quarta-feira, 2 de maio de 2007

O meu desenvolvimento

Costuma-se dizer que sempre que nasce um bebê, nasce também um pai, uma mãe e uma família. E este processo, eu vivenciei serenamente com a chegada do Yuri. A chegada do Caio foi uma revolução em minha vida. No começo, com a prematuridade inesperada e tudo o que decorreu dela, as coisas pareciam fora de controle, fora dos seus devidos eixos. Depois da internação, chegando em casa, eu precisei “aprender” a ser mãe de novo, numa situação diversa da primeira vez, com mais detalhes, maiores cuidados, enfim.

O primeiro ano do Caio foi extremamente doloroso pra mim. Porque foi um período de incertezas, medos, prognósticos muito negativos. Eu não passava mais do que 15 dias sem ter crises de choro compulsivas com medo do futuro que nos pintavam, questionando o mundo inteiro por nossa “falta de sorte” ou com a “injustiça” do destino.

Hoje, o cenário é outro. O primeiro aniversário foi a vitória da vida dele, que esteve ameaçada um par de vezes logo no seu turbulento início. O segundo, quase chegando, é uma vitória coletiva. É a vitória do amor, da persistência, da pesquisa, da dedicação. É a soma de várias vitórias individuais – minhas, do Sandro, do Yuri e de quem aprendeu a amar o Caio como ele é – com déficits* ou sem eles.

E neste momento, de serenidade conquistada, eu vejo o meu crescimento. Um processo que não vivenciei com o nascimento do Yuri. Mas que o Caio me presenteou. Tenho a certeza absoluta que meus filhos são, os dois, inquestionáveis bênçãos em minha vida. E dentro da minha fé pessoal, acredito piamente que eu e o Caio (e o Sandro, o Yuri e tu que estás lendo este post) escolhemos nossas trajetórias nesta encarnação. E acho que estamos cumprindo honrosamente nossos papéis.

Sempre me achei uma menina frágil, carente. Nunca tive coragem de me valorizar, enumerar minhas qualidades pessoais (até mesmo porque eu não as via). Hoje, não sou (ou não quero ser) mais esta menina. Sou uma mulher batalhadora, obstinada, corajosa. Tenho noção dos meus defeitos e limitações e estou me aprontando para aceitar os que não posso mudar, ao mesmo tempo em que estou dedicando um tempo para mudar aqueles passíveis de mudança. Estou tomando as rédeas da minha vida, pela primeira vez em 34 anos.

E tudo isso, devo muito a uma pessoinha que chegou na minha vida a pouco menos de dois anos. Alguém que tem se desenvolvido devagarinho, mas lindamente, todos os dias. Que me ensinou que eu posso fazer o mesmo. Um dia de cada vez.

Quando olho pra trás, vejo que hoje sou mais forte pra brigar pelo que acredito, deixei de baixar a cabeça para aquilo que não concordo. Ao mesmo tempo, sou mais sensível, mais diplomática, pra não meter os pés pelas mãos e sair esbravejando por justiça (a não ser que eu esteja munida de bons argumentos). Sou menos preconceituosa, faço muito menos pré-julgamentos do que costumava fazer. Concedo ao outro o benefício da dúvida. Desenvolvi minha fé. Deus é meu amigo, não é meu juiz. Não me castiga, me dá situações de aprendizado.

O Caio se desenvolveu imensamente desde o nascimento, considerando tudo o que ele passou, do ponto de vista neurológico. Reverteu um quadro considerado irreversível para um futuro repleto de perspectivas. E fez muito mais: revolucionou a minha vida, o meu coração. Me deu um novo olhar sobre tudo. Ele vai fazer 2 anos. Eu, 35. E estamos assim, de mãos dadas, prontos pra crescer muito mais, vida afora.


*Algumas pessoas já me apontaram que uso a palavra déficit e não deficiência, como um eufemismo pra mascarar a realidade do meu filho. Discordo. Acho que deficiência é um termo estático, definitivo. Déficit é uma carência que pode ser suprida, um quadro que pode ser alterado. O Caio não é deficiente físico. Ele é portador de paralisia cerebral, tem déficit motor, visual e fonoaudiológico (especificamente fono, não auditivo). Mas tem mostrado progressos constantes e significativos e todos os prognósticos apontam para a superação deles. Como costumo dizer, perde quem olha meu filho com esses olhares rotuladores e preconceituosos. Perdem a chance maravilhosa de conhecer um menino amável, alegre e muito sociável. O meu post de hoje só ratifica a grandiosidade desta pessoa maravilhosa que recebi como filho.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A flor da Siri

Hoje, vindo pro trabalho, vi três mulheres com a flor da Íris, ex-BBB, no cabelo. Não, eu não assisti Big Brother. Sim, eu sei quem é a Íris (ou Siri) porque ela está em todos os sites, jornais e revistas (até na Veja desta semana ela deu o ar da sua – ou nossa – desgraça). E eu já tinha reparado a tal flor, outro dia, noutras cabeças por aí.

É impressionante a Big Burrice Brasileira. Siri é uma formadora de opinião! Pessoas espelham-se nela, querem se parecer com ela. Mal posso acreditar! Não costumo ver pessoas se esforçando para transparecer a elegância culta de uma Fernanda Montenegro, ou a displicência inteligente de Marisa Monte (só pra citar algumas personalidades bastante conhecidas da mídia). Isso sem entrar no mérito da questão de Lya Luft, Diogo Mainardi, Cris Camargo ou Fabrício Carpinejar (entre alguns dos meus favoritos).

Não vejo na internet nem na imprensa, movimentos mais ativos contra a corrupção, contra os impostos excessivos e sem reversão de benefícios a seus pagadores, contra a ineficiência do serviço público. Vejo somente o pró. E não é o pró-ética, conscientização, valorização ou seja lá o que de realmente aproveitável for. Tem só a movimentação pró-futilidade, pró-corpos sarados e mente vazia, pró-alienação.

Sim, eu sei, as pessoas precisam de lazer. Mas não de distração, de algo que lhes tire o foco do que realmente importa. E aí tá na hora da gente parar de dar audiência ao que não presta, de sermos mais seletivos mesmo. E semear nas novas gerações (porque na nossa quase não tenho mais esperança) algo mais sólido do que a florzinha da inconseqüência e da beleza vazia.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

A primeira desilusão

No sábado, conversava com o Yuri, lhe dizendo que ele poderia escolher alguns coleguinhas da escola para sua festa de aniversário. Aí ele me citou 7 nomes. E senti falta de um, que eu jurava certo. Perguntei a ele:

“– Ué, a namorada não vai ser convidada?”
“– Não, a gente terminou ontem.”
Perguntei o por quê, insisti e ele não me dizia. Só domingo, eu sempre insistente, ele revelou:
“– Ah mãe, ela falava muito palavrão. Chamava os colegas de porco, mandava pro inferno. Achei ela braba e feia, pedi pra ela não falar mais essas coisas. Mas ela não parou. Aí eu disse pra ela: acabou e não te quero mais!”. (!?)
Pergunto se tem outra menina em vista...
“– Até tem... Mas ainda tô pensando se vou querer namorar de novo agora. Dá muito trabalho!”

E o pior de tudo, devo confessar: eu, em minha porção irremediavelmente sogra, respirei aliviada por esse desfecho...

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Feliz Aniversário

Amanhã é aniversário do Sandro. Daquele que meu coração escolheu para ser o companheiro, o pai dos meus frutos. Perfeito? Não. Dedicado? Sim.
São 15 anos de relacionamento e os tropeços existem. Mas não apagam o amor dos meus olhos, nem a vontade de ainda conseguir te fazer muito mais feliz. Parabéns, amor! Que possas te aproximar cada vez mais das conquistas que ainda almejas. Com muita saúde e determinação. E que eu, Yuri e Caio, possamos estar sempre bem pertinho pra compartilhar tudo contigo. Te amamos! Feliz Aniversário!


O que mais quero é te dar um beijo / E o seu corpo acariciar / Você bem sabe que eu te desejo / Está escrito no meu olhar

O teu sorriso é o paraíso / Onde contigo eu queria estar / Ái quem me dera se eu fosse o céu, / Você seria o meu luar!

Eu te quero só pra mim / Como as ondas são do mar / Não dá pra viver assim / Querer sem poder te tocar

Meu coração está radiante / Bate feliz acho que é amor / Quando te vejo chego a sonhar / Penso em você quase a todo instante / Seu jeito meigo me apaixonou / O que fazer pra te conquistar?

O que mais quero é te dar um beijo / E o seu corpo acariciar / Você bem sabe que eu te desejo / Está escrito no meu olhar

O teu sorriso é o paraíso / Onde contigo eu queria estar / Ái quem me dera se eu fosse o céu, / Você seria o meu luar!

