se referia à bisneta, claro. Disse que eles seriam muito felizes se ela pudesse interagir como o Caio, se movimentar, enxergar, brincar... Ela disse que fica triste porque no caso de Ingrid, sua bisnetinha, não há nem nunca houve nenhuma perspectiva de melhora. Me desejou boa sorte, disse que sabe que com o Caio a história será diferente...

Mais uma vez pensei naquilo que muitas vezes me parece pouco ou insuficiente, seria o tudo para alguém. A mãe da Brenda, ano passado, e hoje a bisavó da Ingrid, me fizeram novamente olhar pra minha vida com mais humildade e gratidão.

E movida mais pela razão do que pelo coração, preciso agradecer mais uma vez ao Pai, o filho lindo que Ele me destinou.

Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Um dia me disseram
Que os ventos
Às vezes erram a direção
E tudo ficou tão claro
Um intervalo na escuridão
Uma estrela de brilho raro
Um disparo para um coração...
A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
Um dia me disseram
Quem eram os donos
Da situação
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
E tudo ficou tão claro
O que era raro, ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum...
A vida imita o vídeo
Garotos inventam
Um novo inglês
Vivendo num país sedento
Um momento de embriaguez...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
Um dia me disseram
Que as nuvens
Não eram de algodão
Sem querer eles me deram
As chaves que abrem
Essa prisão
Quem ocupa o trono
Tem culpa
Quem oculta o crime
Também
Quem duvida da vida
Tem culpa
Quem evita a dúvida
Também tem...
Somos quem podemos ser...
Sonhos que podemos ter...
(Somos quem podemos ser - Humberto Gessinger)

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A esperança

Penso exatamente como ele...


A esperança

Eu tenho uma desconfiança de que uma das causas básicas da loucura é a ausência completa da esperança.Porque está comprovado que a causa básica do suicídio é a ausência mais completa da esperança.E quando o desesperado não consegue suicidar-se por qualquer razão, entre tantas a falta de coragem, ele acaba enlouquecendo.

Isso tudo porque quando a gente passa pela rua e vê aquela multidão indo e vindo, o que a move é, em última essência, a esperança.O que leva as pessoas à frente é a esperança.Até mesmo as pessoas felizes circunstancialmente têm a esperança de que continue sua felicidade - ou de que, se ela se for, retorne em outra oportunidade.

Os crentes de todas as religiões nutrem a esperança de serem acolhidos no reino dos céus, de encontrarem-se em outra vida com seus profetas e com Deus.Apenas, no caso dos crentes, a esperança tem outro nome: fé. Mas a fé é a base de todas as religiões. Por ela, os fiéis têm a certeza de que serão salvos, que estão no único caminho certo. E isso os anima na vida e os faz diferentes das outras pessoas desnorteadas ou repletas de dúvidas.

As mulheres jovens se incendeiam na esperança de virem a ser mães. E as mulheres que já foram mães têm como única razão de vida a esperança de que seus filhos se realizem e sejam felizes.O cadete tem esperança de vir a ser coronel, o soldado de vir a ser sargento, o taxista de vir um dia a deixar de ser empregado e vir a ser proprietário de um táxi.

É imprescindível a esperança na vida das pessoas. Nem que seja a esperança de vir a ter esperança.A capacidade de pensar de um cérebro, de pulsar de um coração e de manter-se ereto e movimentar-se de um corpo dependem da esperança.Quando não houver mais esperança, a pessoa desiste e morre. Ou enlouquece, é o meu palpite, porque a ciência ainda não identificou bem a causa da loucura.Eu aposto que é a ausência mais completa da esperança.Por isso é que Chesterton, um dos maiores pensadores modernos, disse "que louco é aquele de quem tiraram tudo menos a razão".

E o que quis dizer Chesterton com isso? Que foram tiradas tantas coisas de uma pessoa, todos os seus encantos, sonhos, haveres, afetos, crenças, a esperança, todos os seus valores, destroçaram-na e decepcionaram-na tanto, que acabou sobrando-lhe só a razão. Sozinha, ela também soçobrou e deu lugar à loucura.A pessoa virou nada porque a razão não sobrevive sem os fatos.Os fatos é que muitas vezes se desenrolam desastradamente sem a razão.

