terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A bicicleta do Yuri
Compramos uma bicicleta bem bacana, aro 20, com marcha e de aço cromado, colorida com azul e branco como meu gremista tanto gosta. A minha surpresa foi que ele amou, pegou a dita cuja e saiu pedalando por aí. O espanto: a tal bici "grande" não tem rodinhas auxiliares! Por onde meu filho aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas que não vi?
A bicicleta passou a ser um símbolo dúbio para mim. Símbolo do crescimento do meu filho, que tanto me orgulha. Símbolo dele desbravando caminhos da longa e feliz vida que ele há de ter. Mas é, ao mesmo tempo, símbolo do meu receio: por onde tenho andado enquanto meu filho cresce?
Na praia, no final do ano passado, ele já me alertava: "Em 2008 vou fazer 8 anos". Como assim? Para mim foi ontem que esse lindo bebê chegou! Vejo assustada a barrinha no topo do blog: 7 anos, 8 meses, 1 semana e 5 dias... O tempo anda correndo e tenho medo se ele me será favorável. Desse jeito, quando eu abrir os olhos novamente terei um pré-adolescente em casa. Depois um rapaz e mais tarde um homem, que sairá de casa para conquistar seu próprio território.
Será que estou aproveitando tudo o que posso dessa infância que já me parece demasiada curta? Será que estou deixando meu amor e minha verdade impressos em cada momento, para que eles sustentem com respeito nossa relação, independente do passar dos anos? Torço para que nossas brincadeiras, viagens, canções, leituras e, até mesmo, nossas brigas, fiquem guardadas num cantinho de recordações especiais. Desejo imensamente que meu filho sempre possa afirmar seguramente: Sou feliz! Sou amado! Rezo para que ele me guarde no porta-jóias do seu coração. Ao lado de sua boa companheira, a bicicleta.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
5 coisas para 2008
"Fazer uma lista com cinco objetivos pessoais pro ano de 2008.
Só que esse meme precisa ser verificado no início do ano que vem...
então precisam ser coisas palpáveis, verificáveis e coisas que dependam do seu esforço pessoal.
Coisas abstratas estão fora: tipo: ser feliz, ser mais paciente... é muito lindo,
mas não dá pra verificar corretamente se foi cumprido."
Os meus 5 objetivos para 2008 são:
1. Emagrecer 15 kg (ok, eu precisaria perder bem mais, mas se ficar numa média de pouco mais de 1kg a menos por mês já é um bom começo);
2. Iniciar uma poupança (e quem me conhece sabe o quanto isto é difícil);
3. Ir pra São Paulo, passar nem que sejam apenas 48hs com algumas das melhores amigas do mundo!; 4. Comprar minha casa (mas se eu não conseguir comprá-la, comprar um terreno);
5. Iniciar fonoterapia e hidroterapia - pelo menos - com o Caio.
Agora teria que repassar essa tarefa para mais cinco amigas, mas deixo livre pra quem estiver a fim.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
O melhor filho do mundo
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
Ainda bem que terminou
"Pára o mundo, que eu quero descer!"
Pois é, hoje foi um deles.
Ainda bem que está chegando ao fim muito melhor do que começou.
Ele é Pai, não é padrasto.
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Uma esperança que nunca morre
Em meio à troca de presentes de Natal, de uma certa satisfação de estar com as finanças mais equilibradas e poder comprar uns presentes bacaninhas pras crianças e pro marido, fiquei triste. O que mais desejo nesta vida não pode ser comprado. Não está à venda, não pode ser financiado. Receberei um dia se Ele achar que somos merecedores. E aí quis cair em descrédito - comigo e com Ele mesmo.
Depois, às vésperas do dia 31 me vi mais uma vez transferindo para o Ano Novo a esperança de grandes melhoras. Pela segunda vez torço para que este que se inicia seja sim o ano em que o Caio vai ficar mais firme, vai andar, vai falar, vai ser mais feliz. Mas não encontrava forças para acreditar nos meus desejos. E desacreditar ou talvez ter que confrontar uma realidade que insiste em se mostrar distante (ou incerta, o que é pior ainda) do que sempre almejei pra nós é doloroso demais.
Mas o bom disto tudo é que minha esperança é prima-irmã da mitológica Fênix. Às vezes tá aos caquinhos, tão moída pelas dificuldades do dia-a-dia que parece impossível recompô-la. E aí surge uma microscópica fagulha e pronto! A fogueira está acesa de novo, aquecendo meu coração.