Eu te quero só pra mim / Como as ondas são do mar / Não dá pra viver assim / Querer sem poder te tocar

(Coração Radiante – Mauro Jr, Xande de Pilares e Helinho do Salgueiro)

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Cumplicidade

Isso é o que eu chamo de parceria...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Mulher, essa eterna culpada

Vou confessar: eu condenei Suzana Vieira e Ana Maria Braga por seus recentes casamentos. Quando a primeira levou chifre em rede nacional, eu endossei: “Bem feito! O que ela esperava de um marido 29 anos mais jovem?!”. E quando Ana Maria anunciou seu novo casamento, lá fui eu de novo. Aplaudi a declaração da Hebe Camargo, dizendo que não tem nada a ver “garoto casar com véinha”.

Dia desses, uma amiga comentou em seu blog que ela não gostava de divulgar que é “a esposa do dono” para não ser pré-julgada. No mesmo dia, li uma entrevista com a atriz Flávia Alessandra na qual ela comentava que trabalhou muito pra provar que ela tinha talento, não era apenas “a mulher do diretor” (no caso, Marcos Paulo, diretor global e ex-marido em questão).

Aí, parei pra pensar. Por que são as mulheres que precisam sempre se justificar? Por que não os homens? Ao invés de perguntar por que Suzana e Ana Maria escolheram garotões, vamos questionar por que os garotões escolheram as mulheres maduras. Em vez de cobrar Flávia Alessandra por ter sido casada com um diretor, vamos ver por que o diretor só casa com atrizes...

Enfim, estes são exemplos simplistas mas que me fizeram refletir o quanto de cobrança a sociedade impõe às mulheres. Se as coisas (qualquer uma, no trabalho, em casa, na vida pública ou privada) dão errado, a culpa é da mulher. Se dão certo, de quem é o mérito? Normalmente dos homens, a mulher no máximo divide os louros (o velho e machista ditado: “Por trás de um grande homem, sempre tem uma grande mulher”).

E as exigências se acumulam. É aquela velha história de que, tendo filhos, precisamos ser excelentes funcionárias para provar que a maternidade não atrapalha a carreira. Trabalhando fora, precisamos ser mães e esposas exemplares. E lindas. E bem-humoradas. E sempre prestativas, conciliadoras, afáveis, generosas.

Ao homem, cabe o quê? Porque nas últimas décadas, tarefas, tanto domésticas quanto profissionais têm sido divididas igualmente entre homens e mulheres. Dia desses, pesquisando para uma concorrência aqui na agência, li uma pesquisa que indicava que o Brasil é o terceiro país do mundo em mulheres empreendedoras. As empresárias (dos mais diversos portes, contando aí consultoras de marcas de cosméticos, por exemplo) são maioria crescente em relação aos homens. Interessante. E ainda assim, diante de tanta competência feminina, a mulher segue sendo crucificada pelas mazelas mundiais, condenada por suas opiniões pessoais (como euzinha mesmo fiz com Suzana e Ana). Hoje, peço desculpas públicas a ambas. Mea culpa.

A mim, basta que meu homem me ame e compartilhe comigo a função de criar e solidificar nossa família. E que não me venha com cobranças mil. Culpada? Sim, a mulher é. De dar a cara a tapa, de assumir suas escolhas, de ousar em seus caminhos, de tentar abraçar o mundo inteiro pra que ele dê certo. Apesar dos preconceitos e das culpas.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

O sorriso do meu filho

Se tem uma coisa que me fascina no Caio é sua facilidade em sorrir. Um sorriso que ilumina todo o rostinho dele, que concede uma luz ainda maior aos seus olhos.

Porque seus singelos sorrisos se enchem de significados. Eles são, pra mim, sua ponte maior com o mundo. São sua mais genuína forma de expressão. O Caio fala muito pouco ainda. Mas seus generosos sorrisos traduzem tudo o que meu anjo quer falar.

Eu chego em casa, não interessa o horário. Costumo dizer, já da porta da frente: “olha quem chegou...”. E ele solta uma risada das mais gostosas, que consigo escutar mesmo que ele não esteja ao alcance da minha visão. E quando ele me enxerga, aí mesmo é que o sorriso “escancara”.

Ele adora música. De todos os tipos. Basta ouvir um princípio de ritmo e pronto – lá vem o sorrisão pro rostinho de novo.

Quando se aproxima os horários de comer... ao som do microondas, ele já começa a sorrir e dar gritinhos de contentamento.

A Páscoa... ele adora chocolates (nem sei a quem puxou)! A cada ovo ou bombom que recebeu, ele se agarrava prontamente à embalagem e... sorria muito.

O sorriso do meu filho me dá sinais diários do quanto ele percebe o mundo ao seu redor, entende emoções, demonstra suas opiniões. Em síntese, é a comprovação de que, por mais que sua parte motora carregue as seqüelas da meningite, seu cognitivo é normal. Muitas vezes sim, encerrado nas limitações físicas, mas ali, ativo, atento, vibrante. E nos mostra que ele é feliz, na condição que é, porque sim ele se sabe amado, sim ele sabe retribuir esse amor.

Compartilho seguidamente meu sofrimento ao ter o Caio tachado de deficiente. Mas seu sorriso tão lindo me dá o respaldo para afirmar que de deficiente ele não tem nada. Algumas pessoas que trabalham com terapias espiritualistas e harmonização de energias, que têm contato com o Caio, já me afirmaram mais de uma vez: que alma perfeita, que já vivenciou em curto espaço de tempo tanto sofrimento e se mantém tão alegre, tão viva. Eu me arrisco a dizer mais. Deficiente? Nem pensar! O Caio tem a riqueza e a capacidade que a maioria dos melhores QIs que conheço não têm: a capacidade de sorrir, de ser feliz.


Lambuzado de chocolate: os olhos sorriem junto com todo o rosto.
Delícia pura!

terça-feira, 10 de abril de 2007

Família crescendo

Costumo dizer que eu não posso ver nem filhote de cachorro nem de gente que logo quero ter mais um. Por essas e outras que nossa família ganhou no domingo, um novo membro: o Scott. Na verdade, ele é meu neto, filho do meu filho-cocker Ninho. Mas é também, o novo mano do Caio e do Yuri. Olhem só que fofura... não é a minha cara?

36 dias de puro mimo

O Caio se grudou - literalmente - no novo mano

E o Yuri fala com ele: "vem com o paizinho"...

Mano, filho, neto... desse jeito, logo logo o Scott vai precisar de ajuda da psicanálise freudiana...

segunda-feira, 9 de abril de 2007

quinta-feira, 5 de abril de 2007

O significado das minhas Páscoas

Páscoa sempre me traz dois sentimentos: ternura e melancolia. Quem me conhece há mais tempo, sabe que trago da Páscoa as lembranças mais genuinamente felizes com meu irmão. De uma infância pobre, onde fazer cestos de Páscoa com recortes de revista, menores que uma tampa de caixa de sapatos, era o apogeu da inocente esperança e cumplicidade de duas crianças. E na manhã de domingo, quando 2 ou 3 bombons, com algumas balas, surgiam no meio dos papéis picados, víamos a materialização de nossos sonhos: o coelho existia! E principalmente, NÓS existíamos para ele!
Enfim, realmente foram tempos muito felizes, dos quais tenho muitas saudades.

E com os rumos que minha vida tomou nos últimos dois anos, a simbologia religiosa da Páscoa se tornou ainda mais forte. A festa da vida. A celebração da fé. O milagre maior de Deus. A cada dia, minha fé se fortalece.

Meu pequeno menino, meu anjo Caio, está cada dia “maior”, mais atento, falante, ativo, mais lindo! Ele conquista a todos com sua simpatia, seu sorriso, seus beijos. Falta pouco mais de 40 dias para completar 2 anos! Ainda ontem, meu Yuri fazia o dever de casa de matemática – fez 12 contas de somar, utilizando palitos para ajudá-lo. E não errou nenhum resultado! O meu primeiro bebê... aquele que há 7 anos atrás ainda repousava em meu ventre.

Ah, o milagre da vida. Vida que sabe ser tão sofrida, tão poética, tão árdua, tão simples. Celebrar a vida, todos os dias. Agradecer todos os momentos, aprender com eles. Cada um de nós somos o próprio milagre. Que saibamos simplesmente viver, amar, acreditar, abençoar.

Uma Feliz Páscoa para todos.

sexta-feira, 30 de março de 2007

Cenas de um romance

“Você é um doce, a mais querida do mundo.
Você é muinto
(sic) perfeita pra mim. E eu sempre vou ser seu amigo.”