Toda a energia do homem deriva da esperança, isto é, da convicção, da certeza ou até dúvida de que poderá vir a ser feliz.Como já expliquei outra vez, em face de que a felicidade, por ser efêmera, não existe, o dever do homem, em última análise, é procurar vir a ser menos infeliz.Mas mesmo não podendo vir a ser feliz, porque a felicidade não existe, o homem obviamente sobrevive sem a felicidade.Mas não tem nenhuma chance de sobreviver sem a esperança de ser feliz.

(Paulo Sant'Ana - Jornal Zero Hora, 25/05/2008)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Foi assim...

A decoração... muito linda!
A família Buscapé

Eu e meu primogênito - descobri que sou mãe do Homem Aranha e que ele tem 8 anos!

O outro aniversariante amou a mesa do bolo... mas tava todo dengoso e queria colo!


Meus 3 rapazes...

A avó paterna - Carmelita - que fez vários salgados deliciosos!

A avó materna - Ideli - que patrocinou os docinhos!

Minhas amadas amigas! Eu, Babi, Ísis, Val com Ana Clara e Márcia POA

Agora, com a filharada: Rafael no colo da Márcia (a Gabi devia estar "ocupada" com a recreacionista), eu, Yuri, Ísis com Theo, Babi com Caio e Adri com Marina

Yuri e seus melhores amigos da escola: Victor, Fernando e Leonardo

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Check list

Faltam 2 dias:

- Salão: OK
- Decoração Cocoricó: OK
- 1 Recreacionista + Cama elástica: OK
- Bolo: Ok, encomendado
- Cachorro-quente: pães encomendados, demais material idem
- Salgadinhos: devidamente distribuídos entre quem vai fazer/colaborar
- Docinhos: 250 enrolados + 250 a serem enrolados hoje à noite
- Bebidas: OK, compradas
- Lembrancinhas: OK, feitas
- Descartáveis: OK
- Som: ainda criando um CD pro Yuri (gosto musical de "pré-adolescente")
- Guloseimas: comprar hoje à tarde

Amanhã:
- Manicure ao meio-dia
- Compra de roupas pra mãe e tênis pro Yuri
- Cortar o cabelo do Yuri*
- Controlar a ansiedade anual

Sábado:
- Curtir, curtir e curtir!

* Caio é mais organizado: a roupa e acessórios já estão definidos e o corte de cabelo também já foi realizado.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

A ótica da maternidade

Ontem foi a homenagem da escola do Yuri ao dia das mães. Claro que me debulhei em lágrimas. Vejo meu menino crescendo e eu sempre às voltas com questionamento se estou sabendo deixar meu amor impresso em nossa relação. Seu sorriso quando me viu ontem e o beijo quentinho recebido atestam que sim, está tudo nos conformes.

Recebi como presente uma pequena bandeija de café, pintada por ele mesmo, decorada com um coração. Dentro, alfajores feitos por eles, além do valioso cartão: "Mãe, você é a mais bela entre todas. Eu amo você. Você é meu coração".

Como sempre me emocionei muito com a música que eles cantaram em nossa homenagem.
Este ano foi "Esperando na Janela", que eu, com gosto musical assumidamente brega, já gostava.
Agora, é impressionante como, vista com ótica materna, toda e qualquer música que fale de amor se pode ser tornar "a nossa música". Como o olhar de mãe é complacente e torna tudo mais belo, mais alegre, mais simples. Às vezes penso que o mundo deveria girar movido ao amor materno.

Yuri & Caio: vocês são a verdade que tornam meus dias repletos de sentido e motivação. Ser a mãe de vocês é minha maior realização. Amo-os muito, meus queridos, que são os meus melhores presentes, todos os dias!


"Você é a escada
Da minha subida
Você é o amor
Da minha vida
É o meu abrir de olhos
Do amanhecer
Verdade que me leva a viver

Você é a espera
Na janela
A ave que vem de longe
Tão bela
A esperança
Que arde em calor
Você é a tradução
Do que é o amor"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Estar preparada

Dia desses, conversando com uma conhecida, ela me disse que só eu mesma para ter o Caio, que só eu sabia lidar com esta situação de ter um filho deficiente, que ela não estava preparada para vivenciar tantas dificuldades.

Fiquei surpresa com o que me foi dito. Eu jamais fui "preparada" para ter um filho com deficiência. Durante toda a gravidez, e ainda quando a bolsa d'água rompeu na 33a. semana de gestação, eu jamais poderia imaginar tudo o que viria pela frente. Na verdade, naquele momento eu fiquei feliz porque iria conhecê-lo antes do previsto. Quando vi meu filho nascendo, não imaginei outra coisa senão que ele estava pronto pra ser capa da Pais & Filhos.