Hoje o Caio consultou com o otorrino, na revisão trimestral de rotina. E o Dr. Eduardo se "despediu" da gente. Disse que com 8 meses sem nenhuma crise de otite, suportando praia e piscina numa boa e com o tônus muscular cada vez segurando melhor o pescoço, o Caio teve alta clínica. Pode vir a ter alguma crise de otite, mas considerando as origens delas e as melhoras dele, é muito improvável.
Faço as pazes com Deus. Choro e agradeço. Peço perdão por minha impaciência. Volto a aceitar com amor esta missão gratificante de ter o Caio em minha vida.
Pode ser que ainda não seja em 2008 os tãos sonhados passos do meu filho. Mas ele já venceu muito e segue vencendo. É um vencedor desde que nasceu. E assim será sempre. Vou vê-lo andar, vou escutar suas frases, vou amá-lo cada dia mais. E principalmente vou seguir recebendo lições infinitas sobre tudo, com meu pequeno guerreiro.
Tenho medos, sim. Mas a esperança, esta teimosa que vive em meu peito, não morre nunquinha.
Ainda bem.
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
O lucro


Muito verde ao redor pra gente passear
Caíto sempre alegre
Manos lindos pegando um bronze
Praia e joguinho de cartas: tudo a ver - e Caio participou firme e forte
Fifão relaxando na rede
Hora do banho é folia na certa!
Papai Noel trouxe o DVD do Cocoricó Clipes 2 - preciso dizer que Caíto amou?
Dois dos três homens que mais amo na vida
Caíto curtindo desenho no "falecido" bebê conforto (e querendo saltar fora dele!)
Até com chuva dava pra curtir
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Perdi a virgindade
Roubaram-nos tudo: roupas, dinheiro, jóias - minha aliança de casamento, a corrente de ouro com meus dois meninos em pigente, um relógio recém ganho do marido de Natal - celulares, máquina digital (adeus fotinhos constantes aqui no blog). Roubaram inclusive o perfuminho do Yuri, um repelente manipulado do Caio. Levaram shampoos, bebidas, bombons das crianças, TV, DVD, microondas e até o carro da minha cunhada. Mas roubaram algo muito mais valioso: nossa dignidade, nossa tranqüilidade. E isto não se recupera assim tão fácil.
As crianças, sob a proteção de seus anjos da guarda, não acordaram e os bandidos não mexeram com elas.
Olharam o bebê conforto do Caio, que usamos como cadeira pra ele assistir TV ou apenas ficar sentadinho. Pedi pra não levaremm que o menino precisava muito dele. Ao que um dos ladrões debochou: "deficiente sou eu dona, que não tiro férias". Que nojo!
Meu marido, que é cardíaco, perdeu a consciência. E eu pensei que o tinha perdido. Foi pelo estado dele que os ladrões resolveram ir embora, não sem antes nos amarrar.
E é assim que me sinto desde aquela madrugada: amarrada, impotente, invadida.
Mas sabem o que mais me deixa com raiva? O fato de precisar agradecer à Deus porque estamos vivos, que ninguém se machucou. Concordo, estamos bem, unidos, prontos pra batalhar pra conquistar tudo outra vez. Mas vai demorar, afinal a vida não é fácil assim não. E não aceito que entrem desse modo em nossas vidas, que nos humilhem, que nos tomem o que lutamos para ter. Não aceito que apontem uma arma para minha cabeça e me encham de medo. Acima de tudo, não aceito que seja assim mesmo e que agora eu faça parte de uma grande estatística nacional.
Não sou mais virgem. E devo dizer que doeu e ainda dói muito. Não sou mais uma adolescente sonhando em viver um romance cheio de emoções. Sou uma brasileira acuada, descrente na justiça dos homens, cheia de revolta e indignação. E sofro mais ainda ao me perguntar: quantos mais ainda? Até quando?
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Sombra & Água Fresca
quinta-feira, 20 de dezembro de 2007
Feliz Natal!!!



terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Decoração privilegiada
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
Retrospectiva 2007
Em dezembro do ano passado fiz uma retrospectiva de 2006 e o saldo era positivo. E ao pensar em fazer a versão 2007 percebo as coisas ainda melhores:
- O Caio atingiu uma estabilidade imunológica bem interessante e as visitas ao PA (Pronto Atendimento) praticamente inexistiram. As especialidades médicas e suas freqüências também já não são mais tão necessárias. Vários exames apontam um organismo cada vez mais sadio e normal. É um menino doce e muito alegre.