Yuri, em carta escrita à namoradinha, que ele me mostrou ontem. Ele sim, é um doce. E tomara que seja sempre meu amigo também.

quinta-feira, 29 de março de 2007

O que eu preciso pra ser feliz

Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito
Nem que seja só pra te levar pra casa
Depois de um dia normal
Olhar teus olhos de promessas fáceis
E te beijar na boca de um jeito que te faça rir (que te faça rir)

Hoje eu preciso te abraçar
Sentir teu cheiro de roupa limpa
Pra esquecer os meus anseios e dormir em paz

Hoje eu preciso ouvir qualquer palavra tua
Qualquer frase exagerada que me faça sentir alegria
Em estar vivo

Hoje eu preciso tomar um café, ouvindo você suspirar
Me dizendo que eu sou o causador da tua insônia
Que eu faço tudo errado sempre, sempre

Hoje preciso de você
Com qualquer humor, com qualquer sorriso
Hoje só tua presença
Vai me deixar feliz
Só hoje

(Só Hoje - Jota Quest /Fernanda Mello e Rogério Flausino)

sexta-feira, 23 de março de 2007

Elas, que amo tanto

Encontro Mothern é sempre tudo de bom. Agora, com participação VIP interestadual, como foi o caso do almoço de ontem, com a presença da Bárbara e do lindo Theo... Me faltam as palavras. A Bárbara é uma das precursoras deste canal de amizade e troca que se tornou tão importante pra mim. Ela me acompanhou desde a gestação do Caio e sempre mandou muito carinho viva internet. Carinho nada virtual, mas aqueles de aquecer o coração de verdade.

Ontem ao encontrá-la ao vivo, pela primeira vez depois de mais de 2 anos de amizade online, não me contive e chorei. Abracei-a tentando demonstrar todo o meu afeto e gratidão. Ela nem me conhecia, não sabia nada da minha vida, exceto meu apelido, que tinha um filho e que estava grávida do segundo, com o marido longe. Mas chegou de mansinho e me ofereceu o que de mais legítimo a gente pode ter nessa vida - amizade.

Parecíamos duas loucas, nos abraçando toda hora, durante o almoço. Relembramos episódios, enfim. Nós já somos íntimas, mas ontem se tornou especial. Pra mim, consolidou o sentimento que já é forte o suficiente pra durar pra sempre. E junto com a Ísis,a Lê Poa e a Karina, pudemos mais uma vez celebrar todas essas coisas boas - a amizade, a maternidade, a verdade, a vida acima de tudo.

Ísis, toda light de férias; Bárbara, nossa VIP querida; eu; Lê POA,
minha vizinha adorada; Karina, sumida mas fiel e o delicioso do Theo.

A Bárbara quase me enforcou... tamanho o abraço... e eu adorei!

Somos ou não, amigas muito lindas e unidas?!

terça-feira, 20 de março de 2007

Nossas news

* O Caio recebeu "alta" do tratamento pneumológico que estava fazendo há 1 ano. Sem crises respiratórias, sem necessidade de medicação, riscamos um médico de nossa agenda!!!

* Ontem, revisão mensal com a neurologista. Ela se encantou, ria sozinha ao examinar o Caio e ver como ele está atento a tudo. Comentei suas últimas conquistas, como tirar todos os brinquedos do lugar no berço; sua percepção do próprio corpo, como ele tem se movimentado bastante... enfim. Ela o examinou atentamente. O perímetro cefálico, que estava estacionado há alguns meses, voltou a crescer adequadamente. Isto, disse ela, é sinal de conexões neurológicas a pleno vapor, o que é excelente. E descarta de vez a microencefalia. A avaliação final da consulta: nota 10 pra ele! Ou melhor, segundo a própria médica, 11!
Bem, ela ainda não quer nos largar tão cedo... as consultas são mensais, sempre pela gravidade do que já foi, ela se sente melhor acompanhando mais de perto. Como ela já mostrou escolhas muito acertadas, entrego-confio-aceito-agradeço.

* E o Yuri e seu namoro? Sexta passada pediu a namoradinha em casamento. Ontem escreveu uma carta, reiterando o pedido. Me preocupei e o chamei pra conversar: "Filho, tu sabes que ainda é uma criança, certo? E crianças não casam...". Ao que ele prontamente respondeu: "Dãããã, é claro que sei, mãe. Eu só estou planejando!". Ah, tá... bom saber, só isso...

* Eu a mil, já vendo os detalhes pra festinha dupla de maio. A comemoração será dia 20. Ok, ainda faltam 2 meses. Daqui há pouco, vocês verão que já estará acontecendo... o tema deste ano será Lillo & Stitch e a Magia da Ohana (família, pra quem não assistiu o desenho, que aliás recomendo e muito!). Alguns dizem que é tema de menina. Discordo. O ambiente é o Hawaí, temos diversos bonecos de pelúcia do Stitch que o Sandro trouxe da Europa e somos uma Ohana muito unida. Tema escolhido, ponto final.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Fim dos tempos

Pouco mais de duas semanas de aula e, ontem, o Yuri me chama para uma conversa:
"Mãe, eu agora tenho uma namorada na escola... A gente até já se beijou (e me aponta a testa e a bochecha). Amanhã posso levar uma flor do nosso jardim pra ela?"
Pronto, é o fim! Entrei irremediavelmente no caminho que me conduzirá ao status de sogra!
Amanheci me sentindo uma octagenária...

segunda-feira, 12 de março de 2007

A urgência de ser feliz

Como as coisas são. Semana passada eu estava triste por causa de comentários preconceituosos e ignorantes que ainda se aproximam do meu Caio. Logo em seguida, li um texto maravilhoso da Letícia, em seu blog. As palavras dela não me saíam da cabeça: entrego – confio – aceito – agradeço. Pois afinal, foi assim desde sempre, em nossa trajetória. A minha e do meu Caio. Desde o momento que entramos na maternidade, com a bolsa rompida e os médicos sem querer fazer o parto, alegando os riscos da prematuridade. Foram 4 intermináveis dias de angústia. Mas de entrega absoluta nas mãos de Deus. Sempre confiei que meu filho iria sobreviver. Depois, ao longo da internação na UTI Neonatal, durante várias vezes os prognósticos foram ruins – a meningite, as lesões cerebrais, a hidrocefalia. E eu sempre aceitei, disse que queria e amava meu filho do jeito que fosse, desde que vivo. Agradeci a Deus por cada noite que víamos acabar, por cada novo sol que nascia e que meu pequenino se mantinha ali, lutando.
Entreguei, confiei, aceitei, agradeci.
E assim tem sido sempre.

O preconceito me desestabiliza sim, porque não acredito em tanta ignorância, em tanta agressividade ao que, afinal, é apenas diferente da maioria – não necessariamente normal ou correto. É isso: não sabemos aceitar as diferenças. Mas confio no nosso futuro, na solidez da trajetória que estamos seguindo. Aceito com amor nossos desafios porque certamente eles nos fazem crescer. Agradeço cada momento que vivemos, pois sei que nos aproximamos, nos descobrimos, nos amamos ainda mais.

Ultimamente, o Caio tem refletido os excelentes resultados dos últimos exames. Tem descoberto o mundo. Ele descobriu que, ao tapar o próprio nariz, sua voz sai diferente. E se diverte com isso, fica “conversando” e segurando o nariz com a mãozinha até o fôlego não agüentar mais. E tem se virado rapidamente para buscar objetos com os braços (os mesmos braços que 15 meses atrás eram paralisados!). Dia desses ficou um tempão se arrastando na cama, de bruços, até chegar a uma sacola e conseguir tirar objetos dela. E a fala, então? Ok, nada de “palavras” novas, mas muitas sílabas diferentes. Antes, ele só falava se falávamos com ele. Agora não, quer conversar o tempo inteiro. Semana passada, quatro da manhã e ele estava eufórico em seu berço, cantarolando. Eu acordo às 6h15 pra vir trabalhar! Vim demolida fisicamente, mas cheia de energia interior. Poderia eu xingar a alegria que meu filho sente ao perceber sua própria evolução? Dane-se o relógio! Já perdi noites de sono por motivos muito mais atordoantes. Agora, tudo é festa! Essas conquistas a que me refiro, cheia de alegria, são coisas que qualquer bebê de 4, 5, 6 meses faz? Sim. Mas são vitórias incalculáveis para uma criança com paralisia cerebral.

Sobre o texto da Letícia, que tanto motivou este post; sobre a pergunta cretina que o Yuri respondeu magnificamente; sobre o tempo de desenvolvimento do meu Caio e suas emocionantes descobertas: nas mãos de Deus entrego, na capacidade de meu filho confio, nosso destino eu aceito, nossas vidas agradeço.

Sim, eu amo. Sim, eu não tenho pressa. Minha única urgência é vê-lo assim: feliz.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia da Mulher

Não gosto muito das comemorações ao Dia Internacional da Mulher. Primeiro porque acredito que a grande maioria destas datas são destinadas a minorias ou pessoas vítimas de algum tipo de preconceito – vejam Dia do Índio, Dia da Consciência Negra, entre muitos outros. Depois, porque é para lembrar a morte de mais de uma centena de mulheres trabalhadoras no século 19, durante uma manifestação delas por melhores condições de trabalho.

Até gosto de receber botões de rosas, mensagens, cartões, etc. Porque realmente acho que a mulher, justamente por ter sido sempre, historicamente, tão reprimida e desvalorizada, fez grandes avanços na sociedade mundial. São aqueles números que divulgam que a mulher é responsável pelo sustento da família em X% de lares; ou que ela tem tido cada vez mais destaque em territórios profissionais antes estritamente dominados pelos homens. Hoje temos as juízas, as policiais, as cientistas, as políticas. Que bom, fico feliz.

Mas não consigo entender como ainda permanecemos com salários mais baixos do o do colega homem que exerce a mesma função; ou o quanto ainda somos vítimas de violência doméstica e exploração sexual e, diante das autoridades, temos que provar nossa inocência. Não entra na minha cabeça como um cromossomo diferente do meu pai ou do meu marido, me façam inferior, como infelizmente ainda somos vistas por uma parcela machista e burra da sociedade. Aliás, alguém já leu piadas de loiro burro? Não, é claro que era preciso ser uma mulher a figura estereotipada.

Enfim, tenho orgulho de ser mulher, porque acredito sim que somos mais fortes. Estamos ao longo dos anos derrubando intermináveis barreiras e construindo trajetórias que conciliam competência profissional, dedicação à maternidade, vida sexual, relacionamentos familiares e amorosos sólidos. Mas apesar disso tudo, sigo sonhando com uma sociedade mais igualitária, onde homem, mulher, idosos e crianças, independente de sua raça, possam simplesmente ser vistos como seres humanos e, por isso mesmo, todos dignos, na mesma proporção, de todos os direitos relativos a uma vida de qualidade e com oportunidades.

E ainda assim desejo a nós, mulheres, um feliz dia hoje. E amanhã também, e depois de amanhã e em todos os outros que estiverem por vir.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Lição de sabedoria

É, eu sei, volta e meia ainda acontece. E em 100% dessas vezes, eu me chateio bastante.
Eu, Caio e Yuri juntos. Alguém me comenta: “Nossa, o Caio já vai fazer 2 aninhos, né?! E ainda não consegue caminhar e mal está querendo falar, igual a nenê. Que pena, né?!”
Ao que o Yuri, filho sábio e abençoado, larga a melhor resposta, aquela da qual não sou capaz em momentos assim:

“Que mania os adultos têm, quanta pressa... É só esperar os dias passarem.”

Obrigada, meu amor. É isso mesmo... basta esperar os dias passarem. E viver sem pressa o que certamente Deus nos reservou. Amo vocês dois, luzes da minha vida.

Abraço que vale ouro

Quinta passada comecei a trabalhar em turno integral. E sofrendo horrores pelo quanto o Caio deveria estar sentindo a minha ausência. Mas eis que chego à noite e... tudo normal. Sorriso feliz de boas vindas, mas normal. Ele nem sentiu a minha falta! Sexta, eu já mais tranqüila. E volto pra casa... e recebo um abraço tão forte que nem parece saído daqueles bracinhos frágeis. Ele se “pendura” em mim, me baba toda em incontroláveis beijos. E assim passa também o sábado, todo carente de mim, onde um simples e silencioso colinho é suficiente. E eu sofro um pouquinho sim, mas principalmente fico “me achando”, toda importante e necessária ao meu amado. Daquelas pequenas e ao mesmo tempo grandiosas coisas que o dinheiro não paga...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Nossas férias


No início, o tempo não ajudou... Ainda assim, o Yuri, o papai e a prima Lara saíram para explorar os morros de garopaba (SC).

Não existe tempo feio quando se está de férias...

Olha o relax do Caio à beira da lagoa

Meu eterno muso do verão

E o mini-muso, descansando, que ninguém é de ferro...

A turma toda: primos Alex e Tati, com a filhota Lara, eu e os príncipes e Sandro batendo a foto


Mas, eis que enfim, o sol resolveu nos brindar com sua presença!

E aí foi hora dos manos curtirem pra valer...

Pegando aquele bronze pra impressionar as gatinhas

Depois de tantas emoções, só mesmo uma redinha pra completar!

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Cordão umbilical

Quando decidi engravidar do Yuri eu não trabalhava fora. Vivi a gravidez e a maternidade com dedicação exclusiva por 1 ano e 10 meses. Recebi muitas críticas por minha escolha, mas foi uma decisão que tomei com muita consciência e alegria e nunca me arrependi dela.

Com o Caio, trabalhei até o início do sétimo mês de gravidez quando, por aconselhamento médico, me afastei por algum pequeno indício de parto prematuro – o que realmente acabou acontecendo 15 dias depois. Com toda a função que aconteceu após seu nascimento eu nem cogitei voltar a trabalhar tão cedo. Metade da minha licença-maternidade ele ficou hospitalizado! E ainda recebi uma recomendação médica do quanto seria interessante se eu pudesse acompanhá-lo mais de perto ao longo do primeiro ano, quando as eventuais seqüelas da meningite poderiam se manifestar com mais intensidade. Pronto, estava decidido.

Mas quando ele completou 10 meses recebi uma nova proposta do meu ex-chefe para voltar ao batente. Os altos custos do tratamento do Caio foram determinantes para endossar o meu sim. Mas combinei meio turno, pois gostaria de continuar acompanhando ele nas fisioterapias e demais especialidades médicas que fazem parte da sua rotina.

Agora, por conta do novo cargo, estou prestes a começar, daqui a dois dias, a trabalhar em turno integral. Estou feliz por um lado, é um grande desafio, uma oportunidade profissional muito boa. Mas estou dividida. Minha forte tendência a me culpar por todas as dores do mundo me dilaceram. Estou sentindo como se estivesse abandonando meu pequeno e indefeso bebê.

É um clássico dos desenhos infantis, o anjinho e o diabinho conversando contigo, cada um te dizendo a (sua) melhor maneira de agir:
“Ele vai continuar em casa, sendo cuidado pela avó, que o levará às terapias e tudo o mais”.
“É, mas vocês sofreram tanto para poderem estar juntos e tu vais passar apenas 3 horas do teu dia com os filhos que colocaste no mundo”.
“Uma mulher realizada em todos os sentidos, inclusive profissionalmente, será uma mãe muito melhor”.
“Será que ele vai continuar te amando ao sentir esse teu afastamento?”.

Enfim, está sendo difícil para mim cortar o cordão umbilical que me liga ao Caio e que foi tão reforçado pelas intensas experiências que já vivemos juntos. Quero muito fazer um trabalho legal, ter meu nome reconhecido em minha área, é um sonho de infância. Mas ser mãe sempre foi meu desejo ainda maior... Conseguirei conciliar as duas coisas?

Estou dividida. Entusiasmada com as oportunidades de crescimento que estão surgindo a minha frente. E temerosa de que minha ausência reflita em queda de qualidade e amor na relação que tenho com meus filhos. Mas preciso acreditar que tudo o que eu, o Yuri e o Caio construímos até hoje são laços imensamente mais fortes do que o singelo cordão ao qual tento me agarrar.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Não me leve à mal, hoje é Carnaval...

Adoro internet, amo meu blog, tenho paixão por minhas amigas virtuais... Mas vou me desconectar um pouquinho até o próximo dia 26, enquanto curto a minha família na praia. Na volta, certamente muitas fotos e histórias novas das crias pra contar.
Bjs, e que o seu Carnaval tenha exatamente aquilo que você precisa: muita folia, muito descanso, muito trago e festa, muita “lagarteada” na beira da praia ou a cidade toda deliciosamente vazia... de qualquer forma, muita paz e muito amor, sempre.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

O que vale na vida

Ontem o dia foi uma m#@%! Profissionalmente, pessoalmente, “familiarmente”. Cheguei em casa exaurida, com dor de cabeça, querendo que o mundo acabasse. Mas aí alguém, de pouco mais de 1,20m de altura, me deu um beijo delicioso, quentinho e fofinho igualzinho a ele mesmo. E outro alguém, com humildes 87 centímetros, sorriu demonstrando todo o seu contentamento pela minha chegada e disse “A mamãe”.

A fisioterapeuta do Caio estava de férias nas últimas 4 semanas, estávamos com uma substituta (muito bacana e competente, por sinal). Daí que hoje, na segunda sessão do seu retorno, a Thaís me comenta o quanto o Caio evoluiu em tonicidade muscular e coordenação motora neste período. Eu noto sim, mas não na grandeza que ela comenta.

Ótimos exames de controle do Caio, que também vive um bom período imunológico (mais de 45 dias sem febres, nem antibióticos, nem dores desconhecidas), uma importante evolução de desenvolvimento. O carinho quente e reconfortante dos meus dois filhos.

É, a vida pode ser boa.
O resto é apenas isto: o que sobra (e nem sempre importa tanto assim).

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

Se todos fossem iguais à você...

Houve um tempo em que tudo o que queríamos, eu e o Sandro, é que o Caio fosse igual às outras crianças. Hoje sei que as outras crianças podem ser muitas.

Primeiro, gostaríamos que ele não tivesse ficado tanto tempo internado na UTI, que tivesse fotos de recém-nascido “normais” como a de qualquer bebê, que não tivesse cicatrizes de cirurgia em seu corpo, que não tivesse um dreno junto ao cérebro. Depois, queríamos que ele sentasse, brincasse com suas mãos. Mais recentemente queríamos que ele estivesse falando bastante e correndo pela casa. Mas ele não é assim, e ainda assim (ou exatamente por ser assim) ele é muito amado, é o filho querido que Deus nos designou.

Na última visita à neurologista, enquanto o Caio estava dentro do consultório, minha mãe aguardava do lado de fora. E chegou um casal com uma filha de 3 anos, com paralisia cerebral grave, sem reações a estímulos externos, que não consegue sentar e com uma escoliose acentuadíssima. Minha mãe ficou conversando com eles. Quando o Caio saiu do consultório, mandando beijos e dizendo “nenê”, a mãe da menina levou as mãos ao rosto e disse “Ah, mas ele é muito evoluído. Ele interage, ele quer conversar, ele estica o pescoço. Ah, se a minha Brenda pudesse ser como ele...”.

Aquilo ficou martelando na minha cabeça. “Se ela pudesse ser como ele”.

Foi preciso mais de um ano para que certos sentimentos e expectativas fossem amadurecidos em nossos corações. Hoje, apesar de cultivarmos algumas pequenas certezas e muitas esperanças, sabemos que o Caio é como ele é, assim como eu sou como sou, e cada ser humano simplesmente é, com suas individualidades, imperfeições e qualidades. Fico triste pela mãe da Brenda, mas não a critico, sei que não é fácil. Rezo diariamente por elas para que saibam encontrar a luz em cada situação espinhosa. Que elas possam se descobrir mutuamente e ultrapassar as barreiras impostas pelas deficiências. E que aí sim, possam almejar exatamente o mesmo que eu. O caminho não foi florido, mas depois de tantas lições ganhas, hoje não quero que meu filho seja igual, nem melhor, nem pior do que ninguém. Quero apenas que ele seja feliz. E agradeço à Deus todos os dias a oportunidade que temos de tentar.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2007

O susto e o prejuízo

Enfim, baseado no post anterior: provavelmente precisarei de um carro novo. Ontem, ao voltarmos de uma ótima avaliação oftalmológica em Porto Alegre, com o Caio e o Yuri no banco de trás, a 4 quadras da minha casa, um carro fez uma ultrapassagem barbeira e nos acertou em cheio... Acabou com a roda e seu eixo, metade do capô e metade da porta dianteira do meu humilde, porém sincero e eficiente, Gol 96. O susto foi grande, as crianças choraram muito (especialmente o Yuri, que estava ainda impactado com a notícia da morte do menino de sua idade no RJ e acabou ingênua e errôneamente relacionando os assuntos), eu mesma achei que o carro ia pegar fogo.
Felizmente, fora uma batida no meu joelho esquerdo no painel frontal e o "ataque de nervos coletivo", estamos são e salvos. Nós. Porque meu pobre Gol vai se finar esperando conserto - não temos seguro, o motorista que nos bateu não tem nem IPVA em dia, nosso orçamento provavelmente não comportará o prejuízo. Ainda assim, o carro seguiu guinchado pra uma oficina de um amigo pra tentar ver o valor do estrago.
Sei que o prejuízo material certamente é sempre infinitamente menor que o físico - as crianças não tiveram sequer um arranhão... mas que eu tô bastante chateada, ah, isso estou... E se não sobra $$$ pro conserto, imagina pro meu sonhado carro novo. Vou ter que intensificar minhas apostas na Mega Sena...

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Momento consumista

Das coisinhas (outras nem tão “inhas” assim) que quero adquirir nos próximos tempos:

● um relógio novo, beeem bonito
● umas duas bolsas, grandes
● uma cama de solteiro (adulto) pro Yuri (a dele ainda é infantil)
● um álbum de fotografias para organizar as minhas
● um óculos de sol bem charmoso
● duas TVs novas para os quartos
● uma casa
● um carro novo (não zero, porém mais novo que o meu atual)

Bem, com o andar da carruagem das minhas finanças, os desejos com maiores chances de se concretizarem mais rapidamente são o álbum e os óculos ou uma bolsa... Mas tudo bem, desejar já é o primeiro passo!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Eu não fui à praia

Esse final de semana foi feriadão em quase todo o Brasil. Aqui também. Daí que eu tinha convites pra ir à praia, mas não me empolguei muito. Deu preguiça ao pensar em toda a tralha que ainda tenho que carregar em função das crianças, o fazer e desfazer malas. No final das contas, minha escolha se mostrou muito acertada.

● A cidade ficou vazia e, com toda a calma do mundo, pude comprar bem tranqüilamente o material escolar do Yuri.
● Meus dois filhotes colaboraram horrores e pude dormir todos os dias até depois das 9h30 da manhã (o que não acontecia há pelo menos dois meses).
● Fiz sorvetes, brincamos bastante na piscina e não sentimos falta da areia.
● Pude cochilar no meio da tarde, deixar a cama desarrumada o dia inteiro, assistir filme enquanto a louça esperava sem pressa na pia.
● Ganhei doses e mais doses de beijos e risadas.

Pra mim foi o feriado ideal, sem stress, sem compromisso, sem disputa de espaço. Dele, tirei duas conclusões:
1. Acho que estou ficando velha, mais coruja em meu ninho, menos baladeira.
2. Eu preciso de muito pouco para ser feliz.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Fé e amor que curam

O último eletroencefalograma do Caio mostrou uma atividade cerebral absolutamente normal e adequada para a idade. Este exame, somado à tomografia de agosto último, que evidenciava uma neuroplasticidade de mais de 75%, conduzem o Caio a uma vida normal e independente nos próximos anos. A partir dos laudos desses exames, não há NADA a impedir seu desenvolvimento motor e cognitivo.

Há pouco mais de um ano, tudo e todos (exames, laudos, equipe médica) conspiravam contra nós e os prognósticos eram os piores possíveis. Mas, após ser descartada a segunda cirurgia craniana, nasceu em meu coração uma convicção que se tornaria meu mantra pessoal: A FÉ TUDO PODE, O AMOR SEMPRE VENCE.

Hoje, o coração de toda a nossa família festeja. Nossa fé e amor valeram cada lágrima derramada, cada angústia vivida. O Caio já venceu.

O futuro é incerto a todos. Mas hoje ele nos sorri mais do que nunca. Com toda a força, doçura e alegria de uma linda criança.



“Queira,
Basta ser sincero e desejar profundo
Você será capaz de sacudir o mundo”

(Tente Outra Vez – Raul Seixas)

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Eu, incompleta

Sim, eu gosto de ter momentos só pra cuidar de mim mesma.
Sim, eu também sou da corrente que acha que se cria os filhos para o mundo, estimulando sua independência e tudo o mais.
Sim, eu adoro quando alguém convida meus filhos para um programa diferente.
Sim, de vez em quando eu fico atordoada com a energia "falante e saltitante" dos meus filhos e peço por menos barulho.
Mas hoje faz 2 dias que o Yuri não está em casa, de mais 2 que ele permanecerá na casa da avó paterna.
E...
a organização irretocável do quarto,
a falta de brinquedos por onde se tropeçar na casa toda
e o silêncio que grita a sua ausência
... só evidenciam o quanto, sem um dos meus filhos, eu fico incompleta.

OU como alguém (desconheço a autoria) já escreveu uma vez...

"Ter filhos é um ato de extrema coragem.
É decidir ter o coração pulsando para sempre fora do corpo."

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

O amor deles por mim

Quem é mãe sabe. A gente ama loucamente, desesperadamente, intransigentemente nossos filhos. E demonstramos isso falando neles o tempo todo, corujando suas conquistas, seu desenvolvimento, compartilhando fotos via email (exatamente como fiz hoje), blogando sobre eles... E é tudo muito gratificante para quem, afinal, tem vocação para a maternidade (sim, eu acredito que é preciso vocação para ser mãe, mas isso é assunto para outro dia).

Agora, mais gratificante ainda é um outro sentimento, que às vezes passa despercebido no dia-a-dia. E ontem eu fui presenteada com doses generosas dele: o amor que eles têm por nós.

Ontem cheguei tarde em casa, com a cabeça repleta de preocupações com trabalho, grana, férias, etc. E lá pelas tantas eu disse pro Yuri, quase choramingando “Me filho, vai dormir, a mãe tá cansada, tá com dor de cabeça”.
Imediatamente ele me abraçou e disse “Então deixa eu te ajudar, pra tu ficar boa logo”. E saiu a recolher desajeitadamente os pratos do jantar, e empilhou de qualquer jeito a bagunça que estava espalhada no sofá e arrumou os brinquedos do Caio no cesto do carrinho de passeio. E veio de novo, me abraçou, me puxou e beijou minha testa dizendo “Vai tomar um banho pra relaxar. Tudo vai ficar melhor. Eu te amo, mãe”.

E eu tomei meu banho e deitei ao lado dele, em sua cama, pra pegar um pouco mais dessa energia, desse carinho. Me renovei.

O Caio também tem várias maneiras de demonstrar o quanto sou importante pra ele, o quanto sou seu porto seguro e o quanto ele gosta disso. Volta e meia, ele me enche de beijos, abracinhos, sua mãozinha suave me afaga.

Hoje, amanheci mais leve. Meus filhos me amam! Apesar das minhas imperfeições, dos castigos, das rabugices necessárias à autoridade materna, eles me amam! E saber disso me torna uma pessoa extremamente feliz e realizada, com a certeza de que, apesar dos tropeços, estamos num bom caminho.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Mea culpa

A verdade é que, infelizmente, eu NÃO sei poupar dinheiro!

P.S. Tbém, nunca me sobra o suficiente para poupar... hehehe!

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

"Parafraseando"

Eu tinha várias coisas sobre as quais gostaria de escrever... me perdi no meio da profusão e pra não deixar o final de semana em branco, copiei o questionário que a Dani K e a Isa postaram em seus blogs, pra quem quiser me conhecer melhor (inclusive eu mesma, ao refletir sobre as respostas - hehehe).

3 Nomes pelos quais você atende:
1) Cláudia
2) Dinha
3) Cacau

3 nomes de "tela":
1) Dinha, apenas

3 Coisas que você gosta em você:
1) minha facilidade de expressão
2) minha boca
3) meus olhos

3 Coisas que você odeia/não gosta em você:
1) meu cabelo
2) meus pés
3) minha impaciência

3 Partes da sua Herança:
1) índia
2) negra
3) chinesa (verdadeiro samba do Crioulo Doido!)

3 Coisas que assustam você:
1) violência
2) intolerância
3) baratas (?!)

3 Coisas essenciais no seu dia:
1) internet
2) refrigerante
3) o beijo dos meus filhos

3 Coisas que você está vestindo agora:
1) regata
2) saia
3) rasteirinha

3 dos seus artistas/bandas favoritos (neste momento):
1) Ana Carolina
2) Papas da Língua
3) Jota Quest

3 das suas canções favoritas (neste momento):
1) Fácil
2) Perhaps Love
3) Alma

3 novas coisas que você quer tentar nos próximos 12 meses:
1) fazer alisamento definitivo
2) emagrecer (também em definitivo!)
3) voltar a estudar (depois de 12 anos longe dos cadernos!)

3) ... Duas verdades e uma mentira: Qual é a mentira?
1) Eu amo nadar
2) Eu sei poupar dinheiro
3) Eu sou louca por maracujá

3 Nomes de filhos:
1) Yuri
2) Caio
3) Júlia (a que não veio e vai ficar para a próxima encarnação, porque nessa eu já encerrei)

3 Coisas que simplesmente você não consegue fazer:
1) acordar de bom humor antes das 9 da manhã
2) fazer crochê
3) gostar de chuchu

3 dos seus hobbies favoritos:
1) ouvir música - e cantar junto
2) ler (até bula de remédio)
3) ver TV

3 Coisas que você quer fazer antes de morrer:
1) escrever um livro (ainda antes do 40!)
2) conhecer Paris
3) ver meus filhos crescidos, independentes e felizes!

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

Dentes perdidos, lições ganhas



Eu, particularmente, nunca achei bonitas as crianças "banguelas". Eu mesma me detestava sem dentes, não permiti uma única foto. Agora, quando acontece com nossas crias, a coisa muda de figura. Então, fica impossível eu não me contagiar com a alegria do Yuri ao ficar com a famosa "janelinha". Mas, junto com os dentes que se foram, duas novas constatações me acometem (e assustam):

1. Pela primeira vez tive a certeza de que pelo menos metade da infância do primeiro bebê que pus no mundo já ficou para trás.

2. O tempo com nossos filhos é tudo o que temos de mais precioso. É preciso aproveitá-lo intensamente, com verdade, alegria, amor puro. Sempre vai ficar a sensação de que podíamos ter feito mais, mas não podemos cultivar esse sentimento (não temos tempo para esses pormenores!). Fazer tudo agora, porque o tempo, ah, o tempo, esse êfemero senhor não anda, voa. E nossas lembranças são tudo o que resta daquilo que já passou. Então, que as façamos lindas, todos os dias.

P.S. Ái, tô mega sentimental hoje: Yuri, te amo meu fifão!!!! * Amor esse que o tempo só engrandece.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A fé que me move

Sei que provavelmente estou sendo repetitiva. Mas eu gostaria, às vezes, de falar dessas coisas todos os dias, com todas as pessoas, na esperança de que talvez pudéssemos construir um mundo diferente.

Eu leio tudo o que me cai nas mãos com as palavras “cérebro” e/ou “neurônios” e seus derivados. Por isso, comecei a ler um novo
blog, que a princípio gostei muito. Ali temos depoimentos de pais e profissionais envolvidos com pessoas com paralisia cerebral, além de depoimentos de pessoas que convivem harmonicamente com a P.C. E eu li um depoimento que, num primeiro momento, parecia ter tudo a ver comigo. Uma mãe fala de suas angústias, alegrias e frustrações. E ela faz um desabafo, onde me enxerguei em várias situações. Como quando ela diz que às vezes pensa em não freqüentar certos lugares (principalmente eventos de família) porque não quer receber os olhares curiosos e as perguntas sobre prognósticos que nem ela tem as respostas; ou quando diz que se irrita com as pessoas que confundem a “moleza” muscular do seu filhinho com um bebê cansado e sonolento; ou mais ainda, o quanto a possibilidade da cadeira de rodas a deprime.

Mas relendo outras vezes seu emocionante depoimento, deixei de ser eu. Ela diz que nem ela e nem o bebê são abençoados, seriam se ele não tivesse limitações físicas. Que ela não quer ser guerreira, nem santa, nem mártir. Queria ser uma mãe comum e passar desapercebida com seu filho, entre as milhões de mães e filhos que existem mundo afora.

Entendo. Aceito. Mas discordo.

Eu também me fragilizo em determinados momentos na minha luta junto ao Caio. Choro. Tenho raiva. Me sinto vítima. Tenho medo. Mas nunca deixei de vê-lo como uma benção grandiosa que, dia-a-dia, me torna uma pessoa melhor, mais humana, mais sensível a causas verdadeiramente importantes. Eu queria que ele não tivesse nenhuma deficiência motora? Lógico. Mas como tão bem diz a
Letícia, eu o aceito como ele é hoje. O que não significa que esta situação não possa mudar amanhã.

É essa certeza que me faz seguir adiante. A minha fé de que ele vai sentar, vai caminhar, vai falar. Sonho com isso, acredito piamente. Tenho medo de que seja utópico. Também me questiono, na manhã gelada ou chuvosa de inverno, se vale à pena acordá-lo para a fisioterapia. Mas seguimos em frente.

Essa semana ainda, ele chorou bastante durante uma sessão de alongamento muscular. Dói mesmo, me garantiu a fisioterapeuta. Mas é necessário. Dói ainda mais em mim, por quê ele precisa passar por isso? Não sei, não tenho as respostas. Mas sei que vamos passar, como tantas outras que já passamos. Houve um dia em sua vidinha que as chances dele sobreviver foram menores que 0,001%. E o guerreiro está aí, cada dia mais lindo e sapeca. Se hoje as chances dele vir a caminhar são de 90%, isso significa 1.000.000% pra mim. Porque existe no meu peito um sentimento que tento passar todo o minuto a meus filhos, à minha família, a meus amigos. Existe uma FÉ que nos move em direção a um futuro que acredito lindo. A mesma fé que há de mover as pernas, o tronco, os braços e guiar a alma do meu abençoado filho.

Amém.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Da sabedoria sobre as diferenças

"Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem: cada um como é."
Alberto Caieiro (heterônimo de Fernando Pessoa)

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Amor doente

É completamente horrorizada que vejo no telejornal a notícia de pais, em Seattle, nos EUA, que estão impedindo a filha de 9 anos, com graves problemas motores e mentais, de “crescer”. Alegando as dificuldades que a menina, praticamente em estado vegetativo desde o primeiro ano de vida, teria para ser carregada e tratada, para sair às ruas, eles vêm fazendo junto a uma equipe de 40 profissionais médicos um tratamento hormonal para que ela pare de crescer. E ainda considerando os inconvenientes dos seios e da menstruação, além do risco dela ficar grávida se vier a sofrer algum tipo de abuso sexual, mandaram-lhe extirpar o útero e as mamas. Ela foi mutilada! E os digníssimos pais atestam que fizeram tudo isso em nome do amor que sentem pela filha, para lhe oferecerem mais qualidade de vida.

Estão querendo enganar quem, com essa ladainha?

Esse posicionamento, pra mim, foi uma comprovação violenta de egoísmo, despreparo e sei-lá-mais-o-quê... me faltam palavras!

Tenho um filho especial, no sentido mais amplo da palavra. Um menino doce a quem sonho um futuro ainda muito lindo. Mas esse menino, com quase 1 ano e oito meses, não consegue sempre sentar sozinho. Ele não caminha. Às vezes, quando brinca, os brinquedos lhe caem das mãozinhas com pouca coordenação motora, sem que ele nada possa fazer. Ele quer ficar de pé e não consegue. Ele quer agarrar um objeto e nem sempre tem firmeza para tal. Ele anda de carrinho e em nosso colo. O colo que darei a ele a vida inteira, se preciso for.

Amo meu filho, tenho orgulho dele e o exibo pra todo mundo – as constantes fotos aqui no blog comprovam isso. Jamais terei vergonha de sair com ele às ruas, ainda que ele tenha 20 anos e não caminhe. Jamais tentarei impedir qualquer crescimento mínimo que ele venha a ter – físico ou mental. Ao contrário, cada mínimo progresso, que o deixe mais próximo de uma criança, um jovem e um adulto sadio, são nossas imensas vitórias.

Amo meu filho incondicionalmente. Assim precisa ser sempre, entre mães e filhos, doentes ou sãos, gordos ou magros, bonitos ou feios. Assim precisa ser entre toda a humanidade, um amor com tolerância, generosidade, doação. Qualquer outro sentimento diferente dessa grandiosidade é apenas um amor muito doente. Exatamente como o dos pais da inocente Ashley.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Momentos 3

O blog está tentando me sabotar, tive que colocar as fotos em dois posts diferentes. De qualquer forma, seguem mais momentos que quero compartilhar.

Yuri, mal conseguindo carregar uma parte de seus presentes de Natal...

Caio, com visual de arrasar com um de seus presentes (o boné): todo lindo!


Eu e minhas jóias, na despedida de 2006, com a fé de que 2007 nos reserva muitos outros momentos assim: felizes!

Então, tin-tin, Feliz Ano Novo (de novo)!

Momentos 2

Meu antigo blog se chamava Redatora. Ainda bem que dei um novo nome a este, porque o que menos tenho feito é escrever. Às vezes, me falta inspiração. Noutras, vontade. Ou ainda os temas sobre os quais penso em escrever não me agradam, daí os deleto antes mesmo de começar. Mas dei, ao meu novo cantinho, o nome perfeito, porque de uma forma ou de outra, o que mais gosto de compartilhar aqui são os meus frutos - sejam as idéias, palavras ou as caras lindas das minhas crias.
Selecionei algumas fotinhos onde, pra variar, eles são as estrelas.

Caio, o contorcionista, que chupa bico e morde a aba ao mesmo tempo

Yuri e seu super amigo de infância: Ronald Mc Donald!

Sorriso lindo demais 1


Sorriso lindo demais 2 - versão banguela orgulhoso

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Retrospectiva 2006

Num primeiro momento, chego a pensar que 2006 foi um ano sofrido, cheio de angústias e provações. Mas olhando de bem de perto, não foi assim. 2005, esse sim, posso dizer que foi o ano da minha vida, em se tratando de obstáculos e dificuldades (e espero que assim se mantenha, que nenhum outro venha a superá-lo). Agora, durante sua reta final, olhei para 2006 com carinho. Foi um ano com seus altos e baixos, claro. Mas foi o ano da consolidação, humilde e paciente, de muitas lutas. O saldo está sendo muito generoso.

Minha família segue unida, meu casamento ainda vive momentos de carinho, cumplicidade e companheirismo (e 14 anos depois, isso é tão importante!). Meus filhos crescem lindos, como flores que estão desabrochando para o mundo.

O Yuri está finalmente perdendo seus dentes superiores, sonho de consumo para entrar numa etapa “mais adulta” de sua vida. Inicia a 1ª série do Ensino Fundamental ano que vem, já lê e escreve tudo com destreza, e, o que é melhor: consegui uma bolsa de estudos integral para ele se manter na mesma escola que freqüenta há 3 anos. Como irmão mais velho, venceu o ciúme e hoje é o grande incentivador e defensor do Caio. É uma criança afetuosa e generosa e nos orgulhamos dele.

O Caio, sempre com a imunidade oscilante, mas cada dia mais participativo e atento. Mostra suas preferências e cada vez mais atesta que os problemas neurológicos não lhe afetaram o cognitivo. É doce, amoroso e bem-humorado. Ano passado, uns dias antes desta data, estávamos temerosos pela possibilidade de uma nova cirurgia craniana. Hoje, nosso caçula segue derrubando prognósticos ruins e nos dando a esperança de um futuro sempre melhor.

Eu mesma, sempre com o orçamento apertado para dar conta de dois filhos, cheguei a ser demitida em setembro. Fiquei triste e com medo de dificuldades futuras. Durante o cumprimento do aviso prévio, meu chefe “mudou” de idéia. E neste final de ano, mudou ainda mais: acabei de ser promovida para um cargo de chefia junto ao meu departamento com um importante acréscimo salarial.

Então, mais do que nunca, inicio 2007 com motivação e esperança. Vai sim, ser um ano bom. Meus filhos vão crescer cada vez mais sadios e felizes. Meu casamento, que já superou tanta crise, só se fortalecerá. Eu hei de encontrar, finalmente, o reconhecimento profissional que procuro e (sem falsa modéstia) mereço. E teremos, finalmente, nosso lar, doce lar.

Dizem que acreditar num sonho é 50% do caminho para realizá-lo. Pois então, acredito nos meus sonhos e darei tudo de mim para fazer acontecer os outros 50%.

Seja bem-vindo 2007! Que nos traga a realização de nossas mais desvairadas esperanças. Ou ao menos, nos dê a força para que as saibamos manter vivas, independente de eventuais obstáculos.

P.S. Escrevi este texto antes de sair de férias. Que não foram exatamente como sonhei. O Caio teve duas novas infecções, o que adiou nossos planos de viajar. Mas ele termina o ano bem, se recuperando com a garra de sempre. Durante os festejos da meia-noite fiz as tradicionais simpatias e pedidos para o ano que está começando. Mas se tivesse que sintetizar tudo num só desejo, sei bem o que pedir para mim, minha família, minhas amigas, meus afetos e, claro, especialmente meus filhos: “saúde pra dar e vender”. Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Então é Natal

Nas crianças, a responsabilidade por nosso presente e a esperança no futuro.
Que em 2007 possamos aprender um pouco mais com elas - seu sorriso, seu jeito de manter vivos os sonhos, sua vontade de ganhar o mundo.
Boas Festas a todos!


segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

Meu Formando

Conforme eu já previra, foi impossível segurar as lágrimas diante do meu primogênito Yuri, todo cheio de si, feliz e orgulhoso de sua conquista: a formatura na Pré-Escola!
E pensar que ainda ontem ele era o meu bebê. E dentro de dois meses e meio estará iniciando a 1ª série! Bem, ainda estou meio extasiada, então deixo as fotos traduzirem um pouco de tudo o que esse momento significou pra gente...



Na concentração... olhem só como já estava o sorrisão!
O momento da troca de faixa do judô
Judoca faixa azul!

Cara toda linda!

Como lidar com tanto orgulho?!

Minha família vitoriosa, minha benção maior, meu tudo!

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Momentos 1

A semana tem sido do cascalho e não tenho conseguido postar tudo o que eu queria... na falta, fotinhos.

Churras de confraternização na agência ontem à noite - a equipe do meu departamento (criação)

Eu e minhas colegas "todas lindas"

Meu "bichinho" lindo!

Eu e as queridonas Ísis e Márcia POA no encontro de ontem (participações especialíssimas do Caio, que adorou o colo da Márcia, e do Gérson, marido da Ísis e fotógrafo oficial).

P.S. Hoje, formatura do meu lindão Yuri. Estou super nervosa e emocionada à essa hora (são 9h35, faltam quase 12 horas ainda!), pode? Segunda, fotinhos do meu moço!

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

Big Father

Bem naqueles meus dias de baixo astral, semana passada, com o Caio passando mal e nós fazendo mil exames sobre o seu fígado, recebo junto com nosso Boletim de Atendimento do Hospital Universitário (da Ulbra, Luterana), uma mensagem que parece que veio responder à “ingratidão” que tenho com Deus, em certos momentos. Foi um alento ao meu coração, saber que além de oferecer a meus filhos, também recebo de meu Pai um amor incondicional...


É bem provável que você já tenha assistido ao “Big Brother” na TV. Pois saiba então, que o título do programa foi inspirado na obra de ficção “1984”, de George Orwell que previa que as populações seriam vigiadas pelo olho do “Grande Irmão” mantendo todos sob controle total.

Como você agiria se soubesse que está sendo espionado? Talvez você não seria o mesmo, até acostumar-se com as câmeras ocultas.

Acontece que já nos acostumamos a elas. Nesta nossa aldeia global, elas já fazem parte do cotidiano. Basta entrarmos em bancos, lojas ou residências.

Governos e organizações possuem projetos para controle de populações visando evitar o crime e o terrorismo. Isso nos leva bem próximo daquilo que Orwell previra.

Na verdade, já somos observados antes mesmo de vir ao mundo. Há alguém que está sempre nos olhando, e muitas vezes nem nos damos conta disso. É o nosso Big Father. O Grande Pai. Há mais de três mil anos, o sábio rei Davi dizia: “Ó Senhor Deus, tu me examinas e me conheces. Tu sabes tudo o que eu faço”.

O Big Brother de Orwell sugere um controle total dos seres humanos através das câmeras. Nosso Big Father, sem precisar delas, sabe de cada um de nossos movimentos e nos dá a liberdade de executá-las. Conhece nossas fraquezas e incoerências e ainda assim nos ama. Respeita nossa individualidade e não nos coloca no “paredão”. Saber disso é ter a verdadeira segurança e paz.

Deus Eterno,tu me examinas e me conheces. Sabes tudo o que eu faço: de longe conheces todos os meus pensamentos. Tu me vês quando estou trabalhando ou quando estou descansando; tu conheces as minhas ações. Antes mesmo que eu fale, tu já sabes o que vou dizer. Estás em volta de mim, por todos os lados e me proteges com o teu poder. Eu não consigo entender como tu me conheces tão bem; o teu conhecimento é tão profundo que não posso entendê-lo. Vê se há em mim algum pecado e guia-me pelo caminho eterno.
(Salmo 139)

Rapidinhas

• Faltam 3 dias para a formatura do meu primogênito! Que misto de orgulho, ansiedade e emoção (o que eu vou chorar, já tô até vendo!).

• O Caio aprendeu a fazer bichinho... franze o nariz, morde o lábio inferior e manda beijo, tudo junto! Sei, já ouvi alguns seres desprezíveis nos falar: “Mas ele até já passou da idade de fazer bichinho”. Nem ligo, ele tá é cada vez mais lindo, de bichinho beijoqueiro. Difícil tá sendo fotografar, mas em breve eu conseguirei.

• Comprei um mini-livro pra mim, com várias frases e citações. Escolhi o “Caminhos da Esperança”. Volta e meia, vou largar uma delas aqui.

• Montamos nossa árvore de Natal em casa, para alegria das crianças, especialmente o Yuri. Aposentei, temporariamente, minha árvore de 2,10m e estou usando uma que minha cunhada emprestou, de 0,90cm. Mas, importante, é manter o sonho dos pequenos.

• Aliás, o Yuri está lendo cada dia melhor. E até neste último Dia das Crianças, ele fazia “listas de presentes” recortando fotos de brinquedos dos encartes de lojas e supermercados. Agora, ele escreveu sua primeira carta ao Papai Noel. Pra não deixar dúvidas, também colou a foto dos presentes desejados.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

E para colorir o final de semana...

Testes para um ensaio no site Paparazzo...
O sono dos justos OU Que delícia de menino!

"É lindo o teu sorriso, o brilho dos teus olhos,

meu anjo querubim"

"A" dupla dinâmica

Viva a morte de cada dia

Hoje eu não ia escrever nada, mas aí recebi este texto por email e achei muito bacana. E cá estou eu, compartilhando ele com vocês.

Num artigo muito interessante, Paulo Angelim que é arquiteto, pós-graduado em Marketing dizia mais ou menos o seguinte:

"Nós estamos acostumados a ligar a palavra morte apenas à ausência de vida e isso é um erro.
Existem outros tipos de morte e nós precisamos morrer todo dia. A morte nada mais é do que uma passagem, uma transformação. Não existe planta sem a morte da semente, não existe embrião sem a morte do óvulo e do esperma, não existe borboleta sem a morte da lagarta, isso é óbvio! A morte nada mais é do que o ponto de partida para o início de algo novo. É a fronteira entre o passado e o futuro.


Se você quer ser um bom universitário, mate dentro de você o secundarista aéreo que acha que ainda tem muito tempo pela frente. Quer ser um bom profissional? Então mate dentro de você o universitário descomprometido que acha que a vida se resume a estudar só o suficiente para fazer as provas.

Quer ter um bom relacionamento? Então mate dentro, de você o jovem inseguro ou ciumento ou o solteiro solto que pensa poder fazer planos sozinhos, sem ter que dividir espaços, projetos e tempo com mais ninguém. Enfim, todo processo de evolução exige que matemos o nosso "eu" passado, inferior.

E qual o risco de não agirmos assim? O risco está em tentarmos ser duas pessoas ao mesmo tempo, perdendo o nosso foco, comprometendo nossa produtividade e, por fim, prejudicando nosso sucesso.

Muitas pessoas não evoluem porque ficam se agarrando ao que eram, não se projetam para o que serão ou desejam ser. Elas querem a nova etapa, sem abrir mão da forma como pensavam ou como agiam. Acabam se transformando em projetos inacabados, híbridos, adultos infantilizados.

Podemos até agir, às vezes, como meninos, de tal forma que não matemos virtudes de criança que também são necessárias a nós, adultos, como: brincadeira, sorriso fácil, vitalidade, criatividade etc. Mas, se quisermos ser adultos, devemos necessariamente matar pensamentos infantis, para passarmos a pensar como adultos.

Quer ser alguém (líder, profissional, pai ou mãe, cidadão ou cidadã, amigo ou amiga) melhor e mais evoluído? Então, o que você precisa matar em si ainda hoje para que nasça o Ser que você tanto deseja ser?

Pense nisso e morra! Mas não esqueça de nascer melhor ainda!"

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

O guerreiro incansável

Tenho a concepção certa de que a vida é feita de lutas. E embora Ele se ocupe do nosso destino, nada cai do céu. É preciso lutar para alcançar nossos objetivos, realizar nossos sonhos, manter o emprego, conservar os afetos. Tudo é luta.

Mas para alguns, a luta é mais árdua, os desafios são maiores ou, no mínimo, mais constantes. Eu conheço um exemplo de guerreiro incansável, que lutou para viver, que luta para poder controlar o próprio tronco, que luta contra o preconceito, a baixa imunidade, intercorrências médicas... que luta para ganhar qualidade de vida.

E ele está travando mais uma luta. Certamente não tão árdua quanto outras das quais ele já se saiu vencedor. Será mais uma vitória, acredito nisto. Se não pela bondade do Pai, pela garra deste pequeno grande homem.

Eu sempre soube, meu filho, desde o primeiro momento que te vi, que eras o portador de uma alma grandiosa encoberta por um corpo de aparência frágil. Fortaleza é o que és. Exemplo de garra e superação. Assim como me dói toda a dificuldade que aparece em teu caminho, me orgulha a tua determinação em vencer uma a uma.

Eu estou aqui meu filho, segura a minha mão. Se não para receber a minha força, afinal és tu o verdadeiro forte desta família, para receber o meu amor. Este sim, exaurido, mas interminável, assim como a tua coragem.