Cada intercorrência que surgiu, cada susto que levamos. Nunca fui preparada pra ter tanto medo e sentir tanta dor. Ainda hoje, não estou preparada pra febre insistente que desperta velhos fantasmas e me tira o sono. Mas o Caio e meu amor por ele me prepararam pra ser a melhor mãe que posso ser. Atenção: não estou me auto-denominando a melhor mãe do mundo! Mas procuro exercer a maternidade dando o meu melhor, de acordo com minhas imperfeições e meus limites.

Quando penso ou mesmo assumo que tenho medos, na maioria das vezes pode soar como medo de que o Caio não tenha a reabilitação que meu coração de mãe tanto anseia. Mas posso seguramente afirmar que o maior dos meus medos é o de não ser forte, de não estar "preparada" para continuar esta caminhada por tempo e caminhos indefinidos.

O sorriso do Caio, sua doçura, o amor que ele demonstra claramente por mim. A ligação linda e forte entre ele e o Yuri. A superação constante medida em pequenos detalhes. O dia-a-dia com meu guerreirinho me prepara pra seguir em frente.

Não, eu não fui preparada para receber o Caio, nas condições em que ele chegou.
Não fui preparada para lutar diariamente pela inclusão.
Não fui preparada para crescer e aceitar humildemente meus pontos mais fracos.
Não fui preparada para criar um círculo de amizades em clínicas médicas e associações de pais de crianças com deficiência.
Não fui preparada para assumir que em alguns momentos sinto inveja, raiva, tristeza. Ou que, por mais contraditório que possa ser, que sinto um orgulho desmedido do filho que recebi.
Não fui preparada para amar e admirar tanto alguém que, aparentemente, é frágil e pequeno.

Mas jamais deixo de agradecer essa oportunidade maravilhosa de amor e aprendizado que o Caio me prepara, diariamente.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dias de treinamento

Ele ainda não conseguiu... mas que ele anda se esforçando, ah, isso ele anda!
E o que é melhor: apesar das pernas "cambotinhas", sempre com um sorriso lindo no rostinho!



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Daqui pra frente

E o aniversário dos meus meninos já está chegando de novo... faltam somente 22 dias.

Ano passado fiquei muito deprimida na semana que antecedeu a data. Relembrei dores e medos vividos na minha internação no Centro Obstétrico. Chorei muito porque jamais imaginava celebrar o segundo aniversário do Caio com ele em meus braços, sem saber andar. Por mais que eu soubesse das vitórias e da superação, foi muito difícil.

Este ano não será assim. Tenho me trabalhado muito pra conquistar uma almejada serenidade. Não quero mais chorar pelo leite derramado, literalmente. Começo a aprender que medos e inseguranças sempre existirão, com o Caio e com o Yuri também, porque faz parte de pelo menos 90% dos corações maternos. E o meu está dentro desta maioria.

Tenho sido a melhor mãe que posso, para os dois. Com falhas e tropeços, mas me dôo intensamente. E ambos têm me dado suas melhores respostas, sei disso. Quero poder pesar na balança somente as grandiosas (ou nem tanto assim) conquistas.

- A imunidade do Caio está 100%. Fechamos 8 meses sem otite, sem antibiótico.
- A cada dia que passa ele se mostra uma criança que tem pleno entendimento do mundo e das pessoas ao seu redor. Vide que tem pegado gosto por assistir filmes com a gente.
- Tem se esforçado muito para falar e provavelmente conseguiremos iniciar uma fonoterapia ainda neste mês.
- O mesmo esforço é visível em seus movimentos. Pra sentar, com as pernas em movimento, para pegar objetos. A coluna ainda não ajuda. Mas quando ela quiser funcionar, vai dar tudo certo!
- O tratamento nutricional é um sucesso! Caio deixou de ter cólicas e eu pude dar adeus aos intermináveis frascos de Luftal. Ele está comendo como não o fazia nos últimos dois anos. Ainda não o pesamos, mas o corpinho começa a tomar outras formas, mais arredondadas.
- Na carona de uma nutrição que tem lhe feito bem, ele a cada dia fica mais bem humorado e ativo. A sonolência causada pelos anticonvulsivantes é coisa do passado.

Enfim, tô naquela onda de quem gosta de passado é museu. Temos partes sofridas que fazem parte de nossa história, mas são passado. Não podemos mudar, foi assim. Podemos transformar o que está por vir. E tenho certeza que muita coisa bacana está chegando.