- O Yuri passou lindamente pela primeira série, sendo aprovado com excelentes notas. Mostrou à equipe da escola que o acompanha há quase 4 anos, um grande amadurecimento emocional, despontando características como generosidade, afetividade e solidariedade. E ainda apresenta-se como um bom esportista, destacando-se no judô e futebol.
- Encontramos um melhor equilíbrio financeiro em relação aos últimos 2 anos (ok, nada de grandes saldos bancários, mas as dívidas diminuíram consideravelmente e pudemos fazer algumas pequenas aquisições).
- Posso dizer que desde que me tornei mãe, pela primeira vez vivencio maternidade e profissão de um modo equilibrado.
- Estou investindo seriamente na minha carreira, percebendo que o reconhecimento que tanto almejo agora é meu colega de sala.
- Fiz novas amizades muito gratificantes, através deste blog e fora dele.
- Fortaleci outras amizades que já se tornaram essenciais à minha vida.
- Cada vez mais vejo através deste espaço a possibilidade concreta de realizar um grande sonho pessoal. Entre minhas promessas para 2008 está correr atrás dele para que se concretize verdadeiramente.
- Muitas neuras e medos permanecem, mas estou aceitando eles como parte da pessoa interessante e bacana que posso ser.
Em suma é isto. Ainda tenho – graças a Deus – muitos objetivos pelos quais lutar e sonhos que quero tornar reais. Mas no geral, a vida tem sido boa. Olhando pra trás, 2007 foi 10! Em 2004, muita insegurança. Em 2005, muita dor e luta. Em 2006, alguma confiança ainda que receosa. Em 2007, as coisas assumem devagar os seus devidos lugares. Devagar? Isto é muito relativo, costuma me dizer um sábio amigo. Deus trabalha a Seu tempo e à Ele vale o meu merecimento e não a minha imperfeita ansiedade. Tô tentando aprender.
E se acredito que ainda tenho, com *meus frutos, muito a plantar e muito mais ainda a colher, o tempo pode estar apenas começando. Tempo de ser plenamente feliz. Que venha 2008!
*Meus frutos são meus filhos, minhas idéias, meus textos, as abobrinhas que compartilho, as grandes amizades que conquistei, as minhas lutas. Se estás aqui, lendo até o final, bem-vindo à esta colheita! Fazes parte - e obrigada por isso - dos frutos que colho ao longo da vida.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
O tamanho da minha árvore
O ano chega ao fim e as coisas que eu esperava ainda não se resolveram. Mas este ano, bati o pé. Quero minha árvore de volta! Mas não temos espaço! Ela é muito grande, vai ocupar toda a sala! Como resolver? Reordenamos os móveis, troquei o sofá de quatro lugares pelo de dois, com duas poltronas avulsas e voalá! Eis minha árvore de Natal que tanto quis enfeitar para meus meninos. Gosto dela. Tem bolas antigas que minha avó me deu. Tem bolas um pouco mais modernas, que eu e o Sandro compramos logo que casamos. Tem enfeites de madeira que pusemos quando engravidei do Yuri. Tem bonecos de pelúcia que acrescentamos após o nascimento do nosso primeiro filho. Anjos comprados no primeiro Natal do Caio conosco. Todo ano, encontramos um tipo de enfeite novo para colocar, fazendo referência à nossa própria história como família.
Ao vê-la montada, por essas coisas que não se explicam, a primeira coisa que veio à minha cabeça foi: minha árvore é do tamanho dos meus sonhos. Sim, era isto que eu queria provar pra minha família e pra mim mesma! Não era simplesmente a árvore de Natal. Eram meus sonhos de resolver a questão eterna da minha herança e comprar de uma vez minha casa própria. Era minha fé de que, como costumo dizer, quanto mais o tempo passa é menos tempo que falta pro Caio ficar cada vez melhor, mais autônomo. Era o meu amor. Pelos meus filhos, pela vida, por Deus, pelos meus amigos.
Porque é exatamente assim que eles são. Nossos sonhos podem não caber em nossa realidade. Mas se priorizarmos o que realmente queremos eles podem se manter erguidos ao nosso lado. Nossa fé nunca precisa ser do tamanho de nossos medos ou frustrações. Ao contrário, ela precisa estar ali o tempo todo, imponente e majestosa! E se vamos falar em amor... Ele nunca será exageradamente grande. Amor não tem tamanho! E existe pra enfeitar nossas vidas.
