terça-feira, 15 de abril de 2008
terça-feira, 8 de abril de 2008
Células-tronco: a esperança para muitas vidas
São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.
O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.
Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.
Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.
Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.
Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Um menino de muitos sobrenomes
Hoje estou ferida.
Sei bem que falei que amor não se cobra. Mas estou muito triste por volta e meia ter a confirmação de que meu Caio é excluído no seio de sua própria família. É essa dor que me consome e que me faz ter tanto medo de uma sociedade despreparada para receber meu filho e lhe ofertar amor, estudo, lazer, emprego. Independente de suas deficiências.
As pessoas se omitem. Até perguntam “como ele está?”, mas não estão prontas para ouvir as respostas porque não fazem nada a respeito delas. Ou perguntam “o que o médico disse?”. Mas trazem neste questionamento um verdadeiro pavor de que a resposta não seja nada menos do que um impossível, porque imprevisível, “ele vai ficar 100% curado das seqüelas dentro de X tempo”.
Alguns o olham de canto de olho. Outros, viram o rosto.
Alguns querem saber de todos os prognósticos (e nem eu, nem os médicos os temos). Outros nem perguntam.
Alguns até brincam com ele, com um sorriso constrangedor nos lábios. Outros, o ignoram solenemente.
Não são poucas as vezes que me pergunto o que dói mais: a indiferença ou o preconceito velado.
Esta é parte da família do Caio. Pessoas que bradam no peito os valores da família, mas que na hora de pôr o discurso em prática sempre têm um compromisso mais importante do que seus ideais falsamente alardeados. A família que gasta mais de um salário mínimo em brinquedos e futilidades e não pergunta se eu tenho os 10 reais semanais do leite ou se vai dar pra comprar todos os 12 vidros mensais de anticonvulsivante. Que pergunta dos exames, mas que nunca pode ofertar uma carona e nos faz levar 4 horas em descolamentos em ônibus e metrô.
Eu até não cobraria alguma atitude, se eu não visse isso ser feito para outras pessoas. Que nem são “da família”. Então, se meu Caio tem os valorizados genes familiares, o que lhe falta? Sob a ótica da família, eu não sei responder. Sob a nossa, posso afirmar: falta respeito, solidariedade, amor, doação.
Mas, deixa pra lá. Perdem eles.
O Caio é Lacerda Mariante Fagundes.
E Amorim, Ruschel, Pasqual, Souza, Bouzada, Ribeiro, Villas, Sant Martin, Sodré, Silva, Pires, Rolante, Garigan, Medeiros, Frenzel, Oliveria, Seeman, Freitas, D'Ávila... e muito mais, em nome de um amor muito maior e verdadeiro.
sexta-feira, 28 de março de 2008
E a Páscoa foi doce...
segunda-feira, 24 de março de 2008
Sentir-se amado

O tempo sempre me reforça o quão sábia ela era.
Muito do medo de preconceito que existe em mim ou da minha insegurança quanto ao futuro do Caio vem do fato de perceber que ele não é aceito por algumas pessoas que, numa ótica simplista, teriam o dever de amá-lo e protegê-lo. É o colo nunca recebido, a mão nunca estendida, as perguntas inconvenientes, a visita que não acontece, o olhar que traz uma curiosidade quase mórbida.
Mas aí, minha mãe retorna à lembrança: Todos nós temos os afetos de quem merecemos ter ou que soubemos conquistar, dizia ela.
E fico emocionada ao perceber o quanto o Caio é amado. Por uma verdadeira legião de amigas especiais, estas sim, sempre prontas a oferecer a mão, o ombro, uma ajuda, um carinho.
Às vezes costumo me lamentar, dizendo que me sinto em luta solitária com o Caio. Em momentos difíceis, parece que só eu acredito, que só eu corro atrás, que só eu me importo. Descobri que não é verdade. As amigas do Caio são, antes de tudo, minhas amigas. E lutam comigo, choram com minha dor, riem com minha alegria, torcem na mesma expectativa. Algumas, atribuladas em suas vidas pessoais, apenas têm tempo para nos dirigir uma prece, um pensamento positivo. Quero que elas saibam que este já é um grandioso presente, talvez o maior deles. Que sentimos esta energia e nos fortalecemos nela.