Já conto pra todo mundo. Ano que vem Caio vai estar caminhando, em sua festa de 4 anos. Mas se não estiver, não vou perder o sono por isso. Sei que receberemos tudo o que merecemos, no tempo em que Ele achar justo. O que vale é seguir acreditando, como cantarolava o Rei, que "daqui pra frente, tudo vai ser diferente".

terça-feira, 22 de abril de 2008

No colo do irmão - 2

O que mais me emociona são estes olhares.
O do Yuri, carregado de alegria e doçura.
O do Caio, de confiança e amor.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

No colo do irmão

O Caio ama estar no colo do Yuri. E o Yuri fica "se achando" quando segura o Caio. Um, sente-se querido, amado, protegido, interagindo. O outro se sente forte, confiável, grande, parceiro.
A maioria das pessoas é contra o Yuri segurar o Caio, dançar com ele, caminhar com ele no colo. Alegam que o Yuri pode não segurar direito, que o Caio pode jogar-se pra trás, se desequilibrar.
Aposto no amor e na vontade dos dois. São ambos que se realizam quando este encontro acontece.
Esta semana vi uma versão, até então impensada pra mim. Vi, num restaurante, a cena oposta: um menino com paralisia cerebral, numa cadeira de rodas, segurando a irmãzinha mais nova. As mãozinhas fechadas e em concha se entrelaçavam na cintura da pequena saltitante. E vi nos olhos dos dois a mesma alegria e cumplicidade que vejo nos olhos de meus filhos.
Essa cena aparentemente tão simples me fez repensar no conceito das coisas. Sobre a capacidade do portador de PC de ajudar, ser útil (afinal a mãe das crianças no restaurante, servia seu prato no buffet enquanto as coisas aconteciam normalmente - o filho mais velho cuidando do mais novo). Sobre a relação de entrega que existe entre irmãos. O Caio se entrega ao colo do mano. A pequena menina se entrega aos braços motoramente descoordenados mas cheios de afeto do irmão mais velho. Pensei no quanto o amor pode realmente derrubar barreiras, fazendo-as inexistentes.
Um colo, um carinho, a aceitação. A melhor terapia do mundo.
Que ela possa estar ao alcance do Caio, do irmão mais velho que vi no restaurante e de todas as pessoas do mundo. Porque realmente não existe melhor remédio do que aquele que afaga a alma, embalado pela solidariedade e pelo afeto.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Agora tá explicado!

Finalmente entendi porque Bill Gates se aposentou.
Medo da concorrência...



terça-feira, 8 de abril de 2008

Células-tronco: a esperança para muitas vidas

Mais de um mês já se passou desde o adiamento da votação, no Supremo Tribunal Federal, sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas médicas. São mais de 30 dias que protelam a esperança para muitas famílias. Esperança de qualidade de vida, de cura, do fim de dores físicas e emocionais. Esperança de continuar vivo.

São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.

O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.

Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.

Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.

Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.

Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Um menino de muitos sobrenomes

Sempre penso que existem assuntos que não gosto de repetir. Mas a indignação e até mesmo a dor que aperta meu peito, me fazem não ser forte como queria e volto atrás de minhas decisões. Dia desses ainda postei o “Sentir-se amado”, inspirada pelo carinho imenso de minhas amigas.

Hoje estou ferida.

Sei bem que falei que amor não se cobra. Mas estou muito triste por volta e meia ter a confirmação de que meu Caio é excluído no seio de sua própria família. É essa dor que me consome e que me faz ter tanto medo de uma sociedade despreparada para receber meu filho e lhe ofertar amor, estudo, lazer, emprego. Independente de suas deficiências.

As pessoas se omitem. Até perguntam “como ele está?”, mas não estão prontas para ouvir as respostas porque não fazem nada a respeito delas. Ou perguntam “o que o médico disse?”. Mas trazem neste questionamento um verdadeiro pavor de que a resposta não seja nada menos do que um impossível, porque imprevisível, “ele vai ficar 100% curado das seqüelas dentro de X tempo”.

Alguns o olham de canto de olho. Outros, viram o rosto.
Alguns querem saber de todos os prognósticos (e nem eu, nem os médicos os temos). Outros nem perguntam.
Alguns até brincam com ele, com um sorriso constrangedor nos lábios. Outros, o ignoram solenemente.
Não são poucas as vezes que me pergunto o que dói mais: a indiferença ou o preconceito velado.