Minha árvore de Natal. Que ofereço a meus filhos, meu marido, minha mãe e minhas melhores amigas. Ela é do tamanho dos meus sonhos. De ver realizado em 2008 os desejos mais profundos de cada um. No tamanho do seu merecimento e do afeto que lhes tenho!

BOAS FESTAS!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Presentes para a alma
E independente do fato que ano passado fiquei sem presente, a edição deste ano está bem mais legal. As meninas estão mais entrosadas e se percebe uma preocupação em presentear com algo realmente personalizado.
Eu dei uma sorte imensa com minhas amigas secretas. Tirei a doce Jana, de SC, a quem fiquei devendo uma visita neste verão. E fui tirada pela Dê, de SP, uma amiga que por seu carinho e atenção já soube se tornar especialíssima pra mim (além de suas inúmeras e naturais qualidades pessoais: super participativa e centrada mãe, maravilhosa profissional, mulher linda e culta e amiga pra todos os momentos).
Eu fui presenteada duplamente, segundo a Dê pra "corrigir a injustiça" do ano passado. Ganhei o DVD Irmão Urso, que sou louca por este desenho. É pra curtir com toda a família (desde que o presente chegou, há 15 dias, já assistimos quatro vezes!).
E ganhei o livro O Amor me trouxe de volta, sobre reencarnação, que eu andava louca pra ler mas nunca comprava. Estou amando a leitura.
O Caio foi presenteado com um boneco Astolfo do Cocoricó que é o novo irmão dele - ele não desgruda mais do porquinho querido!
E o Yuri ganhou um super jogo, com 6 times completos de futebol de botão (verdadeira paixão deste brasileirinho fanático por futebol). Como ele pediu uma mesa de futebol de botão para o Papai Noel, ele já está planejando altos campeonatos por aí...
Além da generosidade da Dê em presentear toda a família, o que mais me chamou a atenção e me emocionou profundamente foi o trabalho de "pesquisa" para dar presentes que fossem realmente apreciados - e como estão sendo! Ah... e a cartinha que ela me mandou, veio recheada de muito carinho... Amei os presentes, mas o afeto impresso em cada detalhe foram um imenso e valiosíssimo presente para a minha alma. Senti que eu e meus filhos somos muito queridos por pessoas muito especiais. Que pensam em nós e que dedicam parte de seu tempo para deixar isto bem claro.
Além da Dê, recebemos mimos e um cartão de Natal muito querido de outra amiga idem, a Greice. Ela me deu um livro, que inspirou este post. Se chama "Um presente para a alma". E é assim que me sinto: com a alma enlevada, cercada de tanto carinho, de tanta generosidade. Em cada vez que o carteiro bateu em meu portão (os presentes chegaram em lotes diferentes... hehehe), eu estava recebendo amor em pacotes. Tive a oportunidade de agradecer a elas, mas acho que tudo o que eu falar ou escrever ainda será pouco. Mas quero reiterar que elas puderam milagrosamente apagar algumas cicatrizes imensas que trago de um período muito dolorido que vivi. E isto certamente foi um presente ainda maior, que elas me deram pra vida toda. Amo vocês, meninas!
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Louca? É a mãe!
A mãe, muito neurótica, com mania de procurar cabelo em casca de ovo, implora pra neurologista: Não me esconda nada. Ele tem algum problema neurológico a mais? Ele tem alguma outra doença que o impede de dormir direito? Às risadas, a neurologista explica que qualquer criança "normal" pode levar 3 anos ou mais para regular o sono e que, neste quesito, o Caio é igual a pelo menos 80% das crianças, não ela não está me escondendo nada, está tudo nos conformes. Ainda lembra a mãe que neste quesito ela é inexperiente, uma vez que o Yuri sim, que aos 2 meses de vida dormia 9 horas initerruptas à noite, era anormal.
Um belo dia, a cerca de uma semana atrás, próximo de completar 2 anos e 7 meses, Caíto deixa de dormir durante o dia. Mas começa a dormir bem mais cedo que o habitual, dormindo profundamente por até 12 hs. A mãe, ultra neurótica, pensa rapidamente se deve ligar para a neurologista, afinal ele está tão dorminhoco...
A pergunta que não quer calar: tem cura pras neuras dessa mãe?
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
E assim foi o fim de semana...
Val, Caíto e eu
"Lady" Daiane, e sua filha Maluzinha, minha amiga secreta que me presenteou com uma linda agenda 2008 com o tema Anjos. Amei!
Gus, o marídeo da Val, meu amigo secreto, a quem presentei (atendendo a pedidos) com um vale-fraldas! Hehehe...
Fifo pegando um bronze à beira da piscina.
Uma galera que eu curto: Silvio, Jean e a esposa Carine.
Não tem pra Rogério Ceni... Dá-lhe Yuri, meu goleiro favorito e mais lindo!
Uma panorâmica da galera...
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
A inclusão dentro de cada um
No último sábado estivemos eu, o Sandro e os meninos num aniversário infantil. Era ao ar livre e resolvi deixar o Caio sentado no jardim, em seu bebê conforto, próximo à cama elástica, onde as demais crianças pulavam e faziam folia. O Caíto gritava, balançava as pernas, curtia ao seu modo, junto com os demais. Numa dessas, a recreacionista se vira pra mim e pergunta: “Não quer pôr ele aqui?” Vacilei por uns segundos, espantada com a pergunta inesperada. E concordei, quase eufórica. Numa cama elástica ele não consegue se equilibrar, lógico. Mas o maravilhoso mano Yuri mais Milena, a recreacionista, o seguraram pelas mãos. Depois, sentado no colo do irmão. E assim eles pularam e se divertiram.
Óóóbvio que olhares estupefatos me viram colocá-lo no brinquedo. Ca-la-ro que teve alguém que comentou: “mas ele nem consegue...” sem sequer completar a frase. Não me importo. Meu Caio estava ali, brincando, feliz da vida, completamente inserido na festa infantil.
E aí pensei cá com meus botões: isto é inclusão de verdade. Eu incluo meu filho em todos os espaços possíveis, imagináveis ou não. Vai no escorregador, no balanço, na piscina de bolinhas e na cama elástica! Com ajuda, mas vai. Os olhares reprovadores ou curiosos sempre vão existir. O importante é o olhar que eu proporciono a ele com minha luta e meu amor. Se os outros acham que ele é diferente, a mim pouco importa. O Yuri também é diferente, por sua inteligência e doçura. Eu sou diferente, com minha teimosia em analisar tudo o que vivo, vejo, escuto. Somos todos diferentes, uns dos outros.
Dia desses, numa gostosa tarde que passei com minha amiga Teresinha, ela me conta que o marido, também deficiente visual, foi buscar a filha deles na escola (ela é colega de escola do Yuri). E a menina, toda alegre, apresenta pros coleguinhas: “Olha, esse é meu pai. Ele é cego”. E a Teka me conta que eles se emocionaram com a naturalidade que ela falou, como se dissesse: “Ele é loiro”.
É esta naturalidade que tento levar/empregar no nosso dia a dia. A inclusão existe? Um dia vai funcionar na prática e em sua totalidade, nas escolas e em todos os espaços de convívio social? Não sei, torço profunda e sinceramente para que sim. Mas na minha casa e nos espaços onde ando junto com meu Caio, ela existe. A inclusão mora dentro de mim e da minha persistência para que o mundo receba meu filho, no mínimo, com respeito. Sei que não é nem nunca será fácil. Mas ao contrário da cama elástica, eu não cedo. Não abro mão do direito que ele tem à vida. E isso significa o acesso à saúde, à educação e ao lazer. Nas mesmas proporções que toda e qualquer criança. Eu não peço para que ele seja incluído, eu o incluo. Porque sim, a inclusão mora em mim, dentro do meu peito. E pulsa freneticamente. Um dia mais para cima, outros um pouco mais para baixo. Mas insistente e fazendo meu menino feliz. Exatamente como a gostosa brincadeira na cama elástica.



Incluir felicidade em todos os seus momentos. Se não da maneira convencional, do modo que conseguimos realizar. Esta é a minha luta. E o sorriso do Caio só comprova que sempre vale à pena.P.S. Eu sei que disse que não retornaria ao assunto tão cedo. Mas quando coisas assim me acontecem, eu não me contenho.
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Momento ternura
Quando esta criança é um dos meus filhos então é que a coisa se complica...
Vontade de morder todinho essa coisinha gostosa...
É ou não é um atentado ao pudor - o desaforo da pose e tanta fofurice junta?
quinta-feira, 29 de novembro de 2007
Trocando o disco
Deixa eu olhar bem pra essas caras lindas que todos os problemas ficam minúsculos...