O que torna este sentimento ainda mais especial é que ele nos é dirigido por algumas pessoas que sequer nos conhecem pessoalmente. Conhecem a nossa história por aqui, pelo blog. E chegaram aqui porque alguém lia e contou adiante. Outras, já tivemos a oportunidade de abraçar. E o que é melhor: elas continuaram gostando da gente.
Me sinto extremamente honrada com este amor tão verdadeiro, generoso e desprendido que é dirigido a mim e ao Caio.
Sei que podemos vencer cada obstáculo, porque temos uma torcida imensa ao nosso lado, brigando junto. Sinto que somos verdadeiramente amados. E quando penso nisso consigo entender o pleno significado da expressão “bálsamo para a alma”. Sim, temos o amor que merecemos ter. E acho que realmente Deus tem sido muito generoso conosco.
Obrigada a TODAS as meninas do LV! Amamos vocês!
quinta-feira, 20 de março de 2008
Crer para ver
Força do pensamento, fé, persistência. Não importa o nome. O que conta é a atitude.
Creio que tudo na vida é passageiro, inclusive nós. Então o lance é fazer desta passagem o nosso melhor.
Creio na força do amor, no poder transformador do desejo, em sonhos que impulsionam a realidade.
Creio em valores como honestidade, solidariedade, generosidade, despreendimento.
Creio que nada é por acaso, que minhas escolhas desta e de outras vidas influenciam o que sou, o que vivo.
Creio na lei da ação e reação.
Creio que meu casamento não é perfeito, mas é verdadeiro, então aposto um longo futuro nele.
Creio que o Yuri se sabe feliz e amado e, dono de um grande coração, tem um grande propósito nesta encarnação, junto à nós e a terceiros.
Creio que o Caio é gigante, iluminado e o vejo correndo à minha frente, sorrindo e brincando. Vejo porque creio.
Creio que minha família é uma benção, que superaremos tantos obstáculos quantos forem preciso para consolidar nosso amor e nossa união.
Creio em oportunidades de crescimento, não em castigo. Creio que sempre posso aprender a ser mais humilde. E que por menor que eu me veja, sou grande para alguém. E por menos que tenha, sempre posso me doar de alguma forma.
Creio no valor inigualável da amizade e, principalmente, creio que virtual é tão somente aquilo que não adubamos com atenção real.
Creio que em tantas coisas e as vejo acontecer em minha vida. As que ainda não vejo, creio, é somente questão de tempo.
Este post foi escrito há 10 dias. Mas está atualíssimo e o dedico à TODAS as minhas amigas do LV, em especial à Dê SP, Kathia, Lili, Angélica, Alessandra, Chris, Bárbara de Guareí e todo mundo que entrou na discussão da Geléia de Mocotó.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Em tempo: Dia Internacional da Mulher
Mas impossível não me render à uma homenagem especial que recebi.
O Yuri fez um cartão totalmente caseiro, com folha de caderno, canetinhas hidrocor, recorte e colagem. Quando eu abri, pude ler sua letrinha ainda meio esquisitinha, mas linda:
"Mãe, sinto orgulho da mulher e da mãe que você é. Eu te amo. Feliz Dia da Mulher."
Como sacramentou um publicitário por aí: não tem preço!
terça-feira, 11 de março de 2008
Meu rapazinho
Eu estava com pena, porque os dourados do sol ficaram muito bem nele, mas já estava muito comprido, embaraçando mesmo.
Chegando lá, ele me pede:
"Mãe, eu já estou grandinho, não quero mais usar este corte cogumelo. Posso pedir pro Beto algo mais moderno, tipo todo desbastado?"
Claro que pode, meu mocinho.
É que a mamãe aqui às vezes esquece ou quer minimizar a passagem do tempo.
Ficou lindo de qualquer jeito, o meu rapazinho vaidoso.
quinta-feira, 6 de março de 2008
A insanidade de todos nós
Inicialmente, num momento de auto-preservação, senti medo. Depois, fiquei chateada.
As pessoas riam, apontavam para ele.
Ele saiu andando pela rua, parava em algumas portas, gesticulava, discursava. E mais pessoas riam.
Riam do quê, pensei?
A insanidade é engraçada? Ser "normal" é ser superior?
Me entristeço ao ver o preconceito tão abrangente de nossa sociedade. Basta sermos diferentes de uma minoria para nos sentirmos superiores.
Ninguém se pergunta o que fez aquele homem se desequilibrar. Um acidente, uma doença, um trauma emocional muito forte. As pessoas se ocupam em rir apenas.
Não se preocupam em olhar para seus próprios umbigos, em busca de suas imperfeições a fim de melhorá-las.
Ser egoísta, preconceituoso, isso sim é insano.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Parto anônimo - Um respaldo à irresponsabilidade
Os argumentos dos defensores deste projeto de lei é que assim diminuiriam os casos de crianças jogadas em latas de lixo e em lagoas e a vida seria preservada, uma vez que não seriam realizados abortos. Amparadas pela lei, as “mães” (dá pra chamá-las assim?) poderiam se desfazer de filhos indesejados sem maiores implicações. E os índices de adoção cresceriam.
É simplesmente absurdo e não dará certo.
Primeiro, porque mascara um problema social muito maior que é a falta de planejamento familiar. Admito que sou dona de um ponto de vista no mínimo controverso, pois acredito que a camada mais baixa da população muitas vezes engravida mais pela preguiça de buscar contraceptivos gratuitos ou pela eventual “vantagem” financeira e governamental que mais um filho pode acarretar. Mas ainda acho que o controle da natalidade é a chave que abre as portas para um país entrar na esfera do real desenvolvimento. É preciso investir fortemente em educação sexual, esclarecimento e livre acesso à contracepção. Enquanto filhos continuarem sendo gerados com irresponsabilidade e despreocupação, sorry em lhes dizer, nosso Brasil continuará sendo parte do terceiro mundo.
Em segundo, sou absolutamente favorável à legalização do aborto. Embora em pequena escala, “acidentes” acontecem. E a mulher, de qualquer camada social, deve ter o direito à escolha. Eu sou um exemplo disto. Engravidei do meu segundo filho sem planejar, num momento financeiro terrível. Pensei durante 15 dias se iria abortar ou não. Mas era tarde: eu já estava completamente apaixonada por aquele ser que crescia em mim. Ter meu segundo filho se tornou um desejo, uma opção. Eu não abortaria, hoje estou certa disto. Mas não me dou o direito de condenar quem o faça. Prefiro um aborto feito em condições básicas de higiene e segurança do que um recém-nascido morto após ser atirado, num ribeirão poluído, pela janela. E também acho injusto com a própria criança que ela seja alvo de agulhas de tricô ou de comprimidos clandestinos de Cytotec. Sem falar no ônus que gera para a saúde pública tratar as seqüelas destas tentativas de aborto, muitas vezes mal sucedidas e que acabam comprometendo a saúde do futuro bebê.
Por fim, para aumentar os índices de adoção, o remédio é bem mais simples. Basta descomplicar. Milhares de homens e mulheres, em plenas condições sociais e emocionais, esperam um filho do coração. Já amam uma criança em suas vidas e, ao contrário do que se alardeia por aí, não esperam que ela seja branca e recém-nascida. Eu conheço pelo menos três casais de amigos nesta situação. E meu círculo de amizades nem é tão grande assim.
O que acho que este projeto de lei, se aprovado, vai fazer é superlotar as maternidades, os conselhos tutelares e os orfanatos. Vamos criar um problema ainda maior, uma vez que não temos estrutura para abrigar estas crianças enquanto a burocracia pela adoção acontece – e elas crescem. E pior: acho que a nova lei pode criar um precedente mais absurdo ainda. Se chego à conclusão de que não tenho condições de criar meu filho de 7 anos, também posso entregá-lo livremente para adoção?
Filho não se dá. A eles, nos doamos. Amamos, respeitamos, ensinamos valores, no intuito de realmente estar formando os cidadãos do amanhã. Para que nas gerações futuras um assunto deste porte não seja nem cogitado.
segunda-feira, 3 de março de 2008
O Poder da Mente
Confesso que fico receosa. Não com as previsões em si, mas na minha expectativa de que a melhora seja assim tão significativa. Sempre acreditei no potencial do meu filho mas tenho medo de pedir dele mais do que ele pode me dar. Ao mesmo tempo tenho em meu coração a quase certeza de que sim, ele pode, ele quer, ele vai.
Em setembro último, reencontrei no Hospital de Clínicas, a Ana Luíza*, “colega” de UTI Neo do Caio. Ela nasceu prematura, com 26 semanas de gestação. Teve cegueira da prematuridade, hemorragia cerebral, precisou fazer reconstrução do intestino. Ficou internada 104 dias (quase o dobro do meu guerreiro). Depois, voltou e fez duas cirurgias: uma pra colocar a DVP (exatamente como o Caio) e outra para abrir seu crânio que estava fechando prematuramente (a tal cranioestenose que chegaram a suspeitar que o Caio tivesse). Os prognósticos dados à menina (atendida pelo mesmo neurocirurgião “sensível” que comparou o Caio à uma alface)? Vegetativa, para sempre. Lembro muito do quanto eu e a mãe da Ana Luíza chorávamos no ombro uma da outra, do quanto conversávamos com Deus, do quanto defendíamos o amor materno como instrumento de cura. Pois tive a felicidade de ver a Aninha (2 anos e 8 meses) caminhando e chamando sua mãe de “mã-mã”. A surdez, antes diagnosticada, foi revertida pelo amadurecimento cerebral da menina. A mãe dela me conta que tudo foi assim, de um dia pro outro, os neurônios acharam o caminho, as conexões se fizeram corretas e lá está Aninha se negando a ser carregada no colo.
Neste final de semana fiquei sabendo de mais uma grande vitória. William* é colega de fisioterapia do Caio. Teve uma anóxia profunda ao nascimento. Iniciou a fisio logo após a alta hospitalar, aos 4 meses de vida. Somados ainda à sua agenda, a fono, a hidro, a equoterapia. Conheci-o com 3 anos. Numa cadeira de rodas adaptada, muito pouco sustentava o próprio pescoço e não falava. Muito sacrifício, muita dor, me relatava a mãe. Pouco antes do Natal, encontrei-o com sua mãe na rua e ele apontava e falava alegremente: “Caminhão! Vrrruuuum!”. Pois sexta, fiquei sabendo que William, aos 5 anos, começou a caminhar! Ainda precisa que sua mãe o guie, segurando suas mãos. Mas já venceu, está de pé!
Eu posso visualizar inúmeras vezes ao dia, meu Caíto correndo, contando suas coisas, cantarolando. Não é utopia, é um sentimento que insiste em preencher meu peito.
Não desprezo o poder e os avanços da ciência. Estou consciente que os progressos do Caio devem ser compartilhados com os tratamentos, acompanhamentos e medicações. Mas não é mérito exclusivo deles.
Ana Luíza e William têm mães amorosas, persistentes. Que não desistiram ao primeiro “impossível” que ouviram de médicos experientes. Carregaram seus filhos nos braços e uma fé quase inabalável nos corações. Quero ser como elas, luto pra isto.
Respeito opiniões diversas com a maior humildade, mas meu tempo vivido com o Caio me fez aprender ou ter a certeza sobre algumas coisas. Sei que nossa mente tem o poder de transformar situações. Querer, e acreditar que é possível, é sim 50% do caminho para as realizações. A fé num Deus, numa força, numa energia pode transmutar nossos destinos. O amor incondicional é poderoso, talvez o mais poderoso de todos os sentimentos.
Caio é um guerreiro. É um vencedor. E ainda hei de vê-lo imponente, de pé, sorridente como ele só, ratificando minhas crenças.
* Os nomes foram trocados para preservar a identidade das crianças.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Eles

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
A torta da Zazá
O que a gente não sabia (ou no meu caso, tinha medo de não ser) é que ele ama porque entende todo o programa.
Ele tem os DVDs de Clipes 1 e 2, que rolam diariamente lá em casa, vai pra praia, etc... febre mesmo!
E esta semana ele ganhou um DVD com episódios da turma do sítio do Júlio.
Eu achei que ele não ia dedicar a mesma atenção, uma vez que é muito mais diálogo do que música e sempre tenho dúvidas do quanto o pequeno déficit visual dele pode atrapalhar sua interação com a TV. Para minha total surpresa e alegria, ele amou as histórinhas. Pude perceber que ele conhece os personagens, suas vozes e tudo o mais. E parecia acompanhar com o olhar atento todo os episódios.
O DVD rodou duas vezes. Na terceira vez, ele já reconhecia suas partes favoritas. Quando iniciava o diálogo, ele já começava a rir... E imitou o cavalo Alípio cheirando a torta da Zazá no forno, franzindo o nariz e tudo! E ria muito e gritava junto com a Zazá o seu "aaaahhhhh", pela torta que queimou!
Ficamos muito felizes. Pelo generoso presente. Por ele ter curtido tanto. Por percebermos o quanto ele entende e interage. São as pequenas grandiosas vitórias de nosso menino!
Nos Dias Quentes do Verão, a torta da Zazá queimou. Mas para nós teve um sabor delicioso...
Irmão amoroso
Tá sempre brincando, estimulando o irmão. É cuidadoso, manda beijos, faz muito carinho. Canta, lê, dá mamadeira e até faz dormir.
Ontem à noite, saímos eu, ele e o Caio de ônibus - íamos encontrar o Sandro mais adiante.
Ele me pede pra segurar o Caio no colo e eu permito porque isso deixa os dois muito felizes.
Uma senhora, no banco ao lado nos pergunta:
" - Ele tem paralisia cerebral?"
O Yuri corre na minha frente e responde:
" - Tem sim. A senhora não acha que ele é lindo?"
Ela sorri um pouco desconcertada, mas parece ainda insistir em nos desconcertar:
" - Sim, é muito bonito. Ele não caminha?"
E seu Yuri de novo:
" - Não, mas só por enquanto. Mas ele manda beijo, canta do jeito dele e é um irmão maravilhoso".
A senhora não fez mais perguntas.
O Yuri se vira pra mim:
" - Viu mãe, como eu cuido bem do Caio, defendo ele, amo ele? Eu não tenho vergonha das dificuldades do meu irmão. Tenho orgulho dele. E acho que ele me ama também".
Como diz uma amiga minha, às vezes acho que o Yuri é uma sábia alma velha num corpo de criança.
Yuri, meu amor, Caio e eu te amamos muito sim e também temos muito orgulho de ti!
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Volta às aulas
A empolgação com o material novo, os novos cadernos de heróis. A expectativa do reencontro com os amigos, conhecer a nova professora, acenar para a anterior, orgulhoso da nova etapa a ser vivida. Ele me contou do "friozinho na barriga" com as coisas novas que vai aprender e se ele vai mesmo conseguir aprender (não tenho a menor dúvida, meu anjo!).
Me emociono e me orgulho, como sempre, ao ver cada novo passo de meu filho. Seu crescimento, sua ânsia em desbravar novos caminhos, seu coraçãozinho sempre empolgado com a vida que a cada dia se abre mais e mais para ele.
Segunda série, terceiro ano. Estou certa de que estás pronto, meu filho. Sei que vais dar show e dar mais motivos ainda pra mãe bobona aqui verter muitas lágrimas.
Quando liguei pra casa ontem, no final do dia, mal te continhas pra me contar as novidades do teu primeiro dia.
Hoje vais novamente arrumar a mochila, colocar o uniforme, pentear o cabelo para o lado e abusar do perfume (aluno charmoso é outro papo). E tua escola e a vida por si só seguirão te recebendo de braços abertos. Vai e arrasa. Fica com Deus. Te amo!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Pra quem tava com saudades nossas
Reparem no bronze, na boa forma e nos cabelos dourados do meu primogênito e no sorriso sempre contagiante do meu Caíto (o espichado que não engorda nunca). Créditos à madrinha então, que tbém aparece aí. Se Deus quiser, agora em março teremos máquina digital outra vez.
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Milhões unidos no besteirol
Estava eu zapeando entre os canais de TV quando, ao passar pela Globo, assisti Pedro Bial dizendo: "estamos chegando aos 25 milhões de votos". Na hora, passei adiante até encontrar uma programação do meu agrado. Mas depois parei pra pensar. Como assim 25 milhões de votos?
Tanto se fala que o povo brasileiro é acomodado, não se mobiliza, não luta, não é solidário... Acho que estão todos errados. Afinal, pelo menos 25 milhões de atenções foram dispensadas. Para quem? Ao eliminado da semana!
Ah, isso sim é importante!
Ainda esta semana, final do dia, eu voltando pra casa, num trajeto de ônibus que dura aproximadamente 45 minutos. Atrás de mim, uma jovem e um senhor conversavam animadamente. Por pelo menos 30 minutos o assunto foi o BBB, as intrigas, os namoros, os participantes favoritos. Lá pelas tantas, o senhor muda radicalmente o rumo da conversa. "E as aulas da tua menina já recomeçaram?". "Não, ia ser dia 11 de fevereiro, depois dia 20... agora parece que vai começar só em março". "Ah é? O que aconteceu?". "Ah, nem sei direito."
?????!!!!! Como assim? A moça sabe tudo sobre o anjo, o líder, a votação pro paredão e não sabe por que as aulas da filha estão sendo adiadas? Isso, meus senhores e senhoras, é a famosa alienação.
Não condeno quem encontre no programa momentos de lazer, todos precisamos de uma pitada de cultura inútil vez ou outra. Não assisto Big Brother, mas também perco meu tempo com bobices televisivas. Cada um com seu gosto.
O que não aceito são 25 milhões de pessoas gastanto seus telefones e pagando impostos por uma bobagem tão grande. Ou parando no meio do trabalho pra votar no eliminado. Não vejo estes esforços para derrubar taxas abusivas. Não percebo tamanha movimentação para barrar leis esdrúxulas no Congresso. Se 25 milhões de eleitores levassem seu voto tão a sério quanto num paredão do BBB, poderíamos ser poupados da presença de Clodovil Hernandéz em Brasília, por exemplo.
Mas este, não é um problema do Brasil. É de cada um de nós e de nossas escolhas.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Um carma, por amor
Muito se fala em carma (ou karma, como preferirem). Mas constantemente é um termo associado a coisas ruins, sendo um comparativo sinônimo de fardo. Só que na verdade, não é assim que o carma deve ser sentido. Ele é tão somente a nossa missão, o nosso propósito para esta encarnação. E está diretamente relacionado à ligação de nossas almas com outras almas. O pagamento ou resgate de questões pendentes não precisam vir necessariamente pelo sofrimento ou na mesma moeda. Podemos pagar um mal feito recebendo amor.
E ter esta consciência é maravilhoso!
Devo admitir que minha leitura se iniciou tendenciosa porque tenho alguns indícios somados à minha crença pessoal de que o Caio é uma alma que decidiu voltar pra mim. E já influenciada por estes sentimentos, encontrei pontos ainda mais fortes de identificação no livro que me fizeram reforçar minha opinião. E isso não tem nenhuma relação com as deficiências dele, mas somente à história de um amor e uma ligação muito fortes que se mantém para todo o sempre.
Pude, sob esta ótica, entender muitas coisas. Tive alguns questionamentos respondidos.
Mais do que nunca estou certa de que fui escolhida por meu filho. E pude entender perfeitamente que não fui escolhida para ter um menino com paralisia cerebral para pagar por algo. Fui escolhida por ele pelo amor que ele me tem desde outra vida. Talvez ele esteja pagando um preço por essa escolha, por antecipar este reencontro. E se foi assim mesmo, ele decidiu pagar por me amar demais. Decidiu pagar para estar ao meu lado.
Amor. Amor. Amor. Sempre falo dele, quando falo em meus filhos, mas especialmente do Caio, da minha esperança no seu desenvolvimento, do meu apoio incondicional.
Agorinha ainda teve o post Terapia do Amor.
Porque é tão somente com amor que posso cercar aquele que tanto quis estar comigo.
Sei que o amor cura. Sei que ele pode tudo. Sei que meu Caio é um carma, e sim, eu o mereço muito. Mereço seu amor. E ele merece todo o meu também.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Ao infinito e além
Apesar de às vezes achar este acompanhamento mensal um tanto desnecessário e cansativo, cada consulta acaba sendo uma injeção de ânimo pra mim.
Ela reforçou que, como eu já tinha observado, o Caio está com as mãos bem mais coordenadinhas e sem se contrair. Sua visão também apresentou sensível melhora. E a Fabi me reforça o quanto o Caio é maravilhoso, desenvolvendo-se mês a mês. Na grande maioria dos casos de PC, ou a criança fica com seu desenvolvimento estagnado ou alterna períodos de grande melhora com a estagnação. No caso dele, todo mês é um detalhe que mudou, uma função que ele aprendeu, um músculo que começou a trabalhar. Isso nos mostra que o cérebro dele está em constante exercício e aprendizado, o que só reitera que nossas expectativas de dias melhores não são nada infundadas.
Meu pequeno valente, o herói dos meus dias, não conhece limitações. A exemplo de Buzz Lightyear ele sabe que pode conquistar o infinito e além. E eu viajo junto na sua coragem e ousadia. Porque o céu pode ser o limite, mas nossa esperança é ilimitada.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
A terapia do amor*
Comentei com minha amiga que me dói e me culpo por não ter recursos para oferecer a ele mais terapias, como a fono, hidro e equoterapia. Algumas amigas minhas ainda fazem acupuntura, sessões de reiki e inúmeras outras terapias auxiliares com seus filhos. Penso que o Caio está tendo (lembro sempre, APESAR da minha eterna ansiedade) um ótimo desenvolvimento em relação a tudo o que seu pequeno cérebro já sofreu – anóxia, meningite, hidrocefalia. Lembro que transformamos um cérebro 80% lesionado num cérebro com 95% da área preenchida por neurônios sadios e perfeitos, prontos a aprender. E me questiono se o resultado não poderia ser uma melhora ainda maior, com respostas ainda mais efetivas do meu pequeno, se tivéssemos acesso a outros tipos de tratamento. Mas esta minha doce amiga me reconforta ao lembrar que nossa família disponibiliza ao Caio, com grande riqueza, uma terapia fabulosa: a do amor incondicional.
E aí sempre relembro de quando o prognóstico era absolutamente sombrio. Quando não havia futuro a se esperar. E quando meu amor gritou: eu não aceito! Ainda que soe arrogante da minha parte sempre tive consciência que meu amor resgatou meu Caio mais de uma vez, para compartilhar comigo esta encarnação. Então tento absorver as palavras da minha querida e realmente acreditar que os progressos alcançados por meu filho, a grande maioria deles considerada impossível por muitos médicos, se deve sim à terapia do amor, que lhe ofertamos todos os dias, de maneira intensa e completa.
Sob essa ótica, é com grande alegria que vejo suas mãozinhas cada vez menos contraídas, pouco a pouco mais coordenadas para pegar e manter seguro o objeto de desejo. É cheia de esperança que percebo seu olhar cada vez mais direcionado às pessoas, aos desenhos, à vida. E aplaudo incessantemente cada vontade dele de sentar, levantar. E me soa como maviosa sinfonia cada sílaba, cada risada sonora. Meu filho vive e é feliz, abençoado seja!
Em nome deste amor, quero mais. Estamos lutando arduamente para que o Caio tenha direito a todos os tratamentos possíveis. Para que meu filho siga florescendo lindamente para a vida, sempre regado pelo amor, este agente transformador de tudo.
A quem passar por aqui peço uma prece, uma vibração positiva, um pensamento carinhoso. Para que a caminhada siga firme rumo a seu propósito. Assim seja!
* Para minha querida Dê.