Esta é parte da família do Caio. Pessoas que bradam no peito os valores da família, mas que na hora de pôr o discurso em prática sempre têm um compromisso mais importante do que seus ideais falsamente alardeados. A família que gasta mais de um salário mínimo em brinquedos e futilidades e não pergunta se eu tenho os 10 reais semanais do leite ou se vai dar pra comprar todos os 12 vidros mensais de anticonvulsivante. Que pergunta dos exames, mas que nunca pode ofertar uma carona e nos faz levar 4 horas em descolamentos em ônibus e metrô.

Eu até não cobraria alguma atitude, se eu não visse isso ser feito para outras pessoas. Que nem são “da família”. Então, se meu Caio tem os valorizados genes familiares, o que lhe falta? Sob a ótica da família, eu não sei responder. Sob a nossa, posso afirmar: falta respeito, solidariedade, amor, doação.

Mas, deixa pra lá. Perdem eles.
O Caio é Lacerda Mariante Fagundes.
E Amorim, Ruschel, Pasqual, Souza, Bouzada, Ribeiro, Villas, Sant Martin, Sodré, Silva, Pires, Rolante, Garigan, Medeiros, Frenzel, Oliveria, Seeman, Freitas, D'Ávila... e muito mais, em nome de um amor muito maior e verdadeiro.

sexta-feira, 28 de março de 2008

E a Páscoa foi doce...

Coelhão lindo!

Acho que os manos gostaram...

Valeu, Coelhinho!

Lindo e saboroso este menino - sentado sozinho! Se ele precisa engordar, tá cercado de bons motivos...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sentir-se amado


Se tem um coisa que aprendi com minha mãe de criação, é que existe algo na vida que jamais podemos cobrar: amor. Empatia, amizade, querer bem, amar. São sentimentos muito pessoais e que, em algumas vezes, surgem sem nenhum apelo racional a lhe sustentar. Porque, afinal, são tão somente emoção. E não posso exigir que me amem como eu gostaria. Alguns hão de me amar, outros não.
O tempo sempre me reforça o quão sábia ela era.
Muito do medo de preconceito que existe em mim ou da minha insegurança quanto ao futuro do Caio vem do fato de perceber que ele não é aceito por algumas pessoas que, numa ótica simplista, teriam o dever de amá-lo e protegê-lo. É o colo nunca recebido, a mão nunca estendida, as perguntas inconvenientes, a visita que não acontece, o olhar que traz uma curiosidade quase mórbida.
Mas aí, minha mãe retorna à lembrança: Todos nós temos os afetos de quem merecemos ter ou que soubemos conquistar, dizia ela.
E fico emocionada ao perceber o quanto o Caio é amado. Por uma verdadeira legião de amigas especiais, estas sim, sempre prontas a oferecer a mão, o ombro, uma ajuda, um carinho.
Às vezes costumo me lamentar, dizendo que me sinto em luta solitária com o Caio. Em momentos difíceis, parece que só eu acredito, que só eu corro atrás, que só eu me importo. Descobri que não é verdade. As amigas do Caio são, antes de tudo, minhas amigas. E lutam comigo, choram com minha dor, riem com minha alegria, torcem na mesma expectativa. Algumas, atribuladas em suas vidas pessoais, apenas têm tempo para nos dirigir uma prece, um pensamento positivo. Quero que elas saibam que este já é um grandioso presente, talvez o maior deles. Que sentimos esta energia e nos fortalecemos nela.
O que torna este sentimento ainda mais especial é que ele nos é dirigido por algumas pessoas que sequer nos conhecem pessoalmente. Conhecem a nossa história por aqui, pelo blog. E chegaram aqui porque alguém lia e contou adiante. Outras, já tivemos a oportunidade de abraçar. E o que é melhor: elas continuaram gostando da gente.
Me sinto extremamente honrada com este amor tão verdadeiro, generoso e desprendido que é dirigido a mim e ao Caio.
Sei que podemos vencer cada obstáculo, porque temos uma torcida imensa ao nosso lado, brigando junto. Sinto que somos verdadeiramente amados. E quando penso nisso consigo entender o pleno significado da expressão “bálsamo para a alma”. Sim, temos o amor que merecemos ter. E acho que realmente Deus tem sido muito generoso conosco.

Obrigada a TODAS as meninas do LV! Amamos vocês!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Crer para ver

A Bíblia nos conta a história de São Tomé, que precisou ver Jesus pra crer em suas ressurreição. Uma famosa marca brasileira de cosméticos prega a alternativa contrária, em sua filosofia de responsabilidade social: é preciso existir primeiro o desejo para fazer acontecer. Também sou assim, na maior parte do tempo, quero crer para ver. E crendo, vejo maravilhas acontecerem.

Força do pensamento, fé, persistência. Não importa o nome. O que conta é a atitude.

Creio que tudo na vida é passageiro, inclusive nós. Então o lance é fazer desta passagem o nosso melhor.
Creio na força do amor, no poder transformador do desejo, em sonhos que impulsionam a realidade.
Creio em valores como honestidade, solidariedade, generosidade, despreendimento.
Creio que nada é por acaso, que minhas escolhas desta e de outras vidas influenciam o que sou, o que vivo.

Creio na lei da ação e reação.

Creio que meu casamento não é perfeito, mas é verdadeiro, então aposto um longo futuro nele.
Creio que o Yuri se sabe feliz e amado e, dono de um grande coração, tem um grande propósito nesta encarnação, junto à nós e a terceiros.
Creio que o Caio é gigante, iluminado e o vejo correndo à minha frente, sorrindo e brincando. Vejo porque creio.
Creio que minha família é uma benção, que superaremos tantos obstáculos quantos forem preciso para consolidar nosso amor e nossa união.

Creio em oportunidades de crescimento, não em castigo. Creio que sempre posso aprender a ser mais humilde. E que por menor que eu me veja, sou grande para alguém. E por menos que tenha, sempre posso me doar de alguma forma.

Creio no valor inigualável da amizade e, principalmente, creio que virtual é tão somente aquilo que não adubamos com atenção real.

Creio que em tantas coisas e as vejo acontecer em minha vida. As que ainda não vejo, creio, é somente questão de tempo.

Este post foi escrito há 10 dias. Mas está atualíssimo e o dedico à TODAS as minhas amigas do LV, em especial à Dê SP, Kathia, Lili, Angélica, Alessandra, Chris, Bárbara de Guareí e todo mundo que entrou na discussão da Geléia de Mocotó.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Em tempo: Dia Internacional da Mulher

Sou meio avessa às comemorações ao Dia Internacional da Mulher.
Mas impossível não me render à uma homenagem especial que recebi.
O Yuri fez um cartão totalmente caseiro, com folha de caderno, canetinhas hidrocor, recorte e colagem. Quando eu abri, pude ler sua letrinha ainda meio esquisitinha, mas linda:
"Mãe, sinto orgulho da mulher e da mãe que você é. Eu te amo. Feliz Dia da Mulher."
Como sacramentou um publicitário por aí: não tem preço!

terça-feira, 11 de março de 2008

Meu rapazinho

Sábado levei o Yuri pra cortar o cabelo.
Eu estava com pena, porque os dourados do sol ficaram muito bem nele, mas já estava muito comprido, embaraçando mesmo.
Chegando lá, ele me pede:
"Mãe, eu já estou grandinho, não quero mais usar este corte cogumelo. Posso pedir pro Beto algo mais moderno, tipo todo desbastado?"
Claro que pode, meu mocinho.
É que a mamãe aqui às vezes esquece ou quer minimizar a passagem do tempo.
Ficou lindo de qualquer jeito, o meu rapazinho vaidoso.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A insanidade de todos nós

Ontem à noite, saí com minha família para um jantarzinho. Quando íamos embora, parou na frente do restaurante, um "louco". Dessas pessoas mal-vestidas, que falam com seres invisíveis ou não, fazendo gestos teatrais.
Inicialmente, num momento de auto-preservação, senti medo. Depois, fiquei chateada.
As pessoas riam, apontavam para ele.
Ele saiu andando pela rua, parava em algumas portas, gesticulava, discursava. E mais pessoas riam.
Riam do quê, pensei?
A insanidade é engraçada? Ser "normal" é ser superior?
Me entristeço ao ver o preconceito tão abrangente de nossa sociedade. Basta sermos diferentes de uma minoria para nos sentirmos superiores.
Ninguém se pergunta o que fez aquele homem se desequilibrar. Um acidente, uma doença, um trauma emocional muito forte. As pessoas se ocupam em rir apenas.
Não se preocupam em olhar para seus próprios umbigos, em busca de suas imperfeições a fim de melhorá-las.
Ser egoísta, preconceituoso, isso sim é insano.