sexta-feira, 9 de maio de 2008

A ótica da maternidade

Ontem foi a homenagem da escola do Yuri ao dia das mães. Claro que me debulhei em lágrimas. Vejo meu menino crescendo e eu sempre às voltas com questionamento se estou sabendo deixar meu amor impresso em nossa relação. Seu sorriso quando me viu ontem e o beijo quentinho recebido atestam que sim, está tudo nos conformes.

Recebi como presente uma pequena bandeija de café, pintada por ele mesmo, decorada com um coração. Dentro, alfajores feitos por eles, além do valioso cartão: "Mãe, você é a mais bela entre todas. Eu amo você. Você é meu coração".

Como sempre me emocionei muito com a música que eles cantaram em nossa homenagem.
Este ano foi "Esperando na Janela", que eu, com gosto musical assumidamente brega, já gostava.
Agora, é impressionante como, vista com ótica materna, toda e qualquer música que fale de amor se pode ser tornar "a nossa música". Como o olhar de mãe é complacente e torna tudo mais belo, mais alegre, mais simples. Às vezes penso que o mundo deveria girar movido ao amor materno.

Yuri & Caio: vocês são a verdade que tornam meus dias repletos de sentido e motivação. Ser a mãe de vocês é minha maior realização. Amo-os muito, meus queridos, que são os meus melhores presentes, todos os dias!


"Você é a escada
Da minha subida
Você é o amor
Da minha vida
É o meu abrir de olhos
Do amanhecer
Verdade que me leva a viver

Você é a espera
Na janela
A ave que vem de longe
Tão bela
A esperança
Que arde em calor
Você é a tradução
Do que é o amor"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Estar preparada

Dia desses, conversando com uma conhecida, ela me disse que só eu mesma para ter o Caio, que só eu sabia lidar com esta situação de ter um filho deficiente, que ela não estava preparada para vivenciar tantas dificuldades.

Fiquei surpresa com o que me foi dito. Eu jamais fui "preparada" para ter um filho com deficiência. Durante toda a gravidez, e ainda quando a bolsa d'água rompeu na 33a. semana de gestação, eu jamais poderia imaginar tudo o que viria pela frente. Na verdade, naquele momento eu fiquei feliz porque iria conhecê-lo antes do previsto. Quando vi meu filho nascendo, não imaginei outra coisa senão que ele estava pronto pra ser capa da Pais & Filhos.

Cada intercorrência que surgiu, cada susto que levamos. Nunca fui preparada pra ter tanto medo e sentir tanta dor. Ainda hoje, não estou preparada pra febre insistente que desperta velhos fantasmas e me tira o sono. Mas o Caio e meu amor por ele me prepararam pra ser a melhor mãe que posso ser. Atenção: não estou me auto-denominando a melhor mãe do mundo! Mas procuro exercer a maternidade dando o meu melhor, de acordo com minhas imperfeições e meus limites.

Quando penso ou mesmo assumo que tenho medos, na maioria das vezes pode soar como medo de que o Caio não tenha a reabilitação que meu coração de mãe tanto anseia. Mas posso seguramente afirmar que o maior dos meus medos é o de não ser forte, de não estar "preparada" para continuar esta caminhada por tempo e caminhos indefinidos.

O sorriso do Caio, sua doçura, o amor que ele demonstra claramente por mim. A ligação linda e forte entre ele e o Yuri. A superação constante medida em pequenos detalhes. O dia-a-dia com meu guerreirinho me prepara pra seguir em frente.

Não, eu não fui preparada para receber o Caio, nas condições em que ele chegou.
Não fui preparada para lutar diariamente pela inclusão.
Não fui preparada para crescer e aceitar humildemente meus pontos mais fracos.
Não fui preparada para criar um círculo de amizades em clínicas médicas e associações de pais de crianças com deficiência.
Não fui preparada para assumir que em alguns momentos sinto inveja, raiva, tristeza. Ou que, por mais contraditório que possa ser, que sinto um orgulho desmedido do filho que recebi.
Não fui preparada para amar e admirar tanto alguém que, aparentemente, é frágil e pequeno.

Mas jamais deixo de agradecer essa oportunidade maravilhosa de amor e aprendizado que o Caio me prepara, diariamente.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Dias de treinamento

Ele ainda não conseguiu... mas que ele anda se esforçando, ah, isso ele anda!
E o que é melhor: apesar das pernas "cambotinhas", sempre com um sorriso lindo no rostinho!



sexta-feira, 25 de abril de 2008

Daqui pra frente

E o aniversário dos meus meninos já está chegando de novo... faltam somente 22 dias.

Ano passado fiquei muito deprimida na semana que antecedeu a data. Relembrei dores e medos vividos na minha internação no Centro Obstétrico. Chorei muito porque jamais imaginava celebrar o segundo aniversário do Caio com ele em meus braços, sem saber andar. Por mais que eu soubesse das vitórias e da superação, foi muito difícil.

Este ano não será assim. Tenho me trabalhado muito pra conquistar uma almejada serenidade. Não quero mais chorar pelo leite derramado, literalmente. Começo a aprender que medos e inseguranças sempre existirão, com o Caio e com o Yuri também, porque faz parte de pelo menos 90% dos corações maternos. E o meu está dentro desta maioria.

Tenho sido a melhor mãe que posso, para os dois. Com falhas e tropeços, mas me dôo intensamente. E ambos têm me dado suas melhores respostas, sei disso. Quero poder pesar na balança somente as grandiosas (ou nem tanto assim) conquistas.

- A imunidade do Caio está 100%. Fechamos 8 meses sem otite, sem antibiótico.
- A cada dia que passa ele se mostra uma criança que tem pleno entendimento do mundo e das pessoas ao seu redor. Vide que tem pegado gosto por assistir filmes com a gente.
- Tem se esforçado muito para falar e provavelmente conseguiremos iniciar uma fonoterapia ainda neste mês.
- O mesmo esforço é visível em seus movimentos. Pra sentar, com as pernas em movimento, para pegar objetos. A coluna ainda não ajuda. Mas quando ela quiser funcionar, vai dar tudo certo!
- O tratamento nutricional é um sucesso! Caio deixou de ter cólicas e eu pude dar adeus aos intermináveis frascos de Luftal. Ele está comendo como não o fazia nos últimos dois anos. Ainda não o pesamos, mas o corpinho começa a tomar outras formas, mais arredondadas.
- Na carona de uma nutrição que tem lhe feito bem, ele a cada dia fica mais bem humorado e ativo. A sonolência causada pelos anticonvulsivantes é coisa do passado.

Enfim, tô naquela onda de quem gosta de passado é museu. Temos partes sofridas que fazem parte de nossa história, mas são passado. Não podemos mudar, foi assim. Podemos transformar o que está por vir. E tenho certeza que muita coisa bacana está chegando.

Já conto pra todo mundo. Ano que vem Caio vai estar caminhando, em sua festa de 4 anos. Mas se não estiver, não vou perder o sono por isso. Sei que receberemos tudo o que merecemos, no tempo em que Ele achar justo. O que vale é seguir acreditando, como cantarolava o Rei, que "daqui pra frente, tudo vai ser diferente".

terça-feira, 22 de abril de 2008

No colo do irmão - 2

O que mais me emociona são estes olhares.
O do Yuri, carregado de alegria e doçura.
O do Caio, de confiança e amor.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

No colo do irmão

O Caio ama estar no colo do Yuri. E o Yuri fica "se achando" quando segura o Caio. Um, sente-se querido, amado, protegido, interagindo. O outro se sente forte, confiável, grande, parceiro.
A maioria das pessoas é contra o Yuri segurar o Caio, dançar com ele, caminhar com ele no colo. Alegam que o Yuri pode não segurar direito, que o Caio pode jogar-se pra trás, se desequilibrar.
Aposto no amor e na vontade dos dois. São ambos que se realizam quando este encontro acontece.
Esta semana vi uma versão, até então impensada pra mim. Vi, num restaurante, a cena oposta: um menino com paralisia cerebral, numa cadeira de rodas, segurando a irmãzinha mais nova. As mãozinhas fechadas e em concha se entrelaçavam na cintura da pequena saltitante. E vi nos olhos dos dois a mesma alegria e cumplicidade que vejo nos olhos de meus filhos.
Essa cena aparentemente tão simples me fez repensar no conceito das coisas. Sobre a capacidade do portador de PC de ajudar, ser útil (afinal a mãe das crianças no restaurante, servia seu prato no buffet enquanto as coisas aconteciam normalmente - o filho mais velho cuidando do mais novo). Sobre a relação de entrega que existe entre irmãos. O Caio se entrega ao colo do mano. A pequena menina se entrega aos braços motoramente descoordenados mas cheios de afeto do irmão mais velho. Pensei no quanto o amor pode realmente derrubar barreiras, fazendo-as inexistentes.
Um colo, um carinho, a aceitação. A melhor terapia do mundo.
Que ela possa estar ao alcance do Caio, do irmão mais velho que vi no restaurante e de todas as pessoas do mundo. Porque realmente não existe melhor remédio do que aquele que afaga a alma, embalado pela solidariedade e pelo afeto.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Agora tá explicado!

Finalmente entendi porque Bill Gates se aposentou.
Medo da concorrência...



terça-feira, 8 de abril de 2008

Células-tronco: a esperança para muitas vidas

Mais de um mês já se passou desde o adiamento da votação, no Supremo Tribunal Federal, sobre o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas médicas. São mais de 30 dias que protelam a esperança para muitas famílias. Esperança de qualidade de vida, de cura, do fim de dores físicas e emocionais. Esperança de continuar vivo.

São as células-tronco embrionárias as mais poderosas em reprodução, as quais podem se transformar em qualquer tecido. É a esperança para doentes de câncer, de Parkinson, de Alzheimer, de anemia falciforme, de anomalias autossômicas. É o sonho de voltar a andar para tetraplégicos. É uma das minhas grandes apostas na regeneração neuronal do Caio. A Fabi, neurologista dele, é uma grande estudiosa – e entusiasta – deste assunto.

O que me chateia neste adiamento é que ele foi causado por uma discussão vazia sobre onde começa a vida. Que não se poderiam utilizar células embrionárias sem estar matando uma vida. E pior: fazem isso em nome de Deus.

Quando falo em discussão vazia, digo isto porque é de praxe que certas vertentes religiosas falem na preservação da vida no seu sentido mais simplista. Mas não se fala em preservar os direitos da criança, do cidadão, do deficiente de forma realmente efetiva, solidária, sem cobranças. Não se fala abertamente em planejamento familiar sem associá-lo a pecado. Rejeitam os avanços da ciência como se a mente iluminada de alguns pesquisadores também não fosse obra divina.

Às vezes acho que sou de outro planeta. O Deus no qual acredito e com quem converso por longas horas não é um juiz tão severo assim. Deu ao homem o livre arbítrio para construir sua trajetória. E se Ele curou leprosos, fez andar paralíticos, ressuscitou quem já havia morrido... talvez Ele saiba melhor do que ninguém o propósito de uma segunda chance. O meu Deus não aprova a dor de crianças e famílias inteiras, se existem técnicas ao alcance, que possibilitem melhoras significativas. O que o meu Deus não aceita é a violência contra crianças e idosos, o egoísmo, a falta de fé. Ele é meu Pai e me ama apesar de minhas humanas imperfeições. Não julga, não condena, não castiga. Orienta, ilumina, acolhe.

Tenho uma amiga que, impossibilitada de engravidar naturalmente, fez inseminação artificial. Foram 5 dolorosos anos de espera. Ela e o marido geraram 12 embriões em laboratório. Perderam 8 nas tentativas de engravidar. Tiveram um lindo e sadio menino. Realizada em seu desejo de maternidade, ela não quer mais filhos. E existem ainda 3 embriões congelados que ela não deseja implantar. Ela me diz que, se as leis brasileiras permitissem, ela os doaria pra mim, para tentar ajudar o Caio. Acredito piamente que é esta doação que Deus quer e abençoa. Tenho certeza de que usar a ciência e a medicina para o seu verdadeiro propósito, curar, é o que há de mais correto. Mas já que existem as células embrionárias, frutos de inseminação e que não serão usadas, é preferível descartá-las do que ajudar o próximo? Ah, mas alegam que a inseminação também não é bem vista, os filhos devem ser gerados nos moldes tradicionais. Se não vierem, é porque "Deus não quer". Não vejo Ele amaldiçoando médicos pesquisadores e bebês gerados em laboratório. Deus não é essa prepotência toda, Ele é amor puro.

Então, é mais do que hora de deixar discussões filosóficas sem qualquer embasamento para pensar em todos os avanços que a medicina já fez ao longo de sua existência. Antes a morte podia vir num simples resfriado. Hoje, a sobrevida com qualidade é uma certeza em casos antes considerados insolúveis. Tenho certeza de que existe o dedo de Deus em tudo isto. Por isso, tenho conversado seguidamente com Ele, para que esta votação seja retomada e a esperança possa ser redistribuída a tantas pessoas que não tem feito outra coisa se não rezar por uma luz no fim do túnel.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Um menino de muitos sobrenomes

Sempre penso que existem assuntos que não gosto de repetir. Mas a indignação e até mesmo a dor que aperta meu peito, me fazem não ser forte como queria e volto atrás de minhas decisões. Dia desses ainda postei o “Sentir-se amado”, inspirada pelo carinho imenso de minhas amigas.

Hoje estou ferida.

Sei bem que falei que amor não se cobra. Mas estou muito triste por volta e meia ter a confirmação de que meu Caio é excluído no seio de sua própria família. É essa dor que me consome e que me faz ter tanto medo de uma sociedade despreparada para receber meu filho e lhe ofertar amor, estudo, lazer, emprego. Independente de suas deficiências.

As pessoas se omitem. Até perguntam “como ele está?”, mas não estão prontas para ouvir as respostas porque não fazem nada a respeito delas. Ou perguntam “o que o médico disse?”. Mas trazem neste questionamento um verdadeiro pavor de que a resposta não seja nada menos do que um impossível, porque imprevisível, “ele vai ficar 100% curado das seqüelas dentro de X tempo”.

Alguns o olham de canto de olho. Outros, viram o rosto.
Alguns querem saber de todos os prognósticos (e nem eu, nem os médicos os temos). Outros nem perguntam.
Alguns até brincam com ele, com um sorriso constrangedor nos lábios. Outros, o ignoram solenemente.
Não são poucas as vezes que me pergunto o que dói mais: a indiferença ou o preconceito velado.


Esta é parte da família do Caio. Pessoas que bradam no peito os valores da família, mas que na hora de pôr o discurso em prática sempre têm um compromisso mais importante do que seus ideais falsamente alardeados. A família que gasta mais de um salário mínimo em brinquedos e futilidades e não pergunta se eu tenho os 10 reais semanais do leite ou se vai dar pra comprar todos os 12 vidros mensais de anticonvulsivante. Que pergunta dos exames, mas que nunca pode ofertar uma carona e nos faz levar 4 horas em descolamentos em ônibus e metrô.

Eu até não cobraria alguma atitude, se eu não visse isso ser feito para outras pessoas. Que nem são “da família”. Então, se meu Caio tem os valorizados genes familiares, o que lhe falta? Sob a ótica da família, eu não sei responder. Sob a nossa, posso afirmar: falta respeito, solidariedade, amor, doação.

Mas, deixa pra lá. Perdem eles.
O Caio é Lacerda Mariante Fagundes.
E Amorim, Ruschel, Pasqual, Souza, Bouzada, Ribeiro, Villas, Sant Martin, Sodré, Silva, Pires, Rolante, Garigan, Medeiros, Frenzel, Oliveria, Seeman, Freitas, D'Ávila... e muito mais, em nome de um amor muito maior e verdadeiro.

sexta-feira, 28 de março de 2008

E a Páscoa foi doce...

Coelhão lindo!

Acho que os manos gostaram...

Valeu, Coelhinho!

Lindo e saboroso este menino - sentado sozinho! Se ele precisa engordar, tá cercado de bons motivos...

segunda-feira, 24 de março de 2008

Sentir-se amado


Se tem um coisa que aprendi com minha mãe de criação, é que existe algo na vida que jamais podemos cobrar: amor. Empatia, amizade, querer bem, amar. São sentimentos muito pessoais e que, em algumas vezes, surgem sem nenhum apelo racional a lhe sustentar. Porque, afinal, são tão somente emoção. E não posso exigir que me amem como eu gostaria. Alguns hão de me amar, outros não.
O tempo sempre me reforça o quão sábia ela era.
Muito do medo de preconceito que existe em mim ou da minha insegurança quanto ao futuro do Caio vem do fato de perceber que ele não é aceito por algumas pessoas que, numa ótica simplista, teriam o dever de amá-lo e protegê-lo. É o colo nunca recebido, a mão nunca estendida, as perguntas inconvenientes, a visita que não acontece, o olhar que traz uma curiosidade quase mórbida.
Mas aí, minha mãe retorna à lembrança: Todos nós temos os afetos de quem merecemos ter ou que soubemos conquistar, dizia ela.
E fico emocionada ao perceber o quanto o Caio é amado. Por uma verdadeira legião de amigas especiais, estas sim, sempre prontas a oferecer a mão, o ombro, uma ajuda, um carinho.
Às vezes costumo me lamentar, dizendo que me sinto em luta solitária com o Caio. Em momentos difíceis, parece que só eu acredito, que só eu corro atrás, que só eu me importo. Descobri que não é verdade. As amigas do Caio são, antes de tudo, minhas amigas. E lutam comigo, choram com minha dor, riem com minha alegria, torcem na mesma expectativa. Algumas, atribuladas em suas vidas pessoais, apenas têm tempo para nos dirigir uma prece, um pensamento positivo. Quero que elas saibam que este já é um grandioso presente, talvez o maior deles. Que sentimos esta energia e nos fortalecemos nela.
O que torna este sentimento ainda mais especial é que ele nos é dirigido por algumas pessoas que sequer nos conhecem pessoalmente. Conhecem a nossa história por aqui, pelo blog. E chegaram aqui porque alguém lia e contou adiante. Outras, já tivemos a oportunidade de abraçar. E o que é melhor: elas continuaram gostando da gente.
Me sinto extremamente honrada com este amor tão verdadeiro, generoso e desprendido que é dirigido a mim e ao Caio.
Sei que podemos vencer cada obstáculo, porque temos uma torcida imensa ao nosso lado, brigando junto. Sinto que somos verdadeiramente amados. E quando penso nisso consigo entender o pleno significado da expressão “bálsamo para a alma”. Sim, temos o amor que merecemos ter. E acho que realmente Deus tem sido muito generoso conosco.

Obrigada a TODAS as meninas do LV! Amamos vocês!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Crer para ver

A Bíblia nos conta a história de São Tomé, que precisou ver Jesus pra crer em suas ressurreição. Uma famosa marca brasileira de cosméticos prega a alternativa contrária, em sua filosofia de responsabilidade social: é preciso existir primeiro o desejo para fazer acontecer. Também sou assim, na maior parte do tempo, quero crer para ver. E crendo, vejo maravilhas acontecerem.

Força do pensamento, fé, persistência. Não importa o nome. O que conta é a atitude.

Creio que tudo na vida é passageiro, inclusive nós. Então o lance é fazer desta passagem o nosso melhor.
Creio na força do amor, no poder transformador do desejo, em sonhos que impulsionam a realidade.
Creio em valores como honestidade, solidariedade, generosidade, despreendimento.
Creio que nada é por acaso, que minhas escolhas desta e de outras vidas influenciam o que sou, o que vivo.

Creio na lei da ação e reação.

Creio que meu casamento não é perfeito, mas é verdadeiro, então aposto um longo futuro nele.
Creio que o Yuri se sabe feliz e amado e, dono de um grande coração, tem um grande propósito nesta encarnação, junto à nós e a terceiros.
Creio que o Caio é gigante, iluminado e o vejo correndo à minha frente, sorrindo e brincando. Vejo porque creio.
Creio que minha família é uma benção, que superaremos tantos obstáculos quantos forem preciso para consolidar nosso amor e nossa união.

Creio em oportunidades de crescimento, não em castigo. Creio que sempre posso aprender a ser mais humilde. E que por menor que eu me veja, sou grande para alguém. E por menos que tenha, sempre posso me doar de alguma forma.

Creio no valor inigualável da amizade e, principalmente, creio que virtual é tão somente aquilo que não adubamos com atenção real.

Creio que em tantas coisas e as vejo acontecer em minha vida. As que ainda não vejo, creio, é somente questão de tempo.

Este post foi escrito há 10 dias. Mas está atualíssimo e o dedico à TODAS as minhas amigas do LV, em especial à Dê SP, Kathia, Lili, Angélica, Alessandra, Chris, Bárbara de Guareí e todo mundo que entrou na discussão da Geléia de Mocotó.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Em tempo: Dia Internacional da Mulher

Sou meio avessa às comemorações ao Dia Internacional da Mulher.
Mas impossível não me render à uma homenagem especial que recebi.
O Yuri fez um cartão totalmente caseiro, com folha de caderno, canetinhas hidrocor, recorte e colagem. Quando eu abri, pude ler sua letrinha ainda meio esquisitinha, mas linda:
"Mãe, sinto orgulho da mulher e da mãe que você é. Eu te amo. Feliz Dia da Mulher."
Como sacramentou um publicitário por aí: não tem preço!

terça-feira, 11 de março de 2008

Meu rapazinho

Sábado levei o Yuri pra cortar o cabelo.
Eu estava com pena, porque os dourados do sol ficaram muito bem nele, mas já estava muito comprido, embaraçando mesmo.
Chegando lá, ele me pede:
"Mãe, eu já estou grandinho, não quero mais usar este corte cogumelo. Posso pedir pro Beto algo mais moderno, tipo todo desbastado?"
Claro que pode, meu mocinho.
É que a mamãe aqui às vezes esquece ou quer minimizar a passagem do tempo.
Ficou lindo de qualquer jeito, o meu rapazinho vaidoso.

quinta-feira, 6 de março de 2008

A insanidade de todos nós

Ontem à noite, saí com minha família para um jantarzinho. Quando íamos embora, parou na frente do restaurante, um "louco". Dessas pessoas mal-vestidas, que falam com seres invisíveis ou não, fazendo gestos teatrais.
Inicialmente, num momento de auto-preservação, senti medo. Depois, fiquei chateada.
As pessoas riam, apontavam para ele.
Ele saiu andando pela rua, parava em algumas portas, gesticulava, discursava. E mais pessoas riam.
Riam do quê, pensei?
A insanidade é engraçada? Ser "normal" é ser superior?
Me entristeço ao ver o preconceito tão abrangente de nossa sociedade. Basta sermos diferentes de uma minoria para nos sentirmos superiores.
Ninguém se pergunta o que fez aquele homem se desequilibrar. Um acidente, uma doença, um trauma emocional muito forte. As pessoas se ocupam em rir apenas.
Não se preocupam em olhar para seus próprios umbigos, em busca de suas imperfeições a fim de melhorá-las.
Ser egoísta, preconceituoso, isso sim é insano.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Parto anônimo - Um respaldo à irresponsabilidade

É estupefata que vejo a possibilidade de uma nova lei brasileira: o parto anônimo. Segundo o anteprojeto, a lei dará às gestantes a possibilidade de fazer todo o acompanhamento de pré-natal e o parto sem a necessidade de se identificar na maternidade e, inclusive, de ficar com o bebê. Com a proposta, a mãe fica livre de toda responsabilidade jurídica sobre a criança, que poderá ser deixada em hospitais ou postos de saúde para a adoção. É a versão moderna da “roda dos excluídos”, dizem uns. Pra mim, retrocesso puro. E abandono. Simples e cruel assim.

Os argumentos dos defensores deste projeto de lei é que assim diminuiriam os casos de crianças jogadas em latas de lixo e em lagoas e a vida seria preservada, uma vez que não seriam realizados abortos. Amparadas pela lei, as “mães” (dá pra chamá-las assim?) poderiam se desfazer de filhos indesejados sem maiores implicações. E os índices de adoção cresceriam.

É simplesmente absurdo e não dará certo.

Primeiro, porque mascara um problema social muito maior que é a falta de planejamento familiar. Admito que sou dona de um ponto de vista no mínimo controverso, pois acredito que a camada mais baixa da população muitas vezes engravida mais pela preguiça de buscar contraceptivos gratuitos ou pela eventual “vantagem” financeira e governamental que mais um filho pode acarretar. Mas ainda acho que o controle da natalidade é a chave que abre as portas para um país entrar na esfera do real desenvolvimento. É preciso investir fortemente em educação sexual, esclarecimento e livre acesso à contracepção. Enquanto filhos continuarem sendo gerados com irresponsabilidade e despreocupação, sorry em lhes dizer, nosso Brasil continuará sendo parte do terceiro mundo.

Em segundo, sou absolutamente favorável à legalização do aborto. Embora em pequena escala, “acidentes” acontecem. E a mulher, de qualquer camada social, deve ter o direito à escolha. Eu sou um exemplo disto. Engravidei do meu segundo filho sem planejar, num momento financeiro terrível. Pensei durante 15 dias se iria abortar ou não. Mas era tarde: eu já estava completamente apaixonada por aquele ser que crescia em mim. Ter meu segundo filho se tornou um desejo, uma opção. Eu não abortaria, hoje estou certa disto. Mas não me dou o direito de condenar quem o faça. Prefiro um aborto feito em condições básicas de higiene e segurança do que um recém-nascido morto após ser atirado, num ribeirão poluído, pela janela
. E também acho injusto com a própria criança que ela seja alvo de agulhas de tricô ou de comprimidos clandestinos de Cytotec. Sem falar no ônus que gera para a saúde pública tratar as seqüelas destas tentativas de aborto, muitas vezes mal sucedidas e que acabam comprometendo a saúde do futuro bebê.

Por fim, para aumentar os índices de adoção, o remédio é bem mais simples. Basta descomplicar. Milhares de homens e mulheres, em plenas condições sociais e emocionais, esperam um filho do coração. Já amam uma criança em suas vidas e, ao contrário do que se alardeia por aí, não esperam que ela seja branca e recém-nascida. Eu conheço pelo menos três casais de amigos nesta situação. E meu círculo de amizades nem é tão grande assim.

O que acho que este projeto de lei, se aprovado, vai fazer é superlotar as maternidades, os conselhos tutelares e os orfanatos. Vamos criar um problema ainda maior, uma vez que não temos estrutura para abrigar estas crianças enquanto a burocracia pela adoção acontece – e elas crescem. E pior: acho que a nova lei pode criar um precedente mais absurdo ainda. Se chego à conclusão de que não tenho condições de criar meu filho de 7 anos, também posso entregá-lo livremente para adoção?

Filho não se dá. A eles, nos doamos. Amamos, respeitamos, ensinamos valores, no intuito de realmente estar formando os cidadãos do amanhã. Para que nas gerações futuras um assunto deste porte não seja nem cogitado.

segunda-feira, 3 de março de 2008

O Poder da Mente

Uma pessoa na qual tenho a maior credibilidade me reforçou semana passada de que estou certa. O Caio vai andar, vai falar. Vai se desenvolver tão bem que quem o conhecer daqui alguns anos não acreditará nas dificuldades vencidas por este pequeno grande.
Confesso que fico receosa. Não com as previsões em si, mas na minha expectativa de que a melhora seja assim tão significativa. Sempre acreditei no potencial do meu filho mas tenho medo de pedir dele mais do que ele pode me dar. Ao mesmo tempo tenho em meu coração a quase certeza de que sim, ele pode, ele quer, ele vai.

Em setembro último, reencontrei no Hospital de Clínicas, a Ana Luíza*, “colega” de UTI Neo do Caio. Ela nasceu prematura, com 26 semanas de gestação. Teve cegueira da prematuridade, hemorragia cerebral, precisou fazer reconstrução do intestino. Ficou internada 104 dias (quase o dobro do meu guerreiro). Depois, voltou e fez duas cirurgias: uma pra colocar a DVP (exatamente como o Caio) e outra para abrir seu crânio que estava fechando prematuramente (a tal cranioestenose que chegaram a suspeitar que o Caio tivesse). Os prognósticos dados à menina (atendida pelo mesmo neurocirurgião “sensível” que comparou o Caio à uma alface)? Vegetativa, para sempre. Lembro muito do quanto eu e a mãe da Ana Luíza chorávamos no ombro uma da outra, do quanto conversávamos com Deus, do quanto defendíamos o amor materno como instrumento de cura. Pois tive a felicidade de ver a Aninha (2 anos e 8 meses) caminhando e chamando sua mãe de “mã-mã”. A surdez, antes diagnosticada, foi revertida pelo amadurecimento cerebral da menina. A mãe dela me conta que tudo foi assim, de um dia pro outro, os neurônios acharam o caminho, as conexões se fizeram corretas e lá está Aninha se negando a ser carregada no colo.

Neste final de semana fiquei sabendo de mais uma grande vitória. William* é colega de fisioterapia do Caio. Teve uma anóxia profunda ao nascimento. Iniciou a fisio logo após a alta hospitalar, aos 4 meses de vida. Somados ainda à sua agenda, a fono, a hidro, a equoterapia. Conheci-o com 3 anos. Numa cadeira de rodas adaptada, muito pouco sustentava o próprio pescoço e não falava. Muito sacrifício, muita dor, me relatava a mãe. Pouco antes do Natal, encontrei-o com sua mãe na rua e ele apontava e falava alegremente: “Caminhão! Vrrruuuum!”. Pois sexta, fiquei sabendo que William, aos 5 anos, começou a caminhar! Ainda precisa que sua mãe o guie, segurando suas mãos. Mas já venceu, está de pé!

Eu posso visualizar inúmeras vezes ao dia, meu Caíto correndo, contando suas coisas, cantarolando. Não é utopia, é um sentimento que insiste em preencher meu peito.
Não desprezo o poder e os avanços da ciência. Estou consciente que os progressos do Caio devem ser compartilhados com os tratamentos, acompanhamentos e medicações. Mas não é mérito exclusivo deles.

Ana Luíza e William têm mães amorosas, persistentes. Que não desistiram ao primeiro “impossível” que ouviram de médicos experientes. Carregaram seus filhos nos braços e uma fé quase inabalável nos corações. Quero ser como elas, luto pra isto.

Respeito opiniões diversas com a maior humildade, mas meu tempo vivido com o Caio me fez aprender ou ter a certeza sobre algumas coisas. Sei que nossa mente tem o poder de transformar situações. Querer, e acreditar que é possível, é sim 50% do caminho para as realizações. A fé num Deus, numa força, numa energia pode transmutar nossos destinos. O amor incondicional é poderoso, talvez o mais poderoso de todos os sentimentos.

Caio é um guerreiro. É um vencedor. E ainda hei de vê-lo imponente, de pé, sorridente como ele só, ratificando minhas crenças.

* Os nomes foram trocados para preservar a identidade das crianças.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Eles

Se tem uma coisa que me alegra, me orgulha e me emociona é a sintonia de meus filhos, como irmãos. São parceiros, se amam, se entrosam. Não é preciso mais nada!


quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A torta da Zazá

Que o Caio ama o Cocoricó, seus clipes musicais e personagens, quase todo mundo sabe.
O que a gente não sabia (ou no meu caso, tinha medo de não ser) é que ele ama porque entende todo o programa.
Ele tem os DVDs de Clipes 1 e 2, que rolam diariamente lá em casa, vai pra praia, etc... febre mesmo!
E esta semana ele ganhou um DVD com episódios da turma do sítio do Júlio.
Eu achei que ele não ia dedicar a mesma atenção, uma vez que é muito mais diálogo do que música e sempre tenho dúvidas do quanto o pequeno déficit visual dele pode atrapalhar sua interação com a TV. Para minha total surpresa e alegria, ele amou as histórinhas. Pude perceber que ele conhece os personagens, suas vozes e tudo o mais. E parecia acompanhar com o olhar atento todo os episódios.
O DVD rodou duas vezes. Na terceira vez, ele já reconhecia suas partes favoritas. Quando iniciava o diálogo, ele já começava a rir... E imitou o cavalo Alípio cheirando a torta da Zazá no forno, franzindo o nariz e tudo! E ria muito e gritava junto com a Zazá o seu "aaaahhhhh", pela torta que queimou!
Ficamos muito felizes. Pelo generoso presente. Por ele ter curtido tanto. Por percebermos o quanto ele entende e interage. São as pequenas grandiosas vitórias de nosso menino!
Nos Dias Quentes do Verão, a torta da Zazá queimou. Mas para nós teve um sabor delicioso...

Irmão amoroso

O Yuri, todos sabem, é um irmão maravilhoso pro Caio.
Tá sempre brincando, estimulando o irmão. É cuidadoso, manda beijos, faz muito carinho. Canta, lê, dá mamadeira e até faz dormir.
Ontem à noite, saímos eu, ele e o Caio de ônibus - íamos encontrar o Sandro mais adiante.
Ele me pede pra segurar o Caio no colo e eu permito porque isso deixa os dois muito felizes.
Uma senhora, no banco ao lado nos pergunta:
" - Ele tem paralisia cerebral?"
O Yuri corre na minha frente e responde:
" - Tem sim. A senhora não acha que ele é lindo?"
Ela sorri um pouco desconcertada, mas parece ainda insistir em nos desconcertar:
" - Sim, é muito bonito. Ele não caminha?"
E seu Yuri de novo:
" - Não, mas só por enquanto. Mas ele manda beijo, canta do jeito dele e é um irmão maravilhoso".
A senhora não fez mais perguntas.
O Yuri se vira pra mim:
" - Viu mãe, como eu cuido bem do Caio, defendo ele, amo ele? Eu não tenho vergonha das dificuldades do meu irmão. Tenho orgulho dele. E acho que ele me ama também".

Como diz uma amiga minha, às vezes acho que o Yuri é uma sábia alma velha num corpo de criança.

Yuri, meu amor, Caio e eu te amamos muito sim e também temos muito orgulho de ti!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Volta às aulas

A alegria do meu Yuri ontem, ao recomeçar as aulas, era contagiante.
A empolgação com o material novo, os novos cadernos de heróis. A expectativa do reencontro com os amigos, conhecer a nova professora, acenar para a anterior, orgulhoso da nova etapa a ser vivida. Ele me contou do "friozinho na barriga" com as coisas novas que vai aprender e se ele vai mesmo conseguir aprender (não tenho a menor dúvida, meu anjo!).
Me emociono e me orgulho, como sempre, ao ver cada novo passo de meu filho. Seu crescimento, sua ânsia em desbravar novos caminhos, seu coraçãozinho sempre empolgado com a vida que a cada dia se abre mais e mais para ele.
Segunda série, terceiro ano. Estou certa de que estás pronto, meu filho. Sei que vais dar show e dar mais motivos ainda pra mãe bobona aqui verter muitas lágrimas.
Quando liguei pra casa ontem, no final do dia, mal te continhas pra me contar as novidades do teu primeiro dia.
Hoje vais novamente arrumar a mochila, colocar o uniforme, pentear o cabelo para o lado e abusar do perfume (aluno charmoso é outro papo). E tua escola e a vida por si só seguirão te recebendo de braços abertos. Vai e arrasa. Fica com Deus. Te amo!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Pra quem tava com saudades nossas

Seguem umas fotinhas tiradas por minha prima e comadre Gabi, dinda do Yuri.
Reparem no bronze, na boa forma e nos cabelos dourados do meu primogênito e no sorriso sempre contagiante do meu Caíto (o espichado que não engorda nunca). Créditos à madrinha então, que tbém aparece aí. Se Deus quiser, agora em março teremos máquina digital outra vez.






quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Milhões unidos no besteirol

Eu prometi pra mim mesma que não ia me manifestar sobre o Big Brother Brasil. Porque em suas oitava edição, o reality show conquistou adeptos que, a meu ver, elevam o programa à categoria futebol-política-religião. É melhor não se discutir a respeito. Mas o que vi ontem não consigo deixar passar.
Estava eu zapeando entre os canais de TV quando, ao passar pela Globo, assisti Pedro Bial dizendo: "estamos chegando aos 25 milhões de votos". Na hora, passei adiante até encontrar uma programação do meu agrado. Mas depois parei pra pensar. Como assim 25 milhões de votos?
Tanto se fala que o povo brasileiro é acomodado, não se mobiliza, não luta, não é solidário... Acho que estão todos errados. Afinal, pelo menos 25 milhões de atenções foram dispensadas. Para quem? Ao eliminado da semana!
Ah, isso sim é importante!
Ainda esta semana, final do dia, eu voltando pra casa, num trajeto de ônibus que dura aproximadamente 45 minutos. Atrás de mim, uma jovem e um senhor conversavam animadamente. Por pelo menos 30 minutos o assunto foi o BBB, as intrigas, os namoros, os participantes favoritos. Lá pelas tantas, o senhor muda radicalmente o rumo da conversa. "E as aulas da tua menina já recomeçaram?". "Não, ia ser dia 11 de fevereiro, depois dia 20... agora parece que vai começar só em março". "Ah é? O que aconteceu?". "Ah, nem sei direito."
?????!!!!! Como assim? A moça sabe tudo sobre o anjo, o líder, a votação pro paredão e não sabe por que as aulas da filha estão sendo adiadas? Isso, meus senhores e senhoras, é a famosa alienação.
Não condeno quem encontre no programa momentos de lazer, todos precisamos de uma pitada de cultura inútil vez ou outra. Não assisto Big Brother, mas também perco meu tempo com bobices televisivas. Cada um com seu gosto.
O que não aceito são 25 milhões de pessoas gastanto seus telefones e pagando impostos por uma bobagem tão grande. Ou parando no meio do trabalho pra votar no eliminado. Não vejo estes esforços para derrubar taxas abusivas. Não percebo tamanha movimentação para barrar leis esdrúxulas no Congresso. Se 25 milhões de eleitores levassem seu voto tão a sério quanto num paredão do BBB, poderíamos ser poupados da presença de Clodovil Hernandéz em Brasília, por exemplo.
Mas este, não é um problema do Brasil. É de cada um de nós e de nossas escolhas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Um carma, por amor

Foi com o coração carregado de emoção, ternura e uma sensação de plenitude que terminei de ler o livro "O Amor me trouxe de volta", que ganhei no final do ano. E queria compartilhar um pouco do que li e (acho que) aprendi.
Muito se fala em carma (ou karma, como preferirem). Mas constantemente é um termo associado a coisas ruins, sendo um comparativo sinônimo de fardo. Só que na verdade, não é assim que o carma deve ser sentido. Ele é tão somente a nossa missão, o nosso propósito para esta encarnação. E está diretamente relacionado à ligação de nossas almas com outras almas. O pagamento ou resgate de questões pendentes não precisam vir necessariamente pelo sofrimento ou na mesma moeda. Podemos pagar um mal feito recebendo amor.
E ter esta consciência é maravilhoso!
Devo admitir que minha leitura se iniciou tendenciosa porque tenho alguns indícios somados à minha crença pessoal de que o Caio é uma alma que decidiu voltar pra mim. E já influenciada por estes sentimentos, encontrei pontos ainda mais fortes de identificação no livro que me fizeram reforçar minha opinião. E isso não tem nenhuma relação com as deficiências dele, mas somente à história de um amor e uma ligação muito fortes que se mantém para todo o sempre.
Pude, sob esta ótica, entender muitas coisas. Tive alguns questionamentos respondidos.
Mais do que nunca estou certa de que fui escolhida por meu filho. E pude entender perfeitamente que não fui escolhida para ter um menino com paralisia cerebral para pagar por algo. Fui escolhida por ele pelo amor que ele me tem desde outra vida. Talvez ele esteja pagando um preço por essa escolha, por antecipar este reencontro. E se foi assim mesmo, ele decidiu pagar por me amar demais. Decidiu pagar para estar ao meu lado.
Amor. Amor. Amor. Sempre falo dele, quando falo em meus filhos, mas especialmente do Caio, da minha esperança no seu desenvolvimento, do meu apoio incondicional.
Agorinha ainda teve o post Terapia do Amor.
Porque é tão somente com amor que posso cercar aquele que tanto quis estar comigo.
Sei que o amor cura. Sei que ele pode tudo. Sei que meu Caio é um carma, e sim, eu o mereço muito. Mereço seu amor. E ele merece todo o meu também.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Ao infinito e além

Caíto consultou com a Dra. Fabi, hoje, sua neurologista.
Apesar de às vezes achar este acompanhamento mensal um tanto desnecessário e cansativo, cada consulta acaba sendo uma injeção de ânimo pra mim.
Ela reforçou que, como eu já tinha observado, o Caio está com as mãos bem mais coordenadinhas e sem se contrair. Sua visão também apresentou sensível melhora. E a Fabi me reforça o quanto o Caio é maravilhoso, desenvolvendo-se mês a mês. Na grande maioria dos casos de PC, ou a criança fica com seu desenvolvimento estagnado ou alterna períodos de grande melhora com a estagnação. No caso dele, todo mês é um detalhe que mudou, uma função que ele aprendeu, um músculo que começou a trabalhar. Isso nos mostra que o cérebro dele está em constante exercício e aprendizado, o que só reitera que nossas expectativas de dias melhores não são nada infundadas.
Meu pequeno valente, o herói dos meus dias, não conhece limitações. A exemplo de Buzz Lightyear ele sabe que pode conquistar o infinito e além. E eu viajo junto na sua coragem e ousadia. Porque o céu pode ser o limite, mas nossa esperança é ilimitada.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A terapia do amor*

Um dia desses conversava pelo MSN com uma amiga pra lá de especial. E comentei com ela o quanto me sinto diminuída às vezes, ao confrontar minha realidade com a de outras mães de crianças com PC. O tratamento do Caio é restrito meramente à fisioterapia motora (ele fazia fisioterapia respiratória também, mas teve alta clínica), ao uso da medicação anticonvulsivante e a exercícios de estimulação em nível global – envolvendo postura, coordenação motora, audição, visão e fonoaudiologia – propostos pela pediatra, neurologista e fisioterapeuta dele. Ou seja, elas nos ensinam alguns exercícios ou brincadeiras pra fazer em casa e nós nos esforçamos para repetir. Mas é tudo feito de um modo bem empírico, quase instintivo.

Comentei com minha amiga que me dói e me culpo por não ter recursos para oferecer a ele mais terapias, como a fono, hidro e equoterapia. Algumas amigas minhas ainda fazem acupuntura, sessões de reiki e inúmeras outras terapias auxiliares com seus filhos. Penso que o Caio está tendo (lembro sempre, APESAR da minha eterna ansiedade) um ótimo desenvolvimento em relação a tudo o que seu pequeno cérebro já sofreu – anóxia, meningite, hidrocefalia. Lembro que transformamos um cérebro 80% lesionado num cérebro com 95% da área preenchida por neurônios sadios e perfeitos, prontos a aprender. E me questiono se o resultado não poderia ser uma melhora ainda maior, com respostas ainda mais efetivas do meu pequeno, se tivéssemos acesso a outros tipos de tratamento. Mas esta minha doce amiga me reconforta ao lembrar que nossa família disponibiliza ao Caio, com grande riqueza, uma terapia fabulosa: a do amor incondicional.

E aí sempre relembro de quando o prognóstico era absolutamente sombrio. Quando não havia futuro a se esperar. E quando meu amor gritou: eu não aceito! Ainda que soe arrogante da minha parte sempre tive consciência que meu amor resgatou meu Caio mais de uma vez, para compartilhar comigo esta encarnação. Então tento absorver as palavras da minha querida e realmente acreditar que os progressos alcançados por meu filho, a grande maioria deles considerada impossível por muitos médicos, se deve sim à terapia do amor, que lhe ofertamos todos os dias, de maneira intensa e completa.


Sob essa ótica, é com grande alegria que vejo suas mãozinhas cada vez menos contraídas, pouco a pouco mais coordenadas para pegar e manter seguro o objeto de desejo. É cheia de esperança que percebo seu olhar cada vez mais direcionado às pessoas, aos desenhos, à vida. E aplaudo incessantemente cada vontade dele de sentar, levantar. E me soa como maviosa sinfonia cada sílaba, cada risada sonora. Meu filho vive e é feliz, abençoado seja!

Em nome deste amor, quero mais. Estamos lutando arduamente para que o Caio tenha direito a todos os tratamentos possíveis. Para que meu filho siga florescendo lindamente para a vida, sempre regado pelo amor, este agente transformador de tudo.

A quem passar por aqui peço uma prece, uma vibração positiva, um pensamento carinhoso. Para que a caminhada siga firme rumo a seu propósito. Assim seja!

* Para minha querida Dê.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A bicicleta do Yuri

O Yuri desde sempre teve paixão por bicicletas. A última que ele teve foi em 2006, daquelas pequenas (acho que aro 14) com rodinhas auxiliares para se equilibrar. Numa de nossas primeiras tentativas de usá-la sem as tais rodinhas, ele voou para o chão e teve um ferimento bem feio no rosto. Foi o que bastou para que ele trocasse a bici pelo roller e pelo patinete. Ele só voltou a pegar a bicicleta no final de novembro de 2007, ele já bem maior que ela, se sentia pronto a se aventurar de novo. Posso dizer que numa de minhas intuições maternas, escolhi naquele momento seu presente de Natal: uma bici nova, maior.

Compramos uma bicicleta bem bacana, aro 20, com marcha e de aço cromado, colorida com azul e branco como meu gremista tanto gosta. A minha surpresa foi que ele amou, pegou a dita cuja e saiu pedalando por aí. O espanto: a tal bici "grande" não tem rodinhas auxiliares! Por onde meu filho aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas que não vi?

A bicicleta passou a ser um símbolo dúbio para mim. Símbolo do crescimento do meu filho, que tanto me orgulha. Símbolo dele desbravando caminhos da longa e feliz vida que ele há de ter. Mas é, ao mesmo tempo, símbolo do meu receio: por onde tenho andado enquanto meu filho cresce?

Na praia, no final do ano passado, ele já me alertava: "Em 2008 vou fazer 8 anos". Como assim? Para mim foi ontem que esse lindo bebê chegou! Vejo assustada a barrinha no topo do blog: 7 anos, 8 meses, 1 semana e 5 dias... O tempo anda correndo e tenho medo se ele me será favorável. Desse jeito, quando eu abrir os olhos novamente terei um pré-adolescente em casa. Depois um rapaz e mais tarde um homem, que sairá de casa para conquistar seu próprio território.

Será que estou aproveitando tudo o que posso dessa infância que já me parece demasiada curta? Será que estou deixando meu amor e minha verdade impressos em cada momento, para que eles sustentem com respeito nossa relação, independente do passar dos anos? Torço para que nossas brincadeiras, viagens, canções, leituras e, até mesmo, nossas brigas, fiquem guardadas num cantinho de recordações especiais. Desejo imensamente que meu filho sempre possa afirmar seguramente: Sou feliz! Sou amado! Rezo para que ele me guarde no porta-jóias do seu coração. Ao lado de sua boa companheira, a bicicleta.


Ainda ontem ele tinha este tamanhinho...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

5 coisas para 2008

Minha doce amiga Marlene me convocou para mais um Meme. Como ainda estamos no clima de Ano Novo e metas para o ano e, principalmente porque tenho essas metas, adorei. Olhem como funciona:

"Fazer uma lista com cinco objetivos pessoais pro ano de 2008.
Só que esse meme precisa ser verificado no início do ano que vem...
então precisam ser coisas palpáveis, verificáveis e coisas que dependam do seu esforço pessoal.
Coisas abstratas estão fora: tipo: ser feliz, ser mais paciente... é muito lindo,
mas não dá pra verificar corretamente se foi cumprido."

Os meus 5 objetivos para 2008 são:

1. Emagrecer 15 kg (ok, eu precisaria perder bem mais, mas se ficar numa média de pouco mais de 1kg a menos por mês já é um bom começo);
2. Iniciar uma poupança (e quem me conhece sabe o quanto isto é difícil);
3. Ir pra São Paulo, passar nem que sejam apenas 48hs com algumas das melhores amigas do mundo!; 4. Comprar minha casa (mas se eu não conseguir comprá-la, comprar um terreno);
5. Iniciar fonoterapia e hidroterapia - pelo menos - com o Caio.

Agora teria que repassar essa tarefa para mais cinco amigas, mas deixo livre pra quem estiver a fim.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

O melhor filho do mundo

Tenho um amigo que diz que todas as mães têm a mania de achar o seu filho mais bonito e mais inteligente que todas as crianças do mundo. Como ele ainda não tem filhos, de nada adiantou eu lhe falar sobre o amor totalmente tendencioso de pais e mães. Mas deixa pra lá.

Eu considero o Yuri muito inteligente. Não é um "gênio-super-dotado", mas tem uma certa precocidade em relação às crianças de sua idade. E esta minha opinião já foi reforçada por pediatras e professoras. Ele tem uma incrível capacidade de assimilar, relacionar e interpretar os fatos que acho fantástica.

Desde metade do ano passado, numa época em que não havia nenhum DVD novo em sua coleção, o Yuri resolveu fuçar nos meus. E descobriu Forrest Gump, o Contador de Histórias. Um belo dia, chego em casa, tá lá o guri super atento assistindo ao filme que tem mais 2 horas de duração e várias sutilezas sobre a história americana. Ao término do filme pediu para ver mais uma vez. E semana passada, quando voltamos da praia, ele assistiu o vídeo duas vezes no sábado e duas vezes no domingo. Lá pelas tantas não resisti e perguntei: "Mas o que este filme tem de tão especial? Por que tu não cansas de vê-lo?".

Estão prontas para a resposta?

"Mãe, esse é o melhor filme de todos os tempos. Eu gosto muito de ver, porque toda vez que eu olho de novo eu percebo mais coisas. O Forrest sofria muito preconceito, desde que ele era criança. As pessoas achavam que ele não era inteligente, mas ele era, só não igual aos outros. As pessoas tinham medo de ser 'amigo' dele. Mas quem prestou atenção nele de verdade aprendeu a amar ele. E ele foi feliz. ACHO QUE COM NOSSO CAIO TAMBÉM É ASSIM".

Preciso dizer que não sabia se chorava ou desmaiava?

Uma vez, minha amada amiga Márcia POA, me disse (respondendo ao meu medo que o Caio tivesse uma inteligência limitada) que o importante é o uso que ele fará da inteligência que tiver.

No brilhante boletim do meu Yuri, com notas que lhe renderam média anual 9,7 na primeira série, o que mais me encheu de orgulho foi o parecer descritivo: "É um menino sensível, afetuoso e solidário, sempre pronto a colaborar com professores e colegas". Fico imensamente feliz que meu primogênito seja inteligente. Mas fico ainda mais realizada ao perceber que ele tem um grande coração, que certamente conduzirá esta inteligência de modo a torná-lo um homem de bem.

E deixem eu reforçar para o meu amigo: sim, meu filho é dos mais inteligentes. E, ao lado do mano Caio, é o melhor filho do mundo!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Ainda bem que terminou

Sabe aqueles dias em que dá vontade de gritar?
"Pára o mundo, que eu quero descer!"
Pois é, hoje foi um deles.
Ainda bem que está chegando ao fim muito melhor do que começou.
Ele é Pai, não é padrasto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Uma esperança que nunca morre

Passei o final de ano depressiva, como acontece com muitas pessoas nesta época. Eu, que sempre gostei de festas e que sempre fui do time dos que renovam a esperança no novo ano que está para nascer. Dessa vez eu estava cansada, quase esgotada.

Em meio à troca de presentes de Natal, de uma certa satisfação de estar com as finanças mais equilibradas e poder comprar uns presentes bacaninhas pras crianças e pro marido, fiquei triste. O que mais desejo nesta vida não pode ser comprado. Não está à venda, não pode ser financiado. Receberei um dia se Ele achar que somos merecedores. E aí quis cair em descrédito - comigo e com Ele mesmo.

Depois, às vésperas do dia 31 me vi mais uma vez transferindo para o Ano Novo a esperança de grandes melhoras. Pela segunda vez torço para que este que se inicia seja sim o ano em que o Caio vai ficar mais firme, vai andar, vai falar, vai ser mais feliz. Mas não encontrava forças para acreditar nos meus desejos. E desacreditar ou talvez ter que confrontar uma realidade que insiste em se mostrar distante (ou incerta, o que é pior ainda) do que sempre almejei pra nós é doloroso demais.

Mas o bom disto tudo é que minha esperança é prima-irmã da mitológica Fênix. Às vezes tá aos caquinhos, tão moída pelas dificuldades do dia-a-dia que parece impossível recompô-la. E aí surge uma microscópica fagulha e pronto! A fogueira está acesa de novo, aquecendo meu coração.

Hoje o Caio consultou com o otorrino, na revisão trimestral de rotina. E o Dr. Eduardo se "despediu" da gente. Disse que com 8 meses sem nenhuma crise de otite, suportando praia e piscina numa boa e com o tônus muscular cada vez segurando melhor o pescoço, o Caio teve alta clínica. Pode vir a ter alguma crise de otite, mas considerando as origens delas e as melhoras dele, é muito improvável.

Faço as pazes com Deus. Choro e agradeço. Peço perdão por minha impaciência. Volto a aceitar com amor esta missão gratificante de ter o Caio em minha vida.

Pode ser que ainda não seja em 2008 os tãos sonhados passos do meu filho. Mas ele já venceu muito e segue vencendo. É um vencedor desde que nasceu. E assim será sempre. Vou vê-lo andar, vou escutar suas frases, vou amá-lo cada dia mais. E principalmente vou seguir recebendo lições infinitas sobre tudo, com meu pequeno guerreiro.

Tenho medos, sim. Mas a esperança, esta teimosa que vive em meu peito, não morre nunquinha.
Ainda bem.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

O que tenho de mais valioso




O lucro

Apesar da tristeza e da revolta pelo recente acontecido, vamos às boas notícias: em meio a todo o pavor do assalto, o Sandro ainda conseguiu negociar com os ladrões pra deixarem o chip da máquina digital e assim mantivemos as fotos das crianças que tiramos nos primeiros 5 dias. Então, uma amostra do que ficou de nossas férias e da família linda que somos - e isso ninguém nos tira!


O mar logo ali nos esperando

Muito verde ao redor pra gente passear
Caíto sempre alegre
Manos lindos pegando um bronze

Praia e joguinho de cartas: tudo a ver - e Caio participou firme e forte

Fifão relaxando na rede
Hora do banho é folia na certa!

Papai Noel trouxe o DVD do Cocoricó Clipes 2 - preciso dizer que Caíto amou?

Dois dos três homens que mais amo na vida

Caíto curtindo desenho no "falecido" bebê conforto (e querendo saltar fora dele!)

Até com chuva dava pra curtir


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Perdi a virgindade

Foi numa madrugada, nos ultimos dias de 2007. Eu, brasileira, 35 anos, casada, dois filhos, deixei de ser virgem: fui assaltada. Eu, que me incluía numa minoria que jamais tinha passado por esta violência. Três marginais mascarados invadiram nossa casa na praia. Durante três intermináveis horas nos apavoraram sob a mira de revólveres, ironizando nossa melhor condição financeira, que eles eram pobres coitados que precisavam roubar e que nós éramos riquinhos em férias.

Roubaram-nos tudo: roupas, dinheiro, jóias - minha aliança de casamento, a corrente de ouro com meus dois meninos em pigente, um relógio recém ganho do marido de Natal - celulares, máquina digital (adeus fotinhos constantes aqui no blog). Roubaram inclusive o perfuminho do Yuri, um repelente manipulado do Caio. Levaram shampoos, bebidas, bombons das crianças, TV, DVD, microondas e até o carro da minha cunhada. Mas roubaram algo muito mais valioso: nossa dignidade, nossa tranqüilidade. E isto não se recupera assim tão fácil.
As crianças, sob a proteção de seus anjos da guarda, não acordaram e os bandidos não mexeram com elas.
Olharam o bebê conforto do Caio, que usamos como cadeira pra ele assistir TV ou apenas ficar sentadinho. Pedi pra não levaremm que o menino precisava muito dele. Ao que um dos ladrões debochou: "deficiente sou eu dona, que não tiro férias". Que nojo!
Meu marido, que é cardíaco, perdeu a consciência. E eu pensei que o tinha perdido. Foi pelo estado dele que os ladrões resolveram ir embora, não sem antes nos amarrar.

E é assim que me sinto desde aquela madrugada: amarrada, impotente, invadida.

Mas sabem o que mais me deixa com raiva? O fato de precisar agradecer à Deus porque estamos vivos, que ninguém se machucou. Concordo, estamos bem, unidos, prontos pra batalhar pra conquistar tudo outra vez. Mas vai demorar, afinal a vida não é fácil assim não. E não aceito que entrem desse modo em nossas vidas, que nos humilhem, que nos tomem o que lutamos para ter. Não aceito que apontem uma arma para minha cabeça e me encham de medo. Acima de tudo, não aceito que seja assim mesmo e que agora eu faça parte de uma grande estatística nacional.

Não sou mais virgem. E devo dizer que doeu e ainda dói muito. Não sou mais uma adolescente sonhando em viver um romance cheio de emoções. Sou uma brasileira acuada, descrente na justiça dos homens, cheia de revolta e indignação. E sofro mais ainda ao me perguntar: quantos mais ainda? Até quando?

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Sombra & Água Fresca

Este blog está curtindo merecidas férias a partir de hoje.
Retomaremos nossa programação normal a partir de 07/01/2008.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Feliz Natal!!!

Natal e Ano Novo são épocas em que nos lembramos mais de palavras como fé, solidariedade, esperança, amor, Deus.
Que estas palavras - e principalmente estes sentimentos - possam ser vividos intensa e verdadeiramente em todos os dias de 2008.
Um grande beijo a todos os leitores do Meus Frutos!



terça-feira, 18 de dezembro de 2007

Decoração privilegiada

Essa é pra quem elogiou a foto do Yuri bebê junto ao post sobre minha árvore de Natal.
Tenho na minha sala uma decoração maravilhosa e exclusiva.
O quadro-presença de cada um de meus meninos, por ocasião de seus aniversários de 1 ano.
São fotos lindas rodeadas de dedicatórias idem de nossos amigos queridos, marcando para sempre estes momentos que nos foram tão especiais.
Cá entre nós, nem Marcelo Rosenbaum faria decoração mais bonita, né?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Retrospectiva 2007

Já escrevi sobre isto: às vezes é preciso olhar para trás para dar ao futuro o olhar esperançoso e feliz que ele merece.
Em dezembro do ano passado fiz uma retrospectiva de 2006 e o saldo era positivo. E ao pensar em fazer a versão 2007 percebo as coisas ainda melhores:

- O Caio atingiu uma estabilidade imunológica bem interessante e as visitas ao PA (Pronto Atendimento) praticamente inexistiram. As especialidades médicas e suas freqüências também já não são mais tão necessárias. Vários exames apontam um organismo cada vez mais sadio e normal. É um menino doce e muito alegre.
- O Yuri passou lindamente pela primeira série, sendo aprovado com excelentes notas. Mostrou à equipe da escola que o acompanha há quase 4 anos, um grande amadurecimento emocional, despontando características como generosidade, afetividade e solidariedade. E ainda apresenta-se como um bom esportista, destacando-se no judô e futebol.
- Encontramos um melhor equilíbrio financeiro em relação aos últimos 2 anos (ok, nada de grandes saldos bancários, mas as dívidas diminuíram consideravelmente e pudemos fazer algumas pequenas aquisições).
- Posso dizer que desde que me tornei mãe, pela primeira vez vivencio maternidade e profissão de um modo equilibrado.
- Estou investindo seriamente na minha carreira, percebendo que o reconhecimento que tanto almejo agora é meu colega de sala.
- Fiz novas amizades muito gratificantes, através deste blog e fora dele.
- Fortaleci outras amizades que já se tornaram essenciais à minha vida.
- Cada vez mais vejo através deste espaço a possibilidade concreta de realizar um grande sonho pessoal. Entre minhas promessas para 2008 está correr atrás dele para que se concretize verdadeiramente.
- Muitas neuras e medos permanecem, mas estou aceitando eles como parte da pessoa interessante e bacana que posso ser.

Em suma é isto. Ainda tenho – graças a Deus – muitos objetivos pelos quais lutar e sonhos que quero tornar reais. Mas no geral, a vida tem sido boa. Olhando pra trás, 2007 foi 10! Em 2004, muita insegurança. Em 2005, muita dor e luta. Em 2006, alguma confiança ainda que receosa. Em 2007, as coisas assumem devagar os seus devidos lugares. Devagar? Isto é muito relativo, costuma me dizer um sábio amigo. Deus trabalha a Seu tempo e à Ele vale o meu merecimento e não a minha imperfeita ansiedade. Tô tentando aprender.
E se acredito que ainda tenho, com *meus frutos, muito a plantar e muito mais ainda a colher, o tempo pode estar apenas começando. Tempo de ser plenamente feliz. Que venha 2008!

*Meus frutos são meus filhos, minhas idéias, meus textos, as abobrinhas que compartilho, as grandes amizades que conquistei, as minhas lutas. Se estás aqui, lendo até o final, bem-vindo à esta colheita! Fazes parte - e obrigada por isso - dos frutos que colho ao longo da vida.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O tamanho da minha árvore

Há um ano, quando me mudei para minha atual casa, deixei inúmeros móveis e pertences num cômodo vazio na casa da minha sogra. Entre eles, minha árvore de Natal, com mais de 2 metros e 10 de altura. Ano passado pedi emprestado um pinheiro que minha cunhada tinha sobrando, bem pequeno, e o acomodei em cima da nossa cristaleira. Afinal, eu pensava, é provisório, ano que vem estaremos em nossa nova casa, com espaço de sobra para minha árvore legítima.

O ano chega ao fim e as coisas que eu esperava ainda não se resolveram. Mas este ano, bati o pé. Quero minha árvore de volta! Mas não temos espaço! Ela é muito grande, vai ocupar toda a sala! Como resolver? Reordenamos os móveis, troquei o sofá de quatro lugares pelo de dois, com duas poltronas avulsas e voalá! Eis minha árvore de Natal que tanto quis enfeitar para meus meninos. Gosto dela. Tem bolas antigas que minha avó me deu. Tem bolas um pouco mais modernas, que eu e o Sandro compramos logo que casamos. Tem enfeites de madeira que pusemos quando engravidei do Yuri. Tem bonecos de pelúcia que acrescentamos após o nascimento do nosso primeiro filho. Anjos comprados no primeiro Natal do Caio conosco. Todo ano, encontramos um tipo de enfeite novo para colocar, fazendo referência à nossa própria história como família.

Ao vê-la montada, por essas coisas que não se explicam, a primeira coisa que veio à minha cabeça foi: minha árvore é do tamanho dos meus sonhos.

Sim, era isto que eu queria provar pra minha família e pra mim mesma! Não era simplesmente a árvore de Natal. Eram meus sonhos de resolver a questão eterna da minha herança e comprar de uma vez minha casa própria. Era minha fé de que, como costumo dizer, quanto mais o tempo passa é menos tempo que falta pro Caio ficar cada vez melhor, mais autônomo. Era o meu amor. Pelos meus filhos, pela vida, por Deus, pelos meus amigos.

Porque é exatamente assim que eles são. Nossos sonhos podem não caber em nossa realidade. Mas se priorizarmos o que realmente queremos eles podem se manter erguidos ao nosso lado. Nossa fé nunca precisa ser do tamanho de nossos medos ou frustrações. Ao contrário, ela precisa estar ali o tempo todo, imponente e majestosa! E se vamos falar em amor... Ele nunca será exageradamente grande. Amor não tem tamanho! E existe pra enfeitar nossas vidas.

Minha árvore de Natal. Que ofereço a meus filhos, meu marido, minha mãe e minhas melhores amigas. Ela é do tamanho dos meus sonhos. De ver realizado em 2008 os desejos mais profundos de cada um. No tamanho do seu merecimento e do afeto que lhes tenho!



BOAS FESTAS